Companheiros compactos


O filme “Conte comigo”, em ingles “Stand by me“, versão do livro “The bodydo Stephen King termina: “Amigos entram e saem da sua vida”. Familiares entram e saem da sua vida do mesmo modo.
Entendo que nada que achemos – nós, a maioria dos mortais – surge a partir de uma Eureka quando estamos tomando banho de banheira, num super momento inspiracional; acontece da gente pensar partindo do que acessamos em continuidade, em repetição. Por isso bons pais (pai & mãe, para que não haja duvida quanto ao vocábulo usado) repetem seus conselhos dia e noite, para que a criança melhor digira o que foi dito.
Eu era muito jovem, o primeiro obstáculo em que lutei era a falta de confiança no meu potencial. As meninas são o maior problema do estado e meu conselho é desobediência civil. Estão aí exemplos da Idade Média quando mulheres eram queimadas VIVAS como hereges por ter algum conhecimento que as estimule SAIR da dependência masculina (as mulheres batizadas de bruxas fabricavam cerveja na idade média, consequentemente tornavam seus consumidores dependentes e alem de juntar capital pra sua auto-emancipacao). Ou o caso da Anne Frank que combateu com um lápis nanico as forcas diabólicas do Nazismo, erguido exclusivamente por homens cristãos, velhos, feios e de pouco estudo. A garota tinha mais conhecimentos em línguas na idade de 13 anos que Hitler, Göring, Goebbles, Hess,  Bormann, Himmer juntos com 4 vezes mais tempo no Planetas Telus que ela.
Voltando a formulação de idéias nas nossas cabeças. Tanto os pais como os comerciais, martelam idéias, do qual é conveniente a eles. Mas o que seria conveniente pra mim? O bom era eu alimentar aquilo que tanto eu estava atraída. E juntar pontos que voltava a analisar… Não tive outra saída e criei um companheiro imaginário pra que o raciocínio fluísse. Isso foi por volta de 1977/78. Usava muito, nos pensamentos, essa ligação de pontos de coisas que eu vi e vivi.severus i brasil.jpg
Geralmente, fora de casa, visitávamos mais famílias ligadas as esfera social da minha mãe. Ela tinha muitas primas. Uma delas morava numa vila na grande Tijuca, nas imediações da Paulo de Frontin. A casa era antiga, não me admira se construíram algum edifício nos últimos 30 anos por lá. Tinha até quintal, mesmo que acimentado quase todo, havia uma árvore e metade dela era calçada de cal, as folhas de um árvore importada portuguesa caiam no chão, secas e retorcidas, quase logo eram varridas saindo um som peculiar e ritmado. Observava e arquivava o máximo que podia, me encantava guardar experiências na minha cabeça na esperança que ficassem pra todo o sempre.

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Precisao


Toda santa vez que ponho meus pés numa sala de teatro vistosa ou num cinema grandao tenho quase que de imediato um flash-back do ano 2000 aonde fui numa mostra qualquer com a minha turminha da Federal ver um independente.

E è claro, culpando muito as linhas e horários da cidade maravilhosa, combinado em Botafogo é por volta de uma/ uma hora e meia antes do filme começar. Nesse momento de espera é bem usado uma passada rápida por livros e ingestão de litros de cerveja.???????????????????

Reunido todos, todos bem satisfeitos com os copos entornados é começada a sessão.

O filme era o Pollock. Na fileira ao meu lado estavam: Joao (estudante de cinema), Rafael (amigo dele e morador do meu bairro, uma garantia de companhia de viagem de volta) & Borelli (estudante de arquitetura).

Lá pelas tantas, levantei do meu lugar e fui ao banheiro que havia dentro da sala de projeção. Havia 3 salas assim no Rio, uma na Tijuca: o América, no Flamengo, naquele Largo do Machado, que de largo nao tem mais nada, se emancipou para praca com chafariz e tudo, e o do Estacao Unibanco.

Quando voltei, as caras sorridentes estavam brabas e soturnas.

– o que houve?
– È tudo culpa sua! – O Rafael respondeu…
– O celular tocou…
– Desculpe. – Como alguém me liga justamente na hora que saí pra ir ao banheiro???? O Joao no final das contas havia conseguido calar o mal educado.

Nessa época nao havia propaganda para lembrar você de desligar o celular, que mesmo que voce já saiba, isso ajuda, no teatro por exemplo ainda nao tem. Esse tipo de competência que apenas cabe a nós, a bebida alcoolica tem incumbência de tirar.

