Nao tem musica boa e nem sabem dançar


(5. oktober, kl. 19:01) “Depois de alguns anos eu fui novamente numa balada hétero pra confirmar o esperado: é um porre.

– A cerveja é cara!
– Vc não pode dar 3 passos sem um macho enchendo o saco e homem não sabe ouvir ”não”.
– Ninguém vai cheio de glitter, como também não te param no banheiro pra falar que adoraram sua roupa/maquiagem.
– As pessoas são todas meio parecidas: meninas de vestidinho tubinho, salto e cabelo liso; meninos com o mesmo corte de cabelo, camisa polo, jeans. Cadê os black power? Os batons roxo? As roupas de Lady Gaga?
– Ninguém dança como se tivesse tendo uma convulsão…
– Não toca música pop também não, muito menos: funk, punk & grunge, parei aí.

Resumindo, vi zero vantagens. Nunca mais abandono o lado rosa shock da força. (Do texto original um pouco subvertido)


Pouco depois de ter lido essa passagem na internet segui para um conjunto de escritórios chamado Abysintho. O nome é devido a cor do edifício de um verde claro, muito feliz em sua exposição, seu endereço. A palestrante desse dia era uma mulher que não disse muita coisa nova porém era sem dúvida uma boa ilustração para o que andamos fazendo. Deveria ser mais vezes reforçado por pais, professores para não desistirmos dos nossos sonhos. Mesmo que estes possam parecer imbecis hoje, quem sabe, hão de ser uma grande ideia assim que finalizado, concluído, mutado com o tempo. A hora pra se começar é agora. Algumas dessas frases de auto ajuda que circulam por aí não dizem diferente, só que dessa vez vinha com smørbrød¹ do Osthuset e de graça!

Depois dela veio uma loura, daquelas bimbos que sabem que está na hora de pendurar as chuteiras. Em total despreparo, ela se apresentou e fez um auê com a participação dos ouvintes. O que me lembrou a vez que eu estive no Hard Rock Café de Barcelona. O tipo de lugar que não se bebe mais do que um refrigerante ou vai-se ao banheiro. Eu estava com uma menina chamada Alessandra Rodrigues e sua camarada do curso de nutrição na Gama Filho. Estávamos lá a fim de entender o porquê de tantos brasileiros quererem comprar uma camisa com um nome de uma cidade e o emblema dessa marca. E elas seguiram a tradição a finco.web 3 ok dimensiones

Antes do término da visita ao local, eu já havia me subtraído da companhia delas. Fui pro lado da cidade que mais me interessava. Eu sei o quanto fazer esse tipo de esquema, preferir a solidão do que ficar acompanhado alguém, é meio triste, é meio perigoso. Mas pra mim, qualquer coisa naquele momento era melhor do que ouvir a música do pintinho.

Eu não me lembro quando introduziram essa musica na minha a vida, só sei que nunca dancei isso. E lá em Barcelona, num lugar que se intitulava “HARD ROCK” não seria  lugar que tentaria dançar, mesmo se me pagassem. Lá pararam tudo o que estavam fazendo (servindo as mesas, fazendo comida, limpando o bar, etc…) pra ensinar as pessoas a festejar o cair da noite com a essa canção horrorosa.

Eu via aquilo muito mal (esse hit em qualquer circunstância). A mídia insiste em  incutir o seu gosto próprio a milhões de pessoas veiculadas aquele canal. Há gente que quer advogar a favor dos ricos, dos empresários, dos dominantes e dizer que eles fazem o que o público quer. Duvido-o-dó. Esses sabem muito bem que através do capital que tem conseguem induzir qualquer tipo de gosto a qualquer tipo de gente, e até hipnotizar eles sabem. Gasta-se muito dinheiro pra fazer pesquisa de mercado pra saber lá que uma massa heterogênea se interessa. Contudo gasta-se pouquíssimo pra impor uma conduta, uma moda.

De volta ao Abysintho... Foi de uma coragem tremenda fazer uma palestra num cerco de escritórios com um pé na inovação. Ela não estava só, estava acompanhada de uma outra moca. Essa outra falou menos, menos preparada ainda estava. É capaz de desunirem,  ou se o conceito persistir aí sim, substituíre-na essa morena por uma outra loura igual a que estava a frente do projeto.

Nessas horas fico desacreditada de todos os noruegueses. Vejo muitas similaridades com o Brasil, muita coisa se eqüivale. Tanto no lado positivo como também pra os desesperados sem noção.


¹) sanduiche

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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