Reajuste recomendado


Pessoas dessa foto simplesmente não eram pra estarem juntas. A única explicação para isso são as festividades do 17 de maio que comemoram a democracia norueguesa. A democracia norueguesa valorizou e conquistou uma igualdade social muito procurada pela humanidade desde sempre mas raríssimas vezes vivida. Nesse ano de 2014 completa 200 anos.

Na foto, o menino em primeiro plano é, pra mim, um gênio. Ele na idade de 4 para 5 anos desenhava dinossauros, de todos os tipos, perfeitos, e ainda tinha um estilo artístico de composicao na meiuca do objeto estudado. Nessa idade de 8 anos, numa vez lá, ele ainda escreveu acompanhando sua arte original o detalhe que ninguém pode afirmar é a cor desses “bichos” – uau!

Eu conheco a família desse menino, são pessoas boníssimas. Desejo toda sorte do mundo, mesmo que aparentemente mal precisem, afinal, seus pais sao bem empregados em firmas relacionadas a riqueza da cidade que moramos, estão juntos, moram numa pequena casa com jardim. São noruegueses e sem stress.

Eidsvoll_riksraad_1814
Eidsvoll 1814

A esquerda, a minha amiga sorri pra mim, feliz, é o maior dia do país dela e eu, a princípio, enquadrei essa alegria na foto que toma conta da galera daqui. Essa alegria, seja pela primavera que dá o ar da graca, ou seja pelo sentido de liberdade que as idéias iluministas geradas na Revolucao Francesa vem se concretizando na Magna Carta de Eidsvoll.

Atrás dela, um menino menor, meio carequinha, usando um casaco jeans aparentando estar estreando para ocasião. Esse garoto tem todas as qualidades para que na idade de 25 anos posso  passar por 3 diferentes instituições de “reajuste social”. Essas podem vir a ser a prisão, ou estar ligadas a reabilitação.

waisenhuset
Waisenhusene – antes uma espécie de orfanato ideal, aonde as criancas eram dividas em casas, e os departamentos imitando o conceito de família. Durante a guerra foi seu período áureo. Esse lugar conserva uma placa com as criancas que cresceram nessa intuição e morreram na WWII.

Estou muito feliz que ele se mudou para outro lugar, ele morava na casa mais estragada desse lado do bairro, que foi a pouco demolida (!) antes funcionava como um orfanato. Cerca de 3 vezes conversei com ele quando trabalhei com as crianças da escola, quer dizer, fiz uma pergunta e deixei ele falando, expor tudo que ele queria falar a muito tempo, mais que claro, que não davam essa colher de chá pra ele. O carinha lutava a valer pra ser notado na escola.

A primeira vez que o vi foi no refeitório, ele era o menor de sua classe e arranjou briga com o maior da mesma. Já quando trabalhava na escola, de tantas as brigas que eu vi ele montar ou se entusiasmar em participar, cheguei nele e perguntei na maciota se o pai dele o incentivava a lutar. Imaginava que o pai dele fosse aqueles bárbaros poloneses- gente que vem da roca trabalhar na Noruega em construção Ele mal conheceu o pai, que é alcoólatra e mora em Kristiansand, eu nao sei se o pai é noruegues, polonês, ingles ou russo.

Nesses raras vezes em que nossas vidas se cruzaram e espero muito nunca mais acontece, o garottinho me contou barbaridades & foi uma pena ouvir tudo aquilo. Esse diminuto marginalizado queria ter passado uma boa imagem de si, e fez justamente o ao contrário. De jeito nenhum falava agressivo, falava cheio de esperanca um mundo aonde ele fosse valorizado por atitudes heróicas. Do qual eu reportei a gerente desse departamento educacional conhecido como (SFO). Talvez o garoto seja exposto a uma série de jogos, péssima mídia para massas mais conservadoras.

O garoto apresenta um perfil que requer uma extra atencao de um profissional adequado. Porque a escola não abre o olho da polaca da mãe dele logo de uma vez? Da mesma maneira que quando temos deficiencia na visao, precisamos visitar o oftamogista. Se temos uma dieta rica em acucares, o dentista será necessário. Ou talvez por azar tropecamos num ferro no meio de um jogo, e por um tempo o tal do fisioterapeuta será uma constante. Esse garotinho era recomendado um psicólogo.

Num mundo aonde voce nao precisa pensar muito ou saber muito, para entender que quem domina é branco e homem, esse menininho acha que o mundo irá sorrir pra ele mais tardeporque, a princípio, ele provém dos 2 adjetivos básicos que o mundo prioriza. No caso dele o mundo irá virar de costas, porque é mais ou menos assim que funciona – intrigantemente.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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