Fermentacoes das tribos tupis


Outro texto escrito primariamente em norueguês dessa série de revisados. Mas, como diz o esquartejador, “vamos por partes”.

No início da década de 90 quando eu era uma alma solta, que a princípio NAO seguia moldes postos pela mídia, me enturmava com qualquer tipo de gente. Contudo, os encartes, artigos, orelhas de jornais, revistas & livros, programas de rádio ou a fresquíssima Mtv eram mais pertinentes no meu dia a dia que a companhia humana, apesar dessa emancipação social que me referi. Hoje eu entendo que eu era completa com minha própria companhia, by the way, esse quote cai com exatidão pra esse tipo de vida que escolhi ter: “Don’t walk in front of me… I may not follow. Don’t walk behind me… I may not lead. Walk beside me… just be my friend” ― Albert Camus. Devo pelo menos uma vez ter dito algo do tipo.

Nesse época acima ilustrada, rolava muito um papo desse calibre:

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A morte dos astros do Rock

Janis Joplin, Jimmy Marshall Hendrix & Jim Morrison e a sua namorada, Pamela Courson morreram todos com 27 anos e a Mama Cass com 32 anos de idade em circunstâncias questionáveis sob o governo Nixon. Kurt Cobain também se foi com 27 anos, o que trouxe a tona o assunto sobre a abdução dos jurássicos¹ do rock YANKEE.

Já foram publicados detalhes de documentos em livros que exploram truculências governamentais da CIA e FBI.  Os homens que ali trabalhavam a 40 anos atrás (na época que a heroína, depressão, isolamento, alcoolismo pareceu matar aqueles artistas americanos mencionados acima) haviam crescido num ambiente protestante e caucasiano. Nao estou dizendo que os agentes são isso ou aquilo, mas se o dever de casa era generalizar hippies como usuários de drogas, e psicotrópicos como o paralelo demoníaco ao espírito santo, eles fizeram isso com prazer.

Nunca exibi esse pensamento religioso, perde-se titulado como controvérsia. Contudo pautei a Cannabis sativa, isso poderia virar um hit da safra, deixando a balança brasileira favorável. Quem sabe era só um pensamento colonial infantilóide meu. Mesmo assim pensem na limitação norte-americana do cultivo dessa planta em tempos anteriores. Criaram (sujeito indeterminado, mas determino que seja a galera do parágrafo acima) bloqueio do cultivo efetivamente por todos os países tropicais. Atentem que a categorização como droga ILEGAL é dos anos 30 (MARIHUANA TAX ACT OF 1937), reverberando como uma avalanche sobre em todos os outros países ocidentais.  Na mesma década Hollywood acatou o Hays Code pra que fosse banido de qualquer filme norte-americano comportamentos inadequados; a palavra “grávida” era negativa e sujeita a analise se fosse usado num filme. Uma época também que países africanos e asiáticos ainda estavam sobre o protetorado e colonialismo europeu, parceiro dos EUA.


Na UFRJ eu entrava numa outra onda, descobrindo o lado B do disco (sucessos nacionais²). Uma das melhores era essa:

Tupinambás foram canibais provenientes do estado do Rio de Janeiro que viveram e morreram antes do século XVIII

No Rio a ramificação da nação Tupinanbá, se chamavam os Tamoios.

Tupi é a língua indígena que domina a região leste do Brasil. Eu sei que nao há uma região assim, mais se somarmos o sudeste com a Bahia, o que daria? Uma vez eu consegui ver um mapa aonde se distribuia as grandes famílias de línguas indígenas, fiquei impressionada também como as línguas quasi-coicidiam com a divisão atual territorial brasileira, o Gê da região amazônica e os Guarani na bacia platina que também coincide com a divisão de climas, subtropical, equatorial, etc….

Os jesuítas foram os primeiros a fazer um ótimo trabalho de estudar essas pessoas, sua língua e cultura a 400 anos atrás. Isso nao é muito mais diferente de estudar grupos europeus através da árvore genealógica das línguas.

