Brasil Profundo – as férias do Dog I


Hoje estive num período de 2 horas com pelos menos várias pessoas de 8 diferentes nações européias em situações diversas. Se eu pensar profudamente, me lembro que quando eu era pequena, me contava estar fazendo isso, estar me comunicando em inglês ou em frances ou até mesmo em português com diferentes tipos mundanos. Chegava a acreditar que a comunicação em massa iria nos unir. Nao foi a televisão, nem o rádio, mas o modelo clássico educativo que fez isso, a acessibilidade e a importância de uma lingua padrão, como latim um dia foi, faz com criemos amizades e não inimizades.

No Rio, mes passado, que engraçado, conversei com muita gente de partes do mundo, e principalmente de outras partes do Brasil. As distancias que levamos para nos unir naquela coordenada sul-americana foram mais superiores do que esses europeus levaram para estarem hoje em Stavanger, muito mais. Desses estrangeiros que me deparei por aqui absolutamente ninguém falava norueguês, enquanto no Rio, todos falavam português.

Acontece que isso é um problema resolvido, esse domínio de uma lingua. Por que não investigamos mais outras partes do país, outros indivíduos já que existe todo um território sem problemas de comunicação? A resposta é fácil, temos um problema de sintaxe social, já os europeus, bem pouco. Os componentes que fazem a população brasileira nao obedecem, nunca ouviram qualquer menção as ordens de conduta, moral e ética ao qual vc foi otimizado. A população é educada pela comunicação em massa e tira dela qualquer interpretação pra trilhar seus caminhos, juram mentiras e seguem sozinhos.

Coma a carta do tarot ilustratada com o Deus do Vinho, Bacus a ponto de se atirar do precipício, o Dog vai de encontro ao oeste do Brasil de uma maneira que muitos europeus cortam o continente da peninsula Ibérica à Escandinava ou vice versa, sem maiores inconvenientes. Será que ele provará que se pode o mesmo no Brasil, sem a tal linha férrea? Será que ele coroa nesse momento um novo hábito no país?

Projeto: Uma mochila nas costas e um ideia na cabeça.

Dia 1: Paracambi.

Paracambi
O edificio orgulho da cidade, uma antiga fabrica no meio da floresta

Subjulguei as dimensões da BR-116 e acabei meu primeiro dia de projeto mendigo.
Por coincidência, cheguei às vésperas do dia da cidade de Paracambi… Simpática cidade na Dutra.
O hotel é uma espelunca, mas tem wifi. …usando, agora que tenho essa bosta de celular. Esse post é pra tranquilizar meus amigos que sabem do projeto e preocupar todos os outros…

Ontem, antes de dormir, pensei: “Devo ser o único hóspede dessa porra…” Eis que, do quarto exatamente em frente ao meu sai um urro agudo, igual a uma arara, logo depois, alguém falava sozinho!!!a0deffc86fb948be14e01c1253fb65a5--spooky-house-norman-bates
Fiquei bolado, associando com o Norman Bates…

Quando eu passei pela portaria, o recepcionista estava assistindo a versão original do filme “A Gaiola das Loucas”. Lugar estranho…

Tentei dormir “na estrada” ontem, mas foi uma experiência grotesca. Pobres mendigos… Sério, piadas a parte, as incertezas, medo e privações não tem nenhuma graça. Estou pensando em mudar o projeto… enquanto que hotel todo dia não dá, e dormir na rua (principalmente com as onças por aí! ) é o horror…
Vou dando notícias.” 
JC mirada al cieloUm conto do Julio Cortazar se passa num hotel desses em Montevideo, o hotel Cervantes. A prosa titulada “La puerta condenada” recria no nosso imaginário uma cinética realista. No final das contas podemos estar aptos a entender a patologia da coisa. Afinal de contas TODOS NÓS podemos sofrer alguma carência  e algumas pessoas tentarão fazer algo pra driblar  essa dor.  Bem aplicado, ele cita:
– …protegida pela indiferença… – Será que o mesmo se aplicaria ao seu vizinho do hotel, Dog? Só foi vc que não ignorou o ruído?
A 57ª edição da tradicional festa de aniversário da cidade, que acontecerá entre os dias 5 e 8 de Agosto de 2017. O Espaço Lanari irá receber diversas atrações durante os quatro dias de evento. Diversos artistas locais se apresentarão. A entrada será 1 kg de alimento. - fontesite da prefeitura de Paracambi.

