Assédio e meios


Um ex-vizinho recorda em novembro de 2014:

“Da incrível quantidade de pessoas com graves problemas mentais e cegos à sua anormalidade. Estes são problemas de depressão, bipolaridade e outras desordens que tornam muito difícil a coexistência com outros. Deveriam usar algum tipo de tratamento …”

Ele também indicou ter cuidado ao selecionar as pessoas que você pode se aproximar. Evite idiotas, tolos, pessoas não confiáveis, arrogantes, viciados em drogas, bêbados, teimosos, hipócritas, pessoas que podem causar desperdícios, com energia negativa ou violenta, aborrecedores e pessoas sem coração… “Eu tô fora…”- concluiu.capa_books

“Viva a vida com simplicidade e cultive uma energia positiva, reavalie suas ações constantemente e se sinta feliz quando você fez algo bem calculado!!”. – Assim ele prega. Como podemos fazer o julgo? Abrir os olhos – se diz popularmente. Meus ou seus.

Evitá-los… Como você pode evitar um pai? Ou um colega de trabalho? É talvez a realidade para um grande número de pessoas… Somos infelizmente produto do meio que fazemos parte, seja este mais ácido ou básico.

De repente uma menina que parece tão bem engrenada na vida, feliz, cheia de compromissos e metas, pediu uma ajuda. Ela tem um stalker.

Muitos de seus conhecidos entenderam como algo passageiro, bobo. Eu já parto do princípio que nenhum assediador é inofensivo, eles estão em um processo de investigação da sua vida privada, invasão e obstrução do seu tempo livre com objetivos como perturbar sua vida social e modificar a sua conduta.

O perfil do assediador parecia o oposto do dela. Ele provavelmente é de um gueto qualquer de uma cidade que ela nunca cogitará visitar. Seu vocabulário é pobre e a ortografia terrível, o que fez o grupo de pessoas chocadas com a atitude aberta dessa sujeito concordar que a pessoa tenha concluído o ensino fundamental.

O ódio do cara ultrapassava as emissoes ruprestes da internete. Não por ela, mas o que ela está representando socialmente. Testemunhei o pequeno troca-troca de mensagens que um monte de outros amigos dela manifestaram ao sentirem a mesma angustia pela presença desse cara nesse meio base. Um contraste, via-se claramente o choque da alfabetização e do semi-analfabetismo, da regularidade da vida servida com educação e do caos dos marginalizados, gente que mostra uma raiva transitória do asco e nesse antagonista vicejava um apelo ao um tipo de socorro.

Ele estava as voltas com a cantada-na-ruaidéia de homossexualidade, com o intuito de denigri-la perante a sociedade. Mas isso nao acontecia. 

Simplesmente sem ter muito o que fazer num ambiente que amparava a moca contra este vilao, ele oferece (atenção para o rufar dos tambores) como seu futuro MARIDO!, insistentemente. Nesse instante, suspeitei de que ele pode estar associado a algum tipo de igreja (tudo acontece mais rápido que consigo descrever). Eles estão pregando agressivamente nos últimos anos contra todos os que visivelmente tem uma vida invejável.

Essa garota já deve ter visitado muitos lugares no Rio com a população mais simples, mas o cara ali, não era nem desse estado. Eu por exemplo, já visitei 4 vezes as favelas que cercam os ricos bairros do Rio de Janeiro. Uma coisa é visitar uma favela ao lado de uma sociedade esnobe como em um bairro de Londres ou Paris e outra coisa são as favelas nos bairros mais simples mais distantes da cidade do Rio, onde as pessoas e o urbanismo são como as cidades pelo leste Europeu.

Essas favelas nos bairros mais ricos estao mais acostumadas, nas melhores das análises, a receber turistas, voluntários, estrangeiros de todos os tipos, incluindo acolher  residentes temporários de cantos mais civilizados do planeta, do que aquelas favelas distantes.

A primeira vez que visitei uma favela foi para usar uma trilha que eu pudia ver da minha janela. Isso foi nas férias de verão de 1992/93 de dia. Via pessoas caminhando lá, apenas pessoas da favela. Um camarada meu, disse que poderíamos subir, ele já havia visitado com muitos outros camaradas pra reconhecer a floresta que ali iniciava, ir ao baile funk, e até escalarem à casa do bispo.

