Nunca fui com a cara dos que sao contra o aborto


Carlos Romero, o senhor é um imbecil. Uso da sinceridade porque ela é medicinal: amarga e ajusta o seu lado doente.

Taí, o que o cara escreveu:

– Vou até com a cara do Eduardo Jorge, mas ele é a favor do aborto e é comunista.

edurdo jorge
Eduardo Jorge

Ele nao sabe o que é um estado comunista. Pois já basta o simpático Eduardo Jorge usar a bicicleta para ser taxado de comunista.

Eu não sei se ele está interessado em rever o currículo das mocas da sua família e comparar se vão tão longe como os homens. Se ele gostaria de somar a isso uma pequena pergunta: A senhora/ita já abortou? A avó dele é bem capaz de dizer que sim.

Vivemos num meio extremamente competitivo & patriarcal, entende-se muitas vezes que aqueles que sofrem, seja doença, miséria, acidente são culpados por suas desgraças. Isso é completamente ridículo e ignorante e se você esbarrar com alguém que pense assim, por favor, mantenha distancia, essa pessoa é criminosa. Em exemplo: uma pessoa puxa a sua cadeira e ri, você cai e afirmam que foi sua exclusiva culpa por não ter notado o movimento da cadeira à suas costas mesmo você se machucado no chão frio. Está certo isso? Pois é assim que é tratado aquele que morre em decorrência do aborto.

Tratar a população como idiota dizendo que ela está despreparada para o aborto é um insulto, um grande desrespeito à inteligência dessa sociedade. Se você pertence a mesma, consideraria uma auto-depreciação.

Que fiquemos então no patamar dos países como Afeganistão e Paquistão que proíbem o aborto a todo custo por causa de suas religiões e políticas e nunca como os da Noruega, Holanda, Portugal, Bélgica, Dinamarca, Romênia, Suíça, Alemanha e Suécia que dão todo um carinho de como anda o nível de vida da sua população.

Alguns dizem que vai aumentar o número de abortos se assim soltarem a lei; não, não vai, vai se ter controle de quem aborta, e rapidinho o governo se coça, as empresas se coçam para distribuir os vários métodos de anticoncepcionais que ao meu ver estão mal instaurados no nosso país tão grande, tão heterogéneo. Nosso país que já é o campeão de abortos, ou sempre foi. Pois desde que é ilegal, maus dados temos dessa coisa tão séria.

Se a sua posição pessoal é contrária ao aborto, não o faça e seja feliz. As mulheres não interferem no seu jogo de futebol, na sua dieta e nem na sua cachaça.

Saiba também que os custos da saúde de longo prazo de se criar uma criança indesejada são maiores e mais trágicos do que o aborto em si. Pensar o contrário é uma afronta contra a liberdade e a democracia.

Os métodos contraceptivos falham. E nem todo sexo é objetivando o prazer da mulher, que ainda paga por ser vitima de estupro ou incesto. O aborto em si é um procedimento muito pesado psicologicamente, nenhuma mulher gostaria de ter que fazer, se ela assim optou, é porque ela realmente não estava preparada para ser mãe. O que é uma atitude mais nobre do que criar uma criança de forma despreparada.

Um apanhado de células, iguais aquelas que você “assassinou” quando fez um furo na orelha ou uma tatuagem, não pensam e não sentem e portanto não são um ser humano, por outro lado a mulher o é. O aborto é uma questão de saúde pública, negar tratamento a uma mulher é uma crueldade sem tamanho e ao meu ver inconstitucional.

Pois é Carlos Romero, por causa da seu impensado comentário eu saí a pesquisa nesse final de semana. Num par de horas centenas de fatos surgem, muito que claro, solidificando essa minha posição, esse senso comum de que estar apoiando o direito da mulher em abortar é cívico e lógico.

crianças desamparadas em Portugal

Nesse meu texto falta apresentar as drogas e as bebidas alcoólicas. Faz parte do contexto porém gostaria de pular pra mais a frente, com as crianças que não são abortadas e ao nascerem são maltratadas, abdicadas de carinho e amor e muitas vezes também torturadas.

Uma moca inglesa depôs o seguinte:

Colleen Bailey, Gerente de Orange Leaf em Florença.

“Lembro-me de quando eu tinha cerca de 6 anos de idade, uma menina veio à nossa casa numa tarde. A minha mãe deu banho e vestiu a garotinha com as minhas roupas. Depois do banho, a minha mãe levou a menininha pro quarto dela aonde ela pode sentar na cama da minha mãe, enquanto a minha mãe escovava os longos cabelos castanhos dessa estranha. Quando eu tinha uns 20 anos levantei a tona esse episódio. A minha mãe disse que essa menininha dormia na banheira e fazia tarefas de adultos. Se ela não fizesse direito tais tarefas, era castigada como ficar de joelhos num chão frio, as vezes a menininha dormia no chão porque a mãe dela esquecia ela no castigo. Isso foi por volta de 1968, a minha mãe estava apenas ajudando a levá-la pronta para órgãos que cuidam de achar uma nova família pra crianças desamparadas. Algumas pessoas são más e maltratam os seus próprios filhos de formas que não podemos imaginar. Sinto-me abençoada por ter os pais que eu tive. O amor era extremamente presente em nossa família.“

O mais legal desse desabafo é que há órgãos para crianças em países aonde existe o aborto legal, que fazem uma triagem dessas crianças que nasceram em famílias desiquilibradas. “Famílias” aonde deveriam ter considerado a opção do aborto. No Brasil inexiste esse órgão, como já não fosse totalmente injusto criminalizar moças e mães de famílias que adotam o aborto como solução pra o seu desajuste financeiro na maior parte das vezes. Isso é para que seus filhos já nascidos não percam o conforto que possuem, esse conforto é o espaço que vivem, o tempo da mãe com eles e uma maior compensação com os estudos.

Não seria certo pôr as filhas da Jandira na sua casa, Carlos Romero? Talvez voce as ensinasse melhor maneiras de sobrevivência na nossa sociedade que a mãe da Jandira não soube ensinar à filha. Todavia, a mãe da Jandira agora estará com a guarda de suas netas. Aconselharia também, se por divino acaso fosse você o escolhido à milhões de brasileiros classe-melhor de estar com a guarda das meninas, ensiná-las a ir com a cara de fulaninho na hora delas decidirem em quem votar, quais tutores seguirem ou quem casar. Isso de ir com a cara de alguém mostra realmente muito poder de análise (ironia).

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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