Eu sou carioca e quero meu crachá


Como bem falou o professor da UIS, um radical ou um radicalizado, pelo efeito preconceito, é só uma pessoa cheia de questionamentos a serem proferidos. Ao questionar a pessoa já está fora da órbita radical.

Como são as pessoas no Rio de Janeiro?

…já me perguntam  muito.

“-Pergunta porreta. Em geral são agradáveis e úteis. Os cariocas tendem a ser felizes (…). Uma boa parte é católica, com um profundo apreço pela fé e família. (…) Também são românticos, a mostrar emoções com grande facilidade e até publicamente. Adoram a cidade em que vivem, boa comida, praia, futebol e outros esportes. Não há disciplina (as regras servem para ser quebradas) ou pontualidade! (…). Os “ratos” de favela farão qualquer coisa para cortar sua bolsa ou sua garganta afim de roubar sua carteira & passaporte, (…).”

pastelcaldodecanaEm 12 de agosto de 2016, a portuguesa chamada Silva se convence da imagem erguida por estereótipos.

Havia coisas piores que não há necessidade de exibí-las. Ainda assim, como um francês, alemão e norueguês encarariam uma pergunta dessas?

Da última vez que me interpelaram a 2 semanas antes de 8 de marco fora num contra ataque, ali cerrava-se o silencio daquela senhora. Ela é uma das caras do movimento Otar, criado a cerca de 80 anos atrás por uma filha d’um pastor na cidade vizinha de Sandnes. Sinceramente, acho mal representado hoje na nossa década. Essa velhinha não tem noção o quanto eu sei sobre o movimento, não obstante ela é, de certo modo, coagida pela normalidade por tudo na mesma sopa confusa e ignorante aos fora do âmbito escandinavo. Intrigada com os sinais idiossincrásicos que emano, nao resistiu e me interrogou com diretas:

– Eu sempre a vejo na biblioteca, voce está a par do movimento feminista? – Rindo, respondi positivamente. Continuei atenta, nos seus olhos lia cifras e algoritmos de uma mente que trabalha redobrado a fim de solucionar um enigma no menor tempo possível. “De que país eu seria, se muçulmana porque está sem hijab. De que parte, meu Deus?”

– Entendo que voce está tendo dificuldades em ver de que parte da Europa eu sou, seria eu eslava ou do Mediterrâneo? – Ela em quase um êxtase, pela prece imediatamente concedida pela forca divina, afirmou e se acomodou. Continuei:

– Mas eu não sou europeia. – em questão de segundos, seu castelo de areia ruiu. Dei espaço para o seu movimento…

– Seria então da America Latina?

– Bem, eu venho do Rio de Janeiro, o que é igual a dizer Paris, pois o resto da Europa nao é Paris (fazendo um voltinha no olhar redimensionado o centrinho micro de Stavanger). – E daí que vem a referida pergunta “Como são as pessoas no Rio?” toma o lugar esperado, eu respondo ja confabulado:15025393_10153553184999649_834879633040363538_o

– Sao humanos.

Porem existe uma diferença entre os “humanos” de Stavanger e os do Rio. Os neo liberais que eu me enturmo, sedentos pelo sim nesse exato momento, nao entendem que a civilidade que se conquistou aqui, está intrinsecamente ligada na forca do operário. O que edificam e o que consumem. Esse poder de consumo que a classe carrega é que fortalece o produto, justamente por isso se torna “primeiro mundo”. Tudo isso não tinha como ser respondido naquela ocasião. Procurei uma resposta abreviada e fez-se cabível.

Gostaria de explicitar a exemplo as Havaianas. Um produto essencialmente brasileiro, feito de borracha (se quiser saber mais sobre esse material, acesse esse texto aqui) e com um nome de um estado norte americano, para não vacilar na concorrência. As Havaianas nos pés dos humanos cariocas, ou do resto do Brasil, de morenos ou dos de carne crua, dos fortes ou fracos, dos brilhantes ou decepcionantes, dos coroas ou brotos, dos pagãos ou cristãos, e ainda, dos empobrecidos ou dos com bala na agulha,  calçam bem. O calcado que melhor se adaptou ao clima nacional. Voce entende que o seu produto poderia estar fazendo mais sucesso MUNDIALMparatodos20ENTE se ele fosse acessível a 50% da população nacional, sempre.