Nos anos 80 o conceito de “Tupiniquim” estava super na moda no Rio de Janeiro. Qualquer classe o usava corriqueiramente, independente de cor, credo ou posição social, referindo-se aos brasileiros de alma brasileira, de erros brasileiros. Ele foi usado em várias ocasiões por cronistas e escritores em jornais e em telenovelas. Nada mais cafona (Tupiniquim) no Rio do que imitar/se fazer de europeu usando lä, sapatos fechados, comendo fundi e tomando vinho a temperatura ambiente de 32 graus. Ou em Europa levar na bagagem o medo de se comunicar ou se mesclar com um local, substituir o espaço do medo na volta pra casa com bugigangas made by “Someotherplace”. Nao assumem sua identidade cor de cobre, nunca; e ainda fazem pouco caso de artistas que voltam com mais bagagem abstrata, ou seja, conhecimento.

Quem tem a Monstera Deliciosa dando sopa pela casa, é Tupinambá… Nos anos 20 o movimento de vanguarda chamado Movimento Antropofágico acordou toda uma classe artística BRASILEIRA para o lado primitivo do contemporâneo, olha só o quanto a parada era intrigante! Oswaldo de Andrade estava cheio de controle dos ingredientes que misturava, das alquimias que fundia, aquele era seu segundo grande projeto, mais picante em termos psicológicos e políticos. Era o must achar a identidade tropical brasileira, do que ficar a vida buscando neve e urso no cenário nacional. Ele tinha toda razão, nao sei se ele é o maior artista brasileiro, mas ele criou a maior revolução artística brasileira. Devido a esse maluco, tivemos a Tropicália com Caê nos anos 70, uma espécie de continuação dessa elaboração.

Os franceses re-batizaram o lugar ao gosto deles, invadido ou nao, se chamaria França – Antártica. Os franceses foram extremamente profissionais em fazer uma aliança com Tupinambás. “Semagina” o esquema, o planejamento, de pegar um grupo de tradutores que eram pagens, crianças de 10 à 15 anos, iniciantes em grandes excursões como essas cross-oceans, para lidar com gente nua e cheia de piercings! Nessa mesma época que a Franca invade o território carioca, Henri I da Franca tinha planos para local.

Tudo obra das coincidências, se ela foi uma ninfa na Odisséia deve ter pertencido a Hades. Nao é que os Tupinambás estavam em guerra com Tupiniquins, ou uma tribo estava de implicância com a outra. Como mencionei no início eu entendo que deveriam ser 2 grandes nações no mesmo território, e eu acho que concepção territorial deles não estava clara, por isso uma infinidade de guerras e contendas. Contudo havia barbáries entre as tribos diversas Tupinambás com eles próprios! Eduardo Bueno, Teodoro Sampaio, Hans Staden, Jean Lery, Eduardo Navarro, Padre Anchieta podem dar um melhor prisma dessas batalhas no século XVI, o que me fez incontáveis vezes viajar junto a cortinas de cipó de uma árvore centenária:

– O que voce nao deve ter visto?

-Nada diferente do que aconteceu hoje mesmo, só a indumentária e as armas sao de fato díspares d’outrora.

– vc fala engracado…

-sou um árvore!

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Não falei com árvores como a Alice falou com animais, mas já desenhei um mucado delas e se acaba por viajar mais em outras dimensões, pois desenhar não me fazia suar. O negócio é que os Tupininquins estavam lá em Porto Seguro quando Cabral aportou e um século depois, os Tupinambás declararam guerra a presença portuguesa na costa brasileira. A costa da nação tupinambá parecia ser do Maranhão ao Uruguai.15073387_10154737889463308_8611919645143884866_n


Nessas noites lindas de outono, negras, encontrei com um camarada arquiteto que conheci através de paulistas, o moco é norueguês fala alemão e espanhol. Ele me perguntou o porquê nao mais tinha contato com esses paulistas. Disse que nao via mais finalidade em manter esse contato, eles sao de uma cidade que nao cabe mais nos meus planos turísticos, infelizmente… Daí ele mencionou a velha rixa sampa-rio, do qual nunca me mostrei solidária.

– Quais sao os códigos que vocês usam par designar quem é maneiro quem vai ser legal?

– Barrar/gostar/DESCRIMINAR porque é proveniente de tal lugar, ou é de tal religião, ou tem tal cor, ou tem posses, é um argumento Tupiniquim. Eu sou Tupianambá.

-Hammmm??????????????????!!!!!!!!!!!!!!!! – vai ficar sem entender… Brasil não é para amadores.


¹) Artistas de rock provenientes dos anos 60 e início dos 70. Serguei é um jurássico nacional, Keith Richards um jurássico clássico, e assim vai…

²) Os temas de telenovelas da Globo eram lançados em dos Lps, um comhits internacionais e o segundo com hits nacionais.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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