Cultura pelo caminho


Considerei várias vezes fazer a minha relação sobre alguma coisa, turismo enchia meus olhos de brilho. Hoje tomei enfim uma decisão, preciso fazer listas pra que elas me auxiliem nos meus esquemas futuros. Voce, leitor, também veja nisso um quebra-galho nas suas próprias metas.

5 lugares que pretendo visitar antes de partir

(Sim, eu gosto muito de trabalhar com o aspecto de mortalidade )

O dia 4 de outubro é o dia oficial desse pão doce na Suécia. Este dia foi fundado por Hembakningsrådet¹ em 1999 e ao longo dos anos ganhou aceitação popular e especialmente empresarial. O setor trabalha mais evidenciando um produto, o que deixa os preços mais em conta do mesmo se tornando irresistível para o consumidor. Embora os noruegueses amem pães de canela estes são provavelmente mais importantes para a cultura sueca.

Kanelbullens dag
Birgit Nilsson Bergström dona da padaria Hembakningsrådet

O cheiro e o sabor da canela remetem tradição e nostalgia. Fatores muitos apreciados na Escandinávia. Pelo canal Manchete transmitia um desenho tosco confeccionado ali no inciosinho dos anos 80, que mostrava 2 formiguinhas tentando furar piqueniques. Uma das formiguinhas era a gordona, boa de boca e a outra, magrela, cheia de ação,  chamada Abel. O grande alvo eram esses päes-doces que são bem comuns aqui. Incrível o que a gente pode guardar na nossa cabeça através da repetição num determinado tempo. Havia pão no Rio com igual design apresentado no desenho animado, todavia era impossível dizer que era algo gostoso, já os daqui explicam a obesidade da população.

É recomendado uma variação de suco ou molho de maçã na massa ou no recheio. O grande segredo para obter a textura adequada está em amassar a manteiga em temperatura ambiente e não derrete-la artificialmente. Abaixo segue a receita clássica, tente fazer a primeira vez reduzindo a 1/4 ou 1/5 desse volume indicado:

12 formas de pães.
ingredientes:
6 dl de leite, à 30 graus
1 kg de farinha
150 g de açúcar
sal marinho 3 colheres de chá
cardamomo 3 colheres de chá
50 g de levedura
1 ovo
150 g de manteiga
ovo para pincelar
açúcar pérola

Todos os ingredientes devem estar à temperatura ambiente. Misture 0s todos, exceto a manteiga e o leite. Adicione aos poucos o leite. Amasse até obter uma massa lisa e macia. Em seguida, adicione a manteiga. Amasse a manteiga na massa até que ela se misture completamente. Cubra a massa e deixe crescer por uma hora. Divida a massa em 12 partes e descanse-a nas formas de pão. Deixe os pães subirem por 20-25 minutos. Estenda a massa com um rolo, pincele com manteiga e polvilhe com canela e açúcar. Divida a massa em tiras transversais, ca. 2 ou 3 cm de largura e enrole ligando as extremidades. Adicione canela e pincele os pães com ovo e polvilhe um pouco de açúcar pérola, asse no meio do forno a 225 graus por 10-15 minutos. Crescerão até dobrar de tamanho.

  • Liverpool – Festival dos Beatles13241143_1671879779618431_6304369536865841880_n

Esse festival acontece na última semana de agosto que coincide com o meu aniversário. Ver bandas imitando os Beatles não me agradaria, sou do tipo que me bastaria viver uma espécie de Mecca aonde seguidores do Fab4 transformam a banda num vulto de dimensões eclesiásticas.

Shelagh Delaney² não seria ignorada nesse meu translado pelo Mersey³, esticando a  passagem até Manchester.

  • Porto & Amarante

Ao contrário de outros lugares não iria por uma data específica para fazer coisas que outros turistas fazem. Iria ao norte de Portugal pra fuçar arquivos e lugares a procura de registros dos meus antepassados. Não quer dizer que outros turistas não passeiem pelos mesmos locais com as mesmas finalidades. Iria curtir de montão o tempo que reservaria planejando essa visita. Esticaria até o:

Caminho de Jacinto,
Quinta de Tormes – Baião
Santa Cruz do Douro

Eca de Queiroz é um grande ícone cultural do país que mostrou ajudas nessas minhas pesquisas genealógicas.  O vinho do Porto e outros símbolos da culinária regional.

  • Parati, Flip

Esse é o destino mais próximo do meu endereço no Rio. Nunca tive sorte de ir a Parati depois de adulta. Agora basta eu torcer para que quando puder visitar o local, tenha interesse nos ali presentes. Possa garantir um bom livro pra leitura e estudo, assinaturas de autores, etc.. Calha até ter um camarada entre os palestrantes desse festival. Já pensou que onda?