A diferença social que o chinelo nao viu passa pelos os olhos de todo mundo que sofre um certo Apartaid. Um apartaid sobretudo ILEGAL, contudo irraízado culturalmente

Daí, a Lilian, artista, ilustradora, diretora de arte na Indonésia, responde o seguinte à 20 abril de 2016 quanto ao choque cultural europeu que ela teve a possibilidade de viver:

(…)Há uma forte cultura meritocrática e atmosfera disciplinadora rígida em Cingapura. O que uma criança de 7 anos de idade faz, pode afetar seu sucesso com a idade de 27. Na Europe é outro esquema:

  1. TODOS sao fraternos! Parece que hastearam a bandeira do afrouxe-a-gravata. A vida é mais suave, mais vibrante e mais interessante. Outra imagem comum na Asia é que a Europa era apinhada apenas de pessoas brancas, o que é bastante enfatizado como bonito. Surpreende a incrível pluralidade cultural étnica. Eu nunca tinha tido contato com Africanos antes na minha vida. (…).
  2. Na Indonésia um artista de rua é um cara pobre de verdade, fazendo aquilo que dá para se manter e matar a fome. Na Europa, (…) o padrão é um pouco elevado. (…) Artistas estão ali para inspirar e modificar ideias, nao ficam no intuito limitado de vender uma paradinha decorativa. (…). Graffiti por exemplo é um crime severamente punido em Cingapura, (…). Por toda Europa se vê lugares públicos belissimamente modificados com este tipo de trabalho artístico! Lindos edifícios antigos estão praticamente em todos os lugares. Alguns datam dos anos 1100 e ainda assim sao muitas vezes cobertos de desenho modernos por artistas populares.
  3. Outro contraste com a sociedade de Cingapura é que o governo intimida o povo com ordens. Para os europeus é tudo perfeitamente normal e saudável se rebelar. A primeira demonstração pública que vi foi uma greve em Paris. Estava no ônibus com meus amigos da escola e vimos uma enorme multidão de pessoas cantando e marchando. Não sabia do que se tratava mas adorei. Amei ver um espírito contestativo. Os europeus não aceitam assim cegamente o que os seus governos tentam empurrar. (…)

Falar do Rio, sem falar no que acontece no Brasil fica meio capenga. Pra mencionar coisas de Brasil, que pensa que é uma ilha com pouca ou nenhuma interação com os vizinhos e parentes, precisa ter em mãos estudos (história a encabeçar), números e experiência política e econômica. Brasileiros passam por aventuras que se repetem nas inúmeras filiais concorrentes que nao falam português (taí a moca de Cingapura que nao me deixa mentir. Material coletado do site de perguntas yuppies).

13002577_1178185898882737_834970886034053267_oSerá que eu zoaria com o site se respondesse a minha maneira?

Ai, que pergunta escrota. Metade é agradável, e a outra… (vai saber…).
Os cariocas tendem a mostrar felicidade numa roda de chopp. Uma boa parte tenta as religiões que pintarem porque a esperança é a última que morre. Romântico é o visual, nao existe esse negócio de beijar é sinônimo de sexo, beijos & abraços são uma comunicação. Faco questão de fazer cara feia e desfazer a amizade quando entra esses esteriótipos de vida fácil. Pesa muito esse tipo de pensamento na concorrência salarial e posicionamento social fora do país. “Não precisamos ser sérios, compromissados, competentes e honestos. Afinal de contas, nós somos muito gente boa. Na raiz dessa visão repousa nossa inescapável tradição colonial. Aqui não é um lugar para dar certo, mas para ganhar dinheiro e, se possível, se divertir transando com as nativas e dançando uma música gostosaOu rompemos com nosso passado (e nossa elite) colonial ou não teremos futuro.” by Gustavo Gindre A favela me entristece, é o verde que vai, a fauna que empobrece, e uma massa enorme de gente vivendo com infra estrutura precária. Todo o tempo & dinheiro gasto pra construir esses viveiros ruins, poderia ter sido feito pelos mesmos com maquinário preciso em condicoes adequadas sem que custasse tanto.


OBS: Street Art

(…) Desde do início, a relação da arte da rua para com o mundo da arte já estabelecida é marcado pela sua exclusão, mas Street Art contém a possibilidade de re-imaginar nossos espaços públicos e a transformar os espaços urbanos em um campo de jogos para todos, assim como uma porta institucional se fecha, automaticamente a cidade se abre. Enquanto uns tem poderes identificáveis em lugares estáticos, o outro é força e espaço, sem direção definida, e dinâmica. Reacionarismos não passarão! – Martyn Reed, diretor do Nuart em Stavanger, em 10 de maio 2017.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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4 comentários sobre “Eu sou carioca e quero meu crachá”

  1. Sou carioca da gema, mas acredito no compromisso e na responsabilidade , conquanto não se exclua meu senso de liberdade e uso de havaianas(hoje outra marca em boicote a JBS).
    Amo o Rio como QQ carioca, mas penso de forma paradoxal a questão das favelas( morte do meio ambiente natural versus vida dos mais pobres e sobreviventes) é um esquema sórdido q abriga interesses empresariais, do Estado, dos que não querem nada e só traficam drogas versus interesse de gente trabalhadora q não pode pagar p morar em outro lugar.
    Triste, procuro não mais pensar pó os não tenho controle sobre isso.
    Vamos vivendo e vendo nossas montanhas ocupadas desordenadamente pelos q precisam e pelos mandantes do tráfico (q hj já estão no asfalto).
    Enfim vamos vivendo numa das cidades mais caras do Brasil, de havaianas…

    Curtido por 1 pessoa

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