Entrada mono e técnicas em stereo


Voltei a manejar as carrapetas alternando a noite com um grupo de camaradas. Mas achei que o som do vinil só saía meio mono. Nao pude fazer nada e mandei bola pra frente. Foran 9 anos sem tocar numa festinha na noite siddiana, como passou tao rápido!28685795_10155627124233386_8899745334329687093_n

Agora fazem 6 meses que fico caminhando para cima e pra baixa em rondas culturais. Uma certa vez me esbarrei com um alemão que espantado com meus conhecimentos sobre a Noruega, me pergunta isso:

– Lá no Brasil só tem pobre e aqui só tem rico, né? – Identificando a qualidade precária da composição, eu simplesmente o mandei pra escanteio do seguinte modo:

– É muito difícil comparar essas 2 sociedades numa conversa corriqueira, que precisa ter de antemão sociologia, geografia e economia bem sabidos. Vejo muito as pessoas estudarem e trabalhem o dobro por lá e obterem a metade do que aqui se tem de mão beijada (ou seja: escola, moradia, transporte, saúde e sociabilidade). Lá me parece que o governo é inimigo do povo, aqui mal ou bem, o povo ainda controla quem eles EMPREGAM nessa frente, nessa ocupação. Voltemos a falar de arte em Stavanger.

Na cabeça daquele alemão de bem, ronda que a pessoa é pobre por falta de interesse em trabalho ou que pertence a um cerco completamente ignorante. Ignorante mesmo seria ele, mas ele não calha a saber disso.

Ainda impressionada com a desfaçatez sem cabimento do sujeito magro e sem jeito, que aparentemente trouxe a noiva quase que invisível pra aproveitar resquícios de verão num dos cantos menos quentes europeus naquela determinada data, fui me reestabelecer no baú das tretas da internet.

O causo foi “Já tinha cara de mal comida“. Uma interiorana se referia assim a foto da Frida Kahlo, a artista mexicana na idade de 9/10 anos de idade. A moca do comentário infeliz, despropositado e ignorante nao passava dos 21 anos de idade, posava de uma forma bastante intensa/interessante aonde seus dotes CARNAIS centralizavam a foto minúscula do perfil.

fat_bastard-1978013-12-1515348762857Esses zumbis da Frida devem ser mocas sem muita perspectiva na vida mas com grandes curvas erotizadas. Pra elas é incompreensível a mulher não ser empoderar de uma forma que nao seja sendo provocando libido no macho, ou num, plus nas fêmeas também. Como me dá pena isso. Porque é limitado. Provocar é a parte legal. Provocar intelectualmente é ainda mais sensacional, como faz as pinturas da Kahlo muito e muitos anos depois da sua confecção, elas ainda permanecem provocantes. Se à Zumbi da Kahlo fosse passado outros valores, ela se daria mais valor como mulher. Que fique claro: Não é obrigação de nenhuma mulher ser um objeto ideal dos delírios eróticos do momento fabricado na equação de industria, tabus e etc…. 

 Mulheres inspiradoras

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1900 indonesiana

A Mattel lançou recentemente a coleção “Mulheres inspiradoras”. A coleção com 15 ícones mundiais foi criada depois de um levantamento que a empresa se deparou. Na pesquisa mostrava que 86% das mães norte americanas estavam preocupadas com o tipo de modelo que as bonecas continuavam representando nos tempos atuais! A empresa que já havia criado diferentes profissões pra a Barbie, teve a brilhante idéia de apresentar BELAS mulheres que se destacaram nas profissões que tem. As escolhidas não foram apenas mulheres que obtiveram sucesso num determinado campo, mas sobrepujaram o clube masculino liderante na maioria das ocupações. Isso é inspirador.

É quando voce me pergunta qual é o maior nome literário do meu país, eu te respondo que a Lygia Fagundes Telles, cadeira numero 16 da academia, condecorada com o Camões e listada para o Nobel. Nunca li. Nunca ouvi falar dela enquanto cursava a escola ou a Universidade. Ela é inspiradora.

Fico me perguntando por que não fizeram isso nos anos 80? Tirando a Frida, todas as outras são um bando de desconhecidas. Hão de contra-argumentar que as norte-americanas da lista são notórias. Só se tornaram assim notórias porque o órgão que reproduz IDÈIAS dos norte americanos não dorme em serviço, camarada. Como acabei de fazer puxando sardinha pro meu lado cultural.

 Daí que…

– Sobre a Frida Kahlo, gostaria de saber o que ela tem de ícone do feminismo. Li a história dela e tirando o fato dela ter superado as sequelas de um acidente brabo pintando quadros (horrorosos) com a cara dela, não consigo entender o que ela tem de inspirador…

Um adendo rápido sobre os quadros dela, ou sobre a CRIAÇÃO dela. O fato de um público normal, galera da pipoca e da coca nao gostarem já me dá um pressentimento que a parada é legal pra bedel.  O que nao é horroroso? Aquilo que seria bonito? Peraí, xo-ve se eu entendo, se ele a pintasse bonito, seria bonito? É assim chatao o entendimento? Bonito assim como as propagandas de perfume. Esse tipo de comunicação se chama ILUSTRAÇÃO.

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Rockwell, o maior ilustrador norte-americano. Ele fazia capa pra uma revista semanal, ganhava baldes de dinheiro. As ilustrações sao em óleo. Essa: “A Sala do Júri”, percebam a garota que nao dá o braço a torcer, vão madrugar aí, fumando ou não fumando na cara dela. A mocinha da ilustração parece com a a minha mãe! O que me faz suspeitar que o júri quer culpar uma mulher também e essa garota ali faz toda a diferença.

Existe um público alvo, o público gosta de cachorro, usa-se  cachorro na imagem; o público gosta disso ou daquilo, das arvores no outono, da mulher despida, do sorvete derretendo na mão criança, faz-se rapidinho e é um sucesso. O que acontece com a Frida é que ela derrubou vários estigmas relacionados a arte que ainda eram comuns no mundo. Ainda rolava muito na década de 1910/20, o artista estar preso a uma seleção de críticos dentro das academias. Ela não veio da área  acadêmica, ela estudava medicina, e suas obras avançam e mostram vários estudos do corpo de uma forma mais contemporânea. A loucura de se aventurar  mostrando partes do corpo e d’alma, é fenomenal demais, ultrapassa entendimentos comuns de feio ou de bonito. O negócio é inusitado, único, inesperado e sobretudo PROVOCANTE. Ela não estava vendendo nada, ela estava arquivando todo uma aventura dramática. Podia ser com qualquer um o drama, mas a maneira como ela trabalhou foi genial.


Os quadros sao de fato resultado de uma pintora muito habilidosa, ainda mais cheia de dores. Os mesmos
 abordam também a questão da posição inferior da mulher e do mestiço. Fiquemos só com a questao da mulher pra na ficar tao abrangente. Ela como mulher se pintou. Ela nao ficou procurando uma gostosona pra posar pra ela. Em museus mais tradicionais dos países latinos como a Italia, France e Espanha, o Ufizzi, Louvre e Padro, 95% dos quadros tem uma mulher que era uma profissional da cama posando como deusa ou como virgem. Frida se pintou como uma mulher real, ALEIJADA, latina, de MONOCELHA, poha o que querem mais? Mas tem mais, tá sentada? Atente para a tela (ficou bom isso?)  “Unos quantos pequetitos” e desçamos umas tequilas depois da apreciação e literatura sobre a obra.28951546_10213415249008576_6289688560828153856_n

Kahlo leu no jornal as seguintes notícias: “Um homem matou sua esposa e se defendeu nos tribunais dizendo que ele apenas lhe havia dado “alguns piquetitos“”. De acordo com a polícia, havia vinte feridas. A atriz Daniella Perez foi brutalmente assassinada em 1992, coincidentemente com o mesmo numero de tesouradas que a vítima da obra de Frida, publicaram que cada uma das estocadas foi sentida pela vítima agonizante no matagal da Barra. Guilherme de Pádua, colega da vítima e Paula Thomaz, foram condenados, mas libertados anos depois. Paula era menor de idade. De Padua era ex-aluno do Santo Inácio de Belo Horizonte e casou pela 3ª vez em 2017. Vem cá, negozinho nao se informa, nao? Voce nao vai só dá umazinha com um cara que matou uma moca, voce vai DIVIDIR sua vida com alguém que tirou a vida de uma outra pessoa, voce merece mais. Parece que as pessoas torcem pela infelicidade dos próximos, nao há quem ganho numa sociedade assim…

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Voltando a fio da meada, a artista engajada na causa feminista, decidiu denunciar o evento. Ela realça o episódio sangrento do assassinato e ironiza o cenário com um pomba branca e um corvo segurando uma fita com as palavras fatídicas do indivíduo, para deixar clara a incongruência da situação. Esse tipo de obra era também uma alusão a centenas de pinturas religiosos feitas pelo povo e dada as igrejas depois que um pedido de milagres era recebido. O assassino satisfeito, mantinha um lenço com o qual ele limpou todo aquele sangue. Provavelmente ficou impune com o crime.

Foi uma ideia boa venderem as Barbies com mulheres inspiradoras! Uma mulher é inspiradora sendo o que for, o feminismo surge por acidente, na concorrência, ela estava sendo ela sem aquele freio (“ponha-se no seu lugar de mulher”, conhece?). Qualquer mulher que assuma uma posição igual ou a frente do irmão ou do companheiro, ou SOZINHA, assim como engenheiras, médicas, diretoras, advogadas, guitarristas, djs, pode estar acionando o feminismo, lutando pelo espaço de conquista e nao aceitando uma submissão. “Ícone do feminismo” eu só conheço uma, a mulher que criou o Kvinnegruppa Ottar: Elise Ottesen-Jensen

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Elisa & o marido em Uppsala


Elise Ottesen-Jensen, nasceu 1886 em Sandnes, a cidade vizinha de Stavanger. Faleceu em 73 em Estocolmo. Ela foi uma jornalista simpatizante do socialismo que lutou pelo planejamento familiar e o direito das mulheres de controle da seu próprio corpo (ou controle da sua ferramenta sexual). Foi uma importante pioneira na luta das mulheres e no feminismo em particular na Suécia. Estava pra se formar como dentista, mas um acidente no consultório odontológico inibiu essa carreira. E não, ela como Lygia, não foram escolhidas pela Mattel para inspirar meninas pelo mundo a fora.

Elise era a filha de pastor e tinha 17 irmãos. Sua irma Magnhild de apenas 16 anos foi mandada para a Dinamarca pra dar a luz a uma criança ilegítima. Ela acompanhou de perto a trajetória dramática da irma como uma espécie de guarda em nome da familia. Depois de perder o infante a moca foi internada em um manicômio.

Se tornando a responsável pela irma, ela passa a residir na Dinamarca e dar as costas a sua familia, é possível que nunca mais tenha voltado a Stavanger-omg¹. Casou com alguém que compartilhava dos seus ideais de luta proletária. Acabaram expulsos de lá, mas nao da Escandinávia.

Nos anos 20 ela achou o cerne do seu trabalho que era defender métodos contraceptivos. Até então nos países escandinavos isso era praticamente ilegal. Nos anos 30 começou a dar palestras sobre técnicas de planejamento familiar e responsabilidade parental para todo o tipo de publico dos sindicalistas aos universitários. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela reuniu fundos pra refugiados judeus se assentarem na Alemanha oriental, como deu apoio a criação do estado de Israel. Recebeu doutorado em medicina na Universidade de Uppsala em 1958. Ela também lutou pela causa gay. Nos últimos anos de vida, ela trabalhou com o planejamento familiar nos países em desenvolvimento. Uma escultura na Suécia  poe ela com uma galera onda: Elise Ottesen-Jensen, Paulo Freire, Sara Lidman, Mao Ze-Dong, Angela Davis, Georg Borgström e Pablo Neruda. A Frida iria adorar se meter nesse metiê.

 

71dQfNePVpLMas e o lance da sobrancelha da Frida? Pra mim tá na cara, desculpa a piadinha escrota, eu nao entendo nao entenderem. Simples, conceito de beleza é uma coisa ditada pela saúde economia social dos países coloniais. Na década de 1910, um monte de intelectuais e artistas espalhados APENAS nas grandes metrópoles mundiais (Stavanger estava de fora por exemplo) se vestiam de homens. Isso foi um movimento avant-garde ² contra um modelo que usa espartilhos e saias. Tanto quanto a Frida, a Chanel se beneficiou nas décadas seguinte dos benesses que figuras undergrounds fizeram ao longo dessa década.

Já me perguntei quem eram as garotas no Rio que faziam isso, se vestir com um terno sóbrio, preto no lugar de um vestido de cores vivas, brocado que realce curvas insinuantes pra mexer com a atenção de um cara. Nair de Tefé von Hoonholtz nascida em Petrópolis em 1886, foi muitas notáveis coisas, inclusive deve ter feito isso alguma vez e encorajado seu cerco de amigas. Se revelou como caricaturista, e teve trabalhos publicados depois que voltou de Paris em 1906 aonde concluíra seus estudos. A UFRJ já está mexendo os pauzinhos pra ver se consagram a artista esquecida como a primeira mulher dessa área de ilustração menos ortodoxa. O casamento em 1913 com o nada mais nada menos, presidente da república Marechal Hermes da Fonseca, deixou seus planos profissionais de lado.

8705b8ce58cb195563aa70d7da5024c2Nesse negócio de moda, a pintora mexicana voltou as RAÍZES. Se vestiu como a avó dela que era meio índia, vc já tentou se vestir como sua avó? No período entre guerras, as européias raspavam a sobrancelha e desenhavam, maquiavam seus rostos, preocupadas em imitar a beleza publicada como nas ilustrações, dentro do minimalismo e das curvas precisas do Art Decó. Kahlo não padeceu na moda, foi na direção oposta da idéia totalizante. Pra galera ocupada com a obediência, essa forma de teimosia contra um modelo estipulado faz surgir as interjeiçoes: “Quem ela pensa que é?!!” ou “Ela nunca vai pegar marido assim…!“. Mas ela se atolou com o Diego, logo uma cara gordo e velho. Uma sina que acontece com todas as mulheres em maior ou menor grau, em um pequeno ou grande ponto da vida de uma larga maioria. Atire a primeira pedra se não sofrera pelo cara errado…

Frida é a mais popular pintora de todos os tempos. Encabeçando a lista de famosos que foram influenciados pela mexicana temos a nossa CARMEM MIRANDA. A história da Carmem com o marido babaca dela pode ter sido pior que a da Frida e esse maluco nem era um alguém.


¹) Grande Stavanger

²) literalmente, a guarda avançada ou a comissão de frente de um exército. Seu uso metafórico data de inícios do século XX, se referindo a setores de maior pioneirismo, consciência ou combatividade dentro de um determinado movimento social, político, científico ou artístico.

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Manuscrito III – City tour


Leitores, esse texto foi escrito para uma audiência de cabeça prateada, a fim ser de uso fruto ao um mercado que nos consome. Se voce conseguir ler até o final esse mundo cinza, meu parabéns, voce tem grandes chances de viver mal muito anos.