Eu mal consegui retomar a linha de pensamento do filme (que é um filme meio morno). Fiquei pensando em quem poderia ter me ligado no domingo de noite ou como eu deveria me desculpar exclusivamente com o Joao – fiquei um pouco preocupada com a minha mae. Primeirissima coisa que fiz quando voltamos ao ar menos saturado da rua Voluntários da Pátria liguei para quem havia me ligado. Putz, era a Flavia, para me dizer que viu um conhecido meu no Fantástico. Parada mas abobrinha e irrelevante, impossível.

O coadjuvante importante


Uma amiga uma vez me contou que uma cena forte que havia visto foi uma égua atropelada dando de mamar para o seu potro que em meio ao acidente, havia nascido.

Sempre que aparece essa lembrança dela em nossos conversas, reservada eu lembro que num domingo fresco estava almoçando com a minha família no Siri, quando este era ainda um bom restaurante na Tijuca.

Na mesa ao lado da nossa, um casal estava para terminar seu almoço e ao invés de sobremesa, ficaram nas biritas. Realmente uma atitude mais bem acolhida, não é de costume pedir sobremesa em restaurante de peixe no Rio de Janeiro.

Siri_Bobo

bobó de camarao

Esse casal deixou uma travessa inteira de arroz, intocado, que acompanhava seus pratos. Um deles observou duas crianças, muito provavelmente 2 adolescentes da mesma idade que eu & meu irmão tínhamos naquele mesmo dia. Esse quasi-vultos passavam na esquina que fica esse restaurante. Num assovio o cara os chamou oferecendo o arroz.

As crianças visivelmente eram moradoras de rua, eram magras, sujas e suas vestimentas eram praticamente retalhos. Logo, quase que voou arroz para o nosso lado. A colher que usavam era aquela de por comida no prato e DOIS adolescentes famintos, não poderia dar certo.

O tempo passou mas essa estória deve se repetir em muitos lugares em volta do globo, em todas as épocas. E por causa dessa memória, passei a dar atenção a uma instituição que ainda engatinha no Brasil, mas já dá seus sinais de vida, a tal da Foster-family.

Já escrevi sobre a Marylin, uma das mais famosas a participar desse programa. Outra mieppessoa de enorme significância na história mundial foi a Miep Gies. Se você não ouviu falar nela ainda, considere esse texto como um momento produtivo.

Na Primeira Guerra Mundial a Áustria adotou também uma política radical para abastecimento populacional em demanda a escassez de mantimentos crescente. Nessa época de fome, Miep foi adotada através desse Foster programa e sua família se debandou para Holanda onde eles todos se estabeleceram sem problemas. Se eles não fosse adotada ela teria sucumbido, só isso.

opektapudding

O poster criado por Miep para a Opekta, fabrica de geleias & gelatinas.

Miep nunca perdeu o contato com a língua alemã e aprendeu holandês dentro da escola pública, adquirindo fluência nas duas línguas sem sotaques.

Aos 24 anos, ela se alistou para um trabalho temporário de secretária, ao qual entre outras funções, desenharia os rótulos das geleias para firma. Pela sua aptidão com as 2 línguas fez com que ela se tornasse amiga e confidente da família Frank, o sr. Frank era o diretor dessa empresa e também havia se mudado da Alemanha para Holanda por causa de revéses no seu país de origem.

Com a deportação da família Frank para os campos de concentração quando da ocupação nazista em solo d’Orange, Miep sagazmente guardou entre os documentos do seu chefe, o diário da sua filha mais nova. Qual era o nome dessa filha?


Valendo um vidrinho de geléia.

Visita da Alessandra

Olhando para baixo.


Numa sexta infeliz de 2010 deixei de participar da cena cultural, pra ser infamimente julgada por funcionários de baixa capacidade. Erro meu. Deveria estar fazendo algo que eu gosto. Voltei correndo pra casa, arrumei a minha casa para evitar sobresaltos dramáticos.

Ajustei-me como numa metáfora tivesse exugado a poeira da agulha da vitrola e posto a agulha de volta na faixa que estava tocando. Um dos meu afazeres da rotina do dia seria usar meus filha na creche. Para minha surpresa, na porta de casa estava jogada, numa hora movimentada, 50 pratas no chao! Peguei a nota e em pouco tempo o brilho dia voltou.