Dia 2: Emoções gélidas

“Saí de Paracambi de volta à Dutra. Cheguei a cidade de Eng. Passos, que era meio um beco sem saída. Os locais me aconselharam voltar à Resende. Mas, permanecer na BR me pareceu amarelar…

Um sujeito me pediu um prato de comida, ele iria à uma casa de recuperação. Pensei “sou playba” e segui o cara.

A estrada de Eng. Passos me levou até Minas. Passei por uma avestruz e peguei duas caronas de caminhão.  Estava a poucos quilômetros das Agulhas Negras.
Você está louco?” Não subi as Agulhas Negras…. por causo do inconveniente e temeroso frio… 
Achei que ia morrer de frio durante aquela madrugada, portanto tirei foto da minha última refeição! Até que surgiu o Antônio, caminhoneiro de Varginha.


200 km depois chegamos em Varginha. Sim! A cidade é bem diferente do que eu pensava… e é enorme! As meninas são lindas…
Todavia, estou no clima de andarilho. Sou um andarilho fodao… Vou dormir na estrada!
Peguei um ônibus pra Elói Mendes, cidade rural mesmo, mais afeita ao meu espírito intrépido!

Meu amigo, ao chegar na dita cidade, me senti um imbecil. Deserta e gelada.
Fiz minha comida na praça e tomei um goleiro de cachaça, providencialmente deixada nos equipamentos (uma das razões do título do projeto), achei uma varanda de igreja evangélica (evangélida) e passei a madrugada tentando dormir com medo e frio em uma noite infinita! Barra pesada….

Estou agora em uma birosca com wifi, em Alfenas, pensando se o dinheiro e o tempo de viagem ainda compensam algum dos meus possíveis objetivos, contra um mar de possíveis perrengues.
Acho que sim. Vamos ver hoje… 

Já molhei a cabeça e bebi água da nascente. Quero dar um mergulho no meio da estrada agora que tá esquentando. Cara é sensacional, eu comi meu melhor pastel de queijo da vida.”
carto-postal-antigo-eloi-mendes-mg-igreja-1951-D_NQ_NP_23118-MLB20241694447_022015-FA cidade de Elói Mendes construiu uma cópia fajuta do Cristo (é se a montanha nao vai à Maomé, que venha uma pedra rolando…). Pela internet, encontrei uma foto vintage ruim (ruim porque tem um esquadro tosco), e com satélites negros! (explico: são furos que faziam no papel das fotos ou até nos negativos, e agora parece ser umas luas sinistras). Essa foto está sendo vendida por 12reais no Mercado Livre. Um conserto de um alfaiate no Rio não sai mais caro que 10$ reais, alguma coisa está errada: ou o valor que dão a trecos ou desvalorização do seu tempo empregado NUM SERVIÇO.

Dia 3: Ganhando chão

“Depois do meu fiasco ao tentar dormir na estrada eu me dei conta que quanto mais dias eu ficar na estrada, mais cara será minha viagem. Portanto, não pretendo mais acampar clandestino agora que estou cada vez mais para dentro de nós, Brasil profundo.
Ontem, então foi dia de ganhar chão.
Sai do gelo de Elói Mendes, pegando o primeiro ônibus pra qualquer lugar, só pra me esquentar no banco e com as pessoas…