Porto

Senhoras e senhores, bom dia e bem vindo a Stavanger. Meu nome é Flavia e serei sua guia. Aqui é motorista Tal. Passearemos pelos mas interessantes pontos de Stavanger. Antes algumas notificações de segurança: Guarde o número do ônibus e respeitem os horários estipulados. Há um kit de primeiros socorros e nos arcos das janelas há um dispositivo que funciona como saídas de emergência. A pessoa é a responsável pelo uso dos cintos, a multa é de 1500 coroas (180 euros) caso a pessoa for encontrada sem.

360px-Carta_MarinaA cidade de Stavanger ganhou o nome porque viajantes, (se viajava preferencialmente pelo mar) puseram um mastro (stav) no fjord sinalizando o local, o nome do fjord era Anger. O mastro de anger, deu: Stavanger.

Stavanger é a maior cidade europeia com casas de madeira. Já as casas de ao longo do porto recebiam cargas dos navios, com uma engenhoca acoplada nos seus sótãos. Os barcos atracavam colados as casas. Hoje sua função não tem nada a ver com a indústria do peixe, servem como bares, hotéis e outras facilidades modernas.

A costa de Stavanger é banhada pelo Mar do Norte e devido a corrente do Golfo do México a marina nunca congela. Stavanger é um dos três portos da Europa como Mônaco e Copenhague em que cruzeiros ancoram no “centro” da cidade.

Passamos agora pela Casa de Concertos de Stavanger finalizada no verão de 2012. A casa dispõe de uma arena de concertos ao ar livre. Acoplado a edificação se localiza o instituto de dança e música. O edifício foi premiado nos EUA com o USITT de 2016, honra ao mérito na área de arquitetura. O local no século XVI servia de palco pra queimar bruxas, a última a sofrer esse tipo de punição foi Barbara Bjelland em 1698.

Løkkeveien

Atualmente há 133 mil pessoas em Stavanger. Ao nosso lado direito a estatua de Lars Hertevig, o pintor mais famoso da cidade.
A descoberta do petróleo foi “o grande presente de Natal» de 1969. Nesta rua concentra-se vários hotéis construídos para receber aqueles que vieram atraídos pela fábula do Petróleo. A cidade praticamente desconhecia o Turismo antes de engrenar com a engenharia petrolífera.

Eiganesveien

Deixamos o centro da cidade e adentramos o bairro de Eiganes. Eiganes vem da palavra «Eik» (Carvalho). Stavanger viveu da exportação de carvalhos que serviam para construção de casas e veleiros. Essa rua que transitamos agora era a via principal para se chegar à Stavanger. Todo esse local era ocupado por florestas de carvalhos, habitada com esparsas (hytta) cabanas, aqui e acolá. A sociedade abastada de Stavanger com a fase produtiva do arenque passaram a construir vilas de veraneio aqui como uma espécie de refúgio do burburinho do centro de Stavanger, longe do cheiro e da «poluição» da indústria pesqueira.

A Residência de Breidablikk pertenceu ao rico armador de veleiros e comerciante Lars Berentsen. Lars teve 3 filhas e 1 filho. A primeira se casou, e logo morreu de pneumonia deixando um bebe. Olga foi a última a morrer em 1965 aos 88 anos e completamente sozinha. Erik morreu durante a guerra, ele cuidava dos negócios do pai. Os 3 irmãos viviam um para o outro tomando conta desse patrimônio. Olga doou a propriedade à Prefeitura de Stavanger com a única condição de preservá-la na sua forma original, como arquivo real de uma família burguesa de Stavanger. O melhor interior preservado de toda a Noruega. Eram notórios pelo uso tradicional dos afazeres domésticos.

Ledaal

É a residência oficial dos reis em Stavanger. O quarto designado ao rei Harald & a rainha Sonia tem uma cama que é relativamente pequena para ele que tem um porte excelente.

O local foi adquirido por Jacob Kjelland, ele era cacheiro viajante e entendia da logística do mercado na sua época. Seu filho herdeiro, Gabriel Schanche Kielland só em 1881 finaliza a construcao dessa mansão neo clássica, pintada em vermelho que toma de contraste o verde intenso do paisagismo ao redor.

Gabriel era avô de Alexander Kjelland, o romancista nunca morou nessa vila. Seu pai Jens Zetlist Kjelland foi embaixador fora do país algumas vezes, uma delas em Portugal. Alexander divide o posto dos entre 4 maiores realistas noruegueses, descrevendo as agruras da Belle époque de Stavanger.

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Alexander Kjelland

Madla

Mosvannet serviu até 1931 como fonte de água potável para Stavanger. Se pratica todo tipo de esporte em volta e sobre o lago. O que a torna a area mais popular para atividades ao ar livre em toda a cidade e em todos as épocas do ano. Sao cerca de 3km.

Logo se desponta o prédio mais alto de Stavanger que de frente ao museu de artes. Nele há uma grande coleção de pinturas de Lars Hertevig & Kitty Kjelland. A colecao foi iniciada em 1865 por Jens Zetlist Kjelland pai de Kitty & Alexander. A familia Kjelland tem seu nome gravado em várias áreas de Stavanger.

Em frente ao shopping na rotunda foram colocados exemplares do fazenda da idade do ferro. A fazenda está localizada em Ullandhaug e foi descoberta em 1967.

A manteiga de Madla

Uma descoberta única que está exposta no Museu Arqueológico de Stavanger. Ela foi encontrada em 1917 e datada da antiga Idade do Ferro, mais especificamente do período de migração, ou seja, 430-560 dC. A manteiga foi conservada pelo ecossistema do pântano.

 De acordo com os arqueólogos, é muito incomum achar comida e outros materiais orgânicos preservados como encontrado em Madla. Geralmente se encontra cerais, manteiga é uma coisa muito rara.

As teorias sobre ter sido encontrada num pântano sao: 1) Pode ter sido uma oferenda aos deuses. 2) Que o pântano era uma geladeira natural nos meses quentes de verão!

 A manteiga tem muita tradição na Noruega, podia também ser usada como moeda nas devidas trocas. Os arqueólogos provaram manteiga e era estranha. Parece que não levou sal.

“As três espadas” é um monumento comemorativo da batalha de Hafrsfjord de 872. A escultura foi feito por um artista local, de Bryne, Fritz Røed, concluída nos anos 90. Há uma pequena réplica em Bergen.

A história da antiga Noruega está registrada nas “sagas” (Legends) escritas em Heimskringla, “lendas reais”, foram escritas na antiga língua norueguesa pelo poeta e historiador Snorre Sturluson, por volta do ano 1230.

A lenda conta que Harald, filho de Halfdan Gudrödarson, rei de pequenos condados espalhados pelo país, conseguiu unir a Noruega.

Gyda, a filha do rei Eirik de Hordaland (província aonde se situa Bergen) recebeu a honra de apelidar o rei Harald de Harald dos belos pelos. Entretido pela beleza da princesa este rei a cobiçou. Enviou seus capatazes pra buscar a princesa, mas ela negou ser tratada como mercadoria. Em resposta ela indagou ao rei Harald o POR QUÊ dele não unir todos esses pequenos reinos espalhados pelo que era chamado caminho do norte. Ele tomou as palavras dela como um desafio e prometeu não cortar mais cabelo e a barba antes que terminasse essa missão. Assim que a tarefa foi concluída eles se casaram.

Com Harald, ela teve vários filhos. Um deles foi a uma em expedição viking à Irlanda. Nos anais históricos irlandeses faz-se menção ao rei viking de Dublin.

A batalha de Hafrsfjord foi uma das mais sangrentas da história da Noruega. Todo o fjord ficou manchado de vermelha pelo sangue derramado dos combatentes. O grande arma na batalha foi cercarem os oponentes usando a geografia local. Uma técnica também bastante conhecida para abaterem ursos.

Ullandhaug (colina da caça) contém indícios que foi uma área de caça desde da Idade da Pedra. Em tempos recentes, o morro se encontrava todo desmatado. De 1950 a 1970 crianças do ensino fundamental replantaram 20 mil mudas de árvores precavendo erosão do acidente geográfico da rigidez das chuvas e ventos fortes. Lá também praticavam o salto com ski, mas acabaram abandonando o local porque Stavanger vem sentindo drasticamente a elevação da temperatura. No local agora há um jardim botânico e um horta ecológica.

Chegamos à torre de Ullandhaug foi construída em 1964 e é utilizada como uma torre de telecomunicações.

A TORRE DE HARALD

Em 1895 construíram em Ullandhaug uma torre em homenagem ao rei Harald dos belos pelos, pela famosa batalha de unificação da Noruega em 872. A batalha naturalmente se deu em Stavanger por é uma quina de encontros, aonde os reinos no oeste da Noruega se encontravam com o reinos sulitas.

A torre era decorada com inscrições de Runas e pinturas que representam eventos da batalha. Durante a Segunda Guerra Mundial, a torre foi destruída por tropas nazistas e eles usaram o mesmo lugar para instalar baterias antiaéreas. Ullandhaug é o ponto mais alto da cidade, a 135 metros acima do nível do mar.

A associação de turismo colocou 16 pedras de mármore que faziam parte da torre original.

Chegamos à Acrópoles de Stavanger, onde encontramos o antigo hospital, o teatro de Stavanger e o museu da cidade e o lago de Breie (Breievannet).

A Catedral

A Catedral foi encomendada pelo rei Sigurd Jorsalfar (Aquele que foi à Jerusalém). Ela estaria independente da Catedral de Bergen.

O maior motivo que me parece pra erguerem a catedral em Stavanger foi o desejo do rei Sigurd teve em desposar Cecilia. A donzela era filha de um prolífico comerciante local. O bispo de Bergen já havia negado a solicitação de novos casório ao Rei que já havia 2 vezes com princesas de alto escalão. Reynaldo viu a chance de se dar bem e deu uma idéia ao rei. Como desejo real feria as ordens de conduta da santa igreja, Reynald propôs ao monarca arcar com todas as DESPESAS na construcao de uma Catedral. Sigurd aceitou as exigências imediatamente.

O monge Reynald logo foi nomeado o primeiro bispo de Stavanger. Trouxe consigo um resto mortal de St. Svithun que foi perdido nos diversos saques quando veio a reforma protestante.

A arquitetura da Catedral está nos moldes das igrejas inglesas da mesma época, sua planta original é um tardio românico. O comprimento é igual à largura da Catedral de Cantebury. St. Svithun foi um Bispo da cidade santa britânica e se tornou o padroeiro de Stavanger. Por conseguinte a Catedral era conhecida como catedral de Sao Svithun de Stavanger. Esse santo é considerado pelos católicos britânicos como santos das chuvas e tempestades., caindo perfeitamente pra esse local.

O bispo Arne foi o responsável pela primeira grande reparação da catedral depois de um grande incêndio que abolou parte da estrutura. Ele deu detalhes mais modernizados pra época, dando toques no que hoje consideramos o estilo gótico. A idéia dava mais espaço e luz ao ambiente.

O Norte e o sul como conceitos são encarados com extrema seriedade pelos que a usavam na Idade Média. Para um Norueguês daquela época, o inferno é frio pois o frio é um inferno por aqui! O frio significa falta de conforto, o frio cria necessidades. As mulheres estavam desde início CONDENADAS a usar asa norte da igreja, pois eram criaturas mais próximas do caos do inferno. A Maria kirke estava na asa norte da igreja, servia de local de cárcere. Enquanto as dependências de sua eminência ficavam na asa sul.

No século XIII, foi criado um colegiado de 12 Irmãos, suas funções além da liturgia e administração do Bispado eram independentes da supervisão do Bispo, nessa situação, mantinham o sistema deles com o bispo menos corruptível. A local de morada deles ficou conhecido como «Kannik” (o bairro entre o centro de Stavanger e as florestas desaparecidas de Eiganes).

A reforma veio em 1537, 20 anos depois de Lutero ter criado na Alemanha sua religião. Quando os reis de alguns estados germânicos se associaram a essa religião, entenderam que dominariam a igreja e seus bens. Na mesma época Stavanger enfrentava vários tormentos com a peste negra e sua população se reduzira. A Igreja precisa de gente pra se manter. O rei dinamarquês não estava interessado nos números negativos, se tinham alguma coisa aqui de valor foi mandada para Copenhagen.

E os escritos em latim, livros e relíquias católicas foram simplesmente desvalorizadas e logo destruídas. Nessa conta foram enviados até a Dinamarca 5 sinos para serem fundidos ​​para construcao de material bélico como canhões, mas o navio que os transportou afundou no caminho sem deixar rastro. O arquipélago de ilhotas que margeava esse acidente recebeu o nome de “os sinos». Dizem que ao passar por esse local se ouvem os sinos alertando a aproximação de uma tempestade.

A Catedral foi restaurada pelo arquiteto Von der Lippe no década de 1870 e o altar recebe esses acabamentos do eclético no estilo neo gótico, mais o órgão alemão. Os restos mortais de grandes vultos da cidade enterrados sob a nave foram removidos. Pequenas outras renovações foram feitas cadencia de 25 em 25 anos, mantendo e promovendo melhor o uso do espaço. Uma delas nao pintar com cal artificial as pedras milenares da igreja, etc..

Stavanger sofreu muitas mudanças desde a sua fundação. Durante todos esses anos os sólidos muros da Catedral viram a cidade se reinventar. A Catedral tem sido a âncora da cidade e hoje é considerada a melhor catedral preservada da Noruega.

Frida Hansen

(1855-1931) foi uma das maiores tecelãs com uma significativa carreira internacional. Nasceu de uma das mais celebres famílias de Stavanger e recebeu aula de desenho e pintura da própria Kitty Kielland. Após a falência em 1883 da firma da familia ela começou a tecer. Renovou a tradicional técnica de tecelagem tecido de ervas de Jæren e Ryfylke. Eventualmente, foi influenciada por impulsos artísticos da Europa daquela época, sendo uma das mais importantes artistas do Art nouveau.
Um das mais importantes trabalhos pode ser visto na casa de armas da catedral.

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A Villa Blindensol é a casa mais antiga no bairro conhecido como Stavanger antiga. Quando a construíram, se posicionava isolada da cidade, está datada da virada do século XVI para XVII. A casa pertencia até 1825 à família do rico comerciante Laurits Andersen Smith, filho do carpinteiro escocês que esculpiu o púlpito da Catedral de Stavanger.

Esse bairro era uma área humilde e suas casas estavam sempre cheias de gente. Diz que a média de residentes por cada casa era 40 pessoas. Essas casas por sua vez tem uma média 80 metros quadrados. Hoje as mesmas residências abrigam de 1 à 2 pessoas. O cenário era muito diferente do que vivemos, aonde encontramos paz e silencio, era um eterno ruído de crianças brincado e chorando por impaciência com a fome ou com a falta dos pais. Hoje aonde vemos todo uma cadencia de casas brancas, outrora eram coloridas, dominando o amarelo mostarda, verde, vermelho e o marrom. Aonde hoje a maioria dos residentes são proprietários, naquela época essas famílias e o comercio alugavam o espaço dessas locações.

O bairro ganhou reconhecimento como comunidade de casas de madeira melhor conservada no norte da Europa.

Em Ovre Straengate encontramos o museu de enlatados. No passado, Stavanger dependia da pesca, e o museu de conservas visa capturar a importância da indústria de conservas para a economia daqueles tempos. 70% da produção norueguesa de peixes enlatados saiu daqui. Uma das figuras mais conhecidas é a de Bjelland & Co. Com o pescador segurando a sardinha. A indústria de conservas estava ativa até os anos 60.

