Corazon latino – Férias do Dog II


Chove bizarramente lá fora ensopando o sábado de toda a cidade de Stavanger, que verao ruim… Continuação do experimento Indiana Jones do Dog.

Dia 7: Me achei!

Em casa novamente! Cheiro de pobre, cheio de perrengue, meio apavorado… já direi o por quê.

As publicaçöes são escritas no dia seguinte, na hora do fuzuê, hoje adianto-a porque muita coisa mudou!! Teaser: Estou pegando estas técnicas muquiranas de edição de textos aventurosos, me amarro.

Comecei o dia no clima sorumbático. Cedo demais pra ligar pra Manu e recarregar minha auto estima. Tarde demais pra desfazer todos os meus erros e cabelos brancos. O dia dos pais longe foi pesado pra mim. A separação, logo numa data dessas de união familiar (e são justamente pessoas tão legais!), me deixou ansioso (o que ajuda muito a falar merda).  Nada daquilo me deixa arrependido, acho até sábio declarar…

Sylvia comenta:20934838_1599811153373696_80851723364062718_o

– Garoto, as meninas não tiveram tempo de conhecer. Se conhecessem te dariam um breve e merecido esculacho e seguiriam.

É bom ter o amor de amigos assim. Os que esperam um desfecho Game of Thrones para essa viagem também moram no meu coração. Alguns outros torcem para que eu seja enrabado por uma onça, que entretimento…

Expectativa, estou em Corumbá, a 5 Km da fronteira com a Bolívia, seus filhos das putas! Espero não morrer.
A idéia é atravessar a fronteira a pé. Chegar à Bolívia suado e sujo, como é do meu feitio, e sair vivo. Voltei a pegar os piores hotéis das cidades, quiçá dos mundos!
Contudo o dia foi incrível. Chegamos ao Pantanal em uma van cheia de gringos. Um moleque caótico, o filho do motorista, da idade da Manu, falava pra cacete, perguntava tudo da minha vida (inclusive, passei a pertencer em definitivo, ao seu seleto círculo de amigos), mas me contou tudo da vida dele também. Sobre uma namorada de 13 anos que bebe cachaça, parece que a mãe leva numa boa.

Ah! Outra amizade que fiz ontem foi o senhor Arco-iris e sua namorada Elisa, vendedores de trampo, atualmente instalados na praça de Bonito. Sabe-se lá onde amanhã estarão! Sr. Arco, como o chamo, um catedrático da vida nas estradas, me explicou sobre a natureza efêmera das coisas, como um prato de comida. Em contrapartida, também dissertou sobre a importância dos estáveis; diga-se: aqueles que te tratam/cuidam bem, reserve carinho e respeito. Tudo isso embalado em esculachos furiosos da Dona Elisa.endonezya-da-dogal-yasam-herman-damar-jakarta-endonezya-1481275

Perguntei a eles a quanto tempo estavam trabalhando nas estradas. “Desde que eu nasci”, respondeu Arco. Seus pais também eram trampeiros e ele cresceu assim… Parava um ano em uma cidade para estudar, no ano seguinte pegavam a estrada de novo. Aqueles caras que você vê vendendo pulseirinha na praia, com um neném a tira colo e pensa: “meu deus, o que vai ser dessa criança?!” Então… vai ser um sr. Arco! Eles me pagaram uma cerveja. Infelizmente não tirei foto deles.

Doideira demais pra mim também. Já passou minha fase de tatuador de beira de estrada, fui o pior de todos os tempos… mas essa fica pra outro dia, me pague um chopp,  aê…

De volta à estrada. Não tem mais orelhões funcionando em lugar nenhum. Menos ainda na rodoviária de Miranda no Pantanal. Queria falar com a Manu.

Uma de nossas conversas antes da viagem, foi sobre os índios. A Manu adora a idéia de que somos descendentes de índios, a beleza dos olhos amendoados. Os sul-americanos sao o povo dourado! A cor de pele mais bonita, sem dúvida, que tem. Resolvi desviar meu caminho para encontrar um assentamento!c1ec6a15263464c19acdb05761a8babc

“Ei! Mas você nos disse que estava em Corumbá!…” Xiu!! Calma, porra! Eis que nos arredores de Miranda tem um monte de aldeias protegidas pelo ministério da justiça!! A mais próxima ficava a apenas 7 km da cidade. Lá fui eu, caminhante, até a aldeia! Ainda tinham 4 horas para o ônibus chegar. No caminho perguntei a um pantaneiro: “não são aqueles índios fantasiados pra turista não, né? “. “Não.”, respondeu o pantaneiro.

E não era mesmo. É impressionante o quanto nossa sociedade se esforça pouco para ser plural. Para começar eles não eram nem uma etnia Tupi-Guarany, eram Terena. Inclusive com uma língua própria de mesmo nome.
Sabia que existia? Eu também não, mas falar Klingon todo mundo sabe, né?

Serei cuidadoso com a molecada que tem saco de ler isso tudo, podem se empolgar e sair procurando sua própria aldeia roots por aí… A COISA DE TERRA NO MATO GROSSO DO SUL É SÉRIA. Armas, mortes, política agressiva, dinheiro & Miséria. Aqui foi o ponto da minha viagem onde os apelos de cuidado da minha família fazem todo sentido. Nao pelos índios, porém pela situação que os cerca.

Em primeiro lugar esqueça a imagem do índiozinho de cocar, dançando pelado ao redor da fogueira para o seu encanto. Esses aqui são evangélicos. Tá bom? Tem mais.

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A aldeia que eles vivem está muito mais para uma favela carioca do que para a terra do nunca. A diferença é que as casas deles nao se amontoam ao redor das ruas, mas se espalham organicamente pelo terreno. Agora, fora isso é alvenaria, cada casa sua família. Se orgulham disso… falavam muito “nosso estilo de vida nao é mais aquelas casinhas de palha, nossa aldeia e moderna!
Com essa, até um pouco de mim morreu, mas a gente quer os índios alimentando nossas fantasias de mundo virgem, enquanto a gente vai pro shoppings tomar ovomaltine! Índio também querer ovomaltino!

Por sinal, eles falam sem erros de concordância!!! Meu mundo caiu!!! Cadê a sabedoria estilo Yoda que me foi prometida??? Em Bonito haviam me dito para primeiro procurar o cacique. Ele estava ocupado, daí fui orientado a falar com o vice-cacique, Pedro. Uma curiosidade: é só Pedro mesmo, aqueles índios Terena, não tem sobrenome.

wm-1024x768-12f06aef7b631c762a7b4d2eb99dea7e“Posso tirar uma foto? “
“Não ”
Eu pensei: “…é a coisa da alma! Talvez eles me façam uma magia ou um truque! Talvez haja uma oca escondida sob todos estes tijolinhos…” Conversando com o vice-cacique Pedro, notei que era muito mais desconfiança do que feitiço. Se confirmou quando ele próprio não largava seu celular (talvez o dele funcione a base d’alma…). Ele estava articulando ao telefone uma reunião em Brasília para concluir a obra de uma clínica. Pedro é um político, representante da sua comunidade, perdendo tempo com o menino da cidade grande que quer ver magia.

Ele me deu almoço (grátis!). Junto à sua esposa pacientemente responderam todas as minhas perguntas (foram muitas). Riam as pampas às minhas custas… Levaram-me até o cacique na hora do meu ônibus. Pedro me deixou na rodoviária com sua Fiat Uno (o modelo antigo). A filha de Pedro está cursando educação física na faculdade. Disse que a minha queria ser Índia, ele disse que não teria problemas em arranjar um casamento pra ela… humpf! OK! Esse foi meu amigo Pedro.

5116941172_aa9d3d4ac8_bNa rodoviária, um tipo muito estranho com foi forte odor de cachaça e cara de matador veio na minha direção. Chamava-me de amigo, perguntou toda espécie de coisas, um sujeito na sua cola estava vestido mais arrumado, se postava com as mãos sinistramente enfiadas nos bolsos do casaco. Que cagaço! De leve… Fui me desvencilhando dos caras. Achei de sentar do outro lado da rua, no bar do pantaneiro. Só relaxei mesmo quando aqueles caras entraram num ônibus para Campo Grande, o lado oposto do que eu ia. Fiquei conversando um bom tempo com um pantaneiro até meu ônibus chegar. No caminho até Corumbá, vi o sol se pôr em um céu vermelho. Na rodoviária de Corumbá tinha orelhão e funcionava!! Liguei pra Manu e gastamos um cartão inteiro de telefone.

5 Km para a Bolívia!

A língua Klingon é uma língua construída. Usada pelos Klingon, seres ficcionais do universo de Star Trek. O livro de 1985, The Klingon Dictionary de Marc Okrand remete diretamente a constituição linguistica "alienígena", e ainda possui uma série de caracteres de tipologia incomum. O som básico do idioma e algumas palavras foram criados pelo ator James Doohan ("Scotty").

O Terena é uma língua indígena do Brasil falada por cerca de 15 000 indivíduos. É considerada uma língua aruaque,pertencente ao subgrupo maipureano.photo5014854702038362065

Dia 8: Puerto Kijarro113646800

La noche fue difícil, pues que jo no conseguia dormir, tantas eran las cosas que tenia que hacer para atravesar la frontera, más aún que mis papeles estan todos perdidos y ahora tengo que caminar sin ellos por un país extraño (y no hablo la lengua de verdad….) quizá, otras cosas más! Ahora que estoy acá tan lejos de casa y del otro lado de lá frontera voy verlo puto, me cago en tu madre, Oceano Pacífico, no hago idea como!!!

A las 5 de la mañana esava con la sensación que un viejo mendigo tenia se acostado a mi lado todo orinado! Me levanté para mirar cerca de mi e estava solo. Era la cubierta! Tenia un olor fuerte que pensava que la cama es una cueca gigante! Salí del hotel mucho cedo, después de un baño para tirar la sarna… Y ENTONCES ESTAVA DE VUELVE A LA CARRETERA!

A unos 5 Km de lá frontera, sin papeles. Tenso. Muy concentrado e con atencion pues que aunque lo gente me decía que no los pedían, tenia medo que lá policía creyera que yo soy una mula. Traficante barbudo internacional.

Además, la carretera que llega a Bolívia passa por una parte humedal salvaje! Yo  tenia medo de ser comido por un jaguar o serpientes!!!! Pero cerca de 4 km en la selva, estaría en Bolívia! !!! Yo SOY MACHO PARA CARAJO!!!!46940936

A cerca de la frontera, en sentido contrário ao mío, encontré un joven colombiano que ia a Corumbá vender unas muambas electronicas para ganhar la plata para volver a su casa en Colômbia. Hablamos de Sul America y lo mucho que le gusta de Brasil, que nossotros somos como los padres de Latino América pela importância. Pela fuerza e tamanho de Brasil. Deberíamos ser una família más fuerte. Nos abrazamos y seguimos luchando, “Si, hermano, corazón fuerte, eh!”

Bolívia es un país pobre, la majoria de las personas en Puerto Kijarro parecen vivir de falsificaciones. Personas de todos los lugares vienes comprar ropas y electrónicos chinos y bolivianos baratos. La ironía es que a la entrada de la ciudad, hay un gran letrero con 2 chicas europeas y sonriendo como se estuviesen en París! 

Comi minha primera comida (sopa de pollo y papas fritas!!!) E descobri como ir à lo terminal de carreteras. No hablo la lengua correctamente, pero luego conseguí hacer botella pela primera vez, ellos parecem llamar de “mula” por acá. Que medo de lo tráfico… “señor, quiero una mula…” y me pone coca al culo… Pero lo motorista de la camión me ayudó mucho con dicas de valor en cambio de reales por bolivianos.

Me sentí con poco dinero entonces fue de volta à Corumbá pegar más, por garantia. De volta a la frontera, conocí una brasileña, hija de árabes que estudiaba medicina en Bolívia y vivia en Corumbá. Y su actividad preferida también era viajar por todo continente. Portanto podría me decir la mejor forma de yegar al océano pacífico.
Aunque más, ella estava viajando para Santa Cruz de la sierra también!20994112_828089607368148_3535021169816082822_n
Nos encontraríamos en lo autobús y ella me enseñaría que hacer.