  • Nordeste Brasileiro, fora do verão & Carnaval – por favor

Preferencialmente quando todos os cidadãos estão engrenados no trabalho fazendo suas atividades. Bastante me impressiona na cultura nordestina a máxima importância de preservar as técnicas d’outrora de tudo: cultivo, culinária, impressão & fotografia, elaboração literária e musical. Para alguns isso está ultrapassado, contudo para mim é sustentável.

O esquema de visita à região mais antiga do país, evitaria hotéis e procuraria pousadas e casas de trabalhadores, aonde participaria mais do dia a dia desse povo. Locais próximos a engenhos ou oficinas aonde concluiria trabalhos prestados sem ser paga por auxiliar ou sem pagar para aprender, workshops. Encardenacao de cordel, alambique de cachaça, serigrafia, colheita & secagem do cacau e renda.

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Caetano em plena descontração na praia e o moco atrás é o Leo Jaime!!!! Mas novo, outro estilo e sem barriga 😀

A região nordeste nao termina no trabalho, tem seu legado histórico. Um legado importantíssimo que as vezes não mais se encontra  por lá como a Carta de Pero Vaz de Caminha que a cerca de quase 3 séculos se andava sumida, tipo arquivada em algum canto do Rio de Janeiro longe de curiosos.

A Carta como músicos e autores nordestinos aparecem também todos endereçados no Rio. Se referem só de algum canto mágico de lá. Sendo A Carta uma espécie de certidão do país podemos dizer que o Brasil é baiano e tinha um outro paladar:

“Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis×, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; e, se alguma coisa provaram, logo a lançaram fora.”12342553_495085594005022_6756034133000237725_n

Lindo demais… Adoro gente fresca


A lista pode mudar futuramente. Hoje não consegui adicionar nenhum lugar em todo continente asiático, africano ou oceânico que me apeteça a me locomover, gastar do meu pouco dinheirinho e do meu tempo sagrado nessa investida. Isso só a campanha dos ministérios de Cultura de cada país pode reverter.


¹) É uma padaria que mantém tradição de confeitos e pães mais artesanais e menos industrializados a 56 anos.

²) Dramaturga inglesa mais conhecida pela sua peca de estréia entituladaThe Taste of Honey”, parte de movimento conhecido na Inglaterra como Kicthen sink drama.

³) Area entre Manchester & Liverpool que passa o rio chamado Mersey, acabou por cobrir toda uma cena cultural dos anos 5o ao final dos 90, de cunho proletariado como o Kicthen Sink Drama e as diversas manifestações do Britpop que surgem ligadas as esses polos portuário e industrial.

×) torta portuguesa, receita encontrada no livro “Um tratado da cozinha portuguesa no século XV”.

FARTES (farto, fartalejo, farte, fártel, fartém) receita

obs: Mesmo esquema de antes, reduzir inicialmente a 1/4 ou 1/5 dessa receita.

7 l de farinha de trigo,  1 l de azeite e 1l de água quente. Divida em 2 partes iguais. Amassem as duas partes separadas, de maneira que as massas fiquem muito bem sovadas no ponto de enrolar. Façam biscoitos do tamanho que desejarem, levem ao fogo para assar, não precisam estar muito corados. (Comprar biscoito em promoção ou com validade vencida, tá valendo)

Moam os biscoitos e peneire-os.
7 l de farinha de trigo, 7l dos biscoitos e 7l de mel façam a massa que servirá para envolver os fartes. Aquecer o mel pra que liquidifique e acrescente 15 gramas de pimenta-do-reino.

Deixem ferver um pouco mais e comecem a pôr no mel fervente aos bocados da farinha dos biscoitos, alternados com 450 gramas de erva-doce, também lançada aos bocados. Continuem a pôr a farinha dos biscoitos, até formar uma pasta em ponto de enrolar. Depois de a massa cozida, joguem no tacho 15 gramas de cravo-da-índia e quinze gramas de gengibre, previamente torrados e peneirados, misturando tudo muito bem. A massa estará cozida quando se desapegar das mãos com facilidade.

Depois de tirada do fogo, colocar num recipiente, onde ficará abafada até ir esfriando. Abram a massa e coloquem dentro o recheio e enrolem-na bem, dando-lhe a forma de pastéis que serão levados ao forno de maneira que não se tostem.

Os fartes feitos com açúcar levarão metade deste e metade de mel, além de amêndoas ou pinhões, na quantidade desejada. Se usarem amêndoas, coloquem-nas no biscoito antes de a massa estar cozida; se usarem outras castanhas estes serão postos no recheio na hora de se fazerem os fartes.

obs: Deve-se notar ainda que a massa do recheio feita com uma parte de açúcar não será tão cozida como a feita só com mel, pois o mel derrama-se com facilidade e o açúcar endurece. Quem fizer a calda com partes iguais de mel e açúcar, deve adicionar à massa também as sobras das farinhas dos biscoitos que ficaram nas peneiras, para obter uma boa liga.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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