Lars H. Lende (1882-1971) um personagem que humaniza a história do bairro, a industria de enlatados e a vida do proletariado. Viu que a melhor maneira de protestar contra um sistema desajustado era fazendo um ativismo DIRECIONADO bem humorado. Ele se preocupou em propor cursos profissionalizantes pra qualquer menino em Stavanger. “Tudo para as crianças” era seu lema. Sua forma de proclamar suas idéias era se vestir de modo brincalhão e super colorido, o que era bastante simpático às crianças. Lende estava muito à frente de seu tempo em termos de amparo social. Fundou uma oficina onde lecionava mecânica e naturalmente se mantinha. Nos anos 50 conseguiu arrecadar um montante para salvar crianças em situação de fome e miséria dentro e fora de Stavanger.

A um curioso sistema de espelhos nas janelas na fachada do Museu Marítimo.

A Câmara de Comércio era da família Rosenkilde, que representou Stavanger no dia 17 de maio de 1814 em Eidsvold.

BYBRUA & Storhaug

A fábrica Vermelha de Bjelland a esquerda.

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O bairro de Storhaug praticamente foi povoado desde do início pelos trabalhadores. A industria da sardinha montou todo seu arsenal de fábricas subordinadas a conservação, elas produziam tudo em Stavanger pra nao ficar dependentes de fornecedores. A única coisa que Stavanger nao supria para a industria era o azeite que vinha da Espanha. A área sombreada pela ponte que nos leva a Hundvåg tinha uma péssima reputação com a classe média que optava morar longe do centro cidade e principalmente dos ares industriais. Stavanger do leste e principalmente Storhaug é como falássemos do distritos londrinos de White Chapel & Spitalfields.

ByBrua é a ponte que liga a cidade aos bairros do arquipélago de Hundvåg. Passamos por Grasholmen, Sølyst, Engøy & finalmente Hundvåg, a maior ilha. A ponte foi inaugurada em 1978, antes par se chegar a essas ilhas se usava barcas, que quase que imediatamente se tornaram obsoleta. Uma larga trama de barcas está disponível a outras localidades, aonde há moradores menos motorizados.

Siddis é o termo que denomina aquele que nasceu e cresceu em Stavanger.

A pequena casa a direita (Bekhuset) servia pra cozinhar piche pra indústria marítima. Essa é uma das poucas casas do tipo preservados no mundo. O alcatrão é uma tipo de rezina betuminosa que impermeabiliza as madeiras dos barcos e navios. Durante o século XIX foi largamente usada. E exilava odores desagradáveis. Ela estava numa ilhota isolada, na época, das residências. O próprio Alexander Kjelland escreveu o romance «Garman & Worse» aonde um incêndio inicia o drama.

Cornelius Cruys

(1655 – 1727) foi um almirante norueguês-holandês da marinha imperial russa. Nasceu como Niels Olsen, ainda jovem emigrou para a Holanda e viveu quase 20 anos em Amsterdam até se juntar à Marinha russa. A cidade exportou até a WWII homens do mar pra o mundo inteiro e só nos anos 70 passou a importar engenheiros. A humanidade sempre vai a maior forca pela qual nós fazemos turismo e queiramos ver outros lugares, dominados por outros homens.
Enquanto dominava os mares do norte, sua irma Sidsel Cruys ocupava o endereço mais famoso da cidade: Skagen 18.

Skagen 18

Sua construção remonta ao início do século XVIII. A propriedade tem estado na família Hansen há mais de 300 anos. Exemplo único e extremamente bem preservado da melhor arquitetura do Barroco escandinavo.

Por volta de 1780 ganhou uma extensão e mantem essa aparência até os dias de hoje. Um criativa decoração com pilastras jónicas passam pela fachada. O azul usado nos ornamentos pra realçar o branco é conhecido com azul de Stavanger.

A cor azul turquesa das paredes na sala é usada desde o início da década de 1890. O 2º andar é parcialmente conservado é usado para eventos culturais. Alguns dos quartos são verdadeiro museu.

Arte e cultura eram grandes interesses da vida familiar dos Hansen. Lauritz Wilhelm Hansen era um aficcionado em teatro e construiu um em 1856 o primeiro teatro de Stavanger.

Frida Hansen (1855-1931) se casou com o filho de Lauritz, Wilhelm em 1874. A decoração que conhecemos é possivelmente coordenada ao gosto dela.

Broken Column

Projeto de escultura do artista britânico Antony Gormley.
Sao 23 estátuas em ferro espalhadas por Stavanger. Também são comumente conhecidas por “homens enferrujados», “homens de ferro» ou ainda «Homens de Sola», foram expostas anteriormente na praia. As esculturas são idênticas e foram moldadas a partir das medidas do próprio artista. Elas tem 1,95 metros de altura e estão viradas para a direção, para o norte. O projeto de escultura foi financiado por Christian Bjelland.

Valbergtårnet (Torre de Valberg)23131571_10154775188701924_6481369245336359234_n

Construída entre 1850 e 1853, serviu como torre de observação para os guardas da cidade; mede vinte e seis metros e meio de altura. Os custos de construção foram, originalmente, definidos em três mil e duzentos speciedaler mas terminou custando nove mil speciedaler, correspondendo a trinta e seis mil coroas norueguesa. A torre possuía uma ampla visão da cidade e também servia para a estabelecer a situação do tempo. A partir dela, poderiam detectar focos de incêndio e notificar moradores por toque do sino e por tiros de canhão.

Eventualmente foram feitos novos alarmes de incêndios. O último sentinela da torre de Valbergtårnet foi Tobias Sandstøl, contratado em 1904, encerrando suas atividades em 1922. Ele e a torre inspiraram a historia infantil do «Kardemome by».

Um dos principais arquitetos e desenhista da torre foi Christian Grosch, que realizou uma parceria com Hans Ditlev Franciscus von Linstow que assinou a obra do Palácio Real de Oslo. Christian Grosch também criou outras construções arquitetônicas, como a Universidade de Oslo.

 

Manuscrito I – O sítio da idade da ferro


Este é o primeiro de uma série de traduções que os guias turísticos de Stavanger precisam ESTUDAR e ser hábeis o bastante para elevar um papo com os que por aqui transitam nos meses bons pra visita.

De manhã à noite: Vida e morte.
Destinado a visitas guiadas para crianças em idade escolar 
(90 min)

Na entrada

Bem-vindo à Ullandhaug e o sítio da Idade do Ferro. Veremos e experimentaremos muitas coisas que estão associadas com esse período histórico.

Nesta mesma localidade se encontrava uma fazenda. As casas aqui expostas foram reconstruídas em cima das ruínas originais dessa fazenda. As casas nessa determinada era eram longas, esta por exemplo tem 50 metros de comprimento. Sao chamadas de Casas Longas e os animais viviam na extremidade norte enquanto os humanos viviam na sul. A prioridade nessa construcao é proteger os humanos da corrente de massa de ar frio que vem do polo norte. Os animais fariam uma barreira de calor dentro da construção contra essa forca exterior, neutralizando e aclimatizando melhor o local de descanso.

Alguns arqueólogos acreditam que uma grande família vivia em cada longa casa. Uma família consistia de 10 à 15 pessoas. A casa pequena que se alinha entre as 2 casas longas cria dúvidas de como era usada. Na “lareira” foi encontrado pelos arqueólogos indícios que também era uma habitação. Alguns desses estudiosos acreditam que a casa foi usada para secar grãos ou para banho.  Também poderia ter sido uma casa de armazenamento de alimentos ou outras atividades comuns nas fazendas como curtição de couro & confecção de equipamentos. Ambas suposições se baseiam nos artefatos (potes cerâmicos quebrados) encontrados neste objeto arquitetônico. Também foi catalogado escória de ferro entre achados do local. Outra hipótese sustenta que o casebre pode ter servido de enfermaria, um lugar onde os idosos se recolhiam ou mulheres davam a luz.

Um sítio grande dava trabalho. Os homens eram responsáveis ​​por todo trabalho ao ar livre: caçavam e viajavam. Se entende que praticamente + de 2/3 do dia eram usados fora da área coberta, mesmo na Noruega. A area pra caca do morador desse sítio podia se distanciar até 100 km, basicamente monitorada a pé, o que significava que esses caçadores não voltavam ao objeto arquitetônico por alguns par de dias. Já a area de pesca avançava até o Mediterrâneo. Foram encontradas pedras originárias do Oriente Médio aqui em Rogaland. Essas eram viagens longas que se convertiam em meses ou mesmo anos. As mulheres desempenhavam um papel importante como ser a responsável pela fazenda. A mulher que administrava todo os trabalhos do sítio era conhecida como a dona da casa. O símbolo mais importante pra caracteriza-la seria a chave pendurada no cinto. Só ela tinha acesso a sala de armazenamento de alimentos ou o baú que guardava tecidos nobres. Nesse equipamento poderia se encontrar também ouro, prata, bronze, especiarias exóticas, contas de vidro, etc.,

Importante adentrar com cuidado porque é bastante obscuro dentro dessas casas. Certifiquem-se deretirar seus óculos de sol. As lareiras se localizam no meio do chão.

Dentro da arquitetura

Cerca de 1500 anos atrás, as pessoas acordavam numa casa bem parecida com essa, com chão de terra batida. Os arqueólogos encontraram; vários cacos de cerâmica, um copo de contas, pedaços de um vidro verde quebrado, pesos de telas, espiras de fuso e fragmentos de um quern rotativo (pedra de moer), pregos e facas de ferro, uma adaga de pederneira (sílex), entre outros artefatos. Você pode ver alguns desses itens no museu de Arqueologia no centro da cidade.

planeta I 

Todas as coisas expostas são objetos que temos absolutamente certeza que foram usados na Idade do Ferro. Só não sabemos quem eram os donos dessas ferramentas. Alguns nomes comuns das meninas desta época sao: Agilamunda, Aluko, Inguboro ou Eburihin. Nomes masculinos são: Harjawaldar, Gudgæst, Rhoalt, Hror, Wir, Wiwar, Godag e Widugastr.

A energia é uma conquista vital para o homem. Hoje, se toca com a ponta do dedo e se ilumina a noite e com o mesmo esforço aquece-se a casa. Como conseguiam fazer fogueira sem fósforos? Se usava o punk (uma espécie de orelha-de-pau que é extremamente inflamável), com este aditivo fazer fogueira no frio e humidade reinantes se tornava menos difícil. Esse cogumelo era cortado em fatias finas, embebidas em soda cáustica (uma mistura de água e cinzas – que quer dizer que toda vez que a casa era varrida esse lixo ia pra alguma tigela com h2o e talvez álcool que servia de solução para iniciar uma nova fogueira, especialmente se vc estava em transito). O punk é um daqueles perfeitos achados ofertados pela natureza, era facilmente encontrado na floresta, leve e duradouro na armazenagem, e fácil de lidar, macio, nao necessitando do manuseio de facas pra ser despedaçado. Com alguns pedacinhos humedecidos com a solução de cinzas eram colocados sob o sílex, ao entrar em contato com faíscas do sílex, o punk inflamava rapidamente.autumn-1913736_960_720

A fumaça produzidas por essas fogueiras internas escorria pelo respiradouro de fumaça chamado ljore, que deu origem a palavra norueguesa ljos = luz. Essa janela basculante permitia a fumaça sair e a luz entrar, sem que a chuva pudesse interferir no fogo.

Alimentos

Já com controle da fogueira, existe como preparar boas refeições. Os agricultores da Idade do Ferro cultivavam diferentes raízes e grãos. Os legumes eram: cebola, feijão, nabo, repolho e ervilhas. Os vegetais eram meio diferentes daqueles que encontramos na supermercado mais próximo. Naquela época essas verduras eram menores, algumas tinham outros tipos de cores (a cenoura por exemplo), ou algumas não haviam chegado na Escandinávia, como é o caso da batata.

O quern era tecnologia de ponta na casa de um sujeito na idade de Ferro. Através dessa engenharia poderia ser obter farinha, com farinhas se faz mingaus e pães.DCF 1.0

Se consumia mais peixes do que carne. Obter uma grande quantidade de peixe num bom dia de trabalho alimentaria todo o clã. Isso era mais fácil do que tirar a vida uma ovelha que levou um ano inteiro para engordar. Ao lado de Hafrsfjord, os arqueólogos encontraram casas de barco datadas dessa época.

Se conseguia através da caça: carnes, sangue, chifres e peles. Caçavam de tudo, os mamíferos mais populares eram os alces, veados, renas, javalis, baleias, focas, etc. As peles de animais como raposas, esquilos, castores e ursos eram mercadorias valiosos. As peles eram usadas como moeda, muito cobiçada pelo Império Romano já que seu próprio poder de extração era insuficiente para sua demanda. No lado norte do rio Danúbio, as tribos germânicas tinham postos comerciais onde faziam negócios com os romanos. Em troca, os Escandinavos adquiriam pequenos objetos de uso diário, geralmente feitos de vidro e bronze.0e6aca3c94e39efdc80cca9843454dda-image

Os ovos eram muito apreciados e as penas de galinha e pássaros selvagens eram também usadas. Os animais domesticados que encontramos na fazenda eram: vacas, ovelhas, cabras, cavalos, porcos. Estes circulavam a sala norte dessa casa. Além de obter carne, leite, ovos, sangue, gordura, e peles, também podia ter fibras têxteis para cobrir o corpo do frio avassalador. Já era comum produzir: queijo, manteiga e creme azedo. Foi encontrada manteiga com prazo de validade de 1500 anos, num pântano em Madla (o bairro vizinho). A manteiga está em exibição no museu de Arqueologia. Essa manteiga arqueológica não foi esquecida na geladeira da idade do ferro, ela tem cara de ter caído da embarcação em chamas, quando usada como uma oferenda aos deuses nórdicos.

Saúde

A média de longevidade era de 40 anos, portanto um sujeito nessa idade podia se considerar um velho e naturalmente ser avô. Já metade das crianças morriam antes de completarem sete anos de idade (a mesma idade média que no século XX as crianças iniciariam a alfabetização).

Todos eram auto-suficientes, podiam se alimentar e se vestir sem ajuda de ninguém, quero dizer achar sua própria comida ou fazer sua própria roupa. Trabalhavam ao ar livre todos os dias. Mulheres priorizavam fazer farinha suficiente para assar pão para toda a família e cobrir o corpo contra o frio, especialmente dos infantes. Alguns esqueletos femininos mostraram seus joelhos uma erosão especial de quem trabalha direto no chão.

Sabe-se muito pouco sobre medicamentos que usavam. Num poema nórdico chamado Håvamål, verso 137 (“Altos dizeres de Odin”) listam-se ingredientes para curar diferentes doenças. O fogo evitaria doenças que você sente no interior do seu corpo, deve-se comer casca de carvalho se você estivesse constipado, contra ataque de parasitas e piolhos comeria minhocas.

Roupas

Somente as mulheres mais ricas podiam vestir um vestido com cores vivas e sem emendas. As chaves, broches colares de pecas de vidro & bronze também denotariam alguém de alto status.

