Padrões


Eu e meu irmão em uma época das nossas vidas dividíamos interesses juntos, descobrimos um certo estranho por nomes. Esse negócio de obter fascínio sobre um determinado tema é porque parece dar sinais à respostas de certos mistérios de todos os dias. Eu e meu irmão, freqüentávamos a mesma escola, tínhamos um grande número de conhecidos tanto do edifício que morávamos, como no colégio que estudávamos e praticamente tivemos os mesmos professores, víamos televisão juntos, tínhamos uma infinidade de livros que como já mencionado no post A biologia de cada um, respondia melhor nossas dúvidas sobre nossos novos interesses.

Wilhelmina_of_the_Netherlands,_1909
Wilhelmina of the Netherlands, 1909

No verão de 1992 para 93 meu irmão passou uma temporada em Cambridge, de lá voltou com um livrinho¹ pequeno e grosso. Nele se encontrava nomes para batismo bem usados da língua inglesa, aparece também nas suas modalidades das outras línguas, por exemplo: Willian é Guilherme nas línguas ibéricas, Guilhermo no italiano e Vassili em grego. Quando eu aluguei uma quite na Rua Rainha Guilhermina no inverno de 2011, traduzia para a mae do Sverre como Wilhelmina dronning gate, para ela não se assustar com o nome do lugar em português, que na verdade é bem diferente do original em holandês desse vulto histórico.

Nesse livro de nomes também aparece nomes como Julio Cesar, Scarlet O’Hara, Catharine the Great, etc… aonde ao pronunciar seu nome é possível que as pessoas que vc irá conhecer farão essa correlação com os famosos, como é o própria caso da rua com a realeza holandesa. E eu acho que foi exatamente o que fez o meu irmão comprar esse livro que sempre foi um sucesso entre nossos amigos.

Um par de anos antes na turma do meu irmão havia um garoto chamado Montgomery, ao saber da existência dessa pessoa com esse nome meu pai pulou da cadeira e já exaltado parecendo querer finalizar o jogo Detetive com o desvendo do local e da arma do crime, ele conjeturava:

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General Montgomery

O pai desse garoto deve ser militar, porque na grande guerra teve um famoso general britânico com esse nome.

Nós nunca ficamos sabendo qual era o verdadeiro motivo do nome do garoto ser tao escroto, mas era bastante plausível essa explicacao do meu pai. Apesar que eu dei meu palpite que havia uma infinidade de outros Montgomerys meio famosos nos países de língua inglesa inclusive muitos militares reconhecidos, era só um sobrenome comum, nessa época mesmo havia até um desenho animado na Manchete com esse nome…

A criatividade sempre foi um dos maiores dons dos brasileiros. Mesmo o homem comum, com pouca instrução se mete a querer resolver coisas através da criatividade, ignora barreiras e mete o pé… na jaca. E se antes pessoas mais simples tinham que tirar agua da pedra pra achar um novo nome para o seu quinto filho, depois da televisão seus problemas acabaram. A cultura Tabajara de dublar filmes e expor os nomes estrangeiros, dava um leque de novas possibilidades para solucionar o batizado.

Mas isso não é um fenômeno depois da cultura de massa. Antes disso os trabalhadores que se envolviam com trabalhadores dinamarqueses ou ingleses pelo Brasil afora viriam a batizar os nomes dos seus filhos com os nomes dos seus camaradas de oficio. O meu bisavô bem fez isso batizando o seu último rebento de Juvel. A minha avó disse que por acaso ficou sabendo que o pai dela tinha um chefe estrangeiro na Light e dele saiu a idéia para o nome do seu 6 filho. Juvel na verdade é uma palavra norueguesa, o significa “jóia”. Eu sempre gostei do nome do meu tio-avô e acho que combinava com ele.

E no meu último ano no Sao José acompanhada de alguns camaradas resolvemos ver se há um livro parecido na biblioteca – que era muito boa, nível universitário –  que listasse os nomes brasileiros. Achamos uma referencia literária única, nessa listava nomes proibidos pelos notários, nomes rescritos erroneamente pelos notários, nomes que os notários deixaram passar e se tornaram manchetes. Lá representados estavam, um que meu pai havia sempre mencionado e eu não acreditava nessa loucura achando que era só mais uma comédia sem graça da mídia brasileira,  um cearense tentou registrar o nome do seu filho como 1,2,3 – oliveira4 e o menino  chamado Morango que em 1989 eu e meu irmão conhecemos num café de Madrid.