Quando volví a Bolívia encontré uña bellísima fiesta en las calles! Más tarde, mi amiga árabe me dijo que son un pueblo indio que hace esta fiesta por 3 días, bebiendo y dançando por las calles.

Me quedé en lo terminal rodoviário, tomei baño, comi pollo y papas fritas (puedo comer mejor aquí, todo es muy barato por ser un país pobre) esperé mi amiga casi durmiendo. Estoy muy cansado. Los 8 días parecem meses…

Puerto Quijarro é uma cidade situada na província de Germán Busch, no leste do Departamento de Santa Cruz, na Bolívia. Fronteiriça com o Brasil, se encontra no Pantanal Boliviano. Sua economia se baseia principalmente na exportação de cereais e derivados por seu porto, assim como no intercâmbio comercial com a cidade brasileira de Corumbá. O Canal Tamengo é uma importante via navegável que uni os rios navegáveis do Paraguai e Paraná. Sua população está em torno de 15 mil habitantes, foi fundada em 1940. - font wiki

Mais e mais o Dog se afunda nessa aventura, menos vontade eu tenho de largar a costa sul-americana…

Dia 9: SAMAIPATA images

Amigos,
Acabo de perder a publicação que falava do dia de ontem e meu ônibus está saindo. Uma pena, foi um texto bom, estou muito atarefado para escrever de novo agora.

Tem sido difícil demais parar para carregar e encontrar wifi.  Ontem foi um dia mágico. Hoje já não. Havia passa

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do o dia em Samaipata, lá conheci dois franceses a 1 ano na estrada. Caminhei 7 kilómetros pela Serra boliviana de Samaipata.

 

Peguei o “ônibus da morte” onde tirei foto de uma ovelhinha.

El “Camino de la Muerte”, es el nombre que se le atribuye a esta antigua vía hacia los Yungas y específicamente hacia la Población de Coroico. Comienza en el centro urbano de Chuspipata, pasando por la Población de Unduavi. El camino tiene una longitud de 28 kilómetros y se extiende de forma serpenteante por las serranías de la región como una hilera que se pierde en el horizonte. Fué construida por los prisioneros paraguayos durante el conflicto bélico que enfrentó a dos países hermanos, Bolivia y Paraguay. - Site Bolivia es turismo

DIA 10: LA MIGRA

O dia FOI PASSADO na estrada que cruza os andes boliviAnos. DIVIDI O TEMPO COM um ex-toreador e um cara que virou meu guia em Lapaz. Ele tinha sido costureiro clandestino em São Paulo.
Cruzando a fronteira do Peru fui barrado pela polícia e fui liberado usando o poder a minha simpatia. Juro.

Estou em Desguadero, Peru. Amanhã fecho minha viagem surfando no Pacífico! ARRIBA MUCHACHOS!!!!

Entre 2007 e 2013 saiu várias matérias sobre marcas brasileiras e internacionais montadas no parque industrial paulistano que empregavam trabalho escravo, quase sempre boliviano.

Dia 11: O PONTO FINAL15194565_1787209144863026_3289965610317457812_o

O mar é um bicho fenomenal. O deixei logo de início, no fim, lá estava ele também. De tanto andar por tanta terra, é a água que eu queria encontrar. Eu esperava um anti-clímax no ponto final. Alcançei a conquista aonde um gigantesco “THE END“, faltou aparecer no céu.

A comida do Peru é barata. Como a comida deveria ser em qualquer lugar. Os pratos parecem ter sido feitos por alguém que cuida de vc com muito carinho…

Depois das terras infinitas dos índios, dos milionários e animais voadores do Mato Grosso do Sul, dos olhos azuis profundos da americana de Pittsburg, da busca por sentido em todas as coisas da morena de Jacarepaguá, da descrição d’um prato de comida pra depois deitar numa praça e ver o céu estrelado do sr. Arco, dos dedos brutos do toureiro, da risada do boliviano costureiro, dos fraternos caminhoneiros de Minas, dos lavradores cafeeiros e as universitárias paulistas, da varanda fria da igreja evangélica, da polícia rodoviária, dos hotéis fedorentos, dos meus amigos no celular e da estrada e mais estrada, é estrada que não acaba mais. O final precisava ser abençoado pelo mar.

Numa praia militar da cidade de Ilo, Peru, de tempos em tempos, se ouviam bombas… O motorista do microbus me explicou exatamente onde mergulhar e disse que no verão enche de turistas ricos. Naquele momento era só eu e milhares (cara, de repente, até milhões ) de gaivotas numa paisagem que lembrava o lado mais doce de Mordor¹. Sair do oceano Atlântico, no caso, da zona oeste do Rio e andar até o wild west da América do Sul e encontrar o Pacífico. “Ah, moleque.”0142

Pegaria uma onda de peito (só tem prancha pra alugar no verão). Mesmo afastado milhares de quilômetros de onde eu moro, me sinto  confortável, íntimo. Não houve anti-clímax, tava com cara de “THE END” de verdade.  Ilo exporta guano pra Europa! (Comigo tinha que ser, terminar em fezes…) Vi também a carcaça de um leão marinho apodrecendo na areia. Estes momentos vão ficar enchendo de lágrimas meu Pacífico coração de leao…

Hora de voltar.

¹) Mordor é um lugar da obra ficcional do Tolkien.  O autor relatou uma vez ter se inspirado no vulcão de Stromboli, na Sicília, pra confeccionar características do local fictício. Mordor significa “terra negra” na linguagem inventada por Tolkien, Sindarin.Black Gate of Mordor

Uma etimologia proposta fora do contexto da Terra Média é a palavra em inglês antigo morðor, que significa “pecado mortal” ou “assassino” (é a palavra ancestral de “murder”, assassino em Inglês). Não é incomum ver os nomes na ficção de Tolkien terem significados de relevância em várias línguas, tanto inventadas por Tolkien como outras. Mordor é também um nome citado em algumas mitologias nórdicas, referindo-se a um local aonde os seus cidadãos praticam o mal sem o saber (…). Uma exposição de arte intitulada “The Making of Mordor” na Galeria de Arte de Wolverhampton (2014) afirma que as siderurgias e altos-fornos da região da Midlands Ocidentais inspiraram a visão de Tolkien, e seu nome Mordor. Esta área industrializada era conhecido como “País Negro”. – font wiki

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Brasil Profundo – as férias do Dog I


Hoje estive num período de 2 horas com pelos menos várias pessoas de 8 diferentes nações européias em situações diversas. Se eu pensar profudamente, me lembro que quando eu era pequena, me contava estar fazendo isso, estar me comunicando em inglês ou em frances ou até mesmo em português com diferentes tipos mundanos. Chegava a acreditar que a comunicação em massa iria nos unir. Nao foi a televisão, nem o rádio, mas o modelo clássico educativo que fez isso, a acessibilidade e a importância de uma lingua padrão, como latim um dia foi, faz com criemos amizades e não inimizades.

No Rio, mes passado, que engraçado, conversei com muita gente de partes do mundo, e principalmente de outras partes do Brasil. As distancias que levamos para nos unir naquela coordenada sul-americana foram mais superiores do que esses europeus levaram para estarem hoje em Stavanger, muito mais. Desses estrangeiros que me deparei por aqui absolutamente ninguém falava norueguês, enquanto no Rio, todos falavam português.

Acontece que isso é um problema resolvido, esse domínio de uma lingua. Por que não investigamos mais outras partes do país, outros indivíduos já que existe todo um território sem problemas de comunicação? A resposta é fácil, temos um problema de sintaxe social, já os europeus, bem pouco. Os componentes que fazem a população brasileira nao obedecem, nunca ouviram qualquer menção as ordens de conduta, moral e ética ao qual vc foi otimizado. A população é educada pela comunicação em massa e tira dela qualquer interpretação pra trilhar seus caminhos, juram mentiras e seguem sozinhos.

Coma a carta do tarot ilustratada com o Deus do Vinho, Bacus a ponto de se atirar do precipício, o Dog vai de encontro ao oeste do Brasil de uma maneira que muitos europeus cortam o continente da peninsula Ibérica à Escandinava ou vice versa, sem maiores inconvenientes. Será que ele provará que se pode o mesmo no Brasil, sem a tal linha férrea? Será que ele coroa nesse momento um novo hábito no país?

Projeto: Uma mochila nas costas e um ideia na cabeça.

Dia 1: Paracambi.

Paracambi

O edificio orgulho da cidade, uma antiga fabrica no meio da floresta

Subjuguei (aqui usado pelo Dog no sentido equivocado de dar sinônimo à “julgar mal”) as dimensões da BR-116 e acabei meu primeiro dia de projeto mendigo nessa cidade.

Por coincidência, cheguei às vésperas da comemoração do dia da cidade de Paracambi… Simpática cidade na Dutra (como o Dog adora adjetivos!)

O hotel é uma espelunca, mas tem wifi. A comunicação serve pra tranquilizar meus amigos que sabem do projeto e preocupar todos os outros que não sabiam…

Ontem, antes prestes a dormir, achei que deveria ser o único hóspede… Eis que no exato momento que articulava aquela opinião, do quarto logo em frente ao meu saiu um urro agudo, igual a de uma arara, parecia também que ali donde viera o som alguém falava sozinho!!!a0deffc86fb948be14e01c1253fb65a5--spooky-house-norman-bates Bolei e associei essa manifestação com a personagem do Norman Bates…

Passei pela portaria. O recepcionista assistia a versão original do filme “A Gaiola das Loucas”.

Cogitei dormir na estrada antes desse Bates motel que arranjei. Seria uma experiência grotesca. Pobres mendigos… Sério, as incertezas, medo e privações não tem nenhuma graça. O projeto precisa de ajustes… um meio termo porque hotel todo dia não cabe no meu orçamento, e dormir na rua (principalmente com as onças por aí! ) é o verdadeiro horror… Vou dando notícias.” 
JC mirada al cieloJulio Cortazar escreveu um conto passado num hotel misterioso desse nível, em Montevideo, o hotel CervantesLa puerta condenada” recria na nossa cabeça a estranheza que autor de deparou, o sofrimento  de uma carência  e como driblam essa dor.  Eu destacaria esse pedacinho:
– …protegida pela indiferença… – Será que o mesmo se aplicaria nesse contexto do Dog? Como o Cortazar, o Dog foi o único que não ignorou o ruído?
A 57ª edição da tradicional festa de aniversário da cidade, que acontecerá entre os dias 5 e 8 de Agosto de 2017. O Espaço Lanari irá receber diversas atrações durante os quatro dias de evento. Diversos artistas locais se apresentarão. A entrada será 1 kg de alimento. - fontesite da prefeitura de Paracambi.

Dia 2: Emoções gélidas

“Saí de Paracambi de volta à Dutra. Cheguei a cidade de Eng. Passos, que era meio um beco sem saída. Os locais me aconselharam voltar à Resende. Mas, permanecer na BR me pareceu amarelar

Uma estrada de Eng. Passos me levou até Minas, o que confirmou que esse meu esquema funcionou melhor. Vi por uma avestruz num dos caminhos entre as duas caronas de caminhão que peguei.  Estava a poucos quilômetros das Agulhas Negras. Não subi as Agulhas Negras por causo do inconveniente frio! Achei que ia morrer de frio durante aquela madrugada portanto tirei foto da minha última refeição! 


200 km depois chegamos em Varginha. Sim! A cidade é bem diferente do que eu pensava, é enorme! Meu
 clima de andarilho fodao me permite dormir na estrada!

Peguei um transporte publico pra Elói Mendes, cidade rural mesmo, mais afeita ao projeto! A dita cidade estava deserta e gelada quando cheguei. Jantei na praça principal da cidade e tomei um goleiro (um gole substancial, o Dog se refere) de cachaça.  Uma varanda de igreja evangélica, rebatizada durante a noite por evangélida, me pareceu conveniente pra passar a madrugada. Foi uma noite alongada pelo medo e o frio, barra pesadíssima…


Estou agora em uma birosca com wifi em Alfenas. Equacionando o dinheiro com o tempo de viagem compensam plus os meus possíveis objetivos, contra um mar de  perrengues. Acho que sim, veremos. 

