Arcadismo conteporaneo


Há muitos anos eu venho falando a mesma coisa sobre viagens. Existe um padrão que eu sigo que se ajustou, como tudo na vida, através do uso e abuso. Pensei em editar essas idéias. A primeira vez que li um blog sobre esse assunto foi em maio de 1989, os relatos se passavam no ano anterior a publicação.

– Peraí, um blog em 89?

A minha mae achou um desses textos com efeito de blog circulando no departamento dela do Banco do Brasil, ou melhor, alguém achou interessante e mandou pra ela. Um cara que havia viajado com a mulher pra uns 4 países europeus.  A única coisa que eu não esqueço é que ele começava dizendo que mesmo depois de um tempo com a passagem na mao ele NAO ACREDITAVA que estava embarcando.

Esse foi o meu presente de 15 anos uma viagem a Europa. Eu estive e vi os locais que passei a vida inteira vendo nos filmes e livros encontrados no meu quarto. Eu sabia o que eu queria fazer, mas tive que ouvir um monte de coisas desagradáveis pelo caminho.

Uma que vale a pena lembrar é o que um vendedor da Mesbla queria nos empurrar enfocando o medo do frio, respondi com melhor das intenções desse modo:

– Amigo, agora é verão LÁ, a gente não vai usar casaco pesado. E depois as companhias aéreas estão limitando o peso da bagagem.

Essa foi uma das primeiras vezes que passei a dianteira e me comuniquei com a pessoa em serviço. E desde entao fui cada vez mais o braço direito da minha mae em brecar as incríveis peripécias falactóides de vendedores mal treinados.


Esses dias o Dog – um camarada meu – veio anunciar que seu projeto de visita ao velho continente pode vir a se realizar.

– Quando é que tem neve aí?

Primeríssima pergunta do cara, só pode ser um sonho dourado tupi, passado a limpo no filme “Bye Bye Brasil”. A neve e o inverno vem sem agressividade na cidade que eu moro na Noruega, mas isso não é um perfil norueguês. Pra desfrutar lugar com neve rodamos cerca de 50 à 100km – ou seja, uma ida à Xerém ou Petrópolis.

Aqui em Stavanger e outras cidades entre Bergen & Egersund coladas ao mar é a mesma historia, muita chuva, muito frio, muito vento, tipo na Escócia. Isso é matéria de geografia da sétima série aí no Brasil: temperado continental e temperado oceânico. Portanto aqui é o segundo tipo: as temperaturas ficam estaveis e praticamente não há nem verão nem inverno.

Oslo tem neve direito mas eles vivem limpando porque é perigoso. A capital está a mais de 7 horas de carro de Stavanger ou quase 8 horas de trem. O que me fez sugerir a minha amiga Flavia que veio nos visitar em agosto de 2013 usar o trem e dormir o tempo de viagem. Ela pegou uma conexão náutica Copenhagen-Oslo que deve sair em conta porque todos os white-trashs¹ usam. Passeou em Oslo não usou hotel contudo gastou bem nos restaurantes.

Fora do verão deve-se achar neve APENAS nas serras norueguesas. Na páscoa todo mundo esquia, a luz do sol volta a brilhar no país. É importante saber pra quem é do Brasil, no verão norueguês só há 3 horas com brilho das estrelas e no natal só 3 horas com a luz do sol.

Viagens de trens são longas. Eu e meus filhos ficamos meio enjoados porém ficamos mais enjoados de carro. Se oferece café, chá & chocolate quente de graca na classe upgraded ou na cabine de durmir, mas se vc for viajar barato é bom voce levar uma térmica e um marmitéx na classe econômica. Há vagões com quiosques que oferecem sanduíches e comidas locais.

É sempre aconselhável quando se visita um outro país, fazer compras no supermercado para voce achar aquilo lhe convém melhor e evitar pedir isso ou aquilo a um atendente que não quer entender como vc fala. Os sanduíches de pão francês são geladérrimos, são encontrados ao lado do leite e geralmente isso que é ofertado em quiosques também.

102567Existe até (nem sempre) comidas quentes em quiosques de barca ou de trem, mas são comidas norueguesas como fiskepudding (pudim de peixe), Komla (que é uma massa tosca de batata e farinha numa sopa de óleo com carne salgada, não de porco mas de carneiro). Essa iguaria está por tempo indeterminado fora do menu aqui de casa contudo compro essa carne salgada e ponho no feijão. O feijão não é conhecido da maioria dos noruegueses portanto nãokomla é vendido em nenhum lugar. Isso deve se aplicar em todos os países europeus com suas diferenças culinárias.

Outra coisa que se aplica bem é a perspectiva cultural que resume esse blog que tanto se estende. Para um norueguês ou qualquer outro europeu tanto do lado ocidental ou do lado que a 25 anos atrás fazia parte dos países sombreados pela cortina de Varsóvia, uma estadia maior que um ano na Floresta Amazônica é muito bom para a saúde do seu CV. Ao contrário, nas mesmas proporções, aqueles que se estabeleceram nesses países ditos desenvolvidos por um longo período ao voltarem para o Brasil são até beneficiados.

O problema são os arcadismos². O último blog que eu li de uma brasileira em terras germânicas, falava que lá tudo funciona belissimamente. O que me fez desconfiar. Na Noruega ou na Alemanha pode ter um sistema premiado mas ele não é perfeito. Morre gente na mao de malucos também. E se voce é um imigrante o sistema não flui igualmente pra voce, com exceção dessa blogista tupiniquim.

FrozenO filme Frozen, que tanto faz a cabeca da filhinha do Dog é um arcadismo conteporaneo, esquenta o turismo norueguês. No filme Rio não aconteceu isso, apesar de quem conhece a cidade achar que o filme é uma boa janela pra esta. Já o filme da Disney que artisticamente explora bem a cultura norueguesas peca quando constrói um castelo de gelo. pra achar castelos na Noruega, só existe o Palácio real em Oslo. Existe uma diferença fundamental entre palácios e castelos…Rio-the-movie


¹) Pessoas brancas, possivelmente de países com maioria branca e protestante aonde seu comportamento interfere negativamente na propaganda que tem se feito da população caucasiana no planeta Terra em ter melhor resultados em educação, saúde & economia. White trash fogem a essa regra, eles comem mal (abalando sua saúde), se vestem mal (a mais notória forma de identificação econômica) e não são exatamente  doutores em nada.

²) Que vem da Arcadia. Essa palavra pode ser encontrada em outro texto. Era o local na literatura & pinturas barrocas que voce vê a mocinha pastoreando com a ovelhas no por do sol. Onde as frutas eram suculentas, as roupas confortáveis e o cabelo limpo. A realidade do século XVIII e das pastoras era outra.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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