Brasil Profundo – as férias do Dog I


Hoje estive num período de 2 horas com pelos menos várias pessoas de 8 diferentes nações européias em situações diversas. Se eu pensar profudamente, me lembro que quando eu era pequena, me contava estar fazendo isso, estar me comunicando em inglês ou em frances ou até mesmo em português com diferentes tipos mundanos. Chegava a acreditar que a comunicação em massa iria nos unir. Nao foi a televisão, nem o rádio, mas o modelo clássico educativo que fez isso, a acessibilidade e a importância de uma lingua padrão, como latim um dia foi, faz com criemos amizades e não inimizades.

No Rio, mes passado, que engraçado, conversei com muita gente de partes do mundo, e principalmente de outras partes do Brasil. As distancias que levamos para nos unir naquela coordenada sul-americana foram mais superiores do que esses europeus levaram para estarem hoje em Stavanger, muito mais. Desses estrangeiros que me deparei por aqui absolutamente ninguém falava norueguês, enquanto no Rio, todos falavam português.

Acontece que isso é um problema resolvido, esse domínio de uma lingua. Por que não investigamos mais outras partes do país, outros indivíduos já que existe todo um território sem problemas de comunicação? A resposta é fácil, temos um problema de sintaxe social, já os europeus, bem pouco. Os componentes que fazem a população brasileira nao obedecem, nunca ouviram qualquer menção as ordens de conduta, moral e ética ao qual vc foi otimizado. A população é educada pela comunicação em massa e tira dela qualquer interpretação pra trilhar seus caminhos, juram mentiras e seguem sozinhos.

Coma a carta do tarot ilustratada com o Deus do Vinho, Bacus a ponto de se atirar do precipício, o Dog vai de encontro ao oeste do Brasil de uma maneira que muitos europeus cortam o continente da peninsula Ibérica à Escandinava ou vice versa, sem maiores inconvenientes. Será que ele provará que se pode o mesmo no Brasil, sem a tal linha férrea? Será que ele coroa nesse momento um novo hábito no país?

Projeto: Uma mochila nas costas e um ideia na cabeça.

Dia 1: Paracambi.

Paracambi

O edificio orgulho da cidade, uma antiga fabrica no meio da floresta

Subjuguei (aqui usado pelo Dog no sentido equivocado de dar sinônimo à “julgar mal”) as dimensões da BR-116 e acabei meu primeiro dia de projeto mendigo nessa cidade.

Por coincidência, cheguei às vésperas da comemoração do dia da cidade de Paracambi… Simpática cidade na Dutra (como o Dog adora adjetivos!)

O hotel é uma espelunca, mas tem wifi. A comunicação serve pra tranquilizar meus amigos que sabem do projeto e preocupar todos os outros que não sabiam…

Ontem, antes prestes a dormir, achei que deveria ser o único hóspede… Eis que no exato momento que articulava aquela opinião, do quarto logo em frente ao meu saiu um urro agudo, igual a de uma arara, parecia também que ali donde viera o som alguém falava sozinho!!!a0deffc86fb948be14e01c1253fb65a5--spooky-house-norman-bates Bolei e associei essa manifestação com a personagem do Norman Bates…

Passei pela portaria. O recepcionista assistia a versão original do filme “A Gaiola das Loucas”.

Cogitei dormir na estrada antes desse Bates motel que arranjei. Seria uma experiência grotesca. Pobres mendigos… Sério, as incertezas, medo e privações não tem nenhuma graça. O projeto precisa de ajustes… um meio termo porque hotel todo dia não cabe no meu orçamento, e dormir na rua (principalmente com as onças por aí! ) é o verdadeiro horror… Vou dando notícias.” 
JC mirada al cieloJulio Cortazar escreveu um conto passado num hotel misterioso desse nível, em Montevideo, o hotel CervantesLa puerta condenada” recria na nossa cabeça a estranheza que autor de deparou, o sofrimento  de uma carência  e como driblam essa dor.  Eu destacaria esse pedacinho:
– …protegida pela indiferença… – Será que o mesmo se aplicaria nesse contexto do Dog? Como o Cortazar, o Dog foi o único que não ignorou o ruído?
A 57ª edição da tradicional festa de aniversário da cidade, que acontecerá entre os dias 5 e 8 de Agosto de 2017. O Espaço Lanari irá receber diversas atrações durante os quatro dias de evento. Diversos artistas locais se apresentarão. A entrada será 1 kg de alimento. - fontesite da prefeitura de Paracambi.