Em Portugal como nos EUA levavam muito a sério esse batismo pra manter as suas culturas religiosas e a língua oficial desses países mesmo com a presença de índios, negros e imigrantes. Com certa eficácia,  fizeram com que estes adaptassem seus nomes diferentes da cultura crista pelo homem representante do governo ou o pároco local. Nos filmes de máfia, por exemplo, aparece o italiano Antonio sendo chamado de Antony. O índio que antes tinha um nome na língua dele que significava algo da natureza teve que adicionar o Joseph ou John. Nessa semana conheci um português que nasceu na Rodésia, lá ele era Steve, em Portugal teve que mudar para Estevão.

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MPB-4

Essas leis não caíram, mas abriram possibilidades pra mais nomes, como Ingrid ou Siddartha em Portugal de uns anos pra cá. Aqui voce pode avaliar a lista que eu não consideraria longa Vocábulos dos nomes admitidos. pois “é muito nome de gente com muitos significados, tem muito nome a gente” já dizia o MPB-4. E por exemplo os nomes de 2 tios-avós ambos brasileiros não são listados aí, nem Juvel, nem Prócoro. No Brasil houve mais liberdade pra esse tipo de coisa.

Nota-se nesta lista, provavelmente nos EUA deve ter ocorrido de forma similar, alterações para assimilação de culturas que só vieram a ser aceitas pelo governos e autoridades religiosas na década de 60, mais precisamente depois do ano de 1966. Por quê?

De forma generalizada a emancipação feminina, o desacato juvenil & os direitos trabalhistas (!) só são atribuídos à televisão. Pelo contrário, se atentem, isso é pura propaganda. Os próprios Beatles são muitas vezes mencionados como os grandes catalisadores do século. Felizmente não gosto de culpar toda e qualquer modificação social aos meios de comunicação ou a arte, pois existe um lance que me deixa bem cismada. O Vaticano promugou em agosto de 1966 uma lei canônica que extinguia qualquer clérigo da obrigação de ter de usar o hábito em absolutamente qualquer atividade. Jogar futebol, viajar ou fazer pão estava lá o seu padre com a batina preta.footbol catholic

Ora, se o setor mais conservador e mais influente nesse sentido abre mao para as mudanças, é natural que o meio termo dessa gente toda boco-moco adira ao apelo daqueles saídinhos que buscam revolucionar.

O papa Bento XVI que reinou no Vaticano de 2005 à 2013,  assim como seus predecessores, é contrário à ordenação de mulheres e defende a moralização como melhor forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, condenando o uso de preservativos em qualquer instancia. Ele também nem sequer pensou em passar qualquer corretivo em seus sacerdotes norte-americanos acusados de pedofilia nos anos 60. Ele era da área conservadora da igreja, completamente apoiado nestas opiniões por todos os setores de toda a igreja em sua época. Muito natural ele está no topo da hierarquia.

O papa atual mostra ousadia manifestando uma aceitação e respeito à grupos marginalizados pela igreja como os homossexuais. Quando ele era bispo em mi Buenos Aires querida não era assim tao prafrentex. Essa mudança em Roma era eminente, até parecia que o papa alemão revogaria a lei da batina e se isso realmente ocorresse não posso visualizar que tipo de regresso o mundo responderia. Já é tao difícil sonhar com um mundo sem fome e sem guerras.

Obs: Prócoro é do grego, mestre do coro. Esse meu tio-avô era contador nos Correios e nunca se casou. Ele era o filho mais velho, comecou a trabalhar sedo e cuidava da sua mae viúva, morou na Tijuca quase a vida inteira. Eu acredito que seus avós que escolheram esse nome pra ele, pois seus pais eram muito novos pra ter uma idéia dessas, a mae dele tinha apenas 14 anos e seu pai 18 quando ele nasceu. Contudo ficou conhecido pelo apelido de Zinho.

¹) O livro está comigo agora em Stavanger. “First Names” da Diamond Books, 1993.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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