Molhei a cabeça e bebi água da nascente. Quero dar um mergulho no meio da estrada agora que tá esquentando. Sensacional, comi possivelmente o melhor pastel de queijo da minha vida.”
carto-postal-antigo-eloi-mendes-mg-igreja-1951-D_NQ_NP_23118-MLB20241694447_022015-FA cidade de Elói Mendes construiu uma cópia fajuta do Cristo (é se a montanha nao vai à Maomé, que venha uma pedra rolando…). Pela internet, encontrei uma foto vintage ruim (ruim porque tem um esquadro tosco), com satélites negros! (explico: são furos que faziam no papel das fotos ou até nos negativos, e agora parece ser umas luas sinistras). Essa foto está sendo vendida por 12reais no Mercado Livre. Um conserto de um alfaiate no Rio não sai mais caro que 10$ reais, alguma coisa está errada: ou o valor que dão a trecos ou desvalorização do seu tempo empregado NUM SERVIÇO.

Dia 3: Ganhando chão

“Depois do meu fiasco ao tentar dormir na estrada eu me dei conta que quanto mais dias eu ficar na estrada, mais cara será minha viagem. Portanto, não pretendo mais acampar clandestino agora que estou cada vez mais para dentro de nós, Brasil profundo.
Ontem, então foi dia de ganhar chão. Sai do gelo de Elói Mendes, pegando o primeiro ônibus pra qualquer lugar, só pra me esquentar no banco do transporte publico com as pessoas…

Até agora na viagem, não encontrei – além dos mendigos loucos, aqueles vestidos de militar e pessoas estranhas dos centros urbanos – dos quais estou sempre fugindo – ninguém que expressasse ameaça. Presto atenção sempre, mas acho que é político ver o proletário como perigo. Em geral, todos nós temos uma vida saudável em muitas dimensões. Sei da periculosidade que estamos pensando, mas por surpresa ou sorte, não vi absolutamente nenhuma pessoa fora dos perímetros urbanos com clara intenção de maldade, nenhuma. Não é super poder meu não. Estou atento, principalmente agora que estou entrando no MS.
O dia de ontem foi passado em ônibus. De cidade em cidade, conhecendo muita gente das lavouras de café mineiras. Como Marcelo, um Catador de café que estava numa romaria de trampos com café, está em final de época. Ele estava à caminho de uma fazenda de laranjas. Duas universitárias de planejamento ambiental me deram um panorama da vida de lá, elas administram empresas rurais. Perguntei sobre a reforma trabalhista a todos eles, o Marcelo nunca tinha nem ouvido falar.djanira-da-motta-e-silva1

Passei por Alfenas que uma grande 
amiga mora por lá, ela é tatuadora inclusive… Volto lá de outra vez pra ver os acidentes geográficos da regiao incluindo a serra da canastra com laticínios maravilhosos… Passamos por Brodowski de Portinari!, Ribeirão Preto e um monte de cidades no caminho de Pres. Prudente, onde estou agora.

Passei por muitas cidades sem tomar banho, mas uma coisa é comum em todos os muros: Fora Temer!
Vou correndo pegar uma carona pro Mato Grosso do Sul! Abraços! Obrigado por prestar atenção em mim!

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O Marcelo seria:
Boia-fria é o trabalhador agrícola que se desloca diariamente para a propriedade rural (...). O boia-fria surgiu do costume destes trabalhadores de levar uma marmita consigo logo cedo e, na hora do almoço, comê-la fria. O grande problema dos boias-frias é que suas condições de trabalho são as piores possíveis, estando muitas vezes aliadas às condições de escravidão e trabalho infantil.
  (...). Está inteiramente ao desamparo da legislação trabalhista, pois é contratado por tarefa. Como trabalhador sazonal, pode ser empregado por dia, por semanas ou meses, geralmente não ultrapassando 4 a 6meses.
  O contrato é verbal e feito pelo "gato", intermediário entre o proprietário rural e o trabalhador que se encarrega da fiscalização do trabalho e do pagamento. Muitos dos boias-frias possuíam suas propriedades, mas, por causa das precárias condições em que viviam, venderam suas terras a baixo preço e saíram do campo para construir uma massa de trabalhadores temporários, residindo nas periferias urbanas, em casas pobres, casebres, favelas, cortiços, em vilas e povoados situados em áreas agrícolas ou à beira de estradas. Migram de uma região agrícola para outra, acompanhando o ciclo produtivo de diversas culturas. São agricultores em diversas lavouras, mas não possuem suas próprias terras.
  Um drama à parte é o transporte dos volantes feito pelo "gato", na maioria das vezes, proprietário do caminhão. A falta de segurança, o excessivo número de trabalhadores transportados e a velocidade desenfreada têm feito vítimas fatais constantemente.
  Em Ribeirão Preto, em junho de 2007, foi feita uma denúncia da morte de quinze pessoas por causa de trabalho excessivo da colheita de cana-de-açúcar e pela falta de água potável, provocando acidente vascular cerebral e parada cardiovascular nesses trabalhadores. - Giardino, Cláudio. Geografia nos dias de hoje, 7° ano / Cláudio Giardino, Ligia Ortega, Rosaly Braga Chianca. - 1. ed. - São Paulo: Leya, 2012

Dia 04: Brasil profundo

Tá ficando muito popular esse negócio. Não era essa a idéia, mas  gostando. Devo estar carente.

Dormi na estrada de novo. Dessa vez fui mais esperto, dormi no ônibus! Cheguei cedo em Presidente Prudente, cidade com a maior densidade de carros velhos que  já vi. Gostei. Há muitas cidades universitárias pela zona rural, pense sobre isso.

Não conseguindo a tal carona que mencionei no capítulo anterior. Peguei um ônibus de roleta para Pres. Epitáfio, cidade as margens do rio Paraná. Esta faz divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. Por lá um senhor me deu mais uma aula sobre lavouras e construção de penitenciárias. Ele trabalhou em algumas, parece que aqui tem muitas penitenciárias, por ser longe de tudo. Acho que é mais barato que fazer escola. Redobrei o cuidado pra não cair acidentalmente em uma, nesse estado de exceção que país toma rumo de novo.

Resolvi tomar banho no rio porque eu tava a 2 dias sem e fedendo muito! Estou lendo um livro do Eduardo Bueno durante a viagem (tem gente que não gosta, nunca soube o por quê, acho muito divertido!). Neste ele discursa sobre as entradas no Brasil pré-colônia, por portugueses, espanhóis e franceses, invariavelmente, com as extrações de madeira e ouro, e ainda a escravização dos índios. Os lugares descritos parecem muito com os quais estou de passagem. Um deles, o rio Paraná, que pensavam na época que era um braço do oceano e que cortaria o Brasil inteiro junto com o Prata. Vou te dizer que eu teria pensado a mesma coisa. O bicho é gigante. Lá fui eu jogar minha imundice na história brasileira!

Havia um barco nas margens do Paraná, jogando água pra fora e antes de entrar na água. Rolou um déjà vu – já vi um barco desses antes -, e tchbum! Nadando com os peixinhos, bochechada para tirar aquelas comidas velhas das obturações. No almoço  reparei pequenos corpos sólidos flutuando docemente sobre a água do rio que nao pertenciam aquele ecossistema. Aí que bateu a lembrança da onde reconhecia aquele barquinho charmoso, eu tinha visto um igual numa estação de tratamento de esgoto na saída da Cidade de Deus! Tomei meu primeiro banho em fezes. Típica alegria que só eu devo conhecer. Disseram que era um limpa-fundo, catando areia. Malditos Eduardo Bueno e o Martim Afonso.

De volta até a rodoviária encontrei um caminhão terminando de entregar peixes na cidade.

– Para onde vocês vão? – Indaguei.

– Bataguassu. – Responderam.

Atravessamos a divisa do Mato Grosso do Sul, e eu, batizado em fezes. Meu rito de passagem alucinado virando verdadeiro homem latino. Os caminhoneiros eram o Paulista Hugo e o haitiano Tunier. Tunier chegou no Brasil com os primos, quando o terremoto de 2014 destruiu tudo no seu país. Fez uma careta quando eu tentei me expressar em francês com ele. Tunier não era um miserável desterrado, estava na segunda faculdade no Haiti. Pelo jeito minha visão de lá também é bastante preconceituosa.

Atravessamos a divisa do Mato Grosso do Sul por uma ponte sobrenatural que parecia ligar o mundo dos vivos com o mato além. Hugo me deu dicas de bichos que poderiam me matar pelo caminho… Logo estávamos em Bataguassu. Minha primeira cidade sul mato grossense.

Dizem que o povo do mato grosso é estranho, mas foi onde me senti mais em casa. A empresa de ônibus que vendia passagens para Campo Grande era em uma birosca e faltavam 2 horas para o ônibus chegar então a dona da birosca puxou umas cadeiras pra sombra de uma árvore e ficamos tomando umas cervejas com a vizinhança que ia chegando para conversar sobre poodles, desemprego e as formas de enxotar candidatos fazendo compras de votos a custa de trabalho. Pelo jeito a peixeira e o método mais popular. Fazia tempo que eu não passava uma tarde tao agradável.

O caminho para Campo Grande é uma experiência indiscritível. Quando atravessamos a ponte do rio Paraná, estávamos entrando em outro país. As paisagens, enquanto o sol ia baixando no horizonte, eram daqueles pastos infinitos com todo tipo de bicho extinto (eu acho que vi um urutal… vi sim) e os bois mais bonitos que eu já vi. Isso explica o por quê matam tantos índios e sem-terras nesse país. A estrada era uma reta continental que se cruzou em 4 horas de céu cor de rosa. O que, em outros estados, levaria pelo menos 1 dia.

Agora é só saber o destino final da viagem. Se paro nessa região, ou como bem definiu minha nova parceira de viajem (a primeira carioca que encontrei), vou “all in” e tento meu objetivo inicial, chegar ao Pacífico!

Tenho muitas idéias. Beijos! Não deixem de se preocupar comigo!”

O rio Paraná é o segundo maior riosul-americano. Nasce na confluência de dois importantes rios brasileiros: o rio Grande e rio Paranaíba,entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.  

O topônimo "Paraná" é procedente do termo da língua Paraná, que significa "rio". - font wiki

Dia 5: Turistas

Comecei meu dia numa van cheia de turistas à caminho de Bonito. É muito doido me dar conta de que sou um desses. Somos uma espécie estranha, de sorriso demente na cara. Enquanto até agora, todos que eu encontrei trabalhavam a sua vida normal ou estavam à caminho do trabalho…

Estou por sinal na cidade mais cara do mundo: Bonito. No caminho conheci uma morena carioca – que já mencionei – e uma loira americana. Ontem foi dia de nadar no rio e fazer quilômetros e mais quilômetros de bicicleta em Bonito e jantar muito bem acompanhado.main-qimg-fe97ebad73837bbb0ea6810f7e120143

Só que não tem muitas fotos. Eu tinha mais coisas pra fazer…

Foda-se, vou torrar tudo e curtir a vida! Muito fácil agora relaxar e parar por aqui mesmo, no Olimpo…

Acho que a minha ex-mulher não está lendo isso, mas ontem bateu forte a saudade, queria que a minha filha estivesse aqui!. Nadei num rio lindo, parecia um vídeo game, cheio de peixes enormes que dava pra botar a mão e galhos submersos pelos quais eu passava por baixo e por cima, em baixo d’água. Era lindo demais! Ela ia adorar.

Fui a um festival de laçar o boi! Foda! Estava em meio de gente mito rica vestida de matuta. Vi os desempenho daqueles profissionais por um prisma novo, aquilo é um esporte lindo! Tinha alguma coisa de Conan naqueles caras em cima de um cavalo no lusco-fusco da hora mágica, perseguindo bezerros e girando o laço sobre os chapéus. Os bichos saiam vivos do outro lado… Tinha um moleque de boné e camisa amarela que era tipo o Kelly Slater daquilo. Sempre pegava o bicho mais brabo! Lindos momentos que a Manu me permitiu ao me liberar do dia dos pais pra viver minha crise dos 38. Sou um egoísta, porém dessa vez, não me arrependo. Trarei ela aqui comigo de um jeito mais seguro um dia e nós vamos nos mesclar com os índios!

