Macabro fim de uma família de fazendeiros bávaros


Morava num prédio chato pra caramba, não acontecia muita coisa errada com as famílias de lá. Algumas crianças meio loucas re-contavam coisas loucas. Por volta de 1984 à 1986 ouvi de tudo delas, sabiam de barbaridades ocorridas não mais que 300 metros dali. Impressionante mesmo sendo uma noturna convicta nunca vi nos noticiários a noite matérias como os caôs dessa galera…

Dois relatos eu lembro bem, que acho que ficaram anos sendo remetidos como “EU fiquei sabendo” quando anteriormente o “eu” pertencia o menino acolá. Num final de semana alunos do Colégio Batista Shepard e do Militar pra ter uma coisa inusitada pra fazer, brincaram da tal da roleta russa com a arma do pai do anfitrião. O final mais que previsível, uma das criancas morre na frente das outras. No mesmo playground que eu ouvi essa história, consertaram um detalhe do relato uma outra vez, que isso havia ocorrido na verdade nos EUA.

Outra parada foi que na casa que dava de frente pra minha varanda, um moco morreu na banheira com o gás aberto. Algumas infos começam a se descasar talvez porque as crianças não podiam reproduzir aquilo que desentendiam.

E a do Engenheiro Civil que chegava de moto no obra em frente ao nosso prédio. Quando a obra se concluiu ele se jogou da Ponte Rio-Niterói. O mais provável era que estivesse em outra obra…


Hoje por acaso cheguei ao Hinterkaifeck pela internet. Esse caso alemão deixa qualquer reconto macabro da minha adolescência no chinelo, o coeficiente maior: a veracidade de fatos e os arquivos de fotos disponíveis.

Hinterkaifeck era uma pequena fazenda situada entre as cidades bávaras de Ingolstadt (a cidadezinha do Frankestein) e Schrobenhausen à menos de 100 km de Munique, foi o cenário de um dos crimes mais intrigantes da história alemã, acontecendo na noite de 31 de março de 1922. Os seis moradores dessa fazenda foram mortos com um picareta de arado e o assassinato continua sem solução até hoje.

As seis vítimas foram o agricultor Andreas Gruber (63) e sua esposa Cäzilia (72); sua filha viúva Viktoria Gabriel (35) e seus dois filhos, Cäzilia (7) e Josef (2); e a empregada Maria Baumgartner (44).

Josef era muito provavelmente produto da uma relação incestuosa de Viktoria com seu pai Andreas. Era de consenso geral na comunidade deles da prática que cometiam. Inclusive já haviam sido condenados por ato incestuoso nas décadas anteriores, pelo menos 2 vezes. Numa dessas vezes na mao do juiz, Andreas alegou que estava suprindo as necessidades dela como mulher nos seus 20 anos de idade.

O casamento de Viktoria e Karl Gabriel durou apenas 4 meses, pois ele foi pra guerra e morreu em Neuville, norte da Franca. Nunca encontraram o corpo do cara, o que abriu uma série de rumores sobre o paradeiro e identidade de outros oficiais em diversas outras nacoes. A declaração oficial é que o cara morreu mesmo e foi identificado por outros soldados em 1914. Ele mal teve contato com a família Gruber. Ele morreu 6 meses depois do casamento com Viktoria e 4 dias antes do seu aniversário de 27 anos em dezembro de 1914.

Victoria se prostituiu com um outro cara do povoado que já foi cogitado ser o pai do Josef. Esse cara conta como um dos mais prominientes suspeitos desse mistério. Ele teve que indenizar essa família por uma treta qualquer uns anos anteriores ao massacre e procurou na justiça em 1931 retorno desse contingente, mas isso foi negado.

A fazenda dos Grübers se localizava numa area remota da vila de Kaifeck. O nome Hinterkaifeck foi criado pelas autoridades e os jornalistas. Num português claro significa “por trás, pra lá de Kaifeck”. Esse lugar é margeado por florestas deixando ainda mais afastados das cidadezinhas próximas. Um lugar aonde o Judas perdeu as botas.

Há relatos que poucos dias antes do crime, o fazendeiro Andreas disse aos vizinhos sobre ter descoberto pegadas na neve que conduzia à floresta. Ter ouvido passos no sótão e encontrar um jornal desconhecido na fazenda. Além disso, as chaves da casa desapareceram alguns dias antes dos assassinatos, mas nada disso foi relatado à polícia.