Dia 2: Emoções gélidas

“Saí de Paracambi de volta à Dutra. Cheguei a cidade de Eng. Passos, que era meio um beco sem saída. Os locais me aconselharam voltar à Resende. Mas, permanecer na BR me pareceu amarelar

Uma estrada de Eng. Passos me levou até Minas, o que confirmou que esse meu esquema funcionou melhor. Vi por uma avestruz num dos caminhos entre as duas caronas de caminhão que peguei.  Estava a poucos quilômetros das Agulhas Negras. Não subi as Agulhas Negras por causo do inconveniente frio! Achei que ia morrer de frio durante aquela madrugada portanto tirei foto da minha última refeição! 


200 km depois chegamos em Varginha. Sim! A cidade é bem diferente do que eu pensava, é enorme! Meu
 clima de andarilho fodao me permite dormir na estrada!

Peguei um transporte publico pra Elói Mendes, cidade rural mesmo, mais afeita ao projeto! A dita cidade estava deserta e gelada quando cheguei. Jantei na praça principal da cidade e tomei um goleiro (um gole substancial, o Dog se refere) de cachaça.  Uma varanda de igreja evangélica, rebatizada durante a noite por evangélida, me pareceu conveniente pra passar a madrugada. Foi uma noite alongada pelo medo e o frio, barra pesadíssima…


Estou agora em uma birosca com wifi em Alfenas. Equacionando o dinheiro com o tempo de viagem compensam plus os meus possíveis objetivos, contra um mar de  perrengues. Acho que sim, veremos. 

Molhei a cabeça e bebi água da nascente. Quero dar um mergulho no meio da estrada agora que tá esquentando. Sensacional, comi possivelmente o melhor pastel de queijo da minha vida.”
carto-postal-antigo-eloi-mendes-mg-igreja-1951-D_NQ_NP_23118-MLB20241694447_022015-FA cidade de Elói Mendes construiu uma cópia fajuta do Cristo (é se a montanha nao vai à Maomé, que venha uma pedra rolando…). Pela internet, encontrei uma foto vintage ruim (ruim porque tem um esquadro tosco), com satélites negros! (explico: são furos que faziam no papel das fotos ou até nos negativos, e agora parece ser umas luas sinistras). Essa foto está sendo vendida por 12reais no Mercado Livre. Um conserto de um alfaiate no Rio não sai mais caro que 10$ reais, alguma coisa está errada: ou o valor que dão a trecos ou desvalorização do seu tempo empregado NUM SERVIÇO.

Dia 3: Ganhando chão

“Depois do meu fiasco ao tentar dormir na estrada eu me dei conta que quanto mais dias eu ficar na estrada, mais cara será minha viagem. Portanto, não pretendo mais acampar clandestino agora que estou cada vez mais para dentro de nós, Brasil profundo.
Ontem, então foi dia de ganhar chão. Sai do gelo de Elói Mendes, pegando o primeiro ônibus pra qualquer lugar, só pra me esquentar no banco do transporte publico com as pessoas…

Até agora na viagem, não encontrei – além dos mendigos loucos, aqueles vestidos de militar e pessoas estranhas dos centros urbanos – dos quais estou sempre fugindo – ninguém que expressasse ameaça. Presto atenção sempre, mas acho que é político ver o proletário como perigo. Em geral, todos nós temos uma vida saudável em muitas dimensões. Sei da periculosidade que estamos pensando, mas por surpresa ou sorte, não vi absolutamente nenhuma pessoa fora dos perímetros urbanos com clara intenção de maldade, nenhuma. Não é super poder meu não. Estou atento, principalmente agora que estou entrando no MS.
O dia de ontem foi passado em ônibus. De cidade em cidade, conhecendo muita gente das lavouras de café mineiras. Como Marcelo, um Catador de café que estava numa romaria de trampos com café, está em final de época. Ele estava à caminho de uma fazenda de laranjas. Duas universitárias de planejamento ambiental me deram um panorama da vida de lá, elas administram empresas rurais. Perguntei sobre a reforma trabalhista a todos eles, o Marcelo nunca tinha nem ouvido falar.djanira-da-motta-e-silva1

Passei por Alfenas que uma grande 
amiga mora por lá, ela é tatuadora inclusive… Volto lá de outra vez pra ver os acidentes geográficos da regiao incluindo a serra da canastra com laticínios maravilhosos… Passamos por Brodowski de Portinari!, Ribeirão Preto e um monte de cidades no caminho de Pres. Prudente, onde estou agora.

Passei por muitas cidades sem tomar banho, mas uma coisa é comum em todos os muros: Fora Temer!
Vou correndo pegar uma carona pro Mato Grosso do Sul! Abraços! Obrigado por prestar atenção em mim!