Conheci um trabalhando em um bar aqui. Reconheci que era, porque tinha aqueles furos na bochecha que os os índios acabam tendo por atravessar um graveto no rosto pra parecer uma onça. Ele me disse que tem um assentamento aqui perto (à 60 km), não é muito, mas como turista preguiçoso, dormi na pousada. Acho que não chego no Pacífico e não me arrependerei… Abraços!

PS: Bonito nao é a meta da viagem! Mas o tempo tá acabando também… Que mané Pacífico. Bonito é um dos lugares mais legais do Brasil, contudo caro! Pelo menos a fronteira não está longe. Admito que estou começando a amarelar pra certas complexidades finais…

Natasha Brabo comentou: “Dani, eu e Manu estamos acompanhando tudo!

Reserva Indígena Kadiwéu

Área habitada por Chamacoco, Kadiwéu, Kinikinau and Terena. 1697, População. Área (ha), 539 mil.

Dia 6: Social

Com minhas lindas parceiras “Ebony” and “Ivory” pra nossa noite de despedida em Bonito. Tudo ía lindo, paradisíaco – a escassez de fotos mostra que estou de férias dentro das férias -, me achando maduro, alguém melhor, até que… Liberto meu senso de humor em público!

Estávamos conversando sobre Tinder. Uma amiga delas, gay, se relacionava  usando esse aplicativo… Mudamos o papo para uma garota que deve estar por volta dos 15 anos de idade, é uma atendente genial da pousada onde estamos. A moca falava ingles fluente, organiza passeios com paciência e eficiência. Cogitamos que ela devia ter um tutor, para estimulá-la a ir para uma faculdade. A tal amiga gay é educadora e seria uma ótima ela orientar a menina. Solto o seguinte: “…mas ela vai deflorar a garota até o término da orientação! Hohoho…” Silêncio mortal.

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Posso me sentir sendo odiado com força. A noite acabara pra mim. Acabava muito mal. Deixando de lembrança para elas que sou um Donald Trump perdido no Centro Oeste, um Bolsonaro em easy mode

Foi um comentário merdaforte  porque nele contém homofobia e pedofilia. Não venho aqui justificar nem debater os limites do humor. Isso destruiu minha idéia de desenvolvimento pessoal.

Em meio a araras, peixes, liberdade, mulheres lindas e o autoconhecimento, lá estava eu, de novo, estragando tudo ao tentar aproximação com outros seres humanos. O mesmo de sempre. Altamente reconhecível.

Volto pra casa em breve. Com experiências lindas na mente, todavia o mesmo de sempre. Saudades da minha filha (foi mal, o furo no dia dos pais). Tô te levando um presente maneiro, Manu! Bom. Vamos em frente.

Rio – Bonito, sao pouco mais de 4hs de avião. De carro, via Sao Paulo capital, que seria o caminho mais curto, sao 1613 km e levando mais de 18h no percurso.  Isso significa que sao 3 dias de viagem normal rápida, com paradas reabastecimento do carro e o seu, mais os pernoites. Mas o Dog fez via Minas, o que daria 21hs de carro. A pior estrada do mundo que eu peguei na minha vida foi no sul Mineiro e essa lembrança sela a falta de tesao que é viajar pelo Brasil com estrada de engenharia que prioriza a corrupção do que facilitar as nossas vidas. Era uma estrada antiga igual um miojo que circundava provavelmente o parque estadual Nova Baden. Na época, 1988, eles construíram uma via nova que de tão nova não informava pra onde ía, e apenas levava 10 minutos no mesmo trajeto que nós levamos mais de 1h. Quantas pessoas näo devem ter morrido, pensei quando vi no mapa o inferno que eu passei. Hoje essa via infernal foi tomada pela floresta.trilha_troncos1

Ontem de noite, visitei meus sogros, era domingo. Em meio a um papo falaram do irmao mais velho do Sverre, que foi de bicicleta em 1980 passear na Dinamarca. Eles pedalaram um pouco mais de 20 km até a barca no porto de Skien que destina ao porto dinamarquês. La pelo quarto dia percorrendo aquele país na bike, o irmao do Sverre escangalhou sua própria bike e nao conseguiu com o amigo retomá-la aos serviços. Largaram ela lá, e voltaram andando e dividindo a outra bicicleta. Eles tinham apenas 15 anos de idade.

 

Torturas e tatuagens das ninfas


Acompanhando o que é publicado pelos meus camaradas surgem memes populares na minha tela. Só depois com mais atenção que descubro a notícia que deu fruto a essas criações artísticas, populares e de comédia.

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Lafa sempre atuante e rápido quantoo que acontece em Terra Brasiis

A notícia da semana passada que chocou o país foi 2 delinquentes de 27 e 29 anos torturarem e tatuarem na testa de um adolescente a inscrição: “Eu sou ladrão e vacilao“. A internet dá uma abordagem de como as pessoas pensam sobre o crime de sequestro e tatuagem FORCADA. Nada ali pode nos levar a crer que o garoto era de fato ladrao, quem diz isso sao apenas os DELINQUENTES. Eu não tomaria como verdade as palavras de quem comete um crime horrendo como capturar, aprisionar, torturar durante 11 dias um menor. Aparentemente muita gente acredita nos bandidos. Se for provado furto é outra coisa, mas nunca validaria esse tipo de “prenda”, mesmo que o menino tivesse roubado milhões, como alguns juízes fazem. Faria esses deliquentes a mesma violência com gente poderosa, de sobrenome poderoso com conta suíça?

É capaz de mês que vem toda a nação já ter esquecido dessa história toda. Quem nao esquece uma história semelhante é o estado de Indiana. Um infortúnio muito parecido ocorreu em outubro de 1965, hoje quase todos os envolvidos já estão mortos. Tomei conhecimento da tragédia de Sylvia Likens em 2013 por acaso quando procurava um bom filme pra ver no domingo de noite. O filme “An American Crime” de 2007 mostra acontecimentos bastantes perturbadores. No dia seguinte fui rever os fatos e notei que o filme abrandou a violência, porque a realidade era severa. Li e reli tudo sobre o crime e o que aconteceu com os coadjuvantes. Essa fábula urbana me influenciou bastante quanto a rever condutas de certos tipos que tentei descrever nesse texto sobre performaces conservadoras.

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Essa foto é quase tao triste quanto dela morta com a tatuagem feita no local sujo e insalubre -acusando algo que ela nao é. A menina era apenas muito bonita

Silvia Likens era uma menina pobre, filha de gente de circo. Seus pais estavam pra se divorciar, sua mae havia sido presa por pequenos furtos (deve ter pego alguns meses de prisao). O pai estava numa economia debilitada mesmo assim nao exitou muito na primeira oportunidade de oferta que teve d’alguém que amparasse ele com suas filhas. Tudo pra que elas mantivessem ali em Indiana a frequência na escola.

Gertrude Nadine BANISZEWSKia pessoa que coube essa missao de RESPONSABILIDADE, casou-se com 16 anos de idade (1947). Voce acha que alguém que se case com uma idade dessas, sabe alguma porra na vida? Enquanto centenas de estudantes são lapidados com mais estudos, níveis avançados e até numa faculdade, mocas que se casam se aprimoram aonde, na cama? Tanto no filme, como as fotos reais revelam uma pessoa de saúde encolerizada, clara condição de muita gente que substitui refeições por um maço de cigarro. O pai da Sylvia não tinha formação o bastante para ler tais sinais, conheceu a mulher na social da igreja, largou suas filhas e foi cuidar da sua vida a fim de capitalizar.

O que fez a menina criar tanto ódio na cabeça da Gertrude? Nada, sua existência era tudo que a Gertrude mais odiava. Sua juventude, beleza e SOBRETUDO sua formacao intelectual sobrepujavam o que a Gertrude não conseguiu se casando. Com 36 anos sua renda era lav

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ando e passando roupas pra fora, além de uma eventual mesada do primeiro marido (no histórico das relações aparentemente ela apanhou de todos esses caras). Outra característica que gostaria de considerar é que Sylvia cantava todas as músicas dos Beatles, pense na problemática aos olhos de uma semi analfabeta que isso poderia gerar?

ae8de1d14de92f0fc16c354e56005428Jenny, a irma mais nova de Sylvia nao conseguiu se fazer ouvir, apesar de algumas vezes procurar por ajuda, como outra irma e vizinhos (O servico social engavetou o pedido depois de uma breve visita). Elas apanhavam de cabo de vassoura dessa mulher. Jenny não foi levada a tortura porque tinha sido marcada pelo pólio. Durante os dias de tortura no porão de uma casa velha e suja, Baniszewski tatuou com uma agulha e tinta de caneta na barriga da menina: “Eu sou prostituta e me orgulho disso”. Toda a sua própria defesa se baseava na condição de que Linkens fosse uma garota promiscua que desvirtuaria sua familia. Por causa disso foram feitos teste no corpo da moca, contabilizaram 150 marcas de queimadura de cigarro e o hímen intacto.

Não consigo deixar de pensar como funciona a cabeca dessa mulher marginalizada e sem futuro. Todo santo dia, fraca e cansada, sem capacidade intelectual de formular soluções que melhorassem sua vida com tantos rebentos, ter que lavar a roupa que nunca se extinguiam, acabava por pensar assim: “Poderia ter me deitado com 5 homens na metade do tempo que se lava e passo essa roupa. Mas com essa cara? Com que coragem? Nao pode, todos dizem. E a igreja? Quem nao pode é essa aí, vai que todo mundo vai querer ela, nada sobra pra mim!” Gertrude respondeu pelo homicídio que indiretamente ela cometeu mas que foi feito pela mãos de seus filhos e outras crianças da rua induzidos por ela. O advogado de defesa trabalhou bem, livrando a cara dela da pena de morte. Ela pegou pena perpétua porém tendo um comportamento exemplar na cadeia (lá a ofereceram o remédio que mais procurava: disciplina) saiu em 1985, morreu em 1990. A sua filha mais velha era professora no estado vizinho, perdeu o emprego em 2012 por causa do refrescar de memória do filme.

Essa foto tirada em 1971 quando ouve um segundo julgamento do caso liberando a Paula Baniszewki , mostra claramente Gertrude mas saudável no tempo na prisao

Gertrude foi a típica megera de drama grego, se encontrava poderosa diante das calunias que fazia de uma menor de idade. De súbito, eu imagino que ela no meio daqueles jovens queria até se passar por um deles.

Alguém formulou uma questão que se faz de lupa nessas relações norte-americanas de bullying.  O anônimo que respondeu essa pergunta nao deu nem sua localização, nem quando isso se sucedeu. Suspeito que deve ter sido em torno de apenas 15 anos atrás, mesmo assim uma moca chamar outra moca de “puta” ela a princípio endossa apenas a questão machista. O que significa isso? Ou entendo pouco.

O que aconteceu com a pessoa que te atormentava na sua escola?

Ela morreu de overdose há alguns anos atrás. Para essa história, me referirei a ela como Hanna Moretti.

Iniciamos como camaradas o primeiro ano no ensino médio, eu e essa moça. Circundávamos a mesma rede de amizades e dividiámos uma maioria de classes escolares. Geral dizia que poderíamos passar por gêmeas, usávamos cabelos curtos de tons escuros, tínhamos olhos claros, rostos redondos e narizes pequenos. Um detalhe curioso era os nossos aniversários, apenas diferenciavam em um dia de intervalo entre eles, se assim me lembro bem. Por essa forca de notáveis superficialidades nos aproximamos, mas nunca nos tornamos super-amigas. Admito mea culpa dessa aproximação não avançar mais. Secretamente condenava a garota, ela não me parecia uma pessoa ajuizada e, muito menos, sagaz. É claro, um dia deve ter caído a ficha e ela percebeu que eu fazia pouco caso de um maior estreitamento social com ela, ou pouco caso DELA. Muito provavelmente foi esse turbulento sentimento de rejeição que desencadeou todo drama a seguir.

