Assédio e meios


Um ex-vizinho recorda: “Da incrível quantidade de pessoas com graves problemas mentais e cegos à sua anormalidade. Estes são problemas de depressão, bipolaridade e outras desordens que tornam muito difícil a coexistência com outros. Deveriam usar algum tipo de tratamento …

Ele também indicou ter cuidado ao selecionar as pessoas que você pode se aproximar. Evite idiotas, tolos, pessoas não confiáveis, arrogantes, viciados em drogas, bêbados, teimosos, hipócritas, pessoas que podem causar desperdícios, com energia negativa ou violenta, aborrecedores e pessoas sem coração… “Eu tô fora…”- concluiu.capa_books

“Viva a vida com simplicidade e cultive uma energia positiva, reavalie suas ações constantemente e se sinta feliz quando você fez algo bem calculado!!”. – Assim ele prega. Como podemos fazer o julgo? Abrir os olhos – se diz popularmente. Meus ou seus.

Evitá-los… Como você pode evitar um pai? Ou um colega de trabalho? É talvez a realidade para um grande número de pessoas… Somos infelizmente produto do meio que fazemos parte, seja este mais ácido ou básico.

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apenas com o pretexto ilustrativo

Na segunda-feira eu “conheci” (me esbarrei via internet) com uma garota que toca numa banda. Ela é uma “estrela”, exuberante, um tipo Latina, meio dark com um apelo sexual em roupas mais decotadas que o usual desse tipo de tribo. E ela também é uma estudante de medicina. Sua cultura na música é um pouco mais profunda que a média pois taí representando uma cena cultural forte.

De repente a menina que parece tão bem engrenada na vida, feliz, cheia de compromissos e metas, pediu uma ajuda. Ela tem um stalker.

Muitos de seus conhecidos entenderam como algo passageiro, bobo. Eu já parto do princípio que nenhum assediador é inofensivo, eles estão em um processo de investigação da sua vida privada, invasão e obstrução do seu tempo livre com objetivos como perturbar sua vida social e modificar a sua conduta.

O perfil do assediador é o oposto do dela. Ele provavelmente é de um gueto qualquer de uma cidade que ela nunca irá cogitar visitar. Seu vocabulário é pobre e a ortografia terrível, o que fez o grupo de pessoas chocadas com a atitude aberta dessa sujeito concordar que a pessoa tem apenas o ensino fundamental ou talvez até menos em uma escola ruim.

O ódio do cara ultrapassava as emissoes ruprestes da internete. Não por ela, mas o que ela está representando socialmente. Deu medo. Testemunhei o pequeno troca-troca de mensagens que um monte de outros amigos dela manifestaram ao sentirem a mesma angustia pela presença desse cara nesse meio base. Um contraste, via-se claramente o choque da alfabetização e do semi-analfabetismo, da regularidade da vida servida com educacao e do caos dos marginalizados, gente que mostra uma raiva transitória do asco e nesse antagonista vicerava um apelo. Apelo que é uma palavra muito boa, mais calma pra pedir socorro.

Entre todas os adjetivos positivos incontáveis que essa moca tem, ele estava as voltas com a cantada-na-ruaidéia de homossexualidade. Entenda que a homossexualidade denigra a garota, mas numa mentalidade tosca é o que se pode usar. Ainda existe muita gente nao entende paul newman (paul newman usado como referencia ao termo porra nenhuma).  Não procurei confirmar nada mais sobre a moca, mesmo porque ela é justamente a vítima desse alguém. 

Simplesmente ele não admite isso, com isso se oferece como (atenção para o rufar dos tambores para preparar o seu coração do baque do que virá) o futuro homem, futuro MARIDO!, insistentemente. Nesse instante, suspeitei de que ele pode estar associado a algum tipo de igreja (tudo acontece mais rápido que consigo descrever). Eles estão pregando agressivamente nos últimos anos contra todos os que visivelmente tem uma vida invejável.

Essa garota já deve ter visitado muitos lugares no Rio com a população mais simples, mas o cara ali, não era nem desse estado, era uma juncao surreal esses 2. Eu por exemplo, já visitei 4 vezes as favelas que cercam os ricos bairros do Rio de Janeiro. Uma coisa é visitar uma favela ao lado de uma sociedade esnobe como em um bairro de Londres ou Paris e outra coisa são as favelas nos bairros mais simples mais distantes da cidade do Rio, onde as pessoas e o urbanismo são como as cidades pelo de leste Europa.

