Pizza de arenque


No início do final da carreira da minha mae dentro do Banco do Brasil, ocupava ela uma cadeira na cúpula da Eventos, um departamento do banco. Basicamente, tirando o Animamundi em julho, o ano inteiro a economia do banco era dedicada a patrocinar esportes. Como uma bússola ía de encontro aos astros do esporte da moda, como aconteceu uma vez com um tenista barriga-verde¹, o Guga.poema-campanha-banco-do-brasil3

Em uma dessas ocasiões em que os patrocinados viajam mundo a fora, alguém teve a belíssima idéia de recepcionar a volta dos atletas com um comida exclusivamente verde, branca e amarela, pois o dia da recepção caía justamente no dia 7 de setembro. Pela tv eu vi a nutricionista reclamar do desafio e apresentar ao público televisivo a tal das blueberries em algum prato. Blueberry na nossa língua ibérica se chama mirtilo. Aqueles brasileiros ficariam mais contentes com o conhecido grão velho camarada de todos os dias do que a estrangeira e exótica baga.

Dá um certo trabalho fazer coisas novas e estando com fome menos vontade pra novos exercícios nós temos. O que me fez lembrar as minhas observações de costumes noruegueses durante esse último final de semanbrazila. Visitamos Flekkfjord.

Ano passado tive uma surpreendente experiência nessa cidadezinha, a praia mais central estava convidativa e passamos a tarde inteira por lá. A noite ainda com o sol queimando nossos rostos jantei na varanda d’um hotel. Dessa vez estava muito frio pra ach
ar coisas pitorescas com facilidade, a praia por exemplo caiu do mapa.

Estávamos lá por causa de Flekkfjord Cup, que acontece todos anos no primeiro final de semana de junho.  Aqui conta-se que provavelmente deve ser o primeiro final de semana quente do ano, acima dos seus 18 graus Celsius. Não rolou, ficamos com uns míseros 10/13 graus durante o dia e a noite congelamos dentro de sala de aula.

Isso não foi o mais preocupante ou o mais criticado, o que cansou mais a nossa beleza foi a comida distribuída aos participantes do evento. Um cartão com 1 hambúrguer, 1 cachorro-quente e 1 refrigerante; mais um outro cartão com 1 janta e 1 refrigerante esperava por nós. O café da manha além de livre foi sensacional, igual no Brasil ou a maioria dos lugares maneiros sobre a Terra: café, pão, geléias, queijos, frios, frutas, alface & tomate (não conta como fruta porque a gente come no prato salgado) e suco de maca.

A janta escondia uma surpresa no cartao. No cartao de janta aparecia apenas “janta” e nao o prato que iriam servir. Da minha vasta experiência em instituições, aviões, restaurantes, hotéis, escolas, casas de amigos & familiares, e inclusive filmes, surpresa em termos de comida significa extreme sport. 

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rua de Flekkfjord

Foi ofertado uma lasanha de frango e salada de saco (couve e uns graos de milho perdidos) e se voce quizesse teria o Thousand Island sauce pra cobrir a salada. O Thousand Island ficou conhecido no Brasil através do molho especial do McDonald que basicamente é maionese diluída, as vezes apelidado de molho rosé. A dona de casa lá de Long Island que deve ter difundido isso a 120 anos atrás misturou os restos de codimentos mais fortes com a maionese e uns avinagrados.

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A Stabburet é uma das melhores marcas na industria alimentícia entre as grandes marcas que produzem em quantidades gigantescas e usam concervantes. Sem sombra de dúvidas a melhor sardinha em conserva é dessa marca. No campeonato de Flekkfjord nao era essa garrafa mas de uma marca “barbante”2.

garrafona de plástico na tenda de Flekkfjord cheia dos “açúcar”  ignorou tomates e os pimentões usados na receita original. Cá com os meus botões, observava a cor rosa lânguida do produto formar uma caveirinha toda vez que depositavam em cima da lasanha 😛

Um menino que se apropriou do lugar reservado as garotas do time de futebol da Katarina comia bem sua janta, podia jurar que estávamos em 1815 lá mesmo em Flekkfjord e o garoto ao invés de jogar bola, estava trabalhando na industria pesqueira. Depois de um dia exaustivo comia ele o seu sild. A massa super cozida e pré-congelada da janta do meu campo de visão parecia peixe c0050_Sursildom mustarda.

A imagem do garotinho custou a sair da minha cabeça assim como as centenas de pratos a caminho do lixo embora repletos de comida. O que fazia ele gostar daquilo?


Ontem embarquei, ainda no clima campeonato de futebol pra um lugar chamado Fogn. O treinador do Alex muito bonzinho trouxe uma pizza pra galera, embrulhada direto da geladeira. Deveria ter sido uma beleza fresquinha apesar de que tomate ou orégano estarem faltosos. Em alto e bom som meu filho expressou a mais mal educada cena de toda a sua vida de 10 anos incompletos. Comia a contra gosto a pizza fria, fazendo cara de criança.

Se seus antepassados na boa comiam arenque em conserva, agora seus bisnetos comem hambúrgueres frios, pizza fria e cachorro-quente frio bem também.


Fogn vive praticamente do cultivo de frutos e graos. Dentro29432 das estufas estão os tomates, e como tem estufas nessa ilha e nas circunvizinhas.

O governo norueguês subdza fazendeiros que produzam verduras e leite para a nacao comer bem. Os moradores dessa ilha vivem em casas grandes e boas. Nessa comunidade são apenas 300 moradores e eles ganharam a partida de futebol contra o Brodd que vem do bairro mais populoso da província de Rogaland. Até acredito que as crianças em campo, lá de Fogn comam arenque em conserva no seu café da manha periodicamente.

Há diversos tipos de sild (arenque em conserva), o que é basicamente peixe em, ouco o rufar dos tambores, açúcar!


¹) quem é natural de Florianópolis.

²) marcas desconhecidas, sem tradição

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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