Doppelgänger (a incrível fábula das coincidencias II)


Esse blog deve ser o que mais sai do trilho no universo. Pretendia dizer azul saiu limão. Comecei um papo a muito tempo atrás e não terminei… todo, hoje buscarei um final.

hi5625_rosemary_-sRecomendado por Roman Polanski, li em outubro de 2015 o “O Bebe de Rosemary” de Ira Levin, a recomendação data de muito tempo atrás. Um livro acessível que qualquer um de 10 aos 100 anos de idade pode ler, só precisa ter mesmo domínio da língua que livro é publicado. Esperava mais detalhes diferentes do filme, a formatação pra o filme é bastante precisa.  Eu não sei muito sobre a vida do autor, mas como uma grande maioria de autores famosos ele deve ter se baseado nas suas próprias experiências para desenvolver cenas e personagens. Como sua esposa ficou grávida 3 vezes, uma dessas 3 vezes foi certamente um pesadelo. O escritor se separa da moca não muito tempo depois.

As personagens que encontramos nesse romance são facilmente construídas na nossa imaginação pelo teor excêntrico de cado um. Embora o tema do livro é de uma natureza absurda, acho muito perto de minha realidade. Invertamos certos coeficientes, vivo o mais comum e portanto patético que não seria uma boa idéia para um romance.


O careca é o Aleister Crowley? Nos tempos de alienação o cara produzir e pensar se torna algo raro, fora de série, á frente do resto… – E. Plecth, empresário e gerente da loja de discos Outsider.Aleister_Crowley_Magus

– Existe algo chamado de sósia, alguns são tão parecidos que são confundidos sempre. Tem até mais de um, às vezes. – Paulo Ricardo S., antigo gerente da Dr. Smith Night Club.

(Aí, deixei de comentar, alguma coisa estava muita errada, da onde ele tirou o papo sobre sósias? Nada aparecia no meu texto  que discutíamos sobre. Contudo no texto do Luiz Mors , esse botânico fala de uma vez em que o mago joga xadrez com um sósia do Fernando Pessoa). O gerente da noite continua:

– Tenho uma amiga que é a cara da Angelina Jolie.
– Que susto! Ainda bem que é a Angelina Jolie, já viu se vc tivesse uma amiga com a cara do Aleister Crawley???

Edmo Suassuna F. conclui da seguinte maneira:
– Doppelganger – parcialmente ignorado porque essa palavrinha que no bom ingles don’t ring the bell (não sugere nada) pra ninguém ali, acabou por deixar o tradutor no eco.

– Eu vi uma propaganda da Coca-Cola de 2 páginas na Rolling Stone-Brasil com a carinha do Aleister Crowley! Bem pequena, quase imperceptível. Tenho certeza que a Coke é satânica! Que ela usa mensagem subliminar em propagandas, nem preciso falar  mais, já virou fato! rs – Entre risos Plecth fechou o papo.

O Crowley se auto entitulava bruxo. Outro auto entitulado bruxo é o Paulo Coelho. Ser bruxa é contradizer toda a performance de ser uma mulher resguardada, mas bruxo é outro lance, é como se o homem fosse um feminista, ainda mais difícil de ser entendido por um homem vitoriano cristão ou por Olavos ou Bolsonaros¹ hoje em dia. Mas em fim, como a Coca-cola pode pintar subversivamente seu cenário se ela é o símbolo maior do capitalismo?

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E por falar em capitalismo, esses caras vendem bem

Eu fiquei pensando na confusão do Raul no Dakota, será que houve um dopplegänger na parada e acabou sobrando pro Raul? O Wiki em ingles faz excelentes citações sobre essa espécie de “entidade”, que isso na mão de certos romancistas & cronistas das diversas seitas espiritistas germânicas ou britânicas é que nem fogo na palha. A Wiki não se limita à literatura ou ao exotismo ela também dá a versão da psicologia. Psiquiatras explicam o fenômeno através do que chamam de autoscopia.

