O legado de cada dogma


Sábado eu tive numa reunião do clube literário. O tema era liberdade de expressão contudo desviávamos as vezes o curso para outras questões periféricas, mais abertas de serem analisadas, uma dessas era a cultura de cada lugar, em que ponto chegaram, pequenas demonstrações de hábitos, etc…

Nesse momento não submergiu a idéia da aculturação de outras partes do mundo, no qual grupos religiosos insistem em tapar órgãos sexuais das tribos que moram nas regiões mais quentes do planeta. Ou empresas multinacionais que querem implantar seus produtos à outras culturas desconectadas desse consumo.

As roupas, a forma de comer estão intrinsecamente ligadas a região que nós habitamos. Essas também dao um roteiro de quem são os povos antecessores do mesmo sítio. Muitas das vezes as pessoas não sabem dizer o porque disso ou daquilo nos seus hábitos, o jeito é repassá-los como “boa sorte”, “finura”, etc… e as vezes como parte da cultura religiosa, temente à Deus.bolsa

Daí eu surpreendi meus camaradas do clube com o fato que muito diferente da Noruega e outros países no norte da Europa, no Brasil nunca se encontra bolsa ou mochila no chão, pelo menos no Rio. Se houver, logo a pessoa dona da bolsa é chamada a atenção. Porém, apesar de como foi me ensinado, isso tem uma finalidade na verdade. Voce já percebeu que a maioria das pessoas, principalmente as mulheres usam roupas de tons claros em países quentes? A bolsa por mais, que tradicionalmente, seja revestida de materiais próprios para suportarem o chão e suas sujeiras podem carregar essa sujeira do chão para sua roupa. A sua roupa que é leve e que protege vc. Nos países frios, as roupas em sua grande maioria são confeccionadas com tons escuros e quando carregamos bolsas ou mochilas há pelo menos 3 camadas de roupa entre a nossa pele e a bolsa.hijab

E por isso mesmo, sempre quiz buscar uma boa explicação pela tal da burka. Se voce observar mesmo os homens são acrescidos de tecidos por volta do rosto e do cabelo em países mulcumanos. E qual é a paisagem que predomina nos países mulcumanos? Tirando a Indonésia & Bangladesh, maioria desses países são áridos.

Isso foi logo descartada sem qualquer segundo julgamento pelo o meu grupo. A questão da burkha é um ato de supressão da mulher que prevalece na ignorância de certas seitas islâmicas.

É certo encontrar tanto na Bíblia como no Corao a valorização da simplicidade, negligencia com a “sofisticação” e principalmente o “luxo”. Que tanto quanto as religiões ou os desenhos ou textos dao conotações diversas a quem estiver interpretando. Muito interpretam ao seu gosto, o que é muito ruim.

“O Prophet! Say to your wives and your daughters and the women of the faithful to draw their outer-garments close around themselves; that is better that they will be recognized and not annoyed. And God is ever Forgiving, Gentle.”

— Qur’an, Surah 33 (Al-Ahzab), Verse 59 (tirado da Wiki.)

Recognized, reconhecida.freira1 As freiras são reconhecidas e se a idéia é não perturbá-las, falhou. Em 1993 eu li um livro muito legal, francês, um sucesso de supermercado, aonde entre várias cenas de acao, um drama menor, meio isolado do contexto principal do livro me chamava a atenção. O nome do romance era “Ana dos Lobos”. No romance o irmão da heroína fora deixado num claustro no lugar dela. Ele cresceu eunuco porque um lobo havia atacado ele bebê. Ele era uma freira como outra qualquer, sua indumentária ratificava isso.

A indumentária das freiras que as protegem das adversidades do tempo não as protegem contras os homens. E essa pobre criatura só entendeu que era um eunuco quando iria ser estuprado.

Ora, se os islâmicos nessa nossa determinada era estão tao ignorantes as mulheres do qual são filhos, são pais, são irmaos; o que dirá aos outros povos, outras culturas, à sátira como forma de comédia, a arte dentro do pensamento e comunicação? Viver num universo desses onde tudo é mal julgado, inclusive amar, tende-se a se esconder mais. 

Os mulcumanos estão vivendo o que já foi parte do cenário europeu entre os diversos tipos de povos daqui. Portanto cai por terra, o fato de que cobrir o corpo é por causa das adversidades temporais. Näo é tanto.14centru As mulheres europeias, principalmente das camadas sociais altas durante a idade média foram alvo de indumentárias disciplinares, como a burkha e os véus. Mas houveram outras coisas, que eu vi no dia 2 de janeiro deste ano quando eu visitei o Museu de História Cultural em Oslo. Lá se exibe uma jóia feita de ouro maciço que limitava a mulher de falar. Aparentemente os estudiosos estão mais preocupados com a produção disso ou daquilo com ouro nas regiões que se encontram as pecas. Ou seja, só querem ver  o avanço tecnológico dos povos.

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A péssima foto disponível no site do Museu de História Cultural de Oslo com certos artefatos feitos em ouro da era Viking.

A grande diferença entre a Idade média e a nossa é a longevidade das pessoas. A(s) mulher(es), dona(s) daquela jóia eram novas. Seus maridos tinham idades que oscilavam entre 17 e 35 anos. E essa galera toda vivia em média 35 anos, 32 anos homens, 41 anos mulheres, aqui na Noruega, na baixa Idade Média.

Eu, dos 9 aos 11 frequentei o curso de primeira comunhão, lá ouvia estórias de todo tipo ligadas a maneira católica.  Numa idade ávida para aprendizagem e sem qualquer embasamento real do que foi feito nas cadeiras de ciências, arqueologia, artes, literatura & filosofia. Um dia lá perguntei à orientadora como poderia desenhar Deus. Ela falou que não se desenha “Deus” porque o homem não teria capacidade de olhar diretamente pra ele (entao não saberia reproduzir algo que nunca viu). Ele seria uma energia infindável, a forca do universo, etc.. Achei tudo muito bonito todavia passei a rever nos meus livros como os artistas clássicos quebraram esse desafio. Tanto nas ilustrações toscas do libreto da Santo Afonso como na Bíblia do meu pai cheia de pinturas barrocas e ecléticas Deus era basicamente a luz da manha coberta de stratus cumulus.

Cristo foi retirado de cena durante a Reforma, pois Jesus é o filho de Deus, se reproduzir Deus é blasfêmia obviamente Jesus também. Por mais que os mulcumanos cultuem com todo seu amor e suor o grande profeta Maomé, nunca ouvi ou li eles se referirem a ele como o filho de Deus.

Muito bem, esperava encontrar igrejas norueguesas limpas e ver um pre Minimalismo. Pelo o que observei nesses 12 anos que moro em Stavanger e todas as cidades que percorri pelo país houve sim um imperialismo estrutural na moda decorativa, ou seja, era clean e austero até chegar o Rococó que coincidi com auge das exportações e importações em Bergen.

Ainda perdura bastante a simplicidade. Muita gente não sabe me dizer e culpam a cultura, a herança cultural. Essa herança da religião luterana, da cultura germânica que aqui bem predominava antes da fase hanseniana de prosperidade.

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“A criação de Adao” de Michelangelo datado de 1512. Deus cercado de anjos reproduzindo o cerébro humano. O humanismo em toda sua glória, realçando uma idéia do qual eu também divido que deus é apenas uma conotação para a mente humana.

Enquanto os mulcumanos não se atentaram em reproduzir a forma humana de forma alguma, se tornaram os mais geniais na matemática também como expressão artística. Suas catedrais são as mais ricas em padrões ditados pelos dogmas criados pela álgebra & geometria.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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