As cores das roupas diziam muito sobre a posição de uma pessoa na sociedade. A roupa vermelha e azul significava que você dominava um alto padrão social. A produção para coloração desse material não era trabalho rápido nem fácil. Para o vermelho precisava das raízes de uma planta chamada Rúbia ou Madder (em norueguês: krapp), a cochonilha polonesa também era usada, mas não era encontrada por aqui, ela era importada da Europa Oriental, aonde era catada nos carvalhos de lá. Hoje a Carmesin-cochinela retirada dos cactus de Cobraína (natural do México) são usados ​​para fazer batom vermelho, doces e vinhos.

Para o azul era essencial a amônia. A maneira mais normal de obter tal substancia nessa época era através da urina. A ciência do negócio era a paciência com o trabalho que dava, tinha que ter uma boa dose de estratégias. Usar, por exemplo, a urina da ovelha, simplesmente não funcionava. A preferência era a urina de um homem jovem e saudável. Para a obtenção, era servido cerveja, então, era bem possível que fizessem uma festa. Um número certo de rapazes eram agraciados com cerveja e em troca deveriam ser cuidadosos em urinarem num recipiente que seria manipulado para extração da amônia. Contudo, o ingrediente mais importante para obter o AZUL eram as folhas verdes da planta chamada woad (uma espécie de couve amarela típica do norte europeu). Com o woad sulcado na urina fermentada iniciava-se todo do processo de colorização. Os fios de lä tem seu processo paralelo, algumas ovelhas no verão vão perdendo sua lã naturalmente podendo catá-las no local que foram deixadas. Numa determinada fase x a lã já tratada e em fios recebia a solução de woad com a amônia. A solução não era azul, mas em contato com a lã, depois de sugar uma quantidade dobrada do seu volume dessa solução e secar naturalmente ao ar livre, a cor azul surgirá. Isso era praticamente entendido como mágica naquela época, uma ótima forma de manter os preços altos, já que a “mágica” valorizaria o trabalho do artesão QUALIFICADO.

A maioria das roupas dessa época eram feitas de materiais naturais e as fibras raramente se misturavam, exemplo: lã com linho, algodão com seda, etc (Existem versos bíblicos proibindo esse tipo de atitude de mistura, como também plantar diferentes tipos de ervas no mesmo canteiro.). 

Old Norwegian Short Tail Landrace (spælsau) é a ovelha que temos circulando livre no sítio. A raça de ovelhas da Idade do Ferro era um tipo semelhante. O uso de tesouras afiadas inadequadamente quebram as fibras de lã fazendo com que a mesma pinique. A lã da ovelha local possui uma gordura conhecida como lanolina. Em tal época não se lavava roupa, especialmente as de lã. Era suficiente apenas pendurá-las depois de uma leve molhada, ou melhor, sacudi-las bem.

O tratamento da lã pra ser usada por humanos começa ao pentear  o  produto para tirar os nós. Penteia a lã, gire a linha pra esticar as fibras penteadas, colore o fio, tecle no tear de urdidura (aonde os vários fios de cores diferentes ou os sem cores irão formar um trancado, estão pendurados), costure as fazendas confeccionadas. Precisa-se de 10 000 metros de linha para se ter um vestido!

Montículo de sepultamento

Havia na verdade quatro casas nesta fazenda, três foram reconstruídas.

Após o período de migração o homem que se fixava a terra, como esses agricultores, começaram a cavar buracos em pequenos morros para enterrar seus familiares e amigos. Nesses túmulos foram achados muitos itens fantásticos e valiosos. As mulheres estavam cobertas de jóias e ferramentas de usos diários como aquelas pra confecção de roupas ou de alimentos. Já os homens se apresentavam munidos de armas como espadas, escudos, lanças e roupas valiosas. Precisavam dessas coisas quando estavam mortos? Não, apesar que nada se levar dessa vida, aquele objeto que você usou toda a sua vida representa você. Seria como que nós humanos fossemos representados pelo trabalho que nós desenvolvemos por toda a nossa vida, era assim na idade do ferro e não é diferente hoje.

Em VålhållaGrandhall de Odin

Pela tradição nórdica, qualquer homem morto em batalha será levado à Vålhålla, o paraíso nórdico. Esse “céu” seria um gigantesco salão no qual os guerreiros poderiam se encontrar novamente na pós-vida, durante o dia praticariam diferentes técnicas de artes marciais nesse ginásio idílico. Ao cair da noite ofertariam um banquete de rodízio com entrada franca. Tudo que fora sepultado nos túmulos desses guerreiros estaria presente em Vålhålla. Se há “paraíso” também há inferno, este conhecido como Helheimen. Lá era o frio do cão.

Deixando a fazenda

A fazenda foi abandonada em torno de 550 dC. Todas as casas foram queimadas provavelmente no mesmo dia. Não temos certeza do que aconteceu e por que eles queimaram. O mesmo aconteceu com muitas outras fazendas na Escandinávia e na Inglaterra. Nossas quatro teorias sao:

  1. Infecção por alguma praga. Para evitar propagação, incendiava-se para matar o germe, seja a indumentária ou a arquitetura (ação micro-ondas.) A Peste de Justiniano (peste bubônica) foi uma pandemia que afligiu o Império Romano Oriental (Império Bizantino), em 541-542 dC. Foram a Constantinopla trocar mercadorias e acabaram trazendo pra casa mais do que inicialmente haviam barganhado.
  2. A fazenda foi atacada. Foram encontradas pontas de flecha bem na entrada da porta principal. Nao sabemos quem os atacaram ou da onde vinham.
  3. Fome ou erupção do vulcão? Houve eventos climáticos extremos de 535-536, foram episódios de resfriamento de curto prazo, mas severos. Acredita-se que o evento tenha sido causado por um extenso véu de pó atmosférico, possivelmente resultante de uma grande erupção vulcânica que afetou todo o globo. Seus efeitos foram generalizados, causando um clima não sazonal, falhas de safra e fome em todo o mundo.

 

Predadores que usam veneno


Encontrei uma mensagem antiga, perdida no Google, de alguém que conheci no final dos anos 90 pelas noites cariocas. A pessoa deve ter ficado brava porque o exclui do meu mundo digital em 2014 (ainda temos muitos amigos em comum).
Ele veio com uma conversinha infame, usando o jargão “intolerante” pra cima de moi. Pra quê? Para mostrar que se sentiu descontente com a minha perda; ou porque é uma pessoa que não pensa muito antes de movimentar as pecas do tabuleiro e age quase que na totalidade da sua vida motivado pelos seus próprios sentimentos. Ali, o sentimento de revolta gritava, uma revolta causada por mais uma rejeição.
Estava no meu direito de tolerar e não tolerar quem entra no meu campo SOCIAL. Não vejo nada mais adequado para com um intolerante do que não tolerá-los. De fato, quem tem que tolerar pessoas intolerantes é, infelizmente, as instituições governamentais que unem toda a sociedade em departamentos como: igrejas, escolas, logradouros e hospitais.18056987_10210283237571609_3828144290045554854_n
Acrescento que o sujeito em questão é misógino (não havia percebido isso se não fosse a bendita das redes sociais que buscam extrair seus pensamentos da sua cabeça).  Ele estava as voltas em reclamações quanto a quantidade de responsabilidades que o sistema o impõe, como pagar impostos e fazer seu papel de pai com sua família (separado, dá pena em pensar como sua filha se auto educará com uma mãe sobrecarregada).

Ninguém PRECISA ACEITAR QUALQUER COISA de intolerantes, mesmo pequenas conversas. Caguemos se estamos com excesso de peso, não deixem que puxem seu cabelo, parem aqueles que te forcam a agir como homem se vc nao está a fim, não finja que é descendente de europeu clareando sua pele ou neutralizando seu cabelo frisado, não aceite a fé “certa”, não tolere intolerância. Para os intolerantes: passe a ser RESPONSÁVEL.

 

Isso foi, talvez, a última imagem que fiz desse sujeito.  Antes achava que ele era mais um carioca bronzeado pouco preocupado com sua fachada, feliz, sem grandes questionamentos à vida e às coisas a nossa volta, um cara trabalhador e com atenção a cultura, até sagaz em brincadeiras artísticas. Uma seleção de posts e conversas (ao vivo) entre 2011 & 14 ele se desvendou praticamente ser o oposto do que eu edifiquei nas minhas concepções anteriores, um novo homem.


Meu camarada Luiz, uma camarada proveniente do mesmo bairro do maluco acima descrito, me convidou uma vez par a ver um curta no CCBB do Jim Jarmusch. Eu já havia visto um filme dele antes, o simpático “Night on Earth” e nesse final de semana o diretor lança me surpreende com “Peterson”.
Peterson é uma cidade no estado de New Jersey. Lá a trama encontra um universo  poético em praticamente tudo, porque o autor VE tudo dessa forma, de uma forma poética. A história do mundo é realmente necessária se me basta a história local? As cataratas do Iguaçu são realmente tudo aquilo se me basta o véu de noiva mais próximo? Enquanto o filme respondia questionamentos desse calibre, entendia que a minha bússola aponta teores dramáticos do enredo. Estabilidade financeira & solidão são fantasmas que sempre batem a porta criando aquele gosto de fel em tudo que encarrego de analisar. O negócio já vem sem eu chamar. Fui lá ler sobre a cidade de Peterson.  De tudo que mencionaram no filme, o que bateu forte na leitura não foi explorado por Jarmusch. Essa era a história de Jennie Bosschieter.
O assassinato de Jennie ocorreu em 1900. No próximo dia 8 deveriam lembrar de casos como esse, aí perto da onde se mora, sempre tem. Essa é a maior luta das mulheres: SOBREVIVER. Existe e é PERTINENTE o dia internacional das mulheres. Entenda a escrotidão de quererem fazer o dia do homem branco. Quantos homens por dia são violentados por mulheres, quanto são assassinados por mulheres, quantos estão privados de suas carreiras por mulheres, etc…? 27331765_414640775659497_9155507052653335999_n
Jennie era filha de imigrantes holandeses, era trabalhadora numa fábrica de laços, morava com os pais e tinha apenas de 17 anos. 4 playboys, no bom inglês, spiked as bebidas que a ofereceram (spike significa sabotar, no sentido de “incrementar” com veneno – Por aí vc nota as reais diferenças de homens e mulheres. Um outro homem sabotar a bebida de um outro homem quer dizer: aguar a bebida). Eles nem precisavam usar de um forte veneno pra deixar a garota grogue, pois num curto espaço de tempo, questão de uns 45 minutos, FIZERAM a garota ingerir um Manhattan, absinto frappe, e um par de tacas de um espumantes sulista. Com essa combinação, só de ler, já estou pra lá de Marrakech. 
Jennie não conhecia esses Dandies (mocos aristocratas). Ela foi INTERCEPTADA, quando entrou na farmácia a fim de comprar remédios e outras coisas para um bebe, sua sobrinha que morava na mesma casa. Os mocos que estavam lá, 4 amigos de famílias INFLUENTES na cidade de Peterson, acabavam de adquirir o cloral, na época era a droga do estupro e viram uma moca que aparentava 20 completamente sozinha por volta 20 horas. A aparição dela nao implicou de ser uma trabalhadora que ajudava a irma na tutela do infante enfermo, mas sim de ser uma garota que passeio DESACOMPANHADA, desprotegida.
Um ano depois da abdução de Jennie, numa outra localidade no mesmo estado ocorreu uma cópia dos mesmos acontecimentos. 4 caras compraram numa farmácia o cloral, com ajuda do assistente do local, pegaram a primeira fêmea que aparecem no sítio visual deles, a violentara-na inconsciente e a largaram num local ermo, contudo ela sobreviveu, ela tinha 16 anos.
daniel jonhston martiniueO absinto foi banido dos EUA em 1912. Nessa época os jornais norte-americanos alarmavam que havia 65 mil escravas-brancas nos EUA. Por volta de 1890, o termo “distrito da luz vermelha” foi registrado pela primeira vez nesse país. Em Nova Orleans, Sidney Story, escreveu um ato em 1897 para regular e limitar a prostituição para uma pequena área da cidade, “The District”, onde todas as prostitutas em Nova Orleans devem viver e trabalhar. O Distrito, ou Storyville, tornou-se a área mais famosa para a prostituição no país.
Em 1908, o Bureau of Investigation (BOI) foi fundado pelo governo para investigar a “escravidão branca“, entrevistando funcionários dos bordéis para descobrir se aqueles foram sequestrados. Antes da Primeira Guerra Mundial, havia poucas leis que criminalizavam as prostitutas ou o ato de prostituição. Em 1918, o Acto Chamberlain-Kahn deu ao governo o poder de colocar em quarentena qualquer mulher suspeita de ter uma doença sexualmente transmissível (DST). (…) O objetivo desta lei foi prevenir a propagação de doenças venéreas entre soldados.

As análises post mortem indicaram que Jennie morreu em decorrência de uma grande quantidade de cloral. Pode ser que os dandies estavam preocupados em não serem afetados com uma doença venérea e portanto afastaram a idéia de usar os serviços de um prostíbulo. Mas somo também outros fatores, eles não queriam gastar do seu bom dinheirinho herdado das famílias, com pessoas de um nível, pra eles, inferior. As mulheres num bordel devem entender que sua união, amizade é todo fortalecimento da firma, dependem da confiança nos outros componentes do bordel. O único antagonista ali seria o cliente. Os dandies queriam fugir disso, não queriam compromissos, pagar, regras da casa, blås i det (como dizem os norugueses) – nem se liga. A final 50% do grupo que matou a Jennie já eram casados. Os gastos com a bebida seriam menores do que os custeio do tempo e serviço com uma profissional do sexo. Ainda eram figuras conhecidas, o que poderia ser um problema aportar num prostíbulo e de repente ser reconhecido por espertos. Fora a mao de obra de viajar até a Manhattan ou uma zona mais empobrecida em New Jersey mesmo.8daba2df0351318753935650bdcb1291

Jennie foi largada da carruagem e seu corpo, já sem vida, bateu com a cabeça numa pedra o que rachou a estrutura do crânio. 4 vozes como 4 correntes fluviais a empurraram para a queda d’água. Mal me lembro quando eu tinha 17 anos, sinto que era menos influenciável do que quando na idade de 27 quando a depressão me consumia e todas os meus projetos haviam falhado passei a aceitar o que me diziam para evitar qualquer atrito com exterior que como uma corrente d’água me empurrava para o vel de noiva. A coitada da moca não tinha forca contra a persuasão e promessas mentirosas desses malandros. Mal saberia ela que se pudesse ter lido desde seus 14 anos livros adultos, proibidao, ou histórias sexuais, estas a honraria com poderes de irromper a conversa maliciosa dessa gangue.

img_1_27_8271Todo o caso da defesa à esses playbas teve adesão da mídia, Criaram uma nova Jennie. Ela, após a sua morte, se tornaria uma vamp disvirtuadora de homens de familia.

Os caras foram pegos porque antes de se livrarem do corpo da moca eles visitaram um médico. Suspeitaram que o desfalecimento dela fosse grave. O médico baixou as cartas as autoridades. Logo, o atendente da farmácia & fármaco estavam lá também pra confirmarem tudo. No livro “Drink Spiking and Predatory Drugging: A Modern History” de Pamela Donovan – 2016,  relata detalhadamente sobre esse caso e seus aspectos jurídicos.

