O vovô viu o vulto


Se voce for analisar bem tudo o que eu escrevo irá perceber que pontualmente todos os textos carregam sempre o lado, ou dado, ou melhor, o fardo religioso.

Muitos romancistas, advogados só se tornaram o que se  tornaram por causa da instigação a escrita e leitura que vinha naturalmente como bonus nos seus hábitos religiosos. Contudo uma grande parte desses que sofreram uma assimilação religioso estipulada por predecessores acataram suas práticas pelo MEDO que os dogmas de cada religião propõe. Quem tem medo ensina a ter medo.

Um estudo publicado na “Direções correntes da ciência psicológica”, um jornal da Association for Psychological Science, fala sobre issoA teoria da seleção natural também estaria envolvida nesse processo, favorecendo-nos ojerizar criaturas perigosas. (…)article-2197099-14CC23C2000005DC-50_634x432

Numa série de experimentos, estudiosos mostraram à crianças de 7 meses de idade dois vídeos. Um de uma cobra e o outro algo não ameaçador. (…) Os bebês passavam mais tempo olhando para os vídeos com animais peçonhentos. (…)

Pesquisadores sugerem que aprendemos a ter medo muito rapidamente. Na pesquisa com bebês e crianças pequenas o medo aparece no início da vida, mas não é nato, uma vez que as crianças pequenas não tem medo de nada!

Mas quem lidera a lista de fobia não são animais venenosos. As pessoas admitem ter mais medo de algo que elas não podem explicar: como fantasmas.fantasma 

Na Mitologia Grega e depois na sua continuação com os etruscos, se atemorizava seguidores. O medo da mudança expontânea de idéia dos Deuses, da quebra de sigilo de um contrato com o Olimpo, da ira sem aviso prévio, até mesmo de um semi-Deus. Isso continuou na mao dos cristãos e com o tempo eles incrementaram esse jogo. Imagina vocês que geração após geração o mesmo exercício de intimidação e molestacao psicológica contabiliza hoje mais de 3000 anos e 50% da população mundial.

Como mencionara antes no texto Macabro fim de uma família de fazendeiros bávaros, crianças do meu prédio queriam achar autoconfiança através nesse exercício de intimidação. Uma viera com o papo assim:

– A minha tia vivia vendo, desde de muito pequena, um vulto verde.

– Deve ser alguma planta pendurada na casa dela, um vidro que reflete verde na parede, uma presilha de cabelo que escorre da cabeça. Qualquer coisa pode virar vulto, nao temos um campo de visão muito desenvolvido como pensamos – Eu já dava um monte de palpites, não pela minha incredulidade, mas pela minha vontade de mostrar conhecimento disso ou daquilo (como se isso fosse algo de bom – eu era realmente muito naif pra entender que isso não é popular). E por acaso histórias de terror sempre me fascinaram. Acabava por deixar meus ex-colegas de prédio e escola um tanto desapontados por não obter o desejado temor meu.

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do filme Le Diabolique de 1941

– Não, o avô dela foi enterrado com um terno verde. Depois de muitos anos ela descobriu isso…

– Ok. Entao ela deveria ter presenciado o corpo dele sendo velado e seu inconsciente nunca esqueceu. Que ano foi isso?

– Antigamente. O que é “velado”? Ergh, Flavia, voce é toda Freud


Quando eu era bem pequena e morava na Penha, achava que sentia presença muito nítida das pessoas se por exemplo alguém estivesse dormindo no quarto ou escondido trabalhando com suas ferramentas no área de serviço. Presença nítida das pessoas vivas, existentes, mesmo que não as vissem. Culpava a uma espécie de som. Ainda hoje tento estar com essa atenção. Alguns diriam que é uma espécie de cheiro.

7574919076_d5cfa93cc1_cUma vez andando do lado da Domkirke; a Catedral de Stavanger, com a Katarina no carrinho de bebe, num dia como de hoje, abril, frio, os primeiros raios de sol cortando a arquitetura e paisagismo do centro; alguém começa a andar do meu lado e vai se aproximando, tipo chegando meio perto demais, eu me virei pra soltar os bofes na cara do estranho, só podia ser um viciado em heroína ou um velho senil. Não havia ninguém. Olhei o outro lado, ninguém. Atravessei e aquele vento quente, pareceu dissipar instantaneamente. Quente como houvesse mesmo alguém de carne e osso do meu lado num instante. Olhei novamente a rua Klubb a visão lateral da igreja e a árvore imensa, nenhuma folha caída, elas estavam nascendo. Nunca entendi isso. Foi um susto bobo e rápido, que passou batido. Hoje identifico o caso como um presente, uma benção, uma experiência exclusiva. Quotando Hendrix: “Voce já passou por isso?”

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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