O caso descrito no páragrafo acima parece enfermo, mas já havia na verdade acontecido algo semelhante comigo em 1995.

Uma amiga dormiu lá em casa, iríamos para o centro da cidade. Ao cruzar o portao de saída do edíficio que era aberto etrönicamente pelo porteiro, essa minha amiga fecha o portäo pesado – que aparentemente pela lei da gravidade e uma elaborada engenharia nao tinha necessidade de ser empurrado pra fechar-se – na cara de um vizinho meu.

Sobrado General Roca

Armazém & sapataria que funcionavam na General Roca.

Agora como eu tenho problemas em ver a parte engracada da coisa, fiquei reclamando a rua inteira no ouvido da garota até chegarmos na esquina com a praca Saens Pena, onde pegaríamos o metrô. Ela, porém, nao deu um pio, nenhuma resposta ao meu discurso, olhava fixamente pro chao justamente a mesma postura que fez ela fechar o portao na cara do cara. Quando iria lembrá-la desse fato ela finalmente abre a boca:

– Olha!  20 pratas!

A gente correu pra pegá-las e ela continuou:

Pode ficar com as 2 pra voce, para nao reclamar mais 😉

Eu dividi com ela, afinal de contas foi ela que achou com sua habilidade de olhar pra baixo. Eu nunca teria-as visto naquele dia.

Inovacao


Em 2010 participei de um seminário na Universidade de Stavanger. Vieram palestrar duas senhoras de talento com um livro de coleções de citacoes sobre inovação.
Para nós, que somos cativados pela vida cotidiana: automóveis, dinheiro, filhos, sexo e TV, é uma coisa de doido lidar com um tema assim. Eu não fiquei tao satisfeita com a demanda do estudo.
Muito citado lá também: “a conivência dos nossos velhos tempos da revolução industrial está em jogo”. Um Exemplo desses tosco: os Simpsons (desenho animado que tenta explicar o que está acontecendo) tem um personagem chamado Krusty. Simboliza o ídolo da massa jovem. Ele é analfabeto mas está diariamente em estéreo e a cores indo de encontro as emoções de seus espectadores.
 classes-sociais
A TV é um marco na históriaA mecänica educacional nunca mais foi a mesma. Professores & burocratas só acordaram para isto quase 30 anos depois de sua aparição. Eles só acordaram.
Eu gostaria de compartilhar meus conhecimentos deste assunto usando imagens históricas que servem de ilustração de inovações. Chuvendo no molhado, com certeza voce também teem semelhantes ilustrações de inovacöes.

latuff-tortura– Se adianta, amigo, seu tempo acabou.

Queria falar sobre o futuro, mas continuo com a lisonja com personagens do passado. Tudo porque eu fui doutrinada por tanto tempo a achar que se sabemos o passado temos uma tendência de resolver o futuro. Às vezes, “resolver” significa “fazer!”
Meu mais querido ente me perguntou o que eu havia aprendindo naquele dia, eu respondi:
– tornar o presente o futuro.

O filho esquecido de Marilyn


Hoje, terça-feira, segunda semana de janeiro 2011, eu li sobre Norma Jean Baker. De domingo para segunda-feira à noite eu sonhei com Marilyn Monroe. Eu sei, todos os sonhos parecem ser estranhos, desta vez o sonho que deveria se fazer estranho soa como um trama coerente e viva e os aspectos da história dão pilha pra serem investigados.

Marilyn Monroe married James Dougherty at the age of 16 on 19 july 1942

Norma Jean no dia do seu casamento com James Dougherty em 19 de julho de 1942. Ela tinha apenas 16 anos.

Eu não havia sonhado sobre mim mesma ou o que eu vivi durante o dia. No fim de semana anterior eu passei um tempo glorioso com alguns amigos na minha própria exposição de pinturas & mosaicos em Sandnes Brygge.

Nenhum dos programas televisivos de domingo a noite remotamente mencionaram Marilyn Monroe, Cuba, anos 50, romance latino, mães e netos. O que aconteceu foi que quando eu acordei eu podia lembrar do sonho muito claramente, mas nenhum dos filmes que eu havia visto. E como eu posso enfatizar isso com vocês leitores do que havia sido exibido na TV? Eu verifiquei-os no jornal da semana passada ainda perdido no bolo de revistas.

