BBB


A grade dessas emissoras de televisão privadas ou estatais são muito bem boladas e obviamente seguem suas políticas e seus trusts. Em 2006 quando não pude ver a “Cidade dos Homens” imaginei que a pessoa por trás da escolha de dia e horário para exibição desse programa brasileiro aqui na Noruega, um país que absolutamente nunca veiculou uma novela brasileira, entendia que estava fora de cogitação por uma programação pra concorrer com o “Sex in the city” que possivelmente estava no seu ápice. Não estou certa do curva da moda quanto a esse programa passado na Big Apple, mas outro fator bastante apelativo para um programador, é que o seriado norte-americano era de 2005 e o latino era de 2002.

Para o programador, tudo é os telespectadores desse canal, o que seriam eles: crianças, adultos, trabalhadores, homens ou mulheres. Você é uma menina, igual, você gosta de rosa. Foi assim com a rádio, é assim com as revistas, mas sem dúvida a barra mais pesada seria com a televisão. Hoje nós mesmo acabamos por saborear esses mesmos obstáculos na hora de publicar qualquer coisa na nossa página no Facebook. Se você está atrás dos números você vai cair obedientemente dentro de um perfil conservador e anti-cultural, na maior parte das vezes. O meu interesse não é ser popular, parece ser uma trabalho de jó. Prefiro lutar contra a minha dislexia.

De dez publicações que eu faço com textos, metade delas posso ganhar uma curtida só, equivalendo 0,3%. Já perco 50% do meu público que ficaria cansado da minha exposição sem intuito automático de entretenimento, mas sim de forcar a barra para uma leitura. E ainda tem o lance que o meu publico heterogêneo se dividiria em 2 línguas a norueguesa e portuguesa. Portanto para eu recuperar esse publico perdido norueguês e os que não vao perder o tempo lendo, pois já leem demais em seus respectivos oficios, eu ponho uma foto minha antiga sorrindo. Logo 5% do total de pessoas ligadas a mim curtem tal publicação.

trumpUma vez vendo um programa bobo do Trump sobre administração e markenting, ele disse cheio de prosa, diz que o produto fora efetivo se conquistou 5 % do grupo que estava destinado. Fiquei acreditando no Trump porque nada entendo do business, aliás, não entendo nada de quase nada, mas me interesso por quase tudo. Tudo corresponde ao consumo que cobre o meu mundo, que passa pela minha frente, eu questiono tudo e revejo o seu histórico. Por isso era muito ligada a moda, hoje estou mais atenta a nutrição.

Consumo muito o café e acho-o simbólico abessa. Já esquecido que fora tratado como um costume mulcumano no mundo cristão, fiquei até sabendo que havia   “bar-proibidao” no século XVII em Paris pra se tomar ao modo turco… Praticamente em toda América latina quase sempre colhido por maos-negras, até serem substituídas por maos de colonos italianos & poloneses em Sao Paulo & Paraná respectivamente e fiascosamente no oeste do Espirito Santo também por italianos, lembrado em Genealogia. Eu só comecei a ser tiete do tal do café na Noruega por causa do serviço mais árduo que conheci, a responsabilidade de ser mae. Identifico bem a diferença do cafe de jarra ofertado na igreja daqueles com grãos ecológicos moído na hora acompanhado de leite de amêndoas. Aquele da igreja já está meio frio porém não pago para ter azia.

CI-CoffeeTreeOutro dia foliando uma revista exclusiva sobre cafés, publicaram a árvore genealógica dos grãos de café. Eu achei simplesmente a coisa mais fabulosa do dia. O Mocca vem do Bourbon que vem da arábica. Foi aí que achei que o Bourbon deveria ter alguma coisa com a coroa brasileira. Não, era o nome da ilha aonde esse tipo de cafe havia se projetado, Ilê de Bourbon entre Madagascar e Mauritius. Essa berry Bourbon é amarela, de uma cor tropicalíssima e é concebida na serra. Entendo também que muita gente, brasileiros e estrangeiros, se referem ao café como o real ouro brasileiro. As exportações, o preco, o nome brasileiro, tudo que se construiu de 1860 à 1930, a arte moderna brasileira, foi feito pelo café, o café está para o Brasil assim como o bacalhau está para Noruega.

tijuca forest
Tijuca Forest

O Café teve uma trajetória longa no Brasil, chegou com o Palheta no final do século XVI, no século XVIII estava espalhado por toda a cidade do Rio de Janeiro sem usar qualquer técnica, uma lavoura à la Deus dará. Tá lá na bandeira do estado Rio. Já no século XIX, o Brasil havia aberto os portos as nacoes amigas em 1808, quase que instantaneamente plantar tal grão tomou um rumo profissional direcionado para exportação sem uma única vez cogitar ecologia, humanismo, essas paradas que um bom burguês só vai fazer se pressionado. E a família real estava aqui, Dom Joao VI abriu logo uma portaria pra devolver à floresta ao maciço da Tijuca. A Mata Atlantica que conhecemos hoje é replantio e está cheia de espécies de outros continentes! Esses foram os primeiros pensamentos ecológicos instaurados e documentados.

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Princesa Isabel & Conde D’Eu por volta de 1910

Tenho bastante simpatia à todos os vultos da Família Real brasileira. A Princesa Isabel, em ato anarko-punkme corta de vez com a escravidão aonde a lavoura cafeeira extrapolava positivamente com uma economia(!), logo cortaram as azinhas da princesa. Na história brasileira isso foi uma das, se não, a mais brava atitude, mostrando que não iria ficar barato de volta para a realeza. Na trilogia do Laurentino Gomes, ele refresca de cabo á rabo todo esse tempo, todo esse legado dos Bragança & Bourbon no Rio de Janeiro. No terceiro livro, que foi lançado nesse ano de eleições, ele mostra um engajamento monárquico – de leve – mas ao meu ver, na minha interpretação, críticas mesmo foi a um só: Fernando Henrique Cardoso. Esse escritor que muito tempo trabalhou para Veja, por pelo menos 2 vezes no livro, lembra aos leitores que o avô do Fernando Henrique pede a execução dos membros da Família Imperial em 1889.

Em todo esses esclarecimentos históricos do Gomes parecia uma conversa de fundo de xácara cafeeira além Petrópolis, do qual me trazia a brisa da Serra das Araras em qualquer lugar que eu sentasse pra ler esse livro.  Ele cola aos textos dizeres de nomes bem conhecidos como de José Antonio Saraiva que se refere ao terceiro reinado dessa forma: “O reinado de vossa filha não é deste mundo”. Nenhuma mulher no mundo inteiro votava. As mais loucas que se encontravam no mundo dos negócios, ora estavam vestidas como homens e se comportavam como homens, ou é claro, eram ou haviam sido prostitutas. Nessa hora meio que me enfureci, gostaria de voltar no tempo bater na porta desse baiano e mostrar o que foi mesmo de outro mundo, o 3 reich na Alemanha.

Alemanha é o maior cliente do Brasil na compra de grãos de café, maior consumidor e distribuidor. Entao o Business do Trump sobrevive, passa-se geracoes com suas filosofias, suas modas, suas religiões, suas tecnologias, seus desastres naturais… mais o dinheiro movimenta tudo isso.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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