O primeiro capítulo dessa novela se desenvolve quando um coleguinha nosso ME convidou para dar uma volta. Eu não estava a fim dele. Essa nova rejeição a um amigo da nossa teia de amizades foi definitivamente a gota d’água pra Moretti passar agir contra a minha pessoa.

Num belo dia, ela chega pra mim e em alto e bom som me xinga com os piores nomes alusivos àqueles profissionais do sexo diante de todos os nossos colegas de classe.  Sem qualquer discriminação por parte dos alunos no recinto com o que ela fazia, ela continuou com o teatro de condenações até o professor presente no ginásio perceber o rebuliço e pedir pra que ela parasse.19030649_473486383043498_6162136074326041016_n

A impossibilidade da auto defesa naquele momento em 6 ângulos:

  1. Eu era muito quieta, na minha. Como de repente posso sair batendo boca com uma pessoa?
  2. Nunca lidei bem com confrontos, isso não fazia parte do meu dia a dia.
  3. Eu era bastante católica na época, acreditava que o que uma pessoa faz ela irá pagar por isso, então não tinha que nada contra atacá-la, as circunstancias iriam dar cabo numa hora certa.
  4. Era uma ávida praticante do karatê, portanto seria desonroso lutar com ela que nem praticava esporte.
  5. Eu nao passava de uma típica nerd, tinha até banda, qualquer paco errado ali poderia piorar a situação imensamente na minha vida.
  6. A vergonha é tao imensa numa hora dessas que de uma forma te neutraliza num choque muito potente. Ela gritava salivando direto na minha cara, em outras ocasiões estaria comentando alguma gracinha como “sem molho”. Aquela mise-en-scéne ali nao fazia sentido NENHUM. O que ela ganharia com aquilo?

Votei pra casa como se tivesse sido baleada. Achando que aquilo nao passava de um incidente isolado. Outro engano.

Na manhã seguinte, ela me esperava na entrada da escola, me seguiu até meu armário me chamando de nomes, esculachando o quanto podia. Iríamos ter aula na mesma sala,  ela parou cada aluno pra informar que não deveriam falar comigo porque eu era uma garota imoral. Se alguém viesse se direcionar a mim, ela se inseriria fisicamente entre eu e a pessoa para que a COMUNICAÇÃO nao existisse. Não tardou para que ela dissesse às pessoas mentiras, todas de natureza sexual.

Ela aproveitou todas as oportunidades que pode para me alienar dos outros. Isso ocorreu principalmente no ginásio e na aula de inglês, ambas das quais eram lideradas por professores preguiçosos. Ela continuou com essa tática por semanas e eu continuei a não fazer nada. Tentava ignorá-la.

Acabei afastada de todas as minhas amizades da escola. Ninguém queria nada comigo (no fundo as pessoas acreditam que o problema ou o terror que eu enfrentava era culpa todo minha). Por outro lado, acho que eles simplesmente não queriam se envolver com a situação (quando voce nao se indigna, é porque voce já optou pelo lado do opressor). Os professores também não estão nem aí. Estava completamente sozinha, chorava todos os dias em casa,  sem vontade de voltar à escola.19025024_474254372966699_7251533489606863499_o

O tormento criado por Hanna Moretti se tornou uma parte regular da minha vida por alguns meses. Já estava ficando acostumada. Daí as palavras parecem que morriam e  sua forca impactante não estava causando o mesmo efeito esperado de antes, uma pessoa como ela sem muitos prospectos não iria agendar um solução elaborada, queria era partir pra violência. Foram muitas ameaças, ameaças vis, barulho e grosseria. Todas de intuito a violência física, ao medo, o que não deixa de ser, no momento da ameaça, uma violência psicológica.

Quando estava no ponto auge da trama d’um pesadelo, pensei que dessa vez eu tinha de contra atuar. Ela só pode estar pedindo que eu faca algo, pois nao fui eu que comecei nada.

Numa hora do lanche da escola, ela veio com novas ameaças que iria me surrar, machucar. Calmamente respondi:

-Ok, Hanna. Quando e onde? Parto pra briga com você a qualquer momento.

Esse foi o momento x da mudança do jogo, me mantive silenciosa esperando por ela marcar a data e a hora. Voltei a lembrá-la que estava esperando pela resposta à peleja por ela SOLICITADA. Isso só a deixou mais agitada e em resposta reformulou as ameaças de sempre. O sino tocou, o almoço terminou, voltamos pra aula. Não voltamos a nos ver naquele dia.

Veio o dia seguinte. Ela repetia como um disco arranhado ameaças físicas em pleno corredor antes das aulas do dia. Naquela mesma manha, retornei com uma mais entusiasmada resposta a suas demonstrações de valentona:

 – Estou prontinha, pode vir. Quero acabar logo com isso. – A garota me olhou como como se eu fosse uma espécie de estúpida e revidou com algo do tipo:

-Tch, agora mesmo, estou te poupando Quando acabar com a sua raca, você vai querer nunca ter nascido. – Tive que rir, mas ela continuou com um sofrível ar de ser o maior pistoleiro do oeste, ou coisa do tipo.

Pela manhã, tive uma aula com a melhor amiga dessa garota. Acabei por me aproximar dela e comentei meio blazer que fazia karatê regularmente. Estava certa que poderia machucar a Moretti, da mesma forma também estava certa que ela não seria capaz de provocar um se quer arranhão em mim.

Passou o dia, não vi a Hanna nem nos corredores, nem no almoço, além de cabular as aulas que compartilhávamos. Finalmente a sensação de poder tomou conta de mim. Os estudantes da escola passaram a me perguntar sobre a briga, se eu estava com medo, se era verdade que lutava karatê, coisas do tipo. A escola estava excitada. Depois de meses vivendo como excluída, estava adorando toda aquela bajulação. Não mais que de repente, o último sino do dia tocou.

Fui lá ao lugar onde deveríamos nos atracar. Algumas pessoas apareceram, esperando que algo acontecesse, depois de uns 10 minutos aquela gente se dissipou, alguns estavam a mercê dos horários de seus ônibus pra voltar pra casa. Aguardei pelo menos 45 min. A Hanna nunca apareceu e já estava na hora de ir para minha pratica de música.

Podia ter deixado pra lá, mas nao me contive (foram meses de escárnio com a minha pessoa), ao iniciar a aula na manha seguinte a inquiri.  Dessa vez fui eu que chamei a atenção usando das artimanhas que ela mesmo me ensinou, o tom mais alto de volume postando a voz com seguranca:

– O que aconteceu ontem? Você nunca apareceu… – Todos em classe nos visualizaram. Em murmuras e com muita raiva:

– Faremos hoje… – Concordei porém algo me dizia que ela iria dar bolo novamente.

Desta vez havia muitas mais gente no local pra ver o que iria rolar. Obviamente a garota furou. Aquela amiga dela apareceu e veio com a notícia que ela tinha ficado meio doente e teve que ir pra casa cedo. Dei de ombros e disse que acabávamos ali aquele caso. Naquela semana ela nao voltou a escola. Na segunda-feira seguinte, nem sequer lançou um olhar na minha direção.

A vida prosseguiu, os anos passaram. Moretti me evitou o resto daquele ano. No nosso último ano na escola ela se tornou uma outsider, e por essa época mesmo ela tentou reatar a amizade. Completamente sem noção ou num tremendo desespero social. Ao chegar da primavera a garota aparece visivelmente grávida. Pra piorar o caso, ela nao admitia essa situação pra evitar as ridicularizações que nunca foram diminuídas. A situação era tao infeliz que ela preferia mentir e dizer que estava gorda, do que encarar a realidade.

Todo o quadro era como um presente de felicidade, toda aquela derrota visual e social dela me enchia de satisfação. Hoje ao lembrar disso me amargo comigo mesmo, que coisa estranha e má educada da minha parte, que falta de sensibilidade e empatia. A vida daquela garota era completamente miserável, muita gente acabou também se regozijando a custa das mazelas dela.

A cerca de dois anos atrás ela apareceu na minha vida por conta dos programas sociais da internet, coincidentemente era aniversário de um ano de sua morte. Deixou pra trás 2 crianças pra criar…

Livro do passado à limbo


Em 1998 com a minha rapeize da EBA, saímos do Museu de Belas Artes em direção à Lapa. Andando ao longo da rua Evaristo da Veiga alguém percebeu rabiscos que cobriam toda a parede lateral de um prédio. Essas pixacoes contrastavam muito com as encontradas pela cidade.

1016552_995351250605253_1982748180_nNo meio desses escritos também apareciam exercícios matemáticos. Ambos eram identificáveis, a matemática e a literatura, mas com algarismos e letras diferentes das  familiarizadas pelos cariocas. Rolou uma suspeita, que talvez isso fosse conhecido noutro canto e logo o Audrin revelou o que publicaram nos jornais. Outras cidades importantes no mundo apresentaram esses escritos e ninguém podia decifrá-los. Isso foi numa sexta, na terça-feira voltei ao centro para tirar foto exclusivamente dos escritos, mas eles foram apagados do mármore preto numa habitual renovação do edifício ou das ruas às segundas. Os sinais foram afixados com giz branco.

Recentemente descobri a existência do Manuscrito de Voynich. Pra mim, aqueles traçados no muro, de uma coordenada muito importante da cidade maravilhosa, era uma cópia de alguma coisa do Voynich. Aquele passeio no centro ficou quase que gravado na minha memória como um momento SAGRADO. Naquele mesmo ano existiu um bum da comunicação por causa do impacto da internet. Certamente algum grupo acadêmico resolveu fazer uma certa intervenção artística MUNDO AFORA, quem sabe era com intuito de resolver o enigma desse manuscrito…

Voynich_Manuscript_(32)Uma das teorias do Voynich é que os textos sao de uma língua sem norma escrita, era falada mas nao haviam desenvolvido a escrita. Geralmente a gramática é formada ao longo de muitos anos e por muita gente. As linguas modernas levaram muitos livros publicados até alguém ser envolvido no trabalho de mapear as “leis” dessa lingua. Os estudiosos de linguistica acham padrões nas línguas e repetição de letras, fonemas, estruturas. Nessa lingua do Manuscrito os padroes esperados não se configuram. A língua encontrada na Ilha de Páscoa por exemplo nunca foi entendida, era uma lingua falada e só tem um exemplo dela escrito, numa pedra. Mas será que já existia a escrita dessa língua mas quem desenvolveu o livro não era alfabetizado? E portanto criava sua própria escrita pra passar informações importantes a tempos futuros, como a si mesmo mais velho, ou a seus filhos? A necessidade era grande e maior era solidão…

Livingstone-TheUnsolvableMysteriesoftheVoynichManuscript-893Outra coisa apresentada no manuscrito, que parece que eu já havia visto antes, sao as ilustrações. Principalmente a florzinha no lugar do asterisco (o nome dado ao sinal asterisco está datado de 1576) indicando parágrafos. As meninas da minha escola desenhavam exatamente a mesmo flor, quando tínhamos 8, 9, 10 e 11 anos de idade. Eu na contra mao da estética estipulada por elas, desenhava mulheres de salto alto, roupas na moda italiana arrojada dos anos 80, e com cabelos suntuosos para acompanhar o corte das roupas e da maquiagem pesada. Em meados dos anos 80 eu ouvia The Romantics e o White Snake, a moda estava voltada no olhar metalizado. O vintage era baseado nos anos 40 & 50 e este se embalava com neon ou com materiais e cores não disponíveis noutrora. Eu acompanhava o contemporâneo, elas mantinham o esperado perfil FEMININO, ou seja, quieto, curvilíneo, cor de rosa e doce.

Umas copiavam das outras como numa confraria medieval (se torna invisível na cadencia da uniformidade). Aquela que vinha com a melhor solucao de enfeite era logo apontado para o grupo como DEVE ser feito. As mais entusiastas dessa mania faziam deveras outros exemplares, que seriam julgados pelo grupo de trabalho. Um dia notaram que nao era bem sincero a articulação das escolhas dos modelos e a moda de desenhar na margem esquerda dos cadernos cai em declínio. Percebi anos depois, que os meninos TAMBÉM faziam ilustrações conforme suas inclinações, eram mais ou menos como os meus, só que os humanoides capturados nessas investidas artísticas DELES estavam em guerra, exibindo armas.

