Exibicoes


Eu tirei 2 semanas da minha bela jornada de uma carreira artística para dar assistências a outros artistas que visitavam Stavanger.

11372157_1645753908993161_1552677324_nTentando escrever resumos desses dias, dessas experiências com o trabalho voluntariado revi algumas pessoas da minha lista nas determinadas páginas sociais que acabaram por acrescer. Coincidentemente, todas as vezes que inflamo, desabilito pessoas que não fazem mais parte da minha paisagem atual, futuros empreendimentos não parecem um porto à vista com estes. O que acaba por voltar sempre em torno do numero (esse sim pode se chamar de redondo) mais ao menos de 380 pessoas (está assim a 5 anos). Quase que como cada pessoa fosse uma direção, um grau diferente, um ponto de vista.

E eis que me deparei com essa frase atribuída à Mark Twain:

“Pessoas nuas tem pouca ou nenhuma influencia em nossa sociedade”

Frases feitas e de autores consagrados circulam muito no Facebook, deve ocorrer fatalmente no Twitter e já começa a invadir o Linkedin. Já li 2 artigos, em inglês e norueguês, que frases motivacionais são adoradas por gente com baixo QI, difícil ver um bom professor ou um bom leitor postando algo do tipo, as vezes completamente fora de contexto. Fora que muitas frases são falsamente atribuídas, o que comecuzinhos não fazem com memes numa hora dessas? Um exemplo foi a foto de Freud adido do nome de Lobato com letra de uma música do Caê. Mesmo assim não se reprima dizendo que dessa água não beberás, como dizia Robin Hood, nao, ele nao disse isso mas foi mais forte que eu. As vezes em determinadas ocasiões, frases de estilo passam a ter um simbolismo maior mesmo subvertidas. Atente quando a subversão vira arte.13403795_10209699195825261_5075104586021781223_o

Portanto aquela frase minimizada do Twain na linha de publicações desse meu camarada que conheço mal a muitos anos, deve querer dizer a alguma coisa relacionada a fatos locais do qual eu a primeiro momento ignoro. Ou seria o ignorante ele? Este quote tão clássico e bastante usado entre os norte-americanos está com sua parte mais efervescente subtraída.

”Clothes make the man. Naked people have little or no influence in society.”

Sem dúvida, as roupas fazem o homem. Haja visto que isso está intrinsicamente ligado ao status na sociedade que o homem tem, um jornalista na tv não aparece com a barba por fazer ou de cabelo cumprido, estudantes de medicina saem todos prosas pra o seus almoços ainda com o jaleco (um nojo, em ambos os sentidos), que é o mesmo caso dos padres a mil anos atrás. O que me faz lembrar o ditado popular muito conhecido pelo menos nos países das línguas ibéricas:

“O hábito faz o monge”

Más limpio, mais direto, mais interessante e apesar de relacionar diretamente a profissão que tradicionalmente defende pudores, a frase no bom português abstrai esse negócio de ficar apontando o dedo ou super-abordando a falta, diferente da norte-americana que a enfatiza. Tenho como que claro que essa constatação de Twain se referia aos distanciados da cultura Norte-americana, da cultura ocidental, da cultura de terras frias cristãs. Os distanciados são geralmente de terras, colonizadas ou protetoradas, quentes que desnecessitam de tanta roupa que cobrem os poros do tecido epitelial, sufocando a natureza do corpo.13238987_1071059283001370_2154441289491989960_n

Uma seleção de filmes e livros não cansam de fantasiar o perdedor com a roupa do vencedor. Ora se o perdedor sobrevive com o mundo contra ele por causa do status infame que a falta da indumentária o dá (moldado sem asas), com a beca adequada como o mundo o abraçaria?

No livro “Moll Flanders” a heroína sobrevive com rendas que são praticamente adquiridas com o exercício de ser esposa d’alguém. Só que uma hora lá, a curva do azar se acentua e o projeto que ía bem desaba e ela acaba entrando para o mundo do crime. Um adendo importante para os menos informados sobre determinada época na historia, as mulheres no século XVII & XVIII eram limitadas no seu maior direito como ser humano, o direito de IR E VIR, na maioria absoluta de casos eram elas proibidas de se profissionalizar. No caso da Moll teve sim bicos que mal pagavam sua locação e vestuário, quanto mais seus pimpolhos, que foram muitos. Muito inteligente pois é a heroína de uma estória clássica, mantém um limite na sua incursão ao crime, ela não compactuaria em assassinatos. As aventuras de roubos foram diversas, a mais audaciosa e profissional foi ela transvestida de homem. Vários de seus artefatos roubados de maior valor eram acessórios apenas usados entre homens, como a peruca dessa era do vestuário barroco. Isso facilitou ela a ter um parceiro nessa empreitada e mesmo ele nunca veio a saber da sua real identidade pois com facilidade ele a integraria.

No filme “Nós não somos anjos” de 1989, Sean Penn e Robert De Niro interpretam dois condenados. Por um lance de sorte são arrastados a liberdade junto a fuga de um perigosíssimo vilão. Acabam chegando numa pequena cidade que se apronta para o que é o seu maior acontecimento festivo do ano, uma procissão religiosa católica. Para o mesmo evento estão sendo esperados 2 padres com semblantes similares aos condenados. Eles assumem as personalidades dos padres perdidos ou abduzidos. Mais tarde uma série de pequenos dramas locais influem na escolha deles pra suas vidas futuras. A personagem do De Niro vai para o Canada com a prostituta, mãe-solteira, trabalhadora & proletariada reivindicadora e a personagem do Sean Penn se torna padre sem nunca ter ido a um seminário. Em suma as vidas dos condenados dão uma guinada de 180 graus só por causa do basiquinho preto dos presbíteros.

Mas recentemente Leonardo di Caprio representou uma versão de fatos reais, em que um maluco de 17 anos que foi um dos mais prolíferos catalizadores pela falência da Pan Am. No “Agarra-me se puderes”, o protagonista é a falsificação em pessoa, deixando Moll Flandres e os padres condenados no chinelo, simplesmente em por o uniformizinho azul de chofer de avião.

Essa seleção de obras que me agradaram, mostram que foram soluções privadas de êxito. Isso é o nosso dia a dia, exibições. O valor da peruca barroca como uma insígnia CLARA, vista a longa distancia que a pessoa que a o porta é portanto detentora de bens e por conseguinte importante, o mesmo com o uniforme impecável da Pan Am num aeroporto. Infelizmente isso somos nós todos, quem são aqueles que contra atuam com essa máxima, que se despindo de acessórios possam ser mais notados ou melhor RESPEITADOS?

– Modelos, artistas, músicos, atores, rebeldes & revolucionarios.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias análise, arte pop, comunicacao, cultura saberTags, , , , , , , , , , , , , , , , 1 comentário

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