A autoscopia é uma experiência em que uma pessoa enquanto acreditando estar acordada vê seu corpo e o ambiente, o mundo a sua volta como se estivesse fora do seu corpo físico. Bunning do Laboratório de Neurosciência Cognitiva da Ècole Polytechnique Federale de Lausanne (EPFL) & Blake do Departamento de Neurologia no Hospital Universitário de Genebra, Suíça, revisaram alguns dos fatores clássicos que indicam e podem induzir a autocopia, esses são: sono, abuso de drogas, anestesia geral e própria neurobiologia.tumblr_mfrcryPxKO1s0tsh4o1_500

Eu fico com sono.  No meu aniversário de 14 anos ganhei um livro do Coelho, dois anos depois reli o livro, ambas as vezes fora no mês de outubro. Ambas as vezes durante a leitura ele me fez recordar algo que havia esquecido porque não existia mais nas minhas noites, algo que se eu não estivesse lido esse livro na adolescência talvez tivesse esquecido pra sempre aquelas experiências. No “Alquimista” o autor divide com o leitor o exercício da autoscopia.  Eu acho que tentei fazer, mas não tinha muito saco mais pra isso. Depois de um tempo vi que aquelas lembranças eram mais importantes do que tentar fazer algo de maneira artificial promovido por um livro de banca de jornal.

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Roman Polanski com o ator frances Marthie Almaric

E na época que o Polanski me receitou o Ira, já era apaixonada pelo filme “A Dança dos Vampiros” e justamente com essa idade é que eu tinha diariamente essas experiências de saída do corpo. Sinceramente eu achava que isso ocorria com todas as crianças do mundo, falei sobre isso na escola, com a minha a mãe, com a minha avó. Hoje eu entendo que ninguém ali tinha entendido lhufas do que eu contei, gastando o meu latim a toa.

As minhas experiências foram, na soma, agradáveis. Iniciaram passo à passo, com a saída do corpo através da janelinha (tinha mais cara de basculante) e sobrevoado as árvores e a casa com um longo quintal ao lado. Depois o edifício e uma melhor compressão da área do bairro, da cidade e da dimensão do oceano Atlântico até a África, até eu atingir quase a lua. Comecei a ficar com medo quando me dei conta que talvez nunca mais voltasse, havia uma coisa que fazia tudo isso ser possível: o cordão umbilical. Eu achava que era uma corda comum azul/lilás, mas nas lembranças essa distorção um dia se tornou nítida. Com o medo chegando ao meu entendimento também me fez pedir/ me auto coordenar pra que essas experiências de saída do corpo não mais se prolongassem em distancia ou cessassem de vez, e passo a passo elas voltaram a encurtar até pararem pra sempre. a0855570978_16Eu achava que não ía mais voltar porque o cordão umbilical iria rasgar e eu ficaria perdida no espaço. Porém a mais forte lembrança de saída do corpo não foi essa do caminho à lua que ocorria poucos minutos antes d’eu dormir por pelos menos uns 4 meses. Foi uma outra vez também a noite, somente uma única vez, um pouco antes do natal de 1980. Meu pai brigou comigo, com meu irmão e com a minha mae, e nós 4 brigamos e parecia que eu e meu irmão corríamos entre eles, e eu saí do meu corpo e vi a cena tosca em pé na cama de casal, eu me via claramente ali em pé e lá correndo.


Epílogo

Essas experiencias de saída do corpo só podem ser sonho. E os sonhos são reais. E reais ficam as marcas dessas experiências assim como experiências que tivemos de dia e se tornaram lembranças igualmente apagáveis.

Voce deve se perguntar mas como eu via o cordão umbilical, a perspectiva perfeita do bairro do alto. Bem, eu conhecia perfeitamente o meu bairro e via televisão, entao meu cérebro deve ter guardado imagens e silhuetas possíveis de telhados, vistas panorâmicas urbanas, minhas memórias sintonizaram esses arquivos numa única terceira realidade. Por isso alguns chamam os sonhos de dimensão paralela. Outra coisa que além de acessos a livros & jornais com mapas, era o carro. Meus pais passeavam muito, visitando amigos e outras famílias, eu era praticamente uma co-piloto.


PS: Algumas pessoas dizem que o Aleister Crawley quando novo parecia o Macca ou o Paul seria uma reencarnação desse feiticeiro. Particularmente, acho que não tem nada a ver.

¹) Extremistas de direita, que em seus argumentos são claros em afirmar que deve criminalizar mulheres pela prática do aborto, um salário menor para mulheres, ignoram avanços científicos, e muito de asneiras mais.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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