Voltando ao Manuscrito de Voynich; dentro da minha experiência, tenho por mim que o manuscrito foi desenvolvido por nao mais que 2 maos FEMININAS e de diferentes gerações. O teste de carbono indicou o ano de 1420, dando uma data talvez do ano de produção do papel utilizado e nao do que foi escrito ou quando foi ENCADERNADO. Como me referi antes (no post chamado “Inconstantes que se tornam icônicos“) em algumas sociedades existia a necessidade de passar conhecimento em forma de código para sua própria proteção e das informações contidas. As vezes essas infos nao significavam nada para o grupo; ou basta ser incomum pra que uma pequena sociedade confunda: proibir o diferente. As mulheres sempre foram delimitadas das sua liberdade, ao perceber que nao fazem parte da bolha privilegiada masculina, é possível que de vez em outra esse tipo de fenômeno literário ocorra.18814830_10154822074538869_3041192807873195635_o

No Manuscrito se nota uma boa parte dedicada à natureza (botânica e imagens de mulheres) e depois à astrologia. Será que isso nao é um signal pisca-pisca pra dizer que o livro é sobre coisas relacionados ao mulherio, prevenção, período ruidoso¹, etc…

O manuscrito Voynich está em poder da Universidade de Yale desde de 1969 quando adquirido de Hans Peter Kraus. Esse cara foi um comerciante de livros raros, começou nesse ramo em plena recessão, mas lá na Austria, seu país de origem. Com a babaquice nazista ele acaba por aportar em NYC. Em 1961 ele compra o livro pela bagatela de 24 mil dólares da nova-iorquina e aposentada livreira assistente. Ela era Anna Hill e ela viria a morrer naquele mesmo ano!

Mural-Ariel-Rios-Rockwell-Kent-1A jornada de 100 anos de um livro feito a mão começa com um polonês num sebo italiano, eles atravessam o Atlantico evitando ficar pra ver o placar da WWI. Anterior a isso, se cogita que o Manuscrito esteve passeando em prateleiras de um palácio italiano, e antes, com monges. Nessa onda se acredita que livros parecidos como esse, foram trazidos com a corte portuguesa na década de 1810 para o Rio de Janeiro…


Na década de 1950 o governo criou a Ilha do Fundão que se integrou por meio de aterros. Naquele manguezal surgia um pequeno arquipélago formado por oito ilhas: Baiacu, Bom Jesus, Cabras, Catalão, Fundão, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França e Sapucaia. O aterro teve a função de abrigar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma proposta antiga sugerida por Gustavo Capanema em 1935.

640px-Igreja_do_Bom_Jesus_da_ColunaA única edificação existente do Brasil Colônia ali era a Igreja do Bom Jesus da Coluna, erguida no início do século XVIII. No local, encontram-se as ruínas de um convento construído por padres franciscanos. Depois holocausto indígena no norte carioca durante o século XVII freguesias se ergueram as margens da baía, a Ilha do Governador data de 1711 e no seu brasão se colore com vermelho de sangue simbolizando a luta portuguesa contra as tropas francesas.

Agora cabe aqui um outra espécie de registro, a baía da Guanabara era rodeada por tribos de dois povos indígenas, embora rivais, pertenciam a mesma família linguística Tupi: os Tamoios e os Maracajás. Na metade do século XVI, os Maracajás se isolavam no que seria a futura Ilha do Governador. Segundo o cosmógrafo francês André Thevet, havia 36 tabas, cerca de 8 mil indivíduos. Estariam cercados por 70 mil Tamoios capitaneados pelo temido Cunhambebe. – ALENCAR, Emanuel. “Baía da Guanabara, descaso e resistência“, Rio de Janeiro : Fundação Heinrich Böll. 2016

O Parque do Catalão é uma reserva da mata atlântica. A área preserva ecossistemas como manguezais e uma lagoa.  Quando transitava pelo Fundão me chocava com essas descrições acima. Notava que os livros das bibliotecas de cada curso eram digeridos diante dos nossos olhos pelo calor e humidade. Até a arquitetura sofria erosão. As costas praieiras na ilha nao existem em plenitude, sofrem ao contrário com a poluição, com a criação do homem, e estavam lá em resistencia, como se fossem um bravo cavalheiro medieval que luta até seu último suspiro contra as forcas criadas pela TECNOLOGIA, tao estudadas naquela própria ilha.

Em maior contraste com a Universidade de Yale que além das bibliotecas, disponibiliza uma biblioteca dedicada a livros raros com a tecnologia própria mantém luz, humidade e temperatura numa constante e nao influenciando o envelhecimento precoce desses volumes, a UFRJ nao tem nem forcas contra os periódicos ataques das mazelas de terceiro mundo. Durante aquele mesmo ano de 1998, semanalmente as segundas um corpo parcialmente dilacerado, se encontrava na bela entrada da Reitoria. No ponto de ônibus oposto via o corpo de um sujeito negro banhado de sangue que os urubus davam visíveis sinais de agradecimento pela oferta de dejejum posta. Eram removidos ainda nos primeiros período da manha.

Os estudantes sem cerimônias ou histeria cruzavam a entrada mesmo com o corpo exposto. Um dia um professor de projeto comentou que a ilha era um antigo cemitério índio. Ele continuava:

– Tudo que for planificado no Fundão afunda, maldição dos Tupinambás. – whatever fessor, pensei…

E o Kraus desanimado com uma sucessao de falhas, ninharia de erros, se convence que já estava no hora de largar essa profissao dele, doar tudo, viver do que já deu… Afinal estávamos na era da televisão e as gerações seguintes seriam até ensinadas ou governadas pela mídia; livro era coisa do passado…


¹) Período de muitos ruídos, ou seja, sons ruins. Sons que vem dos stereos, por isso, histeria, histérica. Histeria provacada pela dor nos ovários.

A roupa do constituinte norueguês


O dia nacional da Noruega seria uma forma de reiteração, uma festividade à honra da democracia que progride na Noruega. Ela, a democracia, não é de toda perfeita, nunca será em lugar algum, já até vacilou, não tenha dúvida disso (leia esse post), e ainda tem, uma parte de gente que nessa data exibe nacionalismo, mostrando uma faceta triste e conservadora (pode-se dizer fascista) que se dissipa no dia seguinte. O dia 18 é dia de branco (nunca entendi muito esse termo, mas meu pai me disse que tem a ver com a camisa branca que se usa quando em escritórios).

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“A escrava e o senhor” gravura de Debret 1820. Vai cair a mao do maluco carregar aquela tralha toda.

O uso de bandeiras estrangeiras na parada do dia 17

Rosa: “É absolutamente incrível desperdicar energia num debate desses. (…)” (16 de maio kl. 22:24)

Ásia: “Isso é apenas uma demonstração de solidariedade à/com a Noruega. (…) Especialmente quando levam 2 bandeiras nas mãos, celebram junto ao povo norueguês pois são parte da sociedade. Há uma imensa massa de diversas nacionalidades espalhada por toda Noruega. Não tem nada a ver em desviar a atenção para qualquer outro país. (…). (16 de maio kl. 22:47)

Peter: “Que tal deixar as pessoas se divertirem como elas mais desejarem, ao invés de criarem mimimis?” (16 de maio kl. 22:50)

Caroline: “É isso aí, é Dia da Constituição da Noruega e não do resto do mundo.” (16 de maio kl. 23:06) – Aposto minha janta de hoje a noite com sobremesa inclusa que essa moca estava usando Bunade¹ naquele dia.

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Christian Frederik, foi indicado para ser rei da Noruega no dia 16 de maio de 1814 (a constituição foi homologada no dia seguinte) e a união Dinamarca e Noruega continuaria até 1905. Esse sucessor da casa dinamarquesa era “neto” da Juliane Marie que mencionei no post “Humanizando as cartas altas”. O filho da Juliane Marie, Frederik que regeu no lugar do seu meio irmao mais velho pela incapacidade mental dele, nao foi capaz de ter sucessores, todos seus “descendentes” eram filhos do militar aristocrata Frederik Von Bucher. Pra fechar com chave de outro, Christian Frederik se divorciou de sua “prima-irma” e esposa, pois ela assumiu uma relação (porra! ele nao era aristocrata) com um professor francês de piano.  O rei noruegues casa-se novamente com a neta do Struennse, que pela linhagem real era bisneta de Frederik V da Dinamarca, como ele próprio seria neto, só que igualmente ambos nao levavam nenhuma gota do sangue de Frederik V, dando assim melhores descendentes a coroa (Isso tudo pra mim é tramado de ante-mao).

Priscila: “Eu honestamente acho super estranho. É até comum fazê-lo por aqui, mas vejo como desrespeitoso. Que fique registrado, se assim o fizessem no meu país, acharia um ato pretensioso (…). (16 de Maio kl. 23:51) – Foi uma resposta honesta, mas levemente ingênua. Acredito que em 2002 o mesmo passara pela minha cabeça, com tempo se acaba por entender melhor a dimensão da democracia, pois se vê ela com mais nitidez depois de um tempo fora da America católica. Será que as festividades do 5 de maio no México convidam toda a comunidade para a celebração? Incluindo os Norte-Americanos, que ora sao hermanos, ora seus administradores tem politicas insanas?

b80489ed279cab6d9ad04470eba637f4Comentei recentemente que as manifestações do dito dia se assemelham ao Carnaval pelo uso das fantasias, as paradas, as bandas e a comunhao total. Contudo os recheios dos desfiles são muito diferentes. De manha, quando o começa a “procissão” das crianças, TODOS, quero dizer, toda e qualquer criança estará na parada. No dia que meus filhos terminarem a educação secundária daí nao terei que acordar sedo para acenar para eles. A tarde é o percurso popular, aonde diversos grupos desportivos, criativos e de associações sem fins lucrativos desfilam com seus respectivos estandartes. Passeia pela minha cabeça que esse tipo de coisa deveria existir com os ingleses e portugueses pelo Rio, lá por volta das décadas de 1820/1830 (talvez antes) até virar alvo da criatividade da rua, da mistura dos povos e acabar sendo esculachada e revisada no entrudo. O Carnaval é o desfile do povo.

¹) Na quarta-feira a NRK divulgou um artigo (o tipo de coisa que os canais privados não ligam, porque nao é de gosto popular, foca no genesis da coisa) que relembrava quem foi o responsável pelo estimulo do uso do Bunade, a atriz e escritora híper-nacionalista Hulda Gaborg.

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Estudantes que irão cursar a universidade no segundo semestre do ano. O ano letivo começa depois do verão, ou seja, em agosto! Foto dos anos 50.


Eu só precisava do nome dela
. O bunade é uma coisa que chama muita a atenção assim que voce poe os pés em solo norueguês, especialmente se estiver visitando nos meses de primavera, que até cai bem. No verão fica sendo uma roupa pesada, quente demais; já no inverno a lä que praticamente reveste toda indumentária é pouca pra proteger do frio avassalador, e no outono a mesma se encharcaria com a chuva, igualmente inadequado. Acaba que quem porta uma Bunade somente o usa naqueles 3 meses no ano que engloba a festividade do dia nacional, um eventual casamento, crisma & batismo (ritos religiosos e tradicionais).

O Bunade é mais um dos grandes ícones nacionais. Ouvi na época que primeiro aportei na Noruega. Um cidadão desses complementa a tirada com o pensamento que outros países europeus tem apenas um traje modelo enquanto na Noruega há pelo menos um par de traje tradicional para cada província, e sendo o país um pouco maior que média européia, conta-se um numero maior de províncias. Desfazer d’outras culturas ou nações não anula o seu desconhecimento em relação ao tema. Imagino que isso foi passado desse modo como uma estratégia de marketing.