Seis meses antes, a empregada anterior havia deixado a fazenda, alegando que ela era assombrada. A nova empregada, Maria B., chegou no mesmo dia dos assassinatos, apenas algumas horas antes de sua própria morte!

Exatamente o que aconteceu naquela sexta-feira à noite ninguém sabe com certeza. Acredita-se que o casal, a sua filha e sua neta, foram de alguma forma todos atraídos para o celeiro, um a um, onde eles foram abatidos. O autor(es), em seguida, entrou na casa onde matou o bebe que estava dormindo no quarto e a empregada também que dormia no seu próprio quarto. Na terça-feira seguinte, 04 de abril, vizinhos foram à fazenda porque nenhum dos habitantes haviam sido vistos por vários dias, o que era bastante incomum.

Mais de 100 suspeitos foram questionados ao longo dos anos. O mais recente questionamento ocorreu em 1986. E em 2007, os alunos do Polizeifachhochschule (Academia de Polícia), em Fürstenfeldbruck tiveram como tarefa investigar o caso com modernas técnicas de investigação criminal. Eles chegaram à conclusão de que é impossível resolver completamente o crime depois de ter passado tanto tempo. Há uma falta enorme de provas, evidências foram perdidas e os suspeitos já morreram.

Karl Gabriel
Karl Gabriel

O motivo de roubo é logo descartado porque uma grande quantidade de dinheiro estava disposta na casa. Acredita-se que o autor(es) permaneceu na fazenda por dias – alguém tinha alimentado o gado (!) e comido várias refeições na cozinha. Os vizinhos também viram fumaça saindo da chaminé durante o fim de semana.

As autópsias foram realizadas no celeiro mesmo, aonde estavam dispostos os corpos, no dia seguinte da descoberta destes pelo médico Dr. Johann Baptist Aumüller. Os corpos foram decapitados e os crânios enviados para Munique, aonde se perderam com o caos da WWII. A fazenda foi demolida no ano seguinte em 1923.


Sinistraco! A saída de cena da outra empregada me chama muito a atenção. Ela testemunhou a vida desregrada dessa família, apesar de serem presentes a paróquia e ostentarem figuras cristas pela casa. Semanas antes ofertaram 700 marcos a caixa de coleta dominical. Essa quantia era alta pra um agricultor comum.

Cilli-Gabriel
Cazilla Gabriel

Consideracoes gerais sobre as pessoas no ínicio do século. Casamento durante a Belle Epoque tomou um outro rumo junto a classe média que começava a se formar.  Se entendia que um homem e uma mulher independente do que sentem precisam formar uma família, lógico pra o bolso, lógico para aqueles que já tem um ofício não ter que trabalhar em casa também. Praticidade era a ordem do dia. Com isso anúncios pedindo uma mulher tal como esposa ou ao contrário se multiplicavam.

Os Grubers tem todo o perfil para esse tipo de coisa. A diferença de idade entre Andreas e a Cazilla é de 9 anos, bastante incomum ser a esposa a mais velha  Também incomum é ter tido a Viktoria com 37 anos de idade, o que me faz crer que ela deve ter tido filhos antes ou com o Andreas ou num casamento anterior.

viktoria gabriel
Viktoria Gabriel

Uma chacina típica de pós-guerras. Alimentaram jovens com morte e massacres. Um tempo que deveria ser gasto em estudo e formação prática. Pensei que pode ter havido um ex-combatente que se alojou num canto desconhecido da floresta e de tempos em tempos ficava vagando entre os estábulos e sótãos dessas áreas rurais, pela comida… Mas por que não mataram mais ninguém em areas próximas? A morte dessa família tem óbvia ligação com o fato do incesto.

A Viktoria pode ter começado sua vida sexual muito sedo mesmo, pois nessa idade de 16 ela afirma as autoridade locais sobre o incesto. Mais tarde ambos foram penalizados com passagens na prisão. O aborto devia ser prática constante. Esse lado da Alemanha é católico e o ex-papa é da lá.

Um outro colono com as mesmas medidas, mesmo tipo de roupa e andar aos de Andreas G. facilmente confundiria qualquer um à uma certa distancia, à noite ou pela floresta.

Simplesmente alguém podia estar muito envergonhado, com verdadeira ojeriza deles para assim confeccionar tal desfecho. Talvez o intuito era apenas matar um ou 2 membros, contudo evitando suspeitas maiores, mataram todos.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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