Até agora na viagem, não encontrei (além dos mendigos loucos, aqueles vestidos de militar e pessoas estranhas dos centros urbanos – dos quais estou sempre fugindo -) ninguém que ao menos expressasse ameaça. Presto atenção sempre, mas acho que é  político ver o proletário como perigo. Em geral, todos nós temos uma vida saudável em muitas dimensões. Ainda assim, por fazer boxe tailandês na Lapa, presto sempre atenção. Sei dos perigos possíveis, mas por surpresa ou sorte, nao vi absolutamente nenhuma pessoa (fora dos perímetros urbanos) com clara intenção de maldade, nenhuma. Não é super poder meu não. Mas estou atento, principalmente agora que estou entrando no MS.
Bom, o dia de ontem foi passado em ônibus. De cidade em cidade, conhecendo muita gente das lavouras de café mineiras. Como o Marcelo, um Catador de café que estava numa romaria de trampos com café (que está em final de época). Ele estava à caminho de uma fazenda de laranjas. Duas universitárias de planejamento ambiental me deram um panorama da vida de lá, elas administram empresas rurais. Perguntei sobre a reforma trabalhista a todos eles, o Marcelo nunca tinha nem ouvido falar.djanira-da-motta-e-silva1

Passei por Alfenas (que hoje eu descobri que uma grande 
amiga está morando lá, minha tatuadora oficial, inclusive… Um dia eu volto, pra ver a barreira e os canions de furnas e a serra da canastra com seus quejinhos maravilhosos… Passamos por Brodowski (Portinari!), Ribeirão Preto e um monte de cidades no caminho de Pres. Prudente, onde estou agora.

Passei por muitas cidades sem tomar banho, mas uma coisa é comum em todos os muros: Fora Temer!
Desculpem os erros do maldito corretor!!! Vou correndo pegar uma carona pro Mato Grosso do Sul! Abraços!
Obrigado por prestar atenção em mim!

17181369

 

O Marcelo seria:
Boia-fria é o trabalhador agrícola que se desloca diariamente para a propriedade rural (...). O boia-fria surgiu do costume destes trabalhadores de levar uma marmita consigo logo cedo e, na hora do almoço, comê-la fria. O grande problema dos boias-frias é que
suas condições de trabalho são as piores possíveis, estando muitas vezes aliadas às condições de escravidão e trabalho infantil.
  (...). Está inteiramente ao desamparo da legislação trabalhista, pois é contratado por tarefa. Como trabalhador sazonal, pode ser empregado por dia, por semanas ou meses, geralmente não ultrapassando 4 a 6meses.
  O contrato é verbal e feito pelo "gato", intermediário entre o proprietário rural e o trabalhador que se encarrega da fiscalização do trabalho e do pagamento. Muitos dos boias-frias possuíam suas propriedades, mas, por causa das precárias condições em que viviam, venderam suas terras a baixo preço e saíram do campo para construir uma massa de trabalhadores temporários, residindo nas periferias urbanas, em casas pobres, casebres, favelas, cortiços, em vilas e povoados situados em áreas agrícolas ou à beira de estradas. Migram de uma região agrícola para outra, acompanhando o ciclo produtivo de diversas culturas. São agricultores em diversas lavouras, mas não possuem suas próprias terras.
  Um drama à parte é o transporte dos volantes feito pelo "gato", na maioria das vezes, proprietário do caminhão. A falta de segurança, o excessivo número de trabalhadores transportados e a velocidade desenfreada têm feito vítimas fatais constantemente.
  Em Ribeirão Preto, em junho de 2007, foi feita uma denúncia da morte de quinze pessoas por causa de trabalho excessivo da colheita de cana-de-açúcar e pela falta de água potável, provocando acidente vascular cerebral e parada cardiovascular nesses trabalhadores. - Giardino, Cláudio. Geografia nos dias de hoje, 7° ano / Cláudio Giardino, Ligia Ortega, Rosaly Braga Chianca. - 1. ed. - São Paulo: Leya, 2012

Dia 04: Brasil profundo

Tá ficando muito popular esse negócio. Não era essa a idéia exatamente, mas eu tô gostando. Devo estar carente.

Ontem foi dia de dormir na estrada de novo, mas dessa vez eu fui mais esperto e dormi no ônibus.
Cheguei cedo a Presidente Prudente, cidade com maior densidade de carros velhos que eu já vi. Gostei. Há muitas cidades universitárias pela zona rural. A algo sobre se pensar sobre isso.

Parei num posto onde escrevi o dia 3, ontem. Acabei não conseguindo a tal carona que falei no fim do texto e peguei um ônibus de roleta para Pres. Epitáfio, cidade nas margens do rio Paraná, que faz a divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. No caminho, um senhor me deu mais uma aula sobre lavouras e construção de penitenciárias. Ele trabalhou em algumas, parece que aqui tem muitas, por ser longe de tudo. Acho que é mais barato que fazer escola.

