Os idiotas do Quart Festival


Em fim fomos ao zoológico de Kristiansand. O zoo norueguês foi criado nos ano 70! Todos os outros zoos conhecidos e bem visitados, tem mais de 100 anos, inclusive o do Rio de Janeiro. O número de bichos expostos também é menor lá, mas pra que tanto do bicho assim, né? O importante é ter uma apresentação, o cara responsável pelo bicho tal, informando a galera da onde o bicho vem, como é tratado e tudo mais. Não há essa colher de chá em nenhum outro zoo, que eu saiba, é quase um show sem acrobacias de circo.

Nesse de Kristiansand também lida com mais atividades do que deixar um canto imitativo do cenário que o bichinho vivia, eles investiram bem para serem metade parque de diversões. Tem bosque, tem vários restaurantes junkies-noruegueses, porém comíveis e confortáveis. Esses nichos degustativos não são McDonalds, não são chineses, não são alemães, é um intercâmbio.

Kristiansand Dyrepark
O mundo do Capitao Dente de Sabre

No parque ainda fazem lobby legal dos contos que criaram, como Kardemome By & Kaptan Sabbeltan. Aliás, 90% das visitas do parque estão lá pra ver isso e não os animais. Incomparavelmente o numero de lojas com souvenir é maior, deve ter mais de 15 por toda volta do parque, enquanto nos outros zoológicos que já visitei tem apenas 1, sem EXAGERO! Ainda assim consideraria o melhor zoológico pra leigos, crianças, idosos, pra geral.

Coisas que não dá tempo pra você refletir quando você está se divertindo é o problema de terceiros. Os meus problemas são segurança com os meus filhos, um lugar limpo pra ir ao banheiro e comida fresca. Eu não fumo e não tenho animalzinho de estimação. Eu sempre achei que quem procura esse tipo de meio-problema que muitas das vezes toma um mucado da sua vida, tanto financeiramente como socialmente, não vê o mundo como eu vejo. Um mundo já cheio de dramas que precisam ser discutidos e combatidos.

No zoológico não entra bichinho de estimação. Mas em qualquer outro parque entra e até demais. No dia anterior a visita ao zoo, passeamos na Odderøya, que nessa cidade de Kristiansand fica colada ao centro. Essa ilhota não é propriedade militar, ao contrário, nos últimos anos metade dela serve de burburinho sociocultural e a outra metade reserva florestal, para fins paisagísticos e um melhor nível de vida para a população do centro dessa cidade usufruir das praias e caminhadas numa área verde.

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O descampado que serve como anfiteatro e ocasionalamente para shows internacionais

Lá num campo aberto, com vista pra toda a cidade, paramos e lembramos que há 12 anos passados vimos o show do David Bowie & White Stripes nesse lugar. Um casal de aposentados parou o carro ali também e desceu com um cachorro junto. Vendo duas crianças, um senhor dinamarquês veio conversar amistosamente com a gente, o cachorro foi logo correndo atrás do Alex querendo ainda mais ação pra não perder a tarde. Afinal, a idéia desse casal de pegarem o carro e irem para o descampado da Odderøya era justamente tirar do cão a porra do cinto. E esse cachorro já conhecia o procedimento e estava feliz da vida. No caso do Alex, o menino voou, parecia mesmo naquele instante uma versão infantil do deus grego Hermes.

A senhora, ainda próxima ao seu carro, gritou 2 vezes até o seu marido entender o que estava acontecendo. Era pra chamar o cão de volta e por de novo o cinto no seu pescoço. Antes de terminar a operação, o idoso teve que mandar aquela já antiga conhecida minha:

– vocês tem medo de cachorro?

– Não, não estamos acostumados com bichos. – …estava de bem humor. De mau humor responderia outra coisa. Não era esse o caso.

É o tipo de coisa que deveria começar a usar quando obstruem o meu planejamento em visitar museus ou ir ao cinema, “vocês tem medo da arte, história, arquitetura ou ciência?” ou  “Tá com medo, né?”.

Logo o velho nos indicou, mesmo sem perguntarmos, a direcao para a praia mais próxima. Deve ter nos xingado ao pé do ouvido do seu alegre companheiro peludo.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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