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O Marcelo seria:
Boia-fria é o trabalhador agrícola que se desloca diariamente para a propriedade rural (...). O boia-fria surgiu do costume destes trabalhadores de levar uma marmita consigo logo cedo e, na hora do almoço, comê-la fria. O grande problema dos boias-frias é que suas condições de trabalho são as piores possíveis, estando muitas vezes aliadas às condições de escravidão e trabalho infantil.
  (...). Está inteiramente ao desamparo da legislação trabalhista, pois é contratado por tarefa. Como trabalhador sazonal, pode ser empregado por dia, por semanas ou meses, geralmente não ultrapassando 4 a 6meses.
  O contrato é verbal e feito pelo "gato", intermediário entre o proprietário rural e o trabalhador que se encarrega da fiscalização do trabalho e do pagamento. Muitos dos boias-frias possuíam suas propriedades, mas, por causa das precárias condições em que viviam, venderam suas terras a baixo preço e saíram do campo para construir uma massa de trabalhadores temporários, residindo nas periferias urbanas, em casas pobres, casebres, favelas, cortiços, em vilas e povoados situados em áreas agrícolas ou à beira de estradas. Migram de uma região agrícola para outra, acompanhando o ciclo produtivo de diversas culturas. São agricultores em diversas lavouras, mas não possuem suas próprias terras.
  Um drama à parte é o transporte dos volantes feito pelo "gato", na maioria das vezes, proprietário do caminhão. A falta de segurança, o excessivo número de trabalhadores transportados e a velocidade desenfreada têm feito vítimas fatais constantemente.
  Em Ribeirão Preto, em junho de 2007, foi feita uma denúncia da morte de quinze pessoas por causa de trabalho excessivo da colheita de cana-de-açúcar e pela falta de água potável, provocando acidente vascular cerebral e parada cardiovascular nesses trabalhadores. - Giardino, Cláudio. Geografia nos dias de hoje, 7° ano / Cláudio Giardino, Ligia Ortega, Rosaly Braga Chianca. - 1. ed. - São Paulo: Leya, 2012

Dia 04: Brasil profundo

Tá ficando muito popular esse negócio. Não era essa a idéia, mas  gostando. Devo estar carente.

Dormi na estrada de novo. Dessa vez fui mais esperto, dormi no ônibus! Cheguei cedo em Presidente Prudente, cidade com a maior densidade de carros velhos que  já vi. Gostei. Há muitas cidades universitárias pela zona rural, pense sobre isso.

Não conseguindo a tal carona que mencionei no capítulo anterior. Peguei um ônibus de roleta para Pres. Epitáfio, cidade as margens do rio Paraná. Esta faz divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. Por lá um senhor me deu mais uma aula sobre lavouras e construção de penitenciárias. Ele trabalhou em algumas, parece que aqui tem muitas penitenciárias, por ser longe de tudo. Acho que é mais barato que fazer escola. Redobrei o cuidado pra não cair acidentalmente em uma, nesse estado de exceção que país toma rumo de novo.

Resolvi tomar banho no rio porque eu tava a 2 dias sem e fedendo muito! Estou lendo um livro do Eduardo Bueno durante a viagem (tem gente que não gosta, nunca soube o por quê, acho muito divertido!). Neste ele discursa sobre as entradas no Brasil pré-colônia, por portugueses, espanhóis e franceses, invariavelmente, com as extrações de madeira e ouro, e ainda a escravização dos índios. Os lugares descritos parecem muito com os quais estou de passagem. Um deles, o rio Paraná, que pensavam na época que era um braço do oceano e que cortaria o Brasil inteiro junto com o Prata. Vou te dizer que eu teria pensado a mesma coisa. O bicho é gigante. Lá fui eu jogar minha imundice na história brasileira!

Havia um barco nas margens do Paraná, jogando água pra fora e antes de entrar na água. Rolou um déjà vu – já vi um barco desses antes -, e tchbum! Nadando com os peixinhos, bochechada para tirar aquelas comidas velhas das obturações. No almoço  reparei pequenos corpos sólidos flutuando docemente sobre a água do rio que nao pertenciam aquele ecossistema. Aí que bateu a lembrança da onde reconhecia aquele barquinho charmoso, eu tinha visto um igual numa estação de tratamento de esgoto na saída da Cidade de Deus! Tomei meu primeiro banho em fezes. Típica alegria que só eu devo conhecer. Disseram que era um limpa-fundo, catando areia. Malditos Eduardo Bueno e o Martim Afonso.

