Cidade das Grávidas


Em muitas culturas entrar na sociedade requer uma passagem quando meninos e meninas completam 15 anos de idade. Lá no Rio de Janeiro, tem a festa de 15 anos que em muitas vezes parece um exercício de festa de casamento. Eu tinha verdadeiro horror dessas festas e durante 3 anos fui convidada de várias :/. Os judeus tem uma lá deles, o Bar-Mitzvah e os escandinavos tem uma que se chama “konfirmasjon”, que seria a crisma luterana. Acredito que a Confirmação pode vir a virar esse luxo todo que só a falta de pobreza de espírito permite (quotando Clarice Lispector) das festas de 15 anos do sudeste brasileiro.

Com 15 anos você sabe todas as regras da sua cultura, quais são os seus tabus também. Você estará “apto” a beber e a ter filhos. Se entenderia que alguém menor de 15 é uma criança e maior, um adulto.

charge 13 years old boy
Um menino de 13 anos mentindo as autoridades como fosse de 16 anos idade. Pela emergência de falta de pessoal, a Gran-Bretanha alistou menores de 16 e 17 anos.

Quando a leis foram otimizadas em razão de dar uma maioridade apenas aos 18 anos, ao qual eu acho muito válida, uma média que só correspondia ao desenvolvimento dos meninos. Por quê? Era a idade que se habilitaria um homem de se alistar no exército. No Brasil antes da virada do século Olavo Billac propôs isso que logo foi aceito pelo exército brasileiro – baseado em leis romanas. Antes da Belle Époque qualquer criança poderia se alistar. Na Primeira Guerra Mundial muitas crianças falsificaram suas identidades para o alistamento. Seria imensamente mais fácil obter um emprego já estando no exército.

Esses aspectos foram tratados no “Cidade de Deus” e no “Cidade dos homens”. No filme as crianças pedem para fazer parte da indústria do crime, estão ávidas para serem “guiadas”. Zé Pequeno convida estas crianças a ter um ritual de passagem. O ritual consistia em entender que dali em diante o que os pequenos furtos a um supermercado que faziam antes são apenas traquinagens e com a liderança desse vilão dos vilões tudo se tornaria sério, o crime avançaria para o profissionalismo. A passagem simplesmente era uma criança atirar com uma arma de fogo na mão da outra criança.

passagem

Já no programa o papo se torna mais coloquial, mas continua essa infinidade de paralelos entre da cultura tradicional e como nós no Rio de Janeiro entendemos essa herança, como a reproduzimos, como a apimentamos, etc… Esses programas foram veiculados em 2002 e eu fazia um curso de noite de Macromídia que terminava às 9hs. Adiantava-me pra chegar logo em casa, só pegava o final da exibição, porque o lixo em Vila Isabel era recolhido na hora que o meu ônibus passava pela Boulevard.

Quando estava grávida do Alex a tv estatal daqui passou também esses programas. Fiquei muito feliz, eram as terças-feiras e o Sverre via comigo porque mostrava o Rio, a sua cultura, a sua língua. Já no hospital com o Alex, sentei as 21hs na sala de tv, as 22hs começaria o tal programa. De repente chegam umas 5 mulheres loiras, norueguesas, altas e numa média de idade 5 anos mais novas que eu. Como que óbvio ululante trocaram para canal tipo Globo daqui aonde passava “Sex in the City”, também as 10hs. Voltei cabisbaixa para o meu quarto com um copo de iogurte natural para ver se este me completava.sonia_braga_sex in the city

Um dia, um par de anos depois, a convite de uma amiga, fui ver esse maldito programa igual a qualquer outro ianque na casa dela, pois eu NUNCA havia visto o tal programa passado na Big Apple. Nesse capítulo estreava a Sonia Braga como uma artista plástica, acharam portanto muito parecido comigo.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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