A última vez que fui à Londres, andando em torno de Piccadilly Circus, um maluco me parou para bater papo. Na rápida conversa, ele não identificou meu sotaque, curioso, perguntou da onde eu vinha, respondi: “Rio de Janeiro”. O sujeito era jovem, tipo africano. Afirmei ser o Rio no Brasil, o que fez ele me contestar. Ele se sentia na posição de ignorar novas informações minhas, pois seu melhor amigo era brasileiro, e afirmava que “A CIDADE MAIS IMPORTANTE NO PAÍS ERA SANTOS”. Para esse jovem a “verdade” vinha de um conhecido que pratica o mesmo esporte junto e nao de uma moca sozinha num lugar turístico, afinal Pelé jogou no Santos, valeria eu dizer que era aluna da UFRJ? Ele nao iria entender. Simplesmente não iria perder meu tempo argumentando ali. Fui. Eram quase 19hs, eu queria beber e ter uma discussão amistosa sobre arte e outras coisas. Me dirigi à Leicester Square e achei um pub moderno interessante e parcialmente vazio e calmo, naquele fim de sábado – dada a hora – acho que possivelmente me estacionei na Bear Street. Tomei alguma coisa depois de uma água, passou 20 min, começou a chegar gente, todos bem arrumados, mulheres altas, só gente com pinta de grand-finos. Pensei em picar a mula. O meu privado pensamento pareceu alertar um dos “chegantes“, e logo sentou um cara pra conversar comigo. Ele era francês, papo bom, etc… Alguma coisa nele me dizia que logo encheria o saco do cara, com alguma coisa errada que viria falar, e ele nao exitará em ser o mais grosso do mundo. Nada ocorreu, disse que queria dar mais voltas e ver outros lugares já que iria embora em algumas horas, ele queria me pagar uma bebida da moda: energético com uísque (que justamente foi a coqueluche do verão no Rio no ano seguinte de 1998/99, neguinho bebia nas ruas da Lapa), agradecei e fui tentar encontrar novos “portos”… Andei em muitas ruas, voltava sempre ao Picadilly. Já estava no horário da janta, e optei por algo barato, tudo ao redor parecia o olho da cara. Uma pizza e um cafe, sentada, observando passantes do Picadilly, achei o nicho. O pizzaiolo viu a brecha e deu uma de esperto, disse que me pagava o cafe, sentou na minha mesa, se sentiu no direito já que pagava. Dessa situação, quiz eu tirar alguma vantagem, procurei saber quem era sujeito, conversamos bastante. Ele disse que estava enrolando o gerente com uma historia que eu era a prima dele da Grécia para ele sair mais sedo do trampo (tinha mais cara de turco). Ele estava a caminho de um super luxuoso local, a boite mais maneira de Londres, quiz vender o inferno promovendo o espaço noturno durante o caminho. – Cara, eu tenho certeza que nao vou gostar desse lugar… – Comentei (não me senti ouvida). Já era hora H de me livrar dele. Chegamos na Oxford Street, era um salsa night club. Enquanto eu engenhava uma maneira de me misturar com os chegantes (novamente essa palavra!) pra FUGIR do local, o cara me avisa que iria buscar um camarada dentro da discoteca. Yes! – pensei – “Vai lá, eu espero.” – Respondi, na mais cínica seriedade que eu pude fazer na minha vida. Quando ele foi engolido pela arquitetura, dei meia volta e corri pra o Picadilly circus pela mesma rua que pegamos. Passei em frente a pizzaria novamente, para mostrar que não estava mais com ele, e entrei no metro de volta pra o hotel.

16426142_10155005818613308_616635311377502636_nNo Tube (tubo, como os londrinos chamam o metro local) tive a mais surreal das minhas experiencias nesse planeta. Até hoje eu não sei dizer se isso foi um fenômeno urbano ou foi apenas uma alucinação causada por alguma droga posta PROPOSITALMENTE no minha bebida que pode ter sido feita pelo francês civilizado ou pelo trabalhador estrangeiro. Sabia que a estação do metro mais próxima do meu hotel estaria fechada depois das 9hs. Teria que soltar numa estação anterior que era vizinha a estação King’s Cross. Quando abriu as portas do vagão do metro, eu vi um rato correndo, quando saltei do mesmo e já nao podia mais retornar, começou a sair vários ratos da lata de lixo, apressei meus pés para encontrar uma saída da plataforma. Quanto mais corria, mais os ratos se multiplicavam surgindo por osmose do próprio chão, no final da plataforma havia finalmente a escada de subida. Ali um sikih varria o local sem ser perturbado pelos ratos que subiam nele. Feliz por ter chegado a saída da plataforma, sabia que havia um par de lances de escadas estreitas de azulejos brancos antes de chegar ao pavimento com escadas rolantes. Nesses lances de escadas azulejadas, os camundongos e ratos saiam do buracos redondos de ventilação como fossem agua sendo jorrada. Eu nao gritava, queria até avisar a outros possíveis usuários do transporte publico da infestação de ratos, e achei que um encostou em mim. Quando esse pensamento BATEU, eu estava saindo da escada rolante. Na estação não havia ninguém, na entrada dela 2 vigias, um do metrô e outro de trânsito, conversavam. Fui em direção a eles pra relatar o que passei, mas retomei meu último pensamento. Nao seria arranhada de leve, nao seria mordida por um bicho desses se assim centenas ocupassem o local por onde eu transitava? Deve ter sido um pesadelo, que não perdurou, porque eu corri e puxei mais oxigênio. Dormi pesado como nunca.

Acredito que o cara da pizzaria botou algum ácido no meu café, e botou mais da mesma substancia nas tequilas e mojitos da mocas que foram dançar salsa naquele local na Oxford Street em janeiro de 1998. Daquele meu camarada, que de um roqueiro cheio de identidade virou um reaça pobre no bolso e pobre de coração, ficou a ideia de que ele sabia direitinho dar as sugestões de drogas para os meninos que abriam o jogo da intenção de dopar mulheres, nos anos que trabalhou como atendente na farmácia.

A comissão de frente no campo de batalha hospitalar


A minha avó nos deixou em novembro e com ela muitas aventuras d’outrora. Nesse inverno gélido norueguês, volte meia, essas conversas que tive com ela nos anos 80 & 90 visitam a minha memória, e me sinto na obrigação de capitulá-las. Entendo que o seu antepassado, seja seu pai ou avô, é uma parte sua, do seu corpo e alma; não se interessar com o que eles viveram é pra mim uma perda irreparável. E o ao contrário, se desinteressar pelo que seus filhos ou netos fazem é igualmente tolo. Se não existe barreira de distancia ou língua, ou outra divisão, como política e religião, voce tem o DD (direito e dever) de INVESTIGAR.20232100_2032605980098782_1386315442205319171_o

Dessa maneira eu comecei a minha investigação em 1982:

-Dona Alzira, como foi o seu primeiro contato com a morte no INAMPS¹? Voce viu alguém falecer a procura de socorro no posto? – A temática da morte sempre foi muito viva comigo. Graças a Apollo & Dionísio, a minha avó não fazia qualquer objeção em relação ao tema.

Numa rápida curadoria de arquivos mentais, ela desencavou 2 rápidos capítulos que se fizeram valer o monólogo.

O homem cansado

Dona Alzira iniciou seu oficio de auxiliar de enfermagem no terceiro turno no posto do INPS do IAPI no início dos anos 60. A auxiliar de enfermagem na hierarquia hospitalar está no mesmo nível do padioleiro e acima apenas do servente. Se a sua familia é pobre e luta pra elevar o nível econômico é bem possível que alguém seja auxiliar de enfermagem. Eles são os verdadeiros soldados da saúde. Além da minha avó, seu filho mais velho, a minha sogra e uma prima por parte de pai foram auxiliares da enfermaria. Eles fazem de um tudo no hospital, como buracos de orelha para brincos, engessar e conduzir pacientes, e muitas outras coisas.gasped in oslo-001

Durante a minha vida até os 8 anos, o local de trabalho dos meus pais e avós eram os um dos meus cenários, assim como a escola era. A minha avó se aposentou no início dos anos 80, mas mesmo alguns meses depois voltava ao estabelecimento praticamente vizinho da sua casa pra rápidas sociais. O hall de entrada só era acessado da rua de pedestres por uma escadaria, o que equivaleria estar no segundo andar e não no solo. O Hall tinha também um pé direito alto e as janelas – na minha lembrança – eram altas demais, só serviam para iluminar o ambiente, não se tinha acesso a vista. As paredes eram pintadas de cinza escuro até a metade. Todo prédio era uniformizado de cinza e azul, e que eram as cores institucionais usadas em todos os hospitais que faziam parte da previdência. Esse edifício em comparação a quase tudo que eu vi depois era minimalista, não havia flores, não havia nada colorido, inclusive a cantina, quase tudo era metalizado com exceção dos bancos de espera no estilo dos anos 50 em madeira escura que podia se ver ainda na UFRJ quando estudava lá, que chegavam a contrastar com o ambiente.

longarinapoltronacadeira-cinema-antiga-cimo-D_NQ_NP_265211-MLB20512185365_122015-FA única coisa levemente colorida do local era a foto de uma enfermeira muito bonita com o sinal de silêncio bem ao lado do crucifixo. Estavam pendurados bem no alto, praticamente inacessíveis, sem uma boa escada. Talvez dessa imagem eu faca alguma especie de analogia com o sinal da cruz feito com as mãos. A foto da moca era antiga, possivelmente da época que a minha avó começou a trabalhar lá. Pelo estilo não duvido que a fotografia tenha sido confeccionada nos EUA ou na Alemanha. Sendo que a minha avó era a única “caucasiana/cabloca” o resto tudo era afro-ébano diretamente descendente das ruas de Madureira. shhhhhh

Um homem apareceu e foi de encontro a minha avó que o recebeu com a prancha pra auxiliar no preenchimento da ficha. Ele se sentou no móvel, que comumente me sentei nos cinemas dos grupo Severiano Ribeiro até o final dos anos 80.

– Não me sinto bem – ele disso isso no mesmo tempo em que a minha avó já se encaminhava até a enfermeira plantonista.

Quando ambas voltaram, avistaram o homem dormindo, e a enfermeira voltou ao seu posto, a fim de terminar seu café. Devagar a minha avó voltou a recepção, sabia que em um minuto ou 2 deveria acordar o homem, que ali dormia sentado como estivesse num vagão lotado do metro. Abalada pela monotonia da madrugada, foi avisá-lo que a enfermeira se encontrava livre para ouví-lo. Sem sinal de resposta, ela tocou no homem. Ele parecia dormir apenas. Ela mesmo verificou o pulso. Chamou a enfermeira que verificou pela segunda vez. Ele não dormia.dead-man-discovered-in-shanxi-taiyuan-train-station-waiting-hall-03

Isso não foi estranho, ele deve ter tido um infarte, ele deveria fumar, beber chopp e comer baldes de toucinho. Naquela década de mudanças sociais, outro homem faleceu no ambulatório. O médico residente, chamou 2 auxiliares, entre elas a minha avó. Elas iriam despir a pessoa a fim de mandarem para o IML. Nessa ocasião, as auxiliares higienizam o corpo para que o médico do instituto examine o corpo e também porque acontece de escapar urina quando o corpo perde suas funções.giphy

Ao tirar a roupa do individuo, que como o sujeito anterior deveria estar na casa dos 50, a minha avó notou que os seios eram achatados por uma fazenda², o que cria alarme mais não prova muito, o cara podia ter apenas acumulo adiposo ou sei lá. Ao notificar a companheira, arrancaram a calca para tirar todas as nuvens de dúvidas, o órgão era feminino. Comum?

– Mais que podemos imaginar – destacou o médico de plantao.

Nessas conversas a minha avó sempre muito blasé³, sempre muito sofisticada apesar do pouca possibilidade de estudos avançados, faz notar uma terceira figura: os mocos que fazem propaganda de medicações.

No filme “Albert Nobbs” dá uma boa impressão de como era a vida dos “hermafroditasem tempos que não existia possibilidade de uma mulher poder se encaixar na vida laboral que não fosse uma reles empregada ou prostituta. Já no filme “Little Fockers” a atriz Jessica Alba faz uma interpretação bem humorada e super atual dessa personagem que a minha avó relatou, os propagandistas da industria farmacêutica.

– Os mocos eram muito bonitos, pareciam artistas de revistas. –  disse muitas vezes das memórias do seu emprego.

 Isso não podia ser ignorado, então questionei:

– Eles eram propagandistas, eles eram homens? Os médicos eram sempre homens?

– Houve uma médica. – A minha avó respondeu solicita acompanhando o meu raciocínio. – Os propagandistas de remédios tinham outro tipo de cadeira de estudo, mas entendiam do babado, digo: bioquímica.

A (des)informação sobre medicamentos: o duplo padrão de conduta das empresas farmacêuticasstock-photo-11420335-young-sexy-nurse-in-pink-uniform-asking-for-silence

por José Augusto C. Barros

 Departamento de Medicina Social, Centro de Ciências
 da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco.

 

“(…) Diversos estudos (alguns já conduzidos nos anos 50 e outros mais recentemente), realizados com o propósito de identificar as fontes de informação e de influência sobre a prescrição, assinam o lugar proeminente do propagandista. Eles são o modo com o qual os médicos tomam conhecimento de um novo produto no mercado (Christensen & Bush, 1981). Observa-se igualmente que o nível de formação (tanto a educação geral como a educação científica) dos médicos sejam fatores fundamentais para o contato oral seja o  mais utilizado que escrito (Peters, 1981). São igualmente múltiplas as evidências de que o presença tem uma eficácia maior (…)(Harvey et al., 1986; American College of Physicians, Health and Public Policy Committee, 1988).

 

(…) há resultados de uma série de investigações sobre diferentes aspectos da prática dos propagandistas e da relação da indústria com os mesmos. Os resultados concluem que estes profissionais são agentes de vendas (Hemminki, 1977a, 1977b, 1988; Lexchin, 1989).

 

(…) Várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamam a atenção para a necessidade de que cada país tome a iniciativa de organizar seu formulário terapêutico. Estes teriam o propósito prioritário de racionalizar o consumo, estabelecendo critérios para a utilização dos medicamentos e facilitando as opções do médico. Nesta linha, diferentes países prepararam seu guia, a exemplo dos formulários italianos para a prática extra-hospitalar, vindos à luz em 1978, ou do Index Farmacológico (editado primeiro na Catalunha/Espanha em 1980), que serviu como base para o OMS quando da elaboração da lista de medicamentos essenciais (Arnau, 1983).

No Brasil, os supostos guias terapêuticos disponíveis são mais utilizados como fonte de consulta no cotidiano dos enfermeiros e médicos. Sao mais um veículo de propaganda, mesmo que tentem se fazer passar como fonte objetiva e confiável de informação. (…)”

Ano retrasado fui ao Lourenço Jorge e achei tudo muito colorido e sem um modelo visual preservando o institucional. O local não tem cantina e alguns quiosques matam a fome da rapeize. A comida ofertada por pessoas comuns de baixa instrução nesses quiosques tenta atender aquilo que o povo mais gosta, como sanduíches de pão branco com queijos e outros frios, pacotes de biscoitos de todas as sortes, e mais docinhos e salgadinhos. É ainda interessante observar que saladas e grãos são também ofertados, criando um carnaval desorganizado no estabelecimento. Antes o destaque ficava APENAS para o pote de acúcar sobre a bancada acompanhado a caixa de guardanapos. Hoje a geladeira com o vitral mostra as dezenas de garrafas de plástico da poderosíssima Yankee tomando conta dessa embaralhada visão.  Noutro corredor, havia um almoxarifado de medicamentos, controlado por um assistente, aonde era distribuído alguns medicamentos que o governo custeia.