Redobrei o cuidado pra não cair acidentalmente em uma, nesse jogo de “resta 1” humano que é ser de esquerda no Brasil.

Resolvi tomar banho no rio porque eu tava a 2 dias sem e fedendo muito.
Estou lendo um livro do Eduardo Bueno durante a viagem (tem gente que não gosta, nunca soube o por quê, acho muito divertido!). Neste ele discursa sobre as entradas no Brasil pré-colônia, por portugueses, espanhóis e franceses, invariavelmente, com as extrações de madeira e ouro, e ainda a escravização dos índios. Os lugares descritos parecem muito com os quais estou de passagem. Um deles, o rio Paraná, que pensavam na época que era um braço do oceano e que cortaria o Brasil inteiro junto com o Prata. Vou te dizer que eu teria pensado a mesma coisa. O bicho é gigante. Lá fui eu jogar minha imundice na história brasileira!

Notei um barco nas margens do Paraná, jogando água pra fora e antes de entrar na água, cogitei, onde eu já vi um desses? “Ah pro inferno!” tchbum! Nadando com os peixinhos, bochecha para tirar aquelas comidas velhas das obturações. Uma delícia.
Então, enquanto almoçava, comecei a ver partículas na água, flutuando docemente. Então me lembrei onde tinha visto aquele barquinho charmoso, em uma estação de tratamento de esgoto na saída da Cidade de Deus! Tomei meu primeiro banho em fezes. Típica alegria que só eu devo conhecer.
Disseram que era um limpa-fundo, catando areia. Sai dali xingando o Eduardo Bueno e o Martim Afonso .

No caminho de volta até a rodoviária encontrei um caminhão terminando de entregar peixes na cidade. “Para onde vocês vão?”
-“Bataguassu” – me responderam.
Pedi carona e consegui, muito feliz.
Atravessei a divisa do Mato Grosso do Sul de carona, batizado em fezes, como um verdadeiro homem, nesse meu rito de passagem alucinado.
Quem me deu a carona foram: o Paulista Hugo e o haitiano Tunier. Tunier chegou no Brasil com os primos, quando o terremoto de 2014 destruiu tudo no seu país. Fez uma careta quando eu tentei me expressar em francês com ele. Tunier não era um miserável desterrado, estava na segunda faculdade no Haiti. Pelo jeito minha visão de lá também é bastante preconceituosa.

Atravessamos a divisa do Mato Grosso do Sul por uma ponte sobrenatural que parecia ligar o mundo dos vivos com o mato além. Hugo me deu dicas de bichos que poderiam me matar pelo caminho…
Logo já estava em Bataguassu. Minha primeira cidade sul mato grossense.

Dizem que o povo do mato grosso é estranho, mas foi onde me senti mais em casa. A empresa de ônibus que vendia passagens para Campo Grande era em uma birosca e faltavam 2 horas para o ônibus chegar então a dona da birosca puxou umas cadeiras pra sombra de uma árvore e ficamos tomando umas cervejas com a vizinhança que ia chegando para conversar sobre poodles, desemprego e as formas de enxotar candidatos fazendo compras de votos a custa de trabalho. Pelo jeito a pexeira e o método mais popular.
Fazia tempo que eu não passava uma tarde tao agradável.

O caminho para Campo Grande é uma experiência indiscritível. Quando atravessamos a ponte do rio Paraná, estávamos entrando em outro país.
As paisagens, enquanto o sol ia baixando no horizonte, eram daqueles pastos infinitos com todo tipo de bicho extinto (eu acho que vi um urutal… vi sim) e os bois mais bonitos que eu já vi. Isso explica o por quê matam tantos índios e sem-terras nesse país.
A estrada era uma reta continental que se cruzou em 4 horas de céu cor de rosa. O que, em outros estados, levaria pelo menos 1 dia.

