O espírito de um alho


(…) Um britânico usou como cenário as montanhas mais agrestes de um determinado país exótico. A Romania pariu um dos maiores clássicos do terror de todos os tempos pelas mãos de um imperialista ocidental.

O menos rude das personagens na ala oriental do romance é um conde que suga o sangue de meninas inocentes. E o alho com isso? O alho sempre representou um contra ataque ali na vermelhidão de alguns ícones, que já eram bastante clássicos na cultura cristã européia muito antes da chegada do romantismo, aonde isso se apimentou. Dizem que esse bulbo faz bem pro sangue, fica muito bem em qualquer carne justamente pra diminuir odores e gostos que acusam o produto estar fora do padrão fresco.

O alho é um anjo pequeno, uma criança pura, aquele que recebe a cozinheira de dia. O vermelho é o sangue & carne, poder do diabo, a calor da noite.Fangs_da-e1286554786365

(…)Visivelmente podemos comparar algumas referencias do enredo do Conde Drácula de Bran Stoker com doenças sexualmente transmissíveis. Isso está sempre em voga, o que deixa o livro permanentemente alvo do cinema.(…)

Cerca de 6 anos atrás escrevi esses parágrafos em norueguês. Havia muito mais coisas que não deu pra entender mais – nem mesmo por mim que havia escrito o troço! Tive que reescrever esses escolhidos a fim de dar uma verossimilhança na trosobada¹ toda.

Naquela época em rítmico de fúria, me dediquei ao estudo do norueguês e frequentei pela terceira vez mais um curso da língua que lacrara o seguinte: não há possiblidade de vir a equiparar a fluência português-carioca à língua nórdica-germânica. Mesmo com ou sem dedicação, com ou sem muletas, fui aconselhada a deixar de lado o exercício da escrita pra me igualar a uma idiota, igual aos próprios “conselheiros”.


Esse ano antes do inverno morrer, fui ao supermercado com o Alex. Lá passeando, ele me pediu pra comprar o biscoito chamado Oreo, que parece bastante com o calendário Maia só que pintado em negro. Cheguei nele e falei:

– Vc sabe porque eu não vou comprar esse biscoito?
– Por quê?
– Porque ele nao está ali.

Ele deu um pulo pra trás e me olhou com a expressão assim: “agora se confirma que eu era a pessoa mais estranha do mundo e que ele na verdade já sabia e entendia, mas naquele exato momento eu também podia ver o que eu falo não tem nexo nem plexo“. Eu ri. Teria que explicar muito, muito mesmo, ali não era local nem momento pra tal.

O super especial espaço aonde está localizado o Oreo é bem do lado das estantes de vegetais e frutas, ele está ali destoando do resto de alimentos que não tem uma marca, que não são biscoitos. Além desses 2 fatores, esse biscoito está numa prateleira de cartolina própria pra ele, toda em azul com os detalhes de um mar de leite.

– Tudo bem, até compro pra vc algum biscoito. Vamos para a prateleira dos biscoitos  ver as ofertas.

As melhores ofertas nao ficam na minha altura, nem da do Alex, aliás, quanto maior for o numero de cores embutidas nas embalagens, mais o produto irá conter diversos açúcares e estarao na altura das crianças. Por isso algumas famílias optam nunca levarem seus filhos ao mercado. Não é o meu caso, e de mais a mais, o Alex é ótimo em análise de preços, ao qual ele se usa o tempo muito bem.

Algumas pessoas nao sabem o que querem, tudo bem, estamos no mundo para aprender diariamente. Essa incitação de propagandas, over react do merchandising e massificar a veiculaçao é chamar o consumidor de idiota. Você é governado a comprar isso ou aquilo. Voce compra o Oreo pela 2 vez, 3 vez e na quarta, pela familiarização com o produto, você ACHA que gosta.


 

vambery-armin-(1832-1913)_2-359A partir de algumas estórias de Ármin Vambery, Stoker passou vários anos pesquisando o folclore europeu. O Autor adiciona recortes de diários & jornais, telegramas, cartas, registros de navios; aos quais criam um nível de realismo, atualizando a obra a sua década.

O manuscrito original de 541 páginas de Drácula acreditava estar perdido até ser encontrado em um celeiro na Pensilvânia em 1980. O manuscrito foi comprado pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen. O autor nunca foi a Romênia e suas inspirações para cenários não saiam das ilhas britânicas. Seus biógrafos atribuem a causa mortis à sífilis terciária.

Stoker apesar de ser irlandês e liberal era protestante & monarquista (a Irlanda até hoje permanece um país católico). Não duvido nada que tenha conhecido o nosso camarada Aleister Crawley.  Essas características me fazem crer que o Vampiro era espelho de si próprio e outros malucos da panelinha deles lá.

As classes abastadas inglesas não usavam alho. Logo um produto que se não plantado, sairia caro. Aparecia com mais facilidade no verão. Essa gente mão-de-vaca usava mostarda, pois a mostarda é confeccionada em casa e é um quebra-galho, estava estocada no próprio local que se iria jantar. Chama-me bastante atenção os potes para mostarda criados por Argent Maisons² tradicionais inglesas, depois que me tornei uma entusiasta em antiguidades. Como na Noruega, bastava o sal & a mostarda estarem sobre a mesa para darem cor e sabor ao prato.  Já o consumo de alho, posso afirmar, que só na virada do século XXI  chegou à Noruega!

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Novalties da Belle époque pra por na mesa da janta, sal, pimenta & pote de mostarda em forma de bolas de golf

Entre os 5 maiores produtores de alho no mundo, 3 deles são nossos parceiros no Brics³. O que dá entender o medo do vampiro para com consumidores de alho. Hoje os britânicos e noruegueses estão passando a consumir mais comida chinesa e indú que suas próprias nos seus a dia a dia. O Drácula não apenas conota o pesadelo da sífilis mas também o drama do imperialismo.


12963778_962614097162076_1179432457493736426_n¹) Todos os textos tem a qualidade de sugamento de algum autor que eu tenha lido recentemente e seu estilo ficou estocado no meu coração. Eu misturo com um monte de coisas, informações factuais com experiências de alguma fase lunar minha, dessa sopa (trosobada) vai sair algum texto. O texto de hoje pode ser mais do que isso,  é também uma homenagem ao Luiz Mors e ao lançamento do seu livro sobre plantas. Muita gente lança livro por aí, porém um autor só é autor mesmo quando ele provoca seus leitores de alguma maneira.

²) Lojas de designe, artesãos de prata e platina.

³) Brasil, Russia, India, China & Africa do Sul.

 

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias arte pop, diário, gastronomico, memórias, pediátricoTags, , , , , , , , , , , , , , , , , 5 Comentários

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