-Por acaso eu já estudei por 4 anos trajes no curso especializado na Belas Artes, focando na nossa historia ocidental. A começar,

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Carmen Miranda exibe melhor faceta da “Bunade Carioca” se baseando naqueles negras e as vezes, cafuzas que andavam pelo centro e vendiam frutas locais: pitanga, abacaxi, pau de cana, manga, vanila-orchidea, limão, laranja, banana, jabuticaba, caju, etc…

Portugal tem uns que diferenciam as camadas sociais. Gostaria mais de ter mergulhado na Asia e na Africa assim como eu fiz com a Europa, só que nao aconteceu. O bunade nada mais é do que a moda convencional européia no final do século XVIII, observe. O que é usado hoje foi concebido como se concebem costumes teatrais, baseado numa pintura mas atualizado na moda vigente. Quando foi instituído o bunade? Assim como no Carnaval no Rio não nos vestimos EXATAMENTE como os índios se vestiam, tomamos a idéia e a estilizamos,  usando muitas das penas dos magníficos pássaros da fauna local mais pedras brilhantes encontradas nas bacias hidrográficas, e a pintura direto na pele. Os descendentes de africanos no Brasil ainda se vestem com rendas brancas e turbantes, o no sul do Brasil os gauchos tem seus bunades que como na Noruega copia a moda usual entre 1789 ate 1830.

17 mai ENDELIG(1).jpg (rw_smallArt_1201)Gaborg, a pessoa responsável pelo conceito, vai pra minha lista aonde figura nomes como Magareth Tatcher, Sarah Pailin, e até Fernando Holliday, (ela é considerada uma feminista, alguma coisa está errada, como uma feminista defende a mulher fazer papel de mulher, me explica? Ter roupa comportada e viver longe dos grandes centros). Essa senhora depois de aposentada ganhou a mais alta honraria do Rei norueguês, a medalha de St. Olav pelo conjunto da sua obra, entre: livros, pecas, e a criação do Bunade. Vindo de um lar desfeito, sem pai nem mae, seu conceito de moral era menos preso, se destacando liberalmente das mulheres a sua volta que deveriam proteger sua castidade a fim de casarem SEM EXPERIÊNCIA PREVIA com um homem. Mesmo sem estudo, conseguiu um trabalho razoavelmente descente pra época no centro de Oslo. Os donos do estabelecimento eram nacionalistas e muito a influenciaram. Ela com 22 publica seu primeiro romance, hoje dizem que esses romances nao fazem mais parte do acervo de leitura dos noruegueses. Publicando livros se locomoveu para teatro. Dentro do seu engajamento politico efervescente que contraiu a idéia de conceber a criação da bunade.

Um traje em que todos os noruegueses possam usar em dia de festa. Todos os noruegueses deveriam ter poder de COMPRA para essa peca mais cara do vestuário. A 100 anos atrás nao era uma realidade, de uns 40 anos pra cá vem funcionando. Os modelos de bunades se baseariam nas vestimentas de expoentes fazendeiros ou mercadores encontrados em documentos e conservados nas devidas instituições como na pintura de Eidsvoll¹ em 1914.

Enquanto de repente a partir de 1910 as mulheres se interessavam em diminuir roupas, nao perder tempo em brocar estampas, e consumir tecidos confeccionadas com fibras sintéticas porque sai mais em conta. Hulda devolve o valor ao bordado sobre a la, tecidos sem mistura de fibras e que tampem bem os moldes mais sensuais FEMININOS, exatamente como um pároco eunuco de um lugar esquecido prezaria a fim de desvalorizar a praticidade nas mulheres do século XX.

18423007_1418669114857648_6694977532474180289_oO custo da bunade nao sai nada acessível, é bem caro, entre 10 à 40 mil coroas², justamente pela qualidade acima descrita. Porém sua durabilidade é incrível, os donos de bunade geralmente as compram entre 15 & 25 anos, ganham com a crisma ou quando entram na faculdade e as usam pro resto da vida. Essa vestimenta anda mais popular agora do que nunca, um negócio da China! Saindo quase o mesmo preço para aqueles mais prolíficos cidadãos que podiam comprar uma paletó desses e exibir naquele evento fechado da igreja em pleno ano de 1800. Entenda que os 10 botões eram decorados a marteladas18595429_458148697910600_6423423643903925037_o, hoje os mesmos, cheio das gracinhas, tem sua produção controlada e facilitada. O corte, o bordado da peca também era outro problema, achar gente apta pra fazer o negocio. A la saia menos salgada em 1800 por aqui, mas os tratadores de tecido e coloração só mesmo em Copenhagen, Amsterdam e Paris. Era assim, o produto básico saía daqui, ia pra lá e depois voltava com cara de obra de arte. Hoje tudo é feito na Tailândia, o tecido vem desses países do leste europeu, só o design centenário mantém, como também o mercado.


PS: Nao tenho nada contra a Bunade. Neguinho ou branquinho se veste da melhor maneira que quiser ou puder.

¹) O local aonde foi  promulgada a Constituição na Noruega. Talvez essa pintura histórica de Eidsvoll seja mais famosa para os noruegueses que a obra prima “O Grito” de Edvard Munch.

²) 30 mil coroas na cotação à 1 mês ante do 17 de maio estava 11 mil reais.

Eu sou carioca e quero meu crachá


Como bem falou o professor da UIS, um radical ou um radicalizado, pelo efeito preconceito, é só uma pessoa cheia de questionamentos a serem proferidos. Ao questionar a pessoa já está fora da órbita radical.

Como são as pessoas no Rio de Janeiro?

…já me perguntam  muito.

“-Pergunta porreta. Em geral são agradáveis e úteis. Os cariocas tendem a ser felizes (…). Uma boa parte é católica, com um profundo apreço pela fé e família. (…) Também são românticos, a mostrar emoções com grande facilidade e até publicamente. Adoram a cidade em que vivem, boa comida, praia, futebol e outros esportes. Não há disciplina (as regras servem para ser quebradas) ou pontualidade! (…). Os “ratos” de favela farão qualquer coisa para cortar sua bolsa ou sua garganta afim de roubar sua carteira & passaporte, (…).”

pastelcaldodecanaEm 12 de agosto de 2016, a portuguesa chamada Silva se convence da imagem erguida por estereótipos.

Havia coisas piores que não há necessidade de exibí-las. Ainda assim, como um francês, alemão e norueguês encarariam uma pergunta dessas?

Da última vez que me interpelaram a 2 semanas antes de 8 de marco fora num contra ataque, ali cerrava-se o silencio daquela senhora. Ela é uma das caras do movimento Otar, criado a cerca de 80 anos atrás por uma filha d’um pastor na cidade vizinha de Sandnes. Sinceramente, acho mal representado hoje na nossa década. Essa velhinha não tem noção o quanto eu sei sobre o movimento, não obstante ela é, de certo modo, coagida pela normalidade por tudo na mesma sopa confusa e ignorante aos fora do âmbito escandinavo. Intrigada com os sinais idiossincrásicos que emano, nao resistiu e me interrogou com diretas:

– Eu sempre a vejo na biblioteca, voce está a par do movimento feminista? – Rindo, respondi positivamente. Continuei atenta, nos seus olhos lia cifras e algoritmos de uma mente que trabalha redobrado a fim de solucionar um enigma no menor tempo possível. “De que país eu seria, se muçulmana porque está sem hijab. De que parte, meu Deus?”

– Entendo que voce está tendo dificuldades em ver de que parte da Europa eu sou, seria eu eslava ou do Mediterrâneo? – Ela em quase um êxtase, pela prece imediatamente concedida pela forca divina, afirmou e se acomodou. Continuei:

– Mas eu não sou europeia. – em questão de segundos, seu castelo de areia ruiu. Dei espaço para o seu movimento…

– Seria então da America Latina?

– Bem, eu venho do Rio de Janeiro, o que é igual a dizer Paris, pois o resto da Europa nao é Paris (fazendo um voltinha no olhar redimensionado o centrinho micro de Stavanger). – E daí que vem a referida pergunta “Como são as pessoas no Rio?” toma o lugar esperado, eu respondo ja confabulado:15025393_10153553184999649_834879633040363538_o

– Sao humanos.

Porem existe uma diferença entre os “humanos” de Stavanger e os do Rio. Os neo liberais que eu me enturmo, sedentos pelo sim nesse exato momento, nao entendem que a civilidade que se conquistou aqui, está intrinsecamente ligada na forca do operário. O que edificam e o que consumem. Esse poder de consumo que a classe carrega é que fortalece o produto, justamente por isso se torna “primeiro mundo”. Tudo isso não tinha como ser respondido naquela ocasião. Procurei uma resposta abreviada e fez-se cabível.

Gostaria de explicitar a exemplo as Havaianas. Um produto essencialmente brasileiro, feito de borracha (se quiser saber mais sobre esse material, acesse esse texto aqui) e com um nome de um estado norte americano, para não vacilar na concorrência. As Havaianas nos pés dos humanos cariocas, ou do resto do Brasil, de morenos ou dos de carne crua, dos fortes ou fracos, dos brilhantes ou decepcionantes, dos coroas ou brotos, dos pagãos ou cristãos, e ainda, dos empobrecidos ou dos com bala na agulha,  calçam bem. O calcado que melhor se adaptou ao clima nacional. Voce entende que o seu produto poderia estar fazendo mais sucesso MUNDIALMparatodos20ENTE se ele fosse acessível a 50% da população nacional, sempre.

A diferença social que o chinelo nao viu passa pelos os olhos de todo mundo que sofre um certo Apartaid. Um apartaid sobretudo ILEGAL, contudo irraízado culturalmente

Daí, a Lilian, artista, ilustradora, diretora de arte na Indonésia, responde o seguinte à 20 abril de 2016 quanto ao choque cultural europeu que ela teve a possibilidade de viver:

(…)Há uma forte cultura meritocrática e atmosfera disciplinadora rígida em Cingapura. O que uma criança de 7 anos de idade faz, pode afetar seu sucesso com a idade de 27. Na Europe é outro esquema:

  1. TODOS sao fraternos! Parece que hastearam a bandeira do afrouxe-a-gravata. A vida é mais suave, mais vibrante e mais interessante. Outra imagem comum na Asia é que a Europa era apinhada apenas de pessoas brancas, o que é bastante enfatizado como bonito. Surpreende a incrível pluralidade cultural étnica. Eu nunca tinha tido contato com Africanos antes na minha vida. (…).
  2. Na Indonésia um artista de rua é um cara pobre de verdade, fazendo aquilo que dá para se manter e matar a fome. Na Europa, (…) o padrão é um pouco elevado. (…) Artistas estão ali para inspirar e modificar ideias, nao ficam no intuito limitado de vender uma paradinha decorativa. (…). Graffiti por exemplo é um crime severamente punido em Cingapura, (…). Por toda Europa se vê lugares públicos belissimamente modificados com este tipo de trabalho artístico! Lindos edifícios antigos estão praticamente em todos os lugares. Alguns datam dos anos 1100 e ainda assim sao muitas vezes cobertos de desenho modernos por artistas populares.
  3. Outro contraste com a sociedade de Cingapura é que o governo intimida o povo com ordens. Para os europeus é tudo perfeitamente normal e saudável se rebelar. A primeira demonstração pública que vi foi uma greve em Paris. Estava no ônibus com meus amigos da escola e vimos uma enorme multidão de pessoas cantando e marchando. Não sabia do que se tratava mas adorei. Amei ver um espírito contestativo. Os europeus não aceitam assim cegamente o que os seus governos tentam empurrar. (…)

Falar do Rio, sem falar no que acontece no Brasil fica meio capenga. Pra mencionar coisas de Brasil, que pensa que é uma ilha com pouca ou nenhuma interação com os vizinhos e parentes, precisa ter em mãos estudos (história a encabeçar), números e experiência política e econômica. Brasileiros passam por aventuras que se repetem nas inúmeras filiais concorrentes que nao falam português (taí a moca de Cingapura que nao me deixa mentir. Material coletado do site de perguntas yuppies).

13002577_1178185898882737_834970886034053267_oSerá que eu zoaria com o site se respondesse a minha maneira?