Agora é só saber o destino final da viagem. Se paro nessa região, ou como bem definiu minha nova parceira de viajem (a primeira carioca que encontrei), vou “all in” e tento meu objetivo inicial, chegar ao Pacífico.
Tenho muitas idéias. (Preciso me controlar nesses textos gigantes agora que descobri como editar offline).
Beijos!
Não deixem de se preocupar comigo!”

O rio Paraná é o segundo maior riosul-americano. Nasce na confluência de dois importantes rios brasileiros: o rio Grande e rio Paranaíba, entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.  

O topônimo "Paraná" é procedente do termo da língua Paraná, que significa "rio". - font wiki

Dia 5: Turistas

Comecei meu dia numa van cheia de turistas à caminho de Bonito.
É muito doido me dar conta de que sou um desses. Somos uma espécie estranha, de sorriso demente na cara. Enquanto até agora, todos que eu encontrei trabalhavam a sua vida normal ou estavam à caminho do trabalho…
Formigas trabalhadeiras sendo generosas com a cigarra fedorenta no país que não tem inverno. Mercúrio, ajude os viajantes…. então quem ajuda os trabalhadores é o capiroto, botando sempre mais uma pedrinha em cima do fardo que já é pesado. Esse sou eu-filósofo.

Estou por sinal na cidade mais cara do mundo: Bonito. No caminho conheci uma morena carioca, que já mencionei e uma loira americana. Ou seja. Virei o cumpadi Washington!!!
Tudo muito doce… todos me invejam…
Por isso, ontem foi dia de nadar no rio e fazer quilômetros e mais quilômetros de bicicleta em Bonito e jantar muito bem acompanhado.main-qimg-fe97ebad73837bbb0ea6810f7e120143
Sabe a expressão do Tom Hanks no final do “Náufrago”? Então…

Só que não tem muitas fotos. Eu tinha mais coisas pra fazer…

A outra face da moeda é que me sinto agora meio como Jesus na cruz… Ora, foda-se essa bosta eu vou torrar tudo e curtir a vida!
Muito fácil agora relaxar e parar por aqui mesmo, no Olimpo… Não sei o que vai acontecer… Dinheiro agora é uma questão muito real.

Acho que a Natasha Brabo não está lendo isso, mas ontem bateu forte a saudade, queria que a Manu estivesse aqui!. Nadei num rio lindo, parecia um vídeo game, cheio de peixes enormes que dava pra botar a mão e galhos submersos pelos quais eu passava por baixo e por cima, em baixo d’água. Era lindo demais! Ela ia adorar muito.

Fui a um festival de laçar o boi! Foda! Apesar de saber que estava em meio a bilionários vestidos de matutos, preciso a firmar uma coisa aquilo é um esporte lindo! Tinha alguma coisa de Conan naqueles caras em cima de um cavalo no lusco-fusco da hora mágica, perseguindo bezerros e girando o laço sobre os chapéus. Os bichos saiam vivos do outro lado… claro, as vezes alguns devem quebrar as pernas, mas aí… churrasco!!
Tinha um moleque de boné e camisa amarela que era tipo o Kelly Slater do laço. Sempre pegava o bicho brabo!
Lindos momentos que a Manu me permitiu ao me liberar do dia dos pais pra viver minha crise dos 38. Sou um egoísta, porém dessa vez, não me arrependo. Trarei ela aqui comigo de um jeito mais seguro um dia e nós vamos nos mesclar com os indios.

Ontem conheci um trabalhando em um bar aqui. Reconheci que era, porque tinha aqueles furos na bochecha que os os índios usam pra atravessar um graveto e ficarem parecendo uma onça.
Disse que tem um assentamento aqui perto (à 60 km), não é muito, mas eu tô turista preguiçoso dormindo em pousada.

Acho que não chego no Pacífico e não me arrependo…

Abraços!

PS: Bonito nao é a meta da viagem! Mas o tempo tá acabando também… Que mané Pacífico. Bonito é um dos lugares mais legais do Brasil, contudo caro! Pelo menos a fronteira não está longe.Admito que estou começando a amarelar pra certas complexidades finais…

Natasha Brabo comentou: “Dani, eu e Manu estamos acompanhando tudo!

Reserva Indígena Kadiwéu

Área habitada por Chamacoco, Kadiwéu, Kinikinau and Terena. 1697, População. Área (ha), 539 mil.

