Vamos falar de estética


A escola de samba iria achar o máximo se descolasse um organizador de eventos com o Portela de sobrenome. No cartão de visitas se cortaria um mocado, deixando tudo clean e ampliando o Portela, eventos e estéticas das alas, uau!

portela “Escola” da escola de samba, que eu sempre achei muito legal, é um grande ícone da nossa maneira de se comunicar no Rio e entender além. Escola pode ser: gueto, grêmio, linguagem, clube, irmandade, etc… Um nome ótimo que pegou bem.

O que pega mal é o samba ter perdido o seu lado malandro e contra cultural. Está chato e tudo parece igual dessas infinidades de escolas. Todos os estilos de artes tem suas trajetórias parecidas com oscilações do contra e de reacionarismo. Quando o  homem velho sentadão no seu sofá tá gostando de uma certa linha artística, alguma coisa deve estar errada com essa linha artística.

– Na boa, como alguém consegue curtir Bon Jovi, Skid Row, etc… É o lixo do lixo (…).

Um outro completa:

Rock Farofa! ainda tem Extreme, Poison, Mötley Crüe, Firehouse…

Cara, não posso afirmar com 100% de certeza mas tenho as minhas teorias… Boa parte das pessoas que gostam de um determinado tipo de estilo de música, que pode ser também de literatura, roupas, comida, política, etc; estão subordinadas ao grupo que pertence. Ninguém quer se isolar.

Devo lembrar aos leitores menos esclarecidos de estilos de rock que o Hard rock existe tempo I e tempo II, como em quase todos os gêneros artísticos, tempo I são boas misturas, tempo dois: imitações baratas do tempo I. As bandas do tempo I que não foram exatamente classificadas como Glamour rock ou Punk na primeira metade da década de 70 são hard rock, já o tempo II é considerado pela industria como o ápice, porque vendeu mais (eram mais “fresquinhas“¹) e focaram quase que exclusivamente numa atitude: a liberdade da expressão sexual. Uma cacetadada de bandas só se expressaram sexualmente e todas de uma forma industrial tiveram seus hits lentos e românticos dedicados à arte da sedução.

– A mulherada curtir eu até entendo... Mas um HOMEM, gostar de um lixo desses!?!! – Cá pra nós, um comentário meio-totalmente chauvinista.

Meninas rebatem assim:

– O que mais tem é homem que curte.

Paulo Ricardo encrementa:

-Se depender de só escutar música tocada por homens heteros, vamos ter que parar de ouvir a maior parte do mundo rock-pop. Isso me lembra um outro post, sobre o Rush. (…)

A arte pop está muito presa ao pequeno espaço de tempo que ela pertence. O século XX criou isso, afinal passamos a industrializar tudo e tudo tem um tempo pequeno de vida para ressuscitarem no terceiro dia como artigos novos na prateleira para nossos corações tao efêmeros.

CanadianComposerJan1975
os simpáticos do Rush

Eu adorava o Rush e os Smiths nessa época aí que essas bandas toscas tanto faziam sucesso. O Rush foi hard Rock e evoluiu pra um outro cenário Eles expressavam o bodear juvenil e baixa auto-estima. Quase o mesmo tema do grunge. Os Smiths são poéticos e classê, se voce tem pouca vontade de mostrar sensibilidade, eles não são sua praia.

Pouca gente falou do mesmo modo, de uma maneira tao cool de algo tao forte. Agora não se perca quando eu falo das letras porque o riff de guitarra e o ritmo da bateria estão envolvidos, só não sei explicar verbalmente – pare todo o resto e ouca dançando é o meu melhor conselho sobre musica.

– Um ACORDE dos Ramones é melhor que a obra completa dessa trupe toda.

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Queria descer o calao mas acho que nem preciso… Reparem a camisa do sujeito…

Outra parada que vem da contra cultura, dos guetos, das prisões, dum mundo incivilizado era a bandana. Uma pequena alegoria visual que nos anos 80 todo foi coletada por uma série da bandas de diferentes estilos de musica como a mais fundamental aquisição visual. Nos anos 90 nao foi diferente, rapers usavam sinais com as maos “West side – east side de L.A.” Posso afirmar que mesmo pessoas antenadas nao entendem nada desses símbolos com as mãos.  Todos esses sinais foram códigos de criminosos ou criminalizados em tempos anteriores a moda. Veja mais sobre isso aqui.

As pessoas não são inertes, elas modificam, evoluem e na palavra do Raul são uma Metamorfose Ambulante, acho que ele queria dizer que é ser mais humano viver mudando… Na minha linha de pensamento considero uma relação bem sucedida quando ela ultrapassa a barreira dos 7 years ichty. Pense na possibilidade que podemos ter com relações de 8 anos nossa vida inteira?

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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