Ai, que pergunta escrota. Metade é agradável, e a outra… (vai saber…).
Os cariocas tendem a mostrar felicidade numa roda de chopp. Uma boa parte tenta as religiões que pintarem porque a esperança é a última que morre. Romântico é o visual, nao existe esse negócio de beijar é sinônimo de sexo, beijos & abraços são uma comunicação. Faco questão de fazer cara feia e desfazer a amizade quando entra esses esteriótipos de vida fácil. Pesa muito esse tipo de pensamento na concorrência salarial e posicionamento social fora do país. “Não precisamos ser sérios, compromissados, competentes e honestos. Afinal de contas, nós somos muito gente boa. Na raiz dessa visão repousa nossa inescapável tradição colonial. Aqui não é um lugar para dar certo, mas para ganhar dinheiro e, se possível, se divertir transando com as nativas e dançando uma música gostosaOu rompemos com nosso passado (e nossa elite) colonial ou não teremos futuro.” by Gustavo Gindre A favela me entristece, é o verde que vai, a fauna que empobrece, e uma massa enorme de gente vivendo com infra estrutura precária. Todo o tempo & dinheiro gasto pra construir esses viveiros ruins, poderia ter sido feito pelos mesmos com maquinário preciso em condicoes adequadas sem que custasse tanto.


OBS: Street Art

(…) Desde do início, a relação da arte da rua para com o mundo da arte já estabelecida é marcado pela sua exclusão, mas Street Art contém a possibilidade de re-imaginar nossos espaços públicos e a transformar os espaços urbanos em um campo de jogos para todos, assim como uma porta institucional se fecha, automaticamente a cidade se abre. Enquanto uns tem poderes identificáveis em lugares estáticos, o outro é força e espaço, sem direção definida, e dinâmica. Reacionarismos não passarão! – Martyn Reed, diretor do Nuart em Stavanger, em 10 de maio 2017.

Pessoas do fim do mundo


A Katarina tem aulas de música na escola. Nao fique pensando “que lindo!”, ela não pode sair tocando um Strauss caso falte eletricidade na festa. A professora é cantora de música clássica norueguesa. Ela se incumbe de apenas mostrar a produção do país e países similares nessa área.

Cavucando a cultura musical nórdica, ela encontrou uma canção dedicada a uma cozinheira, já que o hit folk mais famoso da Irlanda tem também o mesmo perfil nas letras. Por todo mundo nos pubs do meio do nada que conta com a clientela que trabalha em fazendas, estradas e minas deve tocar um treco desses. Se existisse uma cartela de cores determinando estilos de música, esse estilo estaria na ordem oposta ao do jazz.

Mas por que ela mostrou isso àqueles estudantes? Por causa de uma lenda do norte da Noruega cativante. A jovem Anne Rebecka Hofstad nascida em 7 de abril de 1878 pode ter sido a inspiração da coisa toda. Ela trabalhou com os Rallarene (Peões) e ganhou o apelido de Svarta Bjørn (Ursa negra), que era até uma alcunha comum pra mulheres pobres de cabelos escuros. Quem quer seja a musa inspiradora dessa canção de pub de beira estrada, morreu 500891_4477871c8d6d42qb358442por volta do ano de 1901. A moca morreu num mix de falta de tratamento duma briga² que se meteu e mais a pneumonia.

De tanto cantar essa musiquinha tosca para esquentar tabernas circunvizinhas da localidade Narvik, Nils A. Ytrebergs escreveu um romance em 1959 (o mesmo ano do lançamento do “Gabriela, Cravo & Canela” & “To kill a Mockingbird“) baseando-se numa série de entrevistas que foram feitas nos anos 40 com os ex-operarios da linha férrea. Sagazmente ele destacou Svarta Bjørn emcabecando todo o projeto.


10 anos depois um cara ficou tao abismado com a história dessa rapariga que resolveu bradar
 que a protagonista nada mais era que sua tia por parte de pai, dando mais cara ao fenômeno. A partir desse contexto, nos anos 70, diversos outros livros, pesquisas e também intérpretes musicais foram resolver suas contas com o mito. Nos anos 80, Narvik decorou uma das esquinas do lugar com uma escultura enorme da heroína e um pequeno mu1024px-Norrbo-rallareseu dos rallarene. Como deveriam ter feito em Ilheús com A Gabriela e os retirantes. Já a estátua do escritor brasileiro tinha que estar na cidade dele, 100km sertão a dentro pra quem vem de Ilhéus.

A garota de 21 anos trabalhava sozinha com o labor massante da cozinha e da limpeza. Diferente da Gabriela que estava no centro da cidade amparada por uma série de infraestruturas como carregamento de mantimentos pra dentro do estabelecimento e o próprio clima tropical que oferta frutas e plantas; Svarta Bjørn manuseava uma grande quantidade de carvão para aquecer a estalagem, tinha que fazer gelo virar água, carregar baldes e baldes pra cima e pra baixo nas semanais limpezas do dormitório e roupas dos peões, alem da manufaturação da bóia deles todos os dias.


Os rallarne e essas empregadas ralavam 10 horas por dia direto, um grupo no turno de dia e outro no da noite
. 10hs dormindo e 4hs de tempo livre. Claro que os rallarene faziam de tudo para deitar com essas empregadas e do menos dispendioso modo. ElRallare vid riksgransen 1899as estavam no meio de um monte de caras que foram pra aquela terra distante tentar a sorte porque as industrias em seus locais de PROVENIÊNCIAS os peneiraram. Os governos da Noruega e da Suécia tentaram resolver o que fazer com essa mão-de-obra excedente criando esse investimento aonde o vento-faz-a-curva, um lugar praticamente inabitado, se tornando um lucro win-win (todo mundo ganha).

Nas fontes da internet que tomei leitura (maior parte do Museu digital Norueguês), os historiadores que tiveram acesso aos arquivos afirmam que desde os seus 0187_115 anos, Anne Rebecka fugira de casa algumas vezes – nao era uma vida, no mínimo, confortável junto a sua própria família. Antes de se estabelecer com a indústria férrea naquela área mais remota da sua província, ela trabalhou pra um engenheiro como empregada  durante 2 anos, depois 2 ano
s numa firma e finalmente 2 anos responsável pelos 15 peões da Linha Férrea do Ártico – sempre os mesmos “exercícios”.


Temos uma barriga aqui: toda essa criação nos anos 60 aos 80 da personagem Svarta Bjørn
vai de encontro ao romantismo escondido nos nossos corações de crianca. Acharam, acataram, converteram um número num símbolo, ela era um numero entre tantas cozinheiras nas determinadas estações da linha férrea e se tornou um símbolo do que era a vida da mulher antes da Revolução de 1917 e do Sufrágio. Nao me satisfaço e dispo a maquiagem dessa história. Acho mais bonito aquilo que mostra a verdade mesmo cheia de rugas.

A foto que circula dela é o maior catalizador da nossa interpretação naive que inverte recontos perdidos da memória. Nessa mostra uma jovem muito branca, bem vestida na moda vigente da primeira déc11038403_1423167391311101_3623995887461231974_n250px-Svarta_Bjornada do século XX. A fotografia é de boa qualidade, foi tirada ao ar livre, muito comum em tal época aonde fotógrafos iam as feiras e ofertavam o serviço; as vezes apresentavam a técnica fotográfica pela primeira vez na localidade. No fundo da imagem há uma cortina esticada com o visual bucólico norueguês, pintado a mao (!), mas com pinceladas grossas. Esse panorama faz uma perspectiva insólita à figura humana. A moca tem um traje muito fino de domingo, jóias e um anel de casamento (!). Os noruegueses em  sua completa maioria nao usam na mao direita o anel de casado, por conseguinte, ignoraram esse singelo signal característico da protagonista dessa foto, que visivelmente está de luto e por isso, mudou de mão o anel e ainda segura uma cadeira vaga simbolizando seu marido que descansa o corpo de baixo da terra.

Essa dama deve ter morrido muito antes do livro sobre a Svarta Bjørn ter sido publicado, nunca ouviu a musica folclórica e acabou 100 anos depois na internet ilustrando a lenda. Porém a saga da Anna Rebecka me lembrou a trajetória de algumas das prostitutas assassinadas pelo Jack, the Ripper. Muitas foram empregadas em casas de família e pequenas organizações, foram casadas e tiveram filhos, foram abusadas pelo seus maridos e mal pagas pelo sistema. Procurando resposta fora da Igreja, só encontraram num copo.

Mas essa foto tao legal de uma viúva tao bela e jovem me lembrou também a aventura do Wyatt Earp. A lenda norte-americana cresceu de modo também similar por causa de uma modelo na capa de um livro.

Wyatt_EarpNunca tinha visto o filme Wyatt Earp antes do mês passado. Desperdiçaram um par de bons comentários com a personagem interpretado pelo Denis Quaid. A obra me pegou de surpresa, e por acaso, com paciência, mas me fez perdê-la em pouco tempo. Deixei de ver como acabava aquele VEXAME romântico e bélico, usufruí da minha liberdade e optei LER o que os americanos tem escrito sobre o incidente que tornou o velho-oeste um grande material para filmes de ação durante todo o século XX.

O Wyatt Earp é os córneos do mestre-mór da Katarina. Este se chama Stein, um cara equilibrado, muito querido por ex-alunos, solteirão e apaixonado por fotografia. Quando voce olha pra foto do maluco do velho-oeste, voce identifica um Stein, um cara civilizado, só que a realidade nao era essa. O perfil dos Earp se encaixa muito com o Comando Azul³. Ele com seus irmãos montavam milícia e prostíbulos (aquela combinação!), tiravam dinheiro dos bandidos, dos peões e das mulésinha (lógico, não tinha lei Maria da Penha ou porra alguma) e gastavam com armas, bebidas, com a policia corrupta e empreendimentos mal administrados.

Nas dezenas de filmes toscos que os Yanks se comprometeram a descreve10712931_10152295860951536_3153050255812299009_nr a chacina no estado do Arizona aonde aparece os Earps, se pinta esses criminosos de uma maneira completamente romanceada usando subterfúgios retóricos que dao aquela áurea dourada aos desbravadores do oeste.  Esses sim eram verdadeiros sangue sugas, verdadeiros vampiros.

PS: O romance que tirou o fôlego dos californianos se chama: I married Wyatt Earp“, autobiográfico.  Parece-me que o romance norueguês que descreveu a vida dos operários de Narvik usa do mesmo gancho com a cocota de chamariz. O livro californiano é dos anos 30, e a moca central objeto da aventura era judia, a Josephine. Ela foi o tempero a base alho do prato literário que tanto chamou atenção do mercado californiano, naquela época, antes da WWII e das lutas sociais dos anos 50, 60 & 70. Aparentemente ser judia era pior que ser prostituta para a classe média nos anos 30.

Se os homens morreram, as mulheres viveram bem até os anos 30 pra darem entrevistas. Pesquisas póstumas mostram que se elas eram as mesma coadjuvantes dos que foi travado naqueles territórios, as informações delas não batem, nem mesmo as suas pessoais. Tudo é uma grande mentira.

Em 100 anos irão abordar a violência nas favelas do Rio, Sampa e Bogotá, o clima tropical e a galera cor de cobre tudo de uma maneira romanceada, os cara macho pra caralho, – sei... Que interpretação darão das poucas fotos digitais que sobrarão dessa sociedade?

Ps2: Antes a professora de música tivesse mostrado ao adolescentes Ella Fitzgerald que completaria 100 anos se estivesse viva. Essa gente que forca cultura de branco tá com nada.


¹) Essa estrada era pra recolher minério de ferro. Engenhosamente corria a costa sueca encurtando a beca a viajem.

²) A briga se sucedeu com uma outra cozinheira de acordo com as entrevistas feita aos peões nos anos 40. Todas as cozinheiras mais ou menos eram rebatizadas no local, nomes de guerra, como havia no banco aonde a minha mãe trabalhava entre os funcionários. Pra variar (no sentido irônico) geral romantiza esse conflito, o pivô foi a paixão das duas empregadas ao mesmo determinado cara. Muito improvável receio informar, pela razão 15 homens pra cada cozinheira. É mais racional achar que um dia alguém acordou menos paciente em encarar um trabalho mal feito do parça, que deixou serviço por fazer. Foi discutir, deu na cara, a doida não leva desaforo pra casa, partiu pra dentro. A briga foi notada pelos peões, porém nao apartada.

³) Pensa