De volta até a rodoviária encontrei um caminhão terminando de entregar peixes na cidade.

– Para onde vocês vão? – Indaguei.

– Bataguassu. – Responderam.

Atravessamos a divisa do Mato Grosso do Sul, e eu, batizado em fezes. Meu rito de passagem alucinado virando verdadeiro homem latino. Os caminhoneiros eram o Paulista Hugo e o haitiano Tunier. Tunier chegou no Brasil com os primos, quando o terremoto de 2014 destruiu tudo no seu país. Fez uma careta quando eu tentei me expressar em francês com ele. Tunier não era um miserável desterrado, estava na segunda faculdade no Haiti. Pelo jeito minha visão de lá também é bastante preconceituosa.

Atravessamos a divisa do Mato Grosso do Sul por uma ponte sobrenatural que parecia ligar o mundo dos vivos com o mato além. Hugo me deu dicas de bichos que poderiam me matar pelo caminho… Logo estávamos em Bataguassu. Minha primeira cidade sul mato grossense.

Dizem que o povo do mato grosso é estranho, mas foi onde me senti mais em casa. A empresa de ônibus que vendia passagens para Campo Grande era em uma birosca e faltavam 2 horas para o ônibus chegar então a dona da birosca puxou umas cadeiras pra sombra de uma árvore e ficamos tomando umas cervejas com a vizinhança que ia chegando para conversar sobre poodles, desemprego e as formas de enxotar candidatos fazendo compras de votos a custa de trabalho. Pelo jeito a peixeira e o método mais popular. Fazia tempo que eu não passava uma tarde tao agradável.

O caminho para Campo Grande é uma experiência indiscritível. Quando atravessamos a ponte do rio Paraná, estávamos entrando em outro país. As paisagens, enquanto o sol ia baixando no horizonte, eram daqueles pastos infinitos com todo tipo de bicho extinto (eu acho que vi um urutal… vi sim) e os bois mais bonitos que eu já vi. Isso explica o por quê matam tantos índios e sem-terras nesse país. A estrada era uma reta continental que se cruzou em 4 horas de céu cor de rosa. O que, em outros estados, levaria pelo menos 1 dia.

Agora é só saber o destino final da viagem. Se paro nessa região, ou como bem definiu minha nova parceira de viajem (a primeira carioca que encontrei), vou “all in” e tento meu objetivo inicial, chegar ao Pacífico!

Tenho muitas idéias. Beijos! Não deixem de se preocupar comigo!”

O rio Paraná é o segundo maior riosul-americano. Nasce na confluência de dois importantes rios brasileiros: o rio Grande e rio Paranaíba,entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.  

O topônimo "Paraná" é procedente do termo da língua Paraná, que significa "rio". - font wiki

Dia 5: Turistas

Comecei meu dia numa van cheia de turistas à caminho de Bonito. É muito doido me dar conta de que sou um desses. Somos uma espécie estranha, de sorriso demente na cara. Enquanto até agora, todos que eu encontrei trabalhavam a sua vida normal ou estavam à caminho do trabalho…

Estou por sinal na cidade mais cara do mundo: Bonito. No caminho conheci uma morena carioca – que já mencionei – e uma loira americana. Ontem foi dia de nadar no rio e fazer quilômetros e mais quilômetros de bicicleta em Bonito e jantar muito bem acompanhado.main-qimg-fe97ebad73837bbb0ea6810f7e120143

Só que não tem muitas fotos. Eu tinha mais coisas pra fazer…

Foda-se, vou torrar tudo e curtir a vida! Muito fácil agora relaxar e parar por aqui mesmo, no Olimpo…

Acho que a minha ex-mulher não está lendo isso, mas ontem bateu forte a saudade, queria que a minha filha estivesse aqui!. Nadei num rio lindo, parecia um vídeo game, cheio de peixes enormes que dava pra botar a mão e galhos submersos pelos quais eu passava por baixo e por cima, em baixo d’água. Era lindo demais! Ela ia adorar.

Fui a um festival de laçar o boi! Foda! Estava em meio de gente mito rica vestida de matuta. Vi os desempenho daqueles profissionais por um prisma novo, aquilo é um esporte lindo! Tinha alguma coisa de Conan naqueles caras em cima de um cavalo no lusco-fusco da hora mágica, perseguindo bezerros e girando o laço sobre os chapéus. Os bichos saiam vivos do outro lado… Tinha um moleque de boné e camisa amarela que era tipo o Kelly Slater daquilo. Sempre pegava o bicho mais brabo! Lindos momentos que a Manu me permitiu ao me liberar do dia dos pais pra viver minha crise dos 38. Sou um egoísta, porém dessa vez, não me arrependo. Trarei ela aqui comigo de um jeito mais seguro um dia e nós vamos nos mesclar com os índios!