CHEGA SER UM ultraja e deveras irritante a famosa placa “VOLTE SEMPRE” colocada em algumas lojas. O pior é encontrar cidadãos despreparados, imbuídos de tais slogans dentro da instituição de ensino e de saúde, mesmo na Noruega.

Quando trabalhava no SFO (que é um órgão que funciona adjunto a escola ocupando o tempo das crianças com atividades sociais, culturais e esportivas) aconteceu de comentar com uma criança o que estava dentro do salame hamburguês. Uma outra funcionária calculou bem que nunca poderia vir a ser vendedora, afinal revelava VERDADES sobre o que se escondia na textura complexa do salame. Essa minha resistência contra indústrias é uma das poucas coisa que acho que faço certo. Só me vejo  perdendo se DEFENDESSE aqueles que tiram um sarro como o meu consumo.

Mas não seria azar ainda maior então quando os comerciantes nada fazem para o cliente voltar sempre? Dizem que muitas lógicas hoje se invertem: não é mais a loja que tem de ser fiel a você e a seus desejos, é você que tem que ser fiel ao comerciante. Vide os programas de milhagens, cartão-fidelidade etc. Ora, não é você que tem que ser fiel à loja para ter vantagens – a loja é que tem que apresentar vantagens em primeiro lugar, para então você se tornar fiel a ela!!! As crianças em Cuba devem ser bem melhor alimentadas que as da Noruega… mesmo tendo essa peixada fácil e boa que eles tem aqui.
E num capítulo paralelo,  meu marido deve ter tido uma social mais afável com sua avó depois que seu avô bateu a caçoleta. Ele chegou pra ela numa determinada ocasião e disse que arrumou uma dama do Brasil. Ela na sinceridade bate a real de volta:dandara+por+Alessandra+Lemos
– Espero que não seja uma negra.- Mil perdoes aos leitores, mas a realidade ainda é mais escrota do que deixo passar  no meu Word.
– Ela é pequena. – refraseou ele.
– Que ande de salto. – realmente um “clima” muito diferente.
A constituição de 1988 que previa um crescimento dos planos de saúde, outorgou saúde a todos os cidadãos.  Com a PECs corroendo essa constituição, o cara que se precaveu pagando religiosamente ao governo pra que ele tome conta da saude e educação (pois vivemos em sociedade e ninguém precisa ficar caçando na loucura SOZINHO uma coisa que a sociedade avançada divide esforços e trampos) não vai ter outra saída se não aceitar o jogo dos planos de saúde.  Se esse é o maior dos problemas do brasileiro, ficar sendo manipulado pela industria farmacêutica e acabar se viciado ou ser coelhinho de laboratório, vai ficar sendo seus problemas menores. Ainda mais quando toda filosofia governamental do PMDB esta em completo acordo em priorizar o modus operandi das indústrias e nao a funcionalidade dos cidadãos.

¹) INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 

O INAMPS, autarquia federal, foi criado em 1977, pela Lei nº 6.439, que instituiu o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (Sinpas), definindo um novo desenho institucional para o sistema previdenciário, voltado para a especialização e integração de suas diferentes atividades e instituições. O novo sistema transferiu parte das funções até então exercidas pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) para duas novas instituições. A assistência médica aos segurados foi atribuída ao INAMPS e a gestão financeira, ao Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas), permanecendo no INPS apenas a competência para a concessão de benefícios.

O INAMPS foi extinto em 1993, pela Lei nº 8.689, e suas competências transferidas às instâncias federal, estadual e municipal gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988, que consagrou o direito universal à saúde e a unificação/descentralização para os estados e municípios da responsabilidade pela gestão dos serviços de saúde.

²) Qualquer tipo de tecido.

³) Uma pessoa blasé pode ter esta atitude porque os seus sentidos foram enfraquecidos por excessos. Também é classificada como uma característica de uma pessoa que permanece alheia ou distante de um assunto quando na verdade deveria mostrar atenção.

 

 

Um pedaço do Brasil mal nutrido I (A batalha de Israel & e outros caras de nomes bíblicos)


Na pequena exposição que foi dada a Dilma depois da sua “renuncia forcada”, por nao ceder a favor da “Ponte pra o futuro”, ela comentou o seguinte – típico de políticos: “Quem me tirou foi o Senado, eu tenho plena confiança no povo”, entre outras coisas positivas que eu não saberia dizer sobre os brasileiros. Depois eu vi que os politicos do momento no Brasil nem mais sorriem se passar um eleitor pobre por perto, se receberem flores jogam as mesmas de volta amassadas, fazem cara de mau, tudo muito desrespeitoso. Nao precisa mais levar a coisa no sapatinho, faz se na cara dura. Tá feio o negócio.

Mudando de assunto, esse negócio de domesticar que a humanidade tanto se ocupa nos últimos 10 mil anos. Nós domesticamos quase tudo que a gente come pra casar sabor e reprodução ao nosso conforto. Domesticamos bichos que hoje se encontram dentro de casa nos COPIANDO!

Nesse tempo todo nós guerreamos porque queremos nos domesticar na marra, na forca. “Ninguém é melhor que ninguém”, uma frase que me faz refazer perguntas… Uma frase que tem o intuito de igualar nossas bases, mas que não responde as barbaridades que se veem por aí. O homem seria a mais domesticável das espécies? O homem de tao domesticável não entende aquele mais selvagem? Ou o mais selvagem, não entende o mais lapidado?22552882_1120302934771250_8676379594082460965_n

Vivemos numa teia de domesticados e semi domesticados. Os semi-domesticados estão numa fase imitativa, se aconselham visualmente em seus donos. Os domesticados se argúem, caem em depressão, são geralmente mal tratados pela imensidade da matilha que os veem como uma obra desforme, como um milho de cores mil.

Segue o confronto de um jovem caucasiano, classe média que mora com os pais que penduram pintura no estilo neo-colonial na sala, com a sociedade brasileira. Esse grupo que representaria bem o discurso da Dilma eram pessoas de todos níveis, gente da periferia que estuda e trabalha, donas de casas, classe média alta com um bom emprego. Era um post sobre uma nova decisão no governo Trump.

Israel:

– Isso é bom! Não entendem? Uma família que não usa a internet é forçada a pagar pelo uso, porque o governo afirma ser um ”direito”. As empresas que querem fazer pacotes para clientes humildes sem condições de pagar um plano ilimitado, como ficam? As famílias que não têm condições? Você acha mesmo que todas as empresas vão limitar os dados e cobrar super caro por eles? Igual no Brasil? Então a primeira empresa que prometer dados ilimitados e com um bom preço, vai ficar BILIONÁRIA, não é?? No mínimo é bom conhecer um pouco de liberalismo econômico antes de falar abobrinha dos países dos outros…

Um pouco motivado por tudo que é bizarro na história da arte, de Goya a Rogério Skylab, achei que esse fragmento daria samba. Tem muita coisa doida, mal entendida e puramente engraçada. Tentei dar verossimilhança no início melhorando a gramática do moleque, mas depois, deixei a peteca voar!  168 Replies (réplica, em ingles), um feito.

Bruno: Rapaz, és um ingênuo. As empresas irão cobrar os mesmo valores que cobram hoje em dia, mas com limitação. Nada disso é feito pensando no bem do povão. O foco é sempre o bolso dos empresários

Israel:  Então vou criar uma empresa de internet no EUA sem limitação nenhuma, e vou ficar milionário… Já que todas as empresas vão ter limitações, o povão vai querer assinar a minha empresa.

 

Ismael: Isto não tem nada a ver com a questão. Como percebi que tipo de gente estou lidando não entrarei em teorias econômicas. Serei conciso: com o fim da regulação, que protege o cidadão dos abusos DAS EMPRESAS QUE VC TANTO ENDEUSA, as empresas, COM CERTEZA ABSOLUTA, (quem não conhece os crimes das empresas privadas de internet e afins no Brasil?) vão além de manipular os dados para cobrar mais pelo serviço, vão também dificultar a velocidade (como já foi comprovado com o Google) de sites, digamos, anti liberais. O que isso significa? Que no seu LIBERALISMO DO MILLENNIUM² não existirá livre concorrência nem respeito à igualdade de acesso e de conteúdo na internet. Daí, a necessidade de um marco civil da internet para coibir os abusos das empresas privadas. O problema é que fanáticos pelo mercado, adestrados por Constantino, Olavo e toda essa mediocridade chamada “nova direita” confundem estatismo com direitos civis

Rogerio: O mesmo discursinho de quando privatizaram as telecomunicações no Brasil. Olha a maravilha que virou. Séculos atrás de outros países. 

Israel: Ismael, não compare empresas brasileiras com empresas americanas… O que vivemos no Brasil é um cartel de empresas ENORMES, graças aos altos impostos e regulamentações que impedem qualquer pequeno empresário de competir no mercado. No Estados Unidos é bem diferente. Qualquer um pode abrir uma empresa de internet e cobrar pelo serviço, existem centenas de milhares de empresas assim. Você diz que TODAS vão limitar os dados e piorar o serviço?

 

Rogerio: Israel, se manda pra lá, não perca tempo e não volte jamais.

Ismael: O próprio Facebook, uma mega corporação privada, acaba de filtrar até as críticas às minhas críticas. Isso é liberdade de mercado? 

Israel: Ismael, use outra rede social, existem muitas…

 

Fábio: Isso tudo tem um nome: MONOPÓLIO… Só doido neoliberal pra apoiar algo que vai fudê-lo.6becdf8fabb732d73819b48cff9f61cf

Israel: Fábio, desde quando monopólio é liberalismo?

Ismael: Israel, quer dizer que não existem cartéis nos EUA? Jura? Que as empresas no Brasil, com lucros acima da média internacional, são vítimas dos altos impostos? Sério? Sao as regulamentações que impedem o pequeno empresário de crescer? Isso é discurso neoliberal que está falindo o mundo ocidental inteiro, liberal de esquina!

Israel: Fábio,  quem defende monopólio (estatal) é voce (se voce for de esquerda, claro). Diga-me 1 país liberal economicamente que seja pobre. Agora me diga 1 país entupido de regulamentações, leis trabalhistas e impostos que NÃO tenha uma população miserável.

Eu digo: Noruega, Canada, Dinamarca, Islândia, Nova Zelândia, Alemanha, Suíça, Finlândia & Australia.

Fábio: Israel, mano vc deve ser seguidor do MBL. Presta atenção na tal “liberdade” que vc prega… sugiro visitar aos EUA para ver o vale tudo, vale a pena… Continue acreditando no inimigo ” vermelho”…

Edgard: Com o fim da neutralidade, as operadoras vão criar pacotes baseados não exatamente em quantidades de dados, mas segundo a natureza dos dados. (…) Essa segmentação de dados pode se tornar ainda mais perversa: quem sabe, no futuro, depois de aberta a porteira, não vão criar pacotes baseados no tráfego de dados mais sensíveis, que resvalem nas crenças políticas, religiosas, etc? É um precedente perigosíssimo.

Israel: Edgard, os mais pobres terão acesso a internet que podem pagar. O salário mínimo americano (…)

Rafael: Liberalismo só é bom pra quem tem muito dinheiro… Não é pra ajudar quem tem menos, não.

Ismael: Israel, os países europeus não são pobres. Esses TÊM LEIS SOCIAIS QUE PROTEGEM SEUS CIDADÃOS DOS ABUSOS DO MERCADO internacional!

Israel: Rafael, pobres não pagam impostos e não trabalham em empresas privadas para conseguir o que têm, né? Dinheiro nasce em árvore…

Ismael: Israel, é impossível viver sem regulação, leis que disciplinem a sociedade. Quanto ao “trabalhista”, realmente vc é um canalha que tem coragem de defender essa selvageria em nome do mercado. Quem não paga imposto no Brasil são os mais ricos e logicamente empresários que sonegam bilhões – inclusive afetando a previdência! Os pobres são os que pagam mais e os piores impostos porque estes incidem diretamente nos produtos de primeira necessidade!

Israel: Ismael, a Austrália é um dos países que dão exemplo de liberalismo econômico e o salário mínimo de lá é de 5000 míseros reais… Você acabou de reforçar meu argumento! É óbvio que os pobres pagam mais impostos, mas não porque os empresários sonegam, mas sim porque eles são os MAIS afetados nos aumentos de impostos.

Ismael: Israel, o argumento do liberal: “Dinheiro nasce em árvore”… Típico, uma tergiversação para fugir da cerne da discussão.

Israel: Ismael, se você é pobre e defende regulamentações e coisas grátis (mais impostos), voce está lutando contra si mesmo.

Bruno: VAI PRA LÁ ENTÃO, LATINO FODÃO.

Jean: Esse modelo de New desenvolvimento, eu entendo o fenómeno da seguinte forma: povo desinformado e alienado aceitando o liberalismo igual as árvores apoiando o desmatamento em nome do progresso. 

Israel: Ismael, foi uma ironia… 

Ismael: Israel, tudo que vc escreveu é tão estúpido que segundo essa lógica, deixar o mercado desregulado não percebe que a ameaça o próprio pela anarquia subsequente. 

Israel: Jean, o povo apoiar menos impostos, menos leis e regulamentações é apoiar a própria extinção? Ismael, poderia argumentar sem tentar me ofender? Obrigado

Rangel: Sempre tem alguém querendo defender o indefensável!

Ismael: Israel, o Haiti e Serra Leoa são dois países miseráveis. Nenhum é de esquerda. Todos seguiam a economia de mercado…

Israel: Ismael, tente debater com as minhas respostas anteriores, sem criar casos, teorias e hipóteses que só acontecem no mundo mágico de Peter Pan. Se continuar assim daqui a pouco vamos estar falando sobre aliens…. Rangel, a livre circulação de empregos, dinheiro, empresas e RIQUEZA é indefensável?

Ismael: Edgard, eis o cerne da questão que foi desviado pelo fanático pró mercado segundo o qual o mercado pode tudo, como um Deus! 

Israel: Ismael, para de falar de mercado, cara. Estou falando o óbvio, poucas vezes mencionei sobre o ”Deus” Mercado. Dei a chance de vocês fazerem um debate saudável, mas não aproveitaram, ao invés disso, me taxaram de nomes, colocaram palavras na minha boca, disseram que eu sigo o MBL, criaram teorias e não debateram absolutamente nada do que eu propus (só no comecinho). Ótimo exemplo de esquerda vocês deram!

Luis Fernando: Israel, me deu tanta vergonha dos teus malabarismos, é tão evidente quando um leigo tá falando sobre algum assunto que desconhece.