Dia 6: Social

Ainda em bonito com minhas lindas parceiras “Ebony” and “Ivory”.
Será nossa noite de despedida. Tudo vai lindo, paradisíaco (a escassez de fotos mostra que estou de férias dentro das férias). Estou achando que realmente amadureci, mudei, sou alguem melhor….

Até que num dado momento, liberto meu senso de humor em público.

Estávamos conversando sobre Tinder e de muitas meninas. Uma amiga delas, do movimento LGBT, já pegou muitas usando esse aplicativo….
Mudamos o papo para uma garota que deve estar por volta dos 15 anos de idade, é uma atendente genial da pousada onde estamos. A moca fala ingles fluente, organiza passeios com paciência e eficiência. Cogitamos que ela devia ter um tutor, para estimulá-la a ir para uma faculdade.

A tal amiga gay é educadora e seria uma ótima ela orientar a menina. Solto o seguinte: “…mas ela vai deflorar a garota até o término da orientação! Hohoho…” Silêncio mortal. 20622119_1076646875803523_4915993027903359684_n
Posso me sentir sendo odiado com força e essencialmente a noite acabou pra mim. Acabou Mal. Indo embora amanhã e deixando de lembrança para elas quem sou: Nao mais que mais um Donald Trump perdido no Centro Oeste, um Bolsonaro em easy mode

Foi um comentário merdaporque nele contém homofobia e pedofilia. Sei. Não venho aqui justificar nem debater os limites do humor. Isso destruiu minha idéia de desenvolvimento pessoal.

Em meio a araras, peixes, liberdade, mulheres lindas e o autoconhecimento, lá estava eu de novo estragando tudo ao tentar aproximação com outros seres humanos. O mesmo de sempre. Altamente reconhecível. Quase um velho mas ja uma aberração social.

Volto pra casa em breve. Com experiências lindas na mente, todavia o mesmo de sempre. Sem a “bondade de estranhos” para poder contar. Saudades da pessoa que eu consigo tratar bem (quer dizer, fora o furo no dia dos pais). Tô te levando um presente maneiro, Manu!

OBS – Esse também foi o dia em que vi uma poética ovelha negra!

Bom. Vamos em frente.

Rio – Bonito, sao pouco mais de 4hs de avião. De carro, via Sao Paulo capital, que seria o caminho mais curto, sao 1613 km e levando mais de 18h no percurso.  Isso significa que sao 3 dias de viagem normal rápida, com paradas reabastecimento do carro e seu, mais os pernoites. Mas o Dog fez via Minas, o que daria 21hs de carro. A pior estrada do mundo que eu peguei na minha vida foi no sul Mineiro e essa lembrança sela a falta de tesao que é viajar pelo Brasil com estrada de engenharia que prioriza a corrupção do que facilitar as nossas vidas. Era uma estrada antiga igual um miojo que circundava provavelmente o parque estadual Nova Baden. Na época, 1988, eles construíram uma via nova que de tão nova não informava pra onde ía, e apenas levava 10 minutos no mesmo trajeto que nós levamos mais de 1h. Quantas pessoas näo devem ter morrido, pensei quando vi no mapa o inferno que eu passei. Hoje essa via infernal foi tomada pela floresta.trilha_troncos1

Ontem de noite, visitei meus sogros, era domingo. Em meio a um papo falaram do irmao mais velho do Sverre, que foi de bicicleta em 1980 passear na Dinamarca. Eles pedalaram um pouco mais de 20 km até a barca no porto de Skien que destina ao porto dinamarquês. La pelo quarto dia percorrendo aquele país na bike, o irmao do Sverre escangalhou sua própria bike e nao conseguiu com o amigo retomá-la aos serviços. Largaram ela lá, e voltaram andando e dividindo a outra bicicleta. Eles tinham apenas 15 anos de idade.

 

Anúncios

Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias atualidade, comunicacao, cultura saber, diário, geografico, memóriasTags, , , , , , , 1 comentário

Um comentário sobre “Brasil Profundo – as férias do Dog I”

Qual seria a sua perspectiva sobre esse assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s