Passamos por aquela casa que parecia ter fugido de uma pintura rococó, devia ter sido uma antiga casa de fazenda. Localizava-se sob grandes árvores, a via isso mais ou menos de uma distancia de 500 metros todos os dias da minha vida durante os 20 anos que vivi na Tijuca. Lá repousava fora dessa choupana, a maior porca que vi na minha vida, sem brincadeira, era maior do que um cavalo, ok, eu não sou nenhuma menina da roca, talvez fosse um tamanho normal de leitoa, porem parecia anormal para mim. Algumas galinhas corriam soltas em volta do casebre e uma cabra estava calmamente comendo grama, amarrada com uma corda. Nunca mais voltei a esta trilha.19849057_10211470888946805_1345964255_n

A segunda vez, foi 2 anos depois disso, com o mesmo vizinho. Alguns dos nossos vizinhos planejaram ir a uma festa no campus da Estacio. Queria ir para outro lugar. Nosso vizinho que tinha um carro antes prometeu me levar a zona sul, mas antes foi comprar cannabis na favela que era atrás do campus universitário. Nos  direcionamos a favela, não subi, mas coloquei meus pés no que eu chamaria de área de recepção. Eu sei que vocês estao pensado assim poxa que mao na roda! Mas era uma cena surreal, saímos de um lugar bem mantido com edifícios, lounges abertos, jardins, excelente iluminação para talvez uma das imagens mais terríveis do meu arquivo de memória, um canto muito triste de urbanismo mal e precariamente infraestruturado. Eram apenas paredes, alguns metal soltos e expostos, materiais reutilizados, nenhuma vegetação ( é ainda mais triste em pensar que se tratando do Rio, aonde o sol e os chuvas existem por todo o ano, nao existe TRABALHO para um verde vingar), o chao era uma completo desastre. Escuro  se localizava exatamente ao lado da instituição de ensino privado.

Num sábado caótico em 1998, ouvimos a notícia de que havia um enorme engarrafamento no túnel da Zona Sul para São Conrado. Meu pai não pensou duas vezes, “vamos pela Rocinha”, disse ele. Nós comentamos no carro muitas coisas, como seria sensacional se as pessoas pudessem viver melhor. As pessoas vivem lá em um lugar fabuloso, como arquiteta e urbanista vejo que eles vivem precariomente. Não porque eles escolheram viver precariamente, mas por causa de uma série de filosofias prostituídas que este país opta se aliar (opta não é bem a palavra, “calha” fica melhor). Encontramos o engarrafamento novamente no meio do São Conrado.23244138_1875068822520498_3451844431501120415_n

Pouco menos de 10 anos atrás, eu tive que ir à barbearia com meus filhos. Odeio gastar dinheiro com este tipo de serviço, e desde que meu pai estava morando  no Recreio, perguntei se ele conhecia um barato. Ele disse os mais baratos apenas se encontram no Terreirao. Então fomos lá e encontramos 2 barbeiros, lado a lado, ambos eram super cafonas. Aquele que veio primeiro a me receber, eu entrei. Terreirao parecia um bairro americano normal de baixo custo que se pode ver desda Califórnia até Buenos Aires. Se multiplicam nesses complexos urbanos muitas boutiques com padeiros, tatuadores, vendedores de doces, coisas de praia, pubs, e apartamentos sobre esses empreendimentos comerciais e ainda chineses descolados.

O stalker da menina lá está perdido meio do continente mas tem acesso a internet. O mundo visto por essa janela é incrivelmente mais dinâmico, esperançoso do que a realidade que ele enfrenta e que o molda todos os dias.

” Alivio? As pessoas na foto estão revirando o lixo para se alimentar, mas os verdadeiros porcos são a equipe do Globo. (…) Não dá para ter empatia por quem não tem empatia.

Aí tomam um “passaralho” e não sabem porque. Quando se pensa que o brasileiro médio é aquele frango fascinado pela granja, o dito “jornalista de sucesso” no Brasil é o primeiro dessa linha.

Nem em igrejas neopentecostais se encontram pessoas com tanta burrice e falta de caráter reunidas.” – Luiz Fernando Padilha sob a reportagem do sofrimento de quem cata comida do lixo pra sobreviver sendo reportado como “Alívio de quem depende das sobras da Ceasa”

Fico pensando será que aquele stalker depois de pobre virou mais a catar felicidade num container em 2018? Será que houve outros insucessos em associar pessoas desvirtuadas dos dogmas da sua igreja e a mesma não quiz pô-lo num emprego estável e assim como a sociedade era ali também marginalizado?

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