Conheci um trabalhando em um bar aqui. Reconheci que era, porque tinha aqueles furos na bochecha que os os índios acabam tendo por atravessar um graveto no rosto pra parecer uma onça. Ele me disse que tem um assentamento aqui perto (à 60 km), não é muito, mas como turista preguiçoso, dormi na pousada. Acho que não chego no Pacífico e não me arrependerei… Abraços!

PS: Bonito nao é a meta da viagem! Mas o tempo tá acabando também… Que mané Pacífico. Bonito é um dos lugares mais legais do Brasil, contudo caro! Pelo menos a fronteira não está longe. Admito que estou começando a amarelar pra certas complexidades finais…

Natasha Brabo comentou: “Dani, eu e Manu estamos acompanhando tudo!

Reserva Indígena Kadiwéu

Área habitada por Chamacoco, Kadiwéu, Kinikinau and Terena. 1697, População. Área (ha), 539 mil.

Dia 6: Social

Com minhas lindas parceiras “Ebony” and “Ivory” pra nossa noite de despedida em Bonito. Tudo ía lindo, paradisíaco – a escassez de fotos mostra que estou de férias dentro das férias -, me achando maduro, alguém melhor, até que… Liberto meu senso de humor em público!

Estávamos conversando sobre Tinder. Uma amiga delas, gay, se relacionava  usando esse aplicativo… Mudamos o papo para uma garota que deve estar por volta dos 15 anos de idade, é uma atendente genial da pousada onde estamos. A moca falava ingles fluente, organiza passeios com paciência e eficiência. Cogitamos que ela devia ter um tutor, para estimulá-la a ir para uma faculdade. A tal amiga gay é educadora e seria uma ótima ela orientar a menina. Solto o seguinte: “…mas ela vai deflorar a garota até o término da orientação! Hohoho…” Silêncio mortal.

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Posso me sentir sendo odiado com força. A noite acabara pra mim. Acabava muito mal. Deixando de lembrança para elas que sou um Donald Trump perdido no Centro Oeste, um Bolsonaro em easy mode

Foi um comentário merdaforte  porque nele contém homofobia e pedofilia. Não venho aqui justificar nem debater os limites do humor. Isso destruiu minha idéia de desenvolvimento pessoal.

Em meio a araras, peixes, liberdade, mulheres lindas e o autoconhecimento, lá estava eu, de novo, estragando tudo ao tentar aproximação com outros seres humanos. O mesmo de sempre. Altamente reconhecível.

Volto pra casa em breve. Com experiências lindas na mente, todavia o mesmo de sempre. Saudades da minha filha (foi mal, o furo no dia dos pais). Tô te levando um presente maneiro, Manu! Bom. Vamos em frente.

Rio – Bonito, sao pouco mais de 4hs de avião. De carro, via Sao Paulo capital, que seria o caminho mais curto, sao 1613 km e levando mais de 18h no percurso.  Isso significa que sao 3 dias de viagem normal rápida, com paradas reabastecimento do carro e o seu, mais os pernoites. Mas o Dog fez via Minas, o que daria 21hs de carro. A pior estrada do mundo que eu peguei na minha vida foi no sul Mineiro e essa lembrança sela a falta de tesao que é viajar pelo Brasil com estrada de engenharia que prioriza a corrupção do que facilitar as nossas vidas. Era uma estrada antiga igual um miojo que circundava provavelmente o parque estadual Nova Baden. Na época, 1988, eles construíram uma via nova que de tão nova não informava pra onde ía, e apenas levava 10 minutos no mesmo trajeto que nós levamos mais de 1h. Quantas pessoas näo devem ter morrido, pensei quando vi no mapa o inferno que eu passei. Hoje essa via infernal foi tomada pela floresta.trilha_troncos1

Ontem de noite, visitei meus sogros, era domingo. Em meio a um papo falaram do irmao mais velho do Sverre, que foi de bicicleta em 1980 passear na Dinamarca. Eles pedalaram um pouco mais de 20 km até a barca no porto de Skien que destina ao porto dinamarquês. La pelo quarto dia percorrendo aquele país na bike, o irmao do Sverre escangalhou sua própria bike e nao conseguiu com o amigo retomá-la aos serviços. Largaram ela lá, e voltaram andando e dividindo a outra bicicleta. Eles tinham apenas 15 anos de idade.

 

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