Observe e reporte


Outro texto que escrevi em norueguês logo depois que eu cheguei do Rio, ainda bastante fresca com esses acontecimentos. Naquele dia no Rio brilhou sobres as ondas salgadas de Ipanema um sol amistoso, crianças muitas. Era a minha última sexta no Rio e a primeira vez que havia morado no Leblon, num apartamento não tao legal, um tanto entulhado, que servira de escritório pra uma psicóloga, mas havia o quebra-galhíssimo de ter um banheiro maior e mais confortável no corredor de cada andar caso os banhistas tomem banho antes de pisar no apê depois da praieira. Era um edifício esnobe e de apartamentos de apenas um quarto.beco-do-rato

A noite, daquele sábado macabro norueguês, tomei um chopp com o Audrin na Lapa. No monitor televisivo do bar acompanhávamos novos flashs das reportagens sobre o atentado norueguês. Nao houve comprometimento do jornalismo brasileiro (pra variar) sobre 22 de julho em Utøya. Eles vacilaram em afirmar que um mulcumano havia atacado a Noruega quando já sabiámos eu e o Sverre que foi o Breivik (um cara que cresceu num ambiente isolado e nao via o pai a mais de 10 anos), nao sei se concertaram depois, se bobear tem gente que ainda pensa assim, que foram os coitados de não-cristaos, o que é justamente o oposto. O Breivik faz questão e ainda continua com a palhaçada de ser templário.

Não era de se esperar, porém…

Uma ovelha negra do rebanho homogêneo deixou sua resposta que é difícil de apagar. Todo e qualquer grupo homogêneo sofre lavagem cerebral. Como descobrir? Só a educação salva (tinham que fazer uma vinheta dessa frase que sublinho e repetirem essa gravação em holofotes espalhados pela cidade, principalmente em shoppings).

– Lavagem cerebral?
– Sim. Onde se distância de verdades amargas.

“Observe and Report” (2009). 73dbe-observandreport

"Neste momento, o mundo precisa de um herói."

O filme consegue perfeitamente retratar idiotas assim como Breivik. O protagonista de “Observe & Report” consome medicação de tarja preta, nao tem namorada, o que torna tudo mais difícil. Sua maior ambição é fazer parte do corpo policial portanto arranja o trabalho no shopping como guardinha. No meio do filme entra em jogo uma análise psicológica, meu amigo (!), o protagonista mostra a sua bipolaridade e seu instinto assassino, muito sem noção. Apesar de glorificar uma carnificina sugere que seja recompensado e ovacionado por muitos.

Revendo alguns noticiários de TV, esbarrei com a seguinte falácia: “O Breivik é um cara inteligente porque realizou todo ataque sozinho”. Ora, que absurdo, ao qual melhor ilustra essa lavagem cerebral que me referi no ínicio na crônica. Um jornalista norueguês defendeu Breivik e o caucasianismo adulado do cara. Breivik é um monte de coisas menos inteligente, pessoas de grande intelecto promovem amor, EDUCACAO e construção.

Outra coisa sobre essa falácia horrorosa é que foi óbvio que ele foi ajudado, instigado, designado, pilhado para esta ação. Ele acreditava nessas filosofetas. Deve ter se sentido como um artista que observará seu trabalho ser concluído com o tempo.

Acredito que mais tarde irão revelar coisas guardados pela polícia especial. Grupos anônimos que interagiram com Breivik. Sinceramente espero que o massacre na Noruega retarde movimentos retrógrados racistas e xenófobas dentro e fora do país.

Nao se mostra mais nada do Breivik e acho que ele ligaram seta pra estacionarem no vão do esquecimento. Acho que o Breivik vive muito bem, chega a receber até carta de fas.

Dessa estória toda o mais difícil de entender é a matemática no final da coisa toda. Como um país com quase 5 milhões de pessoas, com 100% de acesso à educação BÁSICA, estatísticas de assassinato estão dentro do padrão civilizado (menos de 20 por ano), que nao se deixa esmerar na moral e civismo, o pensamento democrático é inerente a qualquer um; me vem um louro alto, já aparentando calvice, e sai atirando em todo mundo? Como?  O grande detalhe, queridos, é que a conversa que buliu com o Breivik, que o tirou da completa convivência com outros co-cidadaos noruegueses, que fez ele se armar e em um ano planejar o ataque de 22 de julho de 2011 foi o horror aos partidos dos trabalhadores norueguês (Arbeidsparti). Um partido que na visão do Breivik, não incluía a igreja protestante como dominadora em solo norueguês, dando assim MUITO espaço pra o laicismo & islamismo. Um partido que igualiza e ele como um cara marginal no seu próprio berço, se sente extra pior quando um moreno melhor qualificado se promove no seu quintal. Era isso que ele queria aniquilar. Não se pode muito quando é mal preparado.14937174_1301063516612037_5336592246476541744_n

Enquanto que no Brasil sempre houve o tal do projeto da má educação, aquela porcentagem toda designada para viver de antolhos como equinos, muito bem posto pelo inquieto antropólogo Darcy Ribeiro. Sao uma porcentagem de acovardados Breiviks (BOLSOMINIONS) dentro de um contexto muito maior e muito mais árido de provisões (falta de grana duka) e planejamentos (estratégia, pensamento e organizações em grupo) ; graças ao bom Darwin, pelo menos.

Acredito hoje; não me passava pela cabeça a 6 anos atrás, apesar de ter ouvido isso em referencias a guerra americano – islâmica; que há sim uma guerra fria desenvolvida para que civis entrem sem ser alistados, ou pagos, e usem a internet a sua bandeira. Assim como funciona a Urbe como um taxi pirata, o Facebook como amigos invisíveis, o Airb como hotel quebra-galho.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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