Irley: ENTÃO O SR. DEFENDE A TESE DE QUE AS MODIFICAÇÕES virão PARA MELHORAR o acesso dos MAIS POBRES? NÃO FOI PARA PODER COBRAR MAIS CARO, TER MAIS LUCROS E LIMITAR A CIRCULAÇÃO LIVRE DAS INFORMAÇÕES PARA todos, INDEPENDENTEMENTE DE CLASSE SOCIAL OU PODER AQUISITIVO???? QUEM MESMO ACREDITA EM ALIENS?????

Israel: Irley, até porque todas as centenas de milhares de empresas de internet americanas vão aumentar os preços pelo serviço e limitar os dados…

Uma parede de irredutibilidade. Cara, adora essa palavra, mesmo que esboce várias paradas caídas: regressão, limite, impotência, cegueira…

Rafael: Israel, eles não trabalham por falta de oportunidade e qualificação profissional que esta ligada a educação deficiente… Os pobres pagam mais impostos proporcional a sua renda do que ricos…

Israel: Rafael, mas era isso que eu estava falando…20424041_503986183326851_6607551632195420871_o

Rafael: Liberais querem privatizar tudo e pagar salário mínimo e cortar direitos trabalhistas… me diz qual empresário é a favor de um salário mínimo de 3500 reais que seria o razoável para se viver aqui?

Israel: Rafael, pobres pagam mais impostos do que ricos, são mil vezes mais afetados. Então porque defender aumento de impostos? Um salário mínimo alto é resultado de baixo desemprego, baixa inflação, circulação de dinheiro alta, etc… Vocês querem dizer que um país pobre sempre vai ser fornecedor de um país Rico? É ÓBVIO, um país pobre vai exportar o quê, além de recursos naturais??? Qual o problema de um país pobre fornecer matérias primas a um país rico? Até porque os dois ganham…

Defender aumento e cobrança de impostos aos sonegadores, o país precisa urgente de uma mudança tributária. Ouvi toda minha vida, mas o que eu vi mexerem era pra afrouxar ainda mais para os ricos e sacanear mais a massa proleta.
O problema é que ele se torna um ESTADO/país estagnado, consequentemente apenas com capital para manter esse EXERCÍCIO de FORNECER e nao fabricar, portanto não desenvolve, nao desenvolve as areas TECNOLÓGICAS. Quando se diz “não se desenvolve”, também faz referencia à boa parte dos cidadãos desse país que vão estar a margem da sociedade trabalhando pra que esse circulo vicioso continue. O círculo vicioso de extração e colheita, vivendo suas vidas nao desenvolvidas, sem acesso a EDUCAÇÃO e morrendo mais sedo para dar espaço a outros trabalhadores do mesmo nível nao desenvolvido.
A exemplo, vendendo a matéria bruta do petróleo, ao invés de refiná-lo e vender milhares de partículas dessa matéria para vários mercados, INCLUSIVE àqueles que também teriam petróleo.
Numa escala mais simples e numa maneira romanceada eu contaria assim ao Israel. Uma família chamada Carvalho mora numa casa grande num bairro afastado a beira mar. A casa é cheia de crianças, dormitórios e jardins. Umas crianças sao levadas, outras estudiosas, mas a maioria fica mesmo um tanto ociosa pois nao vao a escola, brincam num canto do jardim ou estacionam de frente pra tv dentro de casa, mas inventam cada coisa pra distração. Contudo, uma lá cuida de uma macieira super fértil, outra de um grande canteiro de trigo, outra tem uma vaca holandesa, sua paixão. Muitas outras casas nesse bairro e até no bairro melhor dessa cidade tem uma vaca holandesa que produz leite, como macieiras e cantos de trigos, digamos que essa casa tem a maior árvore da cidade.
O Vitinho, dono da vaca, na casa dos Carvalhos tava sempre vendendo leite para a familia mais rica do bairro, os Vieira Souza. Eles tem também uma vaca holandesa, só que a coitada tá magrela, abusam da bichinha, ela tem que produzir leite, manteiga e queijo pra eles que sao uma familia maior que os Carvalhos, e também, pr’um monte de vizinhos. Essa vaca nao dá conta do recado, até daria se fosse só a familia Vieira, mas tem que se virar pra produzir pra vizinhos. Detalhe, todos eles comem pra burro! Outro detalhe maior, os Vieira sabem que se alguma vaca for pro brejo na cidade, a vaca deles vai antes, é a mais magra, a mais velha, a mais abusada, então eles se adiantam pra buscar leite com os vizinhos pra continuar com a produção de queijo, yogurt, manteiga, se nao, nao tem café da manha para as crianças deles, e dos vizinhos que frequentam a mesma ESCOLA.
Num belo dia, o Vitinho deu pra produzir manteiga e vender pros vizinhos e conhecidos noutro bairro. É claro, que os Vieira Souza ficaram sabendo do adiantado do menino, e nem esperavam por isso, mesmo porque as crianças dessas familias vão em escolas diferentes.  Mandaram um recado pra familia Carvalho, dizendo que nao iam mais comprar as macas da Rita, e seus vizinhos entrariam no boicote. Rita é a menina que toma conta dessa árvore. Poxa, era um troco que entrava, que ía para o pagamento da luz, que ilumina todo porão e traz água quente para 4 banheiros da casa.
Muita gente na casa dos Carvalho nao sabe o que estava acontecendo, nao acompanham porque ou estão brincando ou suando numa atividade que lhes rendem. Vitinho e Rita ou brigam ou se aliam.
Ahhhh, tem 2 solteiras, lá na casa dos Carvalhos, irmãs que simplesmente são cegamente apaixonadas pelos meninos do Vieira Souto. Duas portas¹, diga-se de passagem. Quando um deles lá, dá atenção pra elas, que vivem de elogios o tempo todo aos Vieira, é sabido que vao abusar delas. Elas nao conseguem ver isso, acham que é atenção mesmo. Isso já tá a bastante tempo.
Uma irma maior um dia veio tentar por ordem na casa, os Viera Souza se afastaram. A garota conseguiu por o pai num caminho mais sóbrio, ainda que continuasse bebendo.  A pouco tempo vi que deu uma louca nele, rodou a baiana, tomou o jogo da casa de volta, e disse que vai continuar a beber, já pegou todas as filhas mais prendadas e as vendeu pra beber… Nenhum marmanjo dos Carvalho deu um pio quando o pai vendia as irmãs, mas os próprios, ao invés de ajudarem a irma mais velha, arrumavam mais trampo pra ela. É foda, eu também desistiria. O Carvalhao vendeu as filhas pra nenhum moco do bairro ou conhecido, acho que nao se dá com ninguém… as vendeu pra as companhias dos Vieira Souto e o próprio, é claro.
Voltando a vaca fria…

Luciana: Rapaz, eu moro nos EUA e essa mudança é horrível e limita acesso a sites já que a companhia grande (Comcast, NBC etc) pode diminuir o acesso a sites e velocidade. Assim sites pequenos deixam de vender, ou possibilitar troca de informação entre pessoas, o que por exemplo, estamos fazendo por aqui! Pessoas marginalizadas perdem acesso a sites pois com tudo pago tem que se fazer contas de onde gastar. Hoje cada site ganha o seu dependendo do acesso que tenha. Se eu dono do acesso à internet investir em divulgar meus sites e baixar preço do mesmo para obter acessos ou diminuir velocidade de sites menores pessoas serão doutrinadas ao invés de escolher o que acessar.

Israel: Você tem a chance de provar se eu sou burro ou sequelado.
Faço o que posso 😉 – ele deveria por um ponto de exclamação, mas é sequelado demais…

João: Israel, a internet foi criada para ser ofertada a todos indistintamente. Isso até pode ser uma utopia, mas era essa a ideia, porém do jeito que estão conduzindo as coisas, em breve vão nos vender o ar que respiramos.  (…)

Rafael: Nao defendo aumento de impostos… Nao existe sentido em acreditar que a classe empresarial vai de bom coração dividir seus lucros com os funcionários… Vc acredita nisso?

Carlos: Na teoria, o liberalismo econômico é lindo, Israel. Assim como o comunismo, que também é lindo. O problema é que, na prática, com meia dúzia de corporações controlando o planeta Terra, fica difícil praticar liberalismo, seja econômico, seja político.

Israel: Os empresários dividem os salários com os empregados, porque se não dividissem seria trabalho escravo. (…)

Daniel: Ou vc não tem a menor ideia do que tá falando ou é muito mal intencionado…. 

Israel: Dinheiro não nasce em árvore, não há como pagar 3500 reais para cada funcionário, sendo que a empresa não fatura. PAREM de usar o Brasil como exemplo. Os países liberais economicamente são exemplos de riqueza, miséria mínima e desemprego baixíssimo. O Brasil não é um país liberal. Defendo liberalismo econômico, onde o estado é extremamente pequeno, mas EXISTENTE. Não sou simpatizante de anarcocapitalismo e nenhum tipo de anarquismo, acredito que o estado deve existir para regular as leis baseadas na moral. (…) Vocês já debateram com alguém alguma vez na vida? Respeito com prazer quem vem com educação e coloca suas ideias frente às minhas, mas sempre aparece 2 ou 10 desocupados…

Rafael: Acontece que o salário que vc diz que eles dividem é um salário miserável e nunca vi um empresário levantar a bandeira para que o salário  triplique… O estado nao tem que intervir na economia para burocratiza-la, mas sim para defender a sociedade dos abusos do mercado que nao são poucos… Vc ja deve ter estudado história e deve conhecer sobre a crise de 29… não convém aqui entrar em detalhes… me diga: qual a diferença dos empresários daquele período pros de hj?

Leonardo: Israel, só tem sentido o seu argumento principal se você tiver os dados, números. Quantas pessoas nos EUA não conseguem pagar um plano ilimitado? Quantas pessoas fazem questão de ter um plano limitado? Se você não tiver esses dados, infelizmente você não tem o que discutir, e fica realmente sem sentido o seu argumento.

Porra, finalmente aqui nesse ponto esses 2 PERGUNTAM.  Sem perguntas, fica só discussão.

André: “antes de falar abobrinha dos países dos outros

Parece que você não conhece muito sobre as telecomunicações dos EUA. Sabia que até 1994 o serviço era um monopólio da AT&T? E hoje não é muito diferente. Aliás, o setor telecomunicações americano é até parecido com o brasileiro.

O problema da questão de “a primeira empresa que prometer dados ilimitados”, está no fato de não se conseguir prometer dados ilimitados. Isso porque uma empresa que tentasse entrar no mercado com esse intuito seria radicalmente destruída (ou comprada) pelas gigantes do setor.BM10000000-234x234

Israel: A banda larga americana já é ilimitada, a revogação dessa lei não muda nada além de que agora a empresa que quiser adicionar planos de internet com limitação de dados vai poder fazer isso, e é óbvio. Os planos vão ser mais baratos. Não só pobres, mas também aqueles que não querem pagar mais do que usam. Ex: Carol usa internet só para ficar navegando no Facebook, Instagram e WhatsApp, mas ela paga além do que usa, pois seu plano de internet é ilimitado. Destruída, como assim? Comprada? Cara, se eu abrisse uma empresa pequena que fornece internet ilimitada no meio de várias outras empresas ENORMES que fornecem internet limitada e a minha empresa fosse comprada por uma delas… Mano eu iria estar feliz da vida, e mesmo assim eu poderia recusar. Rafael, o estado deve te defender muito bem quando te deixa desempregado, porque nenhum patrão mais tem dinheiro pra bancar tanta lei trabalhista e burocracia de se ter mais um funcionário… Leonardo, nos EUA, provavelmente quase toda a população tem condições de pagar um plano de internet ilimitado, mas é óbvio que existe os que não têm dinheiro para isso. Então o que fazer com eles? Deixá-los sem internet por causa de uma lei? Então mais uma vez o estado que se diz “protetor” te priva de um direito que ele mesmo “assegurou”.

Carlos: Defina, por gentileza, ditadura bolivariana, Israel.

Eduardo Bráulio: Muito fofa sua TEORIA, pena que é só isso… TEORIA. 

Israel: Carlos, não sou uma Wikipedia, não tenho como definir, mas pelo o que eu sei é uma ditadura onde o governante impõe ao povo formas de vida contrárias a americana.

Dinio: Cara… troca a foto canina que te representa e põe a de um jegue que se adequa mais! Então achas que o ex-advogado das telefônicas, indicado por Trump para diretor do FCC aprovou o fim da neutralidade na rede pra beneficiar os pobres do Tio $am? Jesus…volta para ajudar a salvar os jegue…eu te imploro senhor! Kkk

Israel: Dinio, não para salvar os pobres, mas para melhorar a economia de mercado, em consequência, salva os pobres. 

Carlos: Se a escreveu, se usou a expressão, tem que saber definí-la na ponta da língua, Israel. Senão, você vira papagaio de pirata. Lamento. É o mínimo para que possamos debater alguma coisa. Precisamos entender o que cada um de nós pensa. Aqui, no Brasil vivemos uma república democrática, você não concorda com isso? Mesmo com todas as distorções, há eleições, há liberdade política, e o povo é quem escolhe o presidente. Aliás, diferente dos EUA, em que os delegados são os que escolhem o presidente. Estamos conversados sobre vivermos em um Estado Democrático de Direito, para além de suas inúmeras falhas?

Ronilson: Os ciborgues da desinformação atacam novamente.

Luciana: Israel, alguma limitação já se tem pois se paga por velocidade. Agora se acrescenta limitação de dados por aqui no noticiário está se discutindo o acesso a páginas mesmo como uma preocupação pois se cria um valor x para acessar a página y.

Em consequência vc obriga o cliente a direcionar a busca por sites mais fáceis de acessar. Como dizem por aqui, as donas do negócio vão puxar para a escolha para recair em sites do próprio grupo. Essa é a discussão. Quanto a economia, infelizmente os EUA estão com alguns problemas como distribuição de renda.

Irley: Israel, vc se finge de sonso?? Nunca vão deixar o Brasil ser rico!!! Teve golpe pra isso, já tomaram a posse do Pré-Sal! Cabeça feita pela Globo e o MBL! Ele acredita que os EUA são os mocinhos e querem nosso bem, afff! Eles nos esmagam e nunca vao nos deixar ter controle de nada!!!! Fica divagando bobagens sem sentido. Alien é vc!

Carlos: Sigo no aguardo das respostas de Israel, que já deve ter ido dormir…

Alisson: “Você acha mesmo que todas as empresas vão limitar os dados e cobrar menos pela desvantagem?” É o novo “a diminuição do limite grátis da bagagem grátis no voo vai tornar a passagem de avião mais barata”, “Um 13º salário será catastrófico para o país”.

Bruna: A pessoa acredita em liberalismo económico, kkkkkkkk. 

Ícaro:  Quem é “forçado” a pagar internet sem usar? Deixa de ser retardado… 

Fábio: O Israel deve achar que somos comunistas e que os EUA é liberal. Kkkkk

Harnoldo: Infelizmente o cidadão aí se ocupa muito do conhecimento “profundo” do viver Yankee, ele acredita mesmo que nos EUA existe esse liberalismo, principalmente na questão internacional, acredita na falácia da livre concorrência em dias atuais e acredita, possivelmente, no “filósofo” Olavo, Constantino e cia.

Leonardo: Israel, nos EUA, como você mesmo disse quase toda a população tem condições de pagar um plano ilimitado, além da Internet lá ser mais barata, essa nova modalidade não vem atender aos que não tem condições e sim os interesses das grandes corporações. Ou você acredita mesmo nessa história de bondade das provedoras? Amigo, sem dados concretos sua tese não se sustenta.