O enredo do sonho: eu assistia eu um documentário sobre Norma Jean Baker. Este documentário envolvia seu filho desaparecido e um romance com um ator mexicano. Isso era entre os anos de 1947 ou 1951. Ela aparentemente não queria ter o filho, mas seu marido, católico, a convenceu de ter a criança no México. Não deixa-se claro se eles se casaram, porém viviam juntos, brigavam, especialmente no México, onde ele bebia. Parecia que eles viviam muito próximos da mãe desse cara, na verdade, ela foi quem cuidou da modelo e do bebê. Logo ela, a Norma Jean, encontra-se farta dos seus deveres de mãe, deixa o bebê com sua sogra. A maioria dos fatos foram narrados e mostrava-se fotos e filmes nesse meu sonho como num filme mesmo.

norma-jeane-baker

Com familiares do marido

Uma grande parte do sonho é o ano de 1957, que mostra um grande navio indo para Cuba, há um garoto moreno e uma senhora, potencialmete sua avó no tombadilho se despedindo do Mexico. A avó era uma cubana. Nao sei exatamente como aparece isso no meu sonho, se é o narrador que diz ou ela mesmo conta ao menino. É como já fosse fato. Nao saberia identificar diferencas entre o espanhol falado em Cuba, Mexico, Espanha ou mesmo na Argentina.

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Diego Rivera

Depois aparece no sonho, um cara gordo com barba suja com uma blusa fina azul, um tipo de Diego Rivera, com um pouco de cabelo longo. Eu poderia dizer se este é o amante de Marilyn, um pouco mais velho ou a criança já como um adulto.

Todo o tempo, Norma Jean não era loira, tinha seu cabelo natural castanho acaju claro, um vestido estampado de flores curvelineo, típica da década de 40. O sonho todo era praticamente em preto e branco. Relances de tons dourados e avermelhados enfatisando o calor subtropical.

Cenas de sexta feira no centro de Stavanger


No ano de 2007 morreram 73 pessoas completamente solitárias na capital norueguesa. Fiquei sabendo através de uma ampla matéria publicada na revista dominical de um jornal dessa mesma capital. Jan Erik viveu sozinho toda a sua vida e no momento de sua morte se tornou um tanto especial. Adorei esse drama sobre pessoas pobres, solitárias e marginalizadas em Oslo.

Por acaso, quando comecei a esligacoes perigosastudar a língua oficial do país, dando uma lida em partes especiais do livro de língua norueguesa – aliás, um livro cheio de coisas, números e observações sobre a cultura da Noruega e seu povo – descobri que o nome mais repetido de um cidadão norueguës é Jan Erik.

Por aqui em Stavanger, naturalmente geral simpatiza com uma boa causa e não atacam ninguém com baixaria, pois somos um grupo comprometido. Há um organização de mulheres ligado aos jornais e a universidade, como também, a igreja, que se mete em causas feministas. Fico me perguntando se é pelas mulheres ou pela religião?

Por toda a minha vida pensei se as e as mulheres obtivessem aquela igualdade tao sonhada, no que se diz respeito ao salário e posição social, suas consideracöes seriam portanto sexo sem dor de cabeça e sem filhos. vida de mae é um trabalho em tempo integral e quando há um tempinho sobrando, o que se faze? Nós nos embelezamos. As mulheres se adornam contra o adversário. Atormentam-se com o sapato alto diariamente, vencem este mencionadmenininha livreo adversário (problema muito comum para a perda de popularidade) e são agraciadas com os serviços sexuais de homens! Conclusão: “Mulheres pensam com suas bolas”, ou essas coisas chamadas de ovários.

Eu gosto de coisas boas, acima de tudo, gosto da minha liberdade. O propósito nesse testículo não é criticar a conduta que se extravia da ideia original de certas instituições, mas reportar as minhas memórias da última sexta-feira na cidade. Fiquei intrigada com o que eu li no jornal de Stavanger: “pela cidade livre de pornografia!” O que realmente significa mais coisas proibidas que geralmente caem no mundo absurdo do mercado negro. 

Sobre a sexta-feira inesquecível, após a abertura da minha exposicao na galeria Mollerin, calibração no bar Gnu, depressão evocada na boite Cementen, celebrei o melhor peixe com fritas na frente à “atos de teatro ao vivo”. O destaque ficou com duas prostitutas envolvidas com idosos. Drama central:

As fritas caem no chão, imediatamente o velho em queda livre acompanha o acompanhamento do peixe.