Brincar é o meu gol


Tudo que é razoavelmente bom pode vir a azedar, é bom aproveitar enquanto está fresco. O meu grupo literário não é mais um espaço para debater, para desenvolver idéias ou contar resultados positivos de experiências próprias. Eu não sei o que é isso mais e eu não tenho mais vontade de participar. Vou fazer o favor de abrir portas que estão fechadas num outro canto.2116159-close-up-of-old-rotting-strawberries

Em 2011 conheci uma norueguesa de 50 anos. Ela criou um grupo literário privado e dizia muito participativa na cultura brasileira. Logo me mostrou um livro do Eca de Queiroz. Era o livro mais longo desse escritor, que eu adoro. O Eca é português e eu sempre comparei ele ao Oscar Wild, guardemos as devidas proporções & diferenciações.Os_Maias_Book_Cover

 Esse livro é fácil, voce deve entender… -assim ela me mostrou Os Maias…

O Eca é eclético, eu deveria ter lembrado isso à ela. De repente ela só se referia ao tema por ele abordado. Os romances do Eca hoje quando publicados oferecem Nota do Editor, com textos explicativos das infindáveis correlações que o escritor fazia com a cultura geral.

Como outras tantas vezes, fiquei sozinha sem rebater as afirmações dessa mulher. Ela não tem intimidade que pensar ter com a cultura do qual eu pertenço. Com o tempo passou ela a vender a idéia que é a única referência da extensa cultura brasileira, contando saber responder absolutamente sobre qualquer dúvida que “ocidentais” possam ter sobre esse canto exótico do mundo. Além de ser uma situação desconfortável é bastante mau educada.

Eu era apenas uma convidada nos encontros literários, não faco parte do hall dos seus amigos. Um belo dia de inverno veio ela me achar no centro pois sabia que participaria de uma sessão com um ilustrador de Oslo. Após o seminário do artista informava-me ela do seguinte: “você não é mais bem vinda”. Agradecida estava de conhecer melhor Groucho Marx do que mulheres de meia idade provinciais norueguesas

– Normal ser assassinado no Brasil.- uma pérola produzida por essa senhora que baba um ovo grande de um estereótipo muito defendido de modo geral pelos meios de comunicação privados.

A ideia que esses meios se apegam são uma maneira de proteção do status quo bem conhecido pelos países colonizados ou que abrigaram um tempo as forcas britânicas. Talvez isso não seja um espelho do norueguês, ou do norte americano, ou mesmo do português, é só uma imagem de supremacia branca, nazi-fascista que também pode ser ouvida pelos próprios brasileiros (nesse caso, normal ser assassinado ou assassino na favela).


Foi anunciado o lançamento em 2014 de Machado de Assis em norueguês. Nunca havia sido publicado qualquer obra desse autor brasileiro na Noruega. A senhora que vive numa constante guerra de concorrências com outras senhoras que a fez montar um grupo dirigido a um show-off, nunca ouvirá falar no Machado de Assis nem no Nelson Rodrigues ou Plínio Marcus ou Cecilia Meireles e confundiu Mário de Andrade com Drummond. Tirei meu time de campo, igualmente um moleque de rua procura uma nova patota de crianças, querendo brincar com a bola, ávidas pra aprender certos dribles; nossa tá cheio de criança por aí, jogo é o que não falta, quero dizer: brincar é a palavra de ordem.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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