Bruno Rodrigues: Neoliberalismo preteen de YouTube é o novo terraplanismo.

Bruno: “A FCC acaba de dar as ‘Big Telecom’ um presente antecipado de Natal, ao oferecer aos provedores de serviços da Internet outra forma de colocar os lucros corporativos acima dos consumidores”, disse o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman. Um consumidor defender isso é o mesmo que um porco defendendo seu abatedouro.

Julia: Fique tranquilo, em março de 2018, você já poderá pagar 30% a mais por uma internet mais limitada que a atual

Daniel Tejada: O DELÍRIO NEOLIBERAL DO CARA, AUHAUHAUHUHAUH AUAUHAUHAUHAUHUAHUHAUHAU!!!!

Fernando: Dos mesmos criadores “A passagem aérea vai baixar com o fim da franquia de bagagem”. Vem aí: “O coxinato acredita que isso é bom”. Tá certo.

Au passant, no Boechat dizia que as passagens áreas aumentarão, a exatos 5 dias uteis depois desse forum.
Esse tipo de conversa de play-ground presenciei muitas vezes, com temas de outrora. Aqui em Stavanger nao se foge a regra… também vejo isso igual.
No futuro talvez nem seja possível presenciar um conversa dessas, bem comentado entre um dos participantes. Outro ponto especial é que se dezenas se juntaram pra esclarecer esse desnorteado, centenas de outros, como eu, só observaram o levante.

A necessidade de um feitiço


Depois de 2 meses de espera, fui ao ginecologista. Tudo de ruim numa visita: tarefa com a dor e obrigação com o gasto, como ir ao dentista. A senhora anterior que me atendia teve muita dificuldade de me entender da última vez que fui nela, inclusive não acreditou que eu tive a doença do chocolate, a endometriose. Dessa vez era um novo médico.

carrie-coverEu não sei se nos anos 80/90 os ginecologistas faziam alguma relação sobre dores impactantes na menstruação com uma disponibilidade à endometriose como fazem hoje. Bem possível que nao. Nunca me diagnosticaram ou revelaram ou me alertaram para isso, só sofri, mesmo sempre procurando ajuda (terminava numa parede cega: “è assim mesmo”). As dores eram dilacerantes como a do parto. O sangramento seguido de dor me obrigava a  me recolher, me tirava forcas que impossibilitava andar ou fazer coisas importantes, mesmo dentro de casa.

As dores me fizeram criar fugas. Era partir pra um mundo escuro e imaginário, pensar em histórias, lendas, mitologias, fatos históricos, recriando cenas, revisando isso ou aquilo, pra eu desviar a atenção da membrana torturadora.12354523_f520

Muitas vezes a minha pressão abaixava tanto que eu perdia a cor dos lábios e olhos ficavam profundos, era assustador. Fui acudida por amigos em desespero em seus apts. Algumas dessas vezes desmaiei, e minutos da minha vida nao foram arquivados por mim assim como não se sabe o que ocorre no periódo medio que durmimos a noite, a não ser, o que sonhamos.  Uma dessas vezes que desmaiei, estava na escola. Naquele dia o sol de fevereiro queimava a praca Saens Pena e cruzar essa área urbana pra mim, era como fazer uma jornada pela caatinga do sertão baiano. A aula começava depois do almoço, exclusivamente para os alunos da 8série.

Eu estava tao enjoada – o que era raro nesse caso – que pedi a professora uma visita a enfermaria. Desci os 4 andares, ao avistar a porta aberta da enfermaria adiantei o passo. Sabia que iria vomitar, entrei em desespero, pedi por ajuda: um balde, um vaso, e vomitei na pia. Meu pai já havia ralhado comigo um par de vezes antes por ter feito isso, mas era isso ou o chao, antes optasse pelo chão – por que nós crianças não conseguimos decidir algo bem pensada quando estamos com dor ou enjoados? Será que ficaria mais sagaz nos anos que viriam? – pensava.period

Daí, desmaiei, talvez nao,  simplesmente fui dormir na maca como quando estamos tao cansados e desnorteados, e capotamos no sofá depois de um dia exaustivo de trabalho. Nao sei quanto tempo passou, acredito que em torno de 20 minutos top. Acordei como quando acordamos de supetão depois da ciesta com medo de perder o dia, ouvindo de longe o papo da auxiliar de enfermagem que tomava conta do local com a senhora encarregada da limpeza. Uma delas falou com intenção de ser ouvida ou de me acordar “Isso aí é gravidez…”. Levantei, me dirigi a elas, pedi um copo d’água, quando terminei, respondi: “Toda a minha família sofre com menstruação ruim, vc nunca teve? Que sorte!” Fui pra aula. A água era pra conter o ódio daquele lugar, daquele momento, eu não poderia dizer outras coisas que pairaram na minha cabeça, de como eu com 13 anos, grávida??, era uma coisa impensada e impossível. Por pouco, não as provoquei com a diferença das esferas sociais distintas, mas seria um tremendo erro. A pedofilia parecia pra mim muito mais corrente entre a população mais carente. Hoje eu entendo que a maior culpada desse tipo de violência ou é uma tolerância JUDICIAL a pedofilia ou é a simples inversão de valores comum no Brasil, como: a vítima tem TODA a culpa pelo assalto. Isso é puro bullying. Então, vi por completo a impossibilidade de dizer coisa algum, mesmo porque eu já tinha dado um trabalho: o de limpar a pia. Talvez o comentário era só uma descarga da raiva momentânea que ela passou ao ver o trabalho supresa que lhe aprontaram. Era a única moeda-merda que ela tinha…a9c42488e029d0c853c6600cd937fda2--la-passion-joan-of-arc

Em todas essas intrépidas experiências mensais, eu pensava em bruxas. Todo essa relacao do imaginário coletivo, o que as determinadas religiões propuseram para conter as mulheres presas e dependentes, etc… Eis que, o Daniel, mais uma vez propõe um diálogo:

Filme maravilhoso sobre o julgamento da Joana D´arc pela inquisição. (Theodor Dreyer, 1928)A-Paixão-de-Joana-Darc-Poster

Acho um dos melhores filmes do mundo que argumenta a fé.
O filme é importantíssimo pois mostra como a fé pode vir pelo movimento estético ou por pura indagação existencial, dá uma perspectiva de como as instituições religiosas se apropriam da crença e cagam regras nelas, usando isso para todo tipo de objetivo nefasto.
A atriz desse filme, que interpretou a própria Joana D´arc, não era profissional do ramo. Foi seu único filme.

Uma importantíssima observação sobre a JOANA D´ARC: ela é uma heroína bem especial! ELA NÃO ERA UMA BRUXA, CACETE! ESSA É JUSTAMENTE A QUESTÃO DA HISTÓRIA DELA!!! Falam como se ela fosse uma notória bruxinha do bem… Tudo que ela mais odiaria na vida seria ser chamada de bruxa!
Ela era uma mulher da fé cristã, que salvou o país da invasão inglesa justamente com essa motivação e foi traída pela inquisição por ser mulher. NÃO POR SER BRUXA! Dizer que ela era uma “bruxinha amiga” é dizer que a inquisição estava certa!!!!!!

Um filme deveras inspirador, que fez ele cogitar com dezenas de amigos isso:

Quando a bruxaria é o irmão retardado da religião.

Nos falta um debate decente. Adoro Harry Potter ferozmente e me considero um místico em muitos aspectos, um pagão até, contudo sou primordialmente, ateu e não tenho amigos fundamentalistas…

Li um livro de “bruxaria da braba” que estava guardado. Esperava uma coisa divertida, um negócio fantasioso, uma proposta de realidade maior, de uma ética mais humanista… mas qual o que?! Aqueles eram bruxos retardados.36a4757f9603c4117c28151e1a85a871--carrie-stephen-king-carrie-movie

Enquanto o monoteísmo é visto por mim como um personagem canalha da história, um velho desiludido se dando no direito de determinar o que as pessoas precisam acreditar pra vida funcionar. Que gera guerras entre vizinhos, destrói mitologias, se aproveita da ingenuidade das pessoas para manipulá-las. A bruxaria é um adolescente trancado no quarto, que usa uma varinha e  se auto flagela no braço formando um sinal de cruz invertida…

Esse tipo de literatura praticamente sempre abre pedindo desculpa à Deus e termina pedindo favores ao capeta. Parece um troço preguiçoso. Uma hora dizem que precisa ser casto, noutra ensina um truque pra fazer 3 garotas e um rapaz aparecerem no seu quarto… é uma baixaria boba…

Falam dos elementos fundamentais: d’água, do fogo… Todos os processos são execuções impossíveis! Não há maneira de provar a veracidade daquilo, mesmo se houvesse uma pesquisa aonde conduzissem alguém a cumprir todos os requisitos pra fazer um feitiço sem cometer nenhum erro. A exemplo: obter uma adaga sacrificial concebida no dia de Júpiter com lua em Saturno. Se no ritual não tem o que foi pedido não irá rolar. Então, voce tem 2 opções pra recorrer:

1. Efeito Emily Rose. Voce está tao perto do profano que se assusta. Fica com tanto medo e recorre à Deus. Por sinal (?), como é que Ele deixaria essa bagunça rolar solta?

17362854_1004741056328172_7577432258224968547_n2. Deixar o Aleister Crowley comer sua bundinha.

Extra: As maldições se forem feitas numa noite de lua em quarto minguante na hora de Hermes, com uma vara de marmelo colhida por uma foice que foi construída por suas próprias mãos, ungida em terra de uma tumba recém aberta, da cova de um leproso irmão de sangue de um anão que toque na flauta a doce melodia de “Domino dancing” invertida. Ao martelar a foice em sua bigorna pessoal, banhada em água de lirio roxo da Macedônia, esteja certo de não estar tocando o chão nem o teto, nem parede alguma (para isso é preciso o feitiço de levitação e a invocação do quinto arcanjo. Esse feitiço se perdeu na biblioteca da Babilônia, mas uma reprodução parecida pode ser encontrada na biblioteca da universidade episcopal de Alexandria) enquanto levita, pronuncie o mantra da sagração de Deus pai nosso protetor e aponte seu sexo na direção do oeste.

Esses bruxos do livro são adolescentes chatonildos. A Morgana das Brumas de Avalon, Joana D’Arc, queimada como bruxa e que depois virou Santa pela Igreja Católica, poe com grande facilidade Harry Potter no chinelo. Acredito em bruxas e acho que elas são bem parecidas com anjos, são intuitivos. Me sinto na obrigação de proteger a categoria.

Muitas coisas aconteçam por causa da percepção humana com o funcionamento do mundo através da física e química nesse pequeno intervalo vital (o espaço temporal da vida humana é muito breve). É de fato uma conquista humana reunir essas percepções de todos nós e avançar conhecimentos que modificam o mundo, mesmo quando é o “espiritual”.

The_Wizard_of_Oz_Margaret_Hamilton_Judy_Garland_1939O politeísmo me parece vantajoso pela mitologia que oferece. A mitologia é sobretudo cultura. Fortalece a produção literária, se opta escrever diversas coisas do que produzir apenas um único produto, direcionar numa única saída. Já o monoteísmo não permite a formação de multiplos arquétipos. Só existe um herói, a exemplo: Jesus, Maomé, etc. Um herói por religião, num clima opressivo de “só pode haver um escolhido”.

Na Umbanda tem milhares de entidades menores pra cada perfil de pessoa, caboclos, pais de santo, erês, exús… Permite milhares de manifestações de personalidade. Todo tipo de pessoa tem um lugar no mundo. Isso é bonito. Os rituais devem operar em algum tipo de necessidade nossa.

Tenho uma quizila com o monoteísmo, admito. A proposta infame de obediência a um ser só passando por cima de criaturas vivas por perto, não me cheira bem. Quanto a bruxaria (leia-se “satanismo”, pra ficar pesado) complementa a falta de pluralidade do cristianismo. Ver o mundo pelos olhos de um deus só, nao permite a existencia de vários tipos de comportamentos. Só o comportamento que ESSE deus aprova. Esse comportamento desaprovado se torna coisa do diabo… não sobra espaço para diferenças… é triste, frágil e pequeno. Porém ser ateu pra mim não é uma opção.

Os feiticeiros são pessoas que saberiam “manipular” os elementos da natureza. O terreno da mediunidade é difícil de debater pois é capaz de ofender mais que demandar respeito. Li o livro dos Espíritos. Este não me fez acreditar mais, muito pelo contrário…

Vi muita coisa, vocês não fazem idéia… me interesso pelo sobrenatural. O negócio é que tem coisas mais importantes por trás disso, como:22491841_2149372931755419_3278273916121321289_n

  • Respeito pelas conquistas, pela vida e diferentes culturas.
  • Senso de responsabilidade, a vida não é pra sempre.
  • A ignorancia gera injustiça.

Cara, acho que o que chega mais perto de bruxaria da boa no Brasil é Umbanda e Candomblé. Meu tio avô estava ligado a essas seitas e cortava o caule da bananeira e saia cachaça. Sinistro. Os patuás tem uma importancia cultural e terapêutica. Os feitiços que eu sacaneio são aqueles lances preguiçosos de por o nome d’alguém na boca do sapo pra ferrar com os outros! Infantilidade desse tipo mostra só falta de confiança em si próprio. Um problema que poderia ser solucionado numa simples conversa. Todo bruxo (mongolóide) prefere ficar 3 meses tomando banho de urina de um defunto manco pra conseguir voar (o que… sejamos otimistas… raramente acontece!), ao invés de aplicar esse esforço em um cursinho de pára-quedismo…  Esse meu tio quando incorporava, jogava uma vela apagada no mar e ela acendia sozinha dentro d’água.

Em fim: “Abaixo o monoteísmo!”. Já vi e fiz umas coisas estranhas. Coisas esquisitas acontecem. Se faz bem que mal tem. “Sou ateu, graças a Deus”.
Queimariam me viva antes dos 13 anos, nao só na idade média, pelo menos aqui em Stavanger essa moda só baixou a bola com a constituição (1814). Se nao tao drámatico, viveria apenas isolada morrendo precocemente por alguma coisa que vivendo em sociedade isso muito possivelmente estaria sanado.
A pré disposição as dores pode ter causa genética. Seria pelo lado ameríndio meu? As migrações asiáticas que povoaram a América do Sul, podem ter chegado ate o Rio de janeiro por último! – a minha familia descendente de tupis eram de Niterói (não é a toa que dizem que Niterói é terra de índio). Nos Pampas desenvolverem outro tipo de chá, o Mate. Teria uma relação em estancar dores menstruais o uso e procura desse fármaco?

Ps (epílogo): Bruxas, no pior sentido da palavra, são aquelas mulheres que nao participam, que não se unem a causa da outra mulher ao sofrimento que podia estar sendo nela. Como a ginecologista norueguesa, que mesmo com a documentação do meu histórico nas maos fez pouco caso do que havia ocorrido comigo, e a auxiliar de enfermagem que deveria prestar socorro imediato – ela ali e nada, o nada seria melhor. Anos depois me arrependi de nao prestar QUEIXA a diretoria por nao ter sido atendida…