Essas favelas nos bairros mais ricos estao mais acostumadas, nas melhores das análises, a receber turistas, voluntários, estrangeiros de todos os tipos, incluindo acolher  residentes temporários de cantos mais civilizados do planeta, do que aquelas favelas distantes.

A primeira vez que visitei uma favela foi para usar uma trilha que eu pudia ver da minha janela. ISSo foi nas férias de verão de 1992/93 de dia. VIa pessoas caminhando lá, apenas pessoas da favela. Um camarada meu, disse que poderíamos subir, ele já havia visitado com muitos outros camaradas que já conhecíamos várias vezes, indo a floresta, ir ao baile funk, e até escalou até a casa do bispo. Passamos por aquela casa que parecia ter fugido de uma pintura rococó, devia ter sido uma antiga casa de fazenda. Localizava-se sob grandes árvores, a via isso mais ou menos de uma distancia de 500 metros todos os dias da minha vida durante os 20 anos que vivi na Tijuca. Lá repousava fora dessa choupana, a maior porca que vi na minha vida, sem brincadeira, era maior do que um cavalo, ok, eu não sou nenhuma menina da roca, talvez fosse normal tamano da leitoa, porem parecia anormal para mim. Algumas galinhas corriam soltas em volta do casebre e uma cabra estava calmamente comendo grama, amarrada com uma corda. Nunca mais voltei a esta trilha.19849057_10211470888946805_1345964255_n

A segunda vez, foi 2 anos depois disso, com o mesmo vizinho. Alguns dos nossos vizinhos planejaram ir a uma festa no campus da Estacio. Queria ir para outro lugar. Nosso vizinho que tinha um carro antes prometeu me levar a zona sul, mas antes foi comprar cannabis na favela que era atrás do campus universitário. Nos  direcionamos a favela, não subi, mas coloquei meus pés no que eu chamaria de área de recepção. Eu sei que vocês estao pensado assim poxa que mao na roda! Mas era uma cena surreal, saímos de um lugar bem mantido com edifícios, lounges abertos, jardins, excelente iluminação para talvez uma das imagens mais terríveis do meu arquivo de memória, um canto muito triste de urbanismo mal e precariamente infraestruturado. Eram apenas paredes, alguns metal soltos e expostos, materiais reutilizados, nenhuma vegetação ( é ainda mais triste em pensar que se tratando do Rio, aonde o sol e os chuvas existem por todo o ano, nao existe TRABALHO para um verde vingar), o chao era uma completo desastre. Escuro  se localizava exatamente ao lado dainstituicao de ensino privado.

Em um sábado caótico em 1998, ouvimos a notícia de que havia um enormeengarrafamento no túnel da Zona Sul para São Conrado. Meu pai não pensou duas vezes, “vamos pela Rocinha”, disse ele. Nós comentamos no carro muitas coisas, como seria sensacional se as pessoas pudessem viver melhor. As pessoas vivem lá em um lugar fabuloso, como arquiteta e urbanista vejo que eles vivem precariomente. Não porque eles escolheram viver precariamente, mas por causa de uma série de filosofias prostituídas que este país opta se aliar, os fez escolher uma solução que funcionasse dentro dessa sociedade. Encontramos o engarrafamento novamente no meio do São Conrado.23244138_1875068822520498_3451844431501120415_n

Pouco menos de 10 anos atrás, eu tive que ir à barbearia com meus filhos. Odeio gastar dinheiro com este tipo de serviço, e desde que meu pai estava morando  no Recreio, perguntei se ele conhecia um barato. Ele disse os mais baratos apenas se encontram no Terreirao. Então fomos lá e encontramos 2 barbeiros, lado a lado, ambos eram super cafonas para mim. Aquele que veio primeiro a me receber, eu entrei. Terreirao parecia um bairro americano normal de baixo custo que se pode ver desda Califórnia até Buenos Aires. Se multiplicam nesses complexos urbanos muitas boutiques com padeiros, tatuadores, vendedores de doces, coisas de praia, pubs, e apartamentos sobre esses empreendimentos comerciais, aulejos de todos os tipos protegendo as paredes e chineses perdidos.

 

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990, mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho de Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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