Roteiro 90’s


Sei que não deveria pegar tanto dos ônibus para sair – deveria mesmo ir a pé, mas eu precisava morar perto, então. Pra muita gente isso de ter de pegar transporte público significa ir à escola, ir trabalhar. Perde-se o glamour por completo do centro urbano, da noite. Mas eu estava reafirmando minhas convicções, ali, através do transporte público eu estava segura, daria espaço pra uma eventual bebida alcoólica, portanto estava livre de responsabilidades com um carro, e por fim, automaticamente, gente falsa não pousava no meu quintal.

– Vai de carro? – alguém daquela classe média medrosa que já escrevi sobre.

– Claro que não. – eu

-Oh!

-Você vai?

-Não

alternative

moda verao pra a galera alternativa 00′

-Beleza, então agente se fala… – (a minha maneira de dar adeus homeopaticamente).

Pois é nesse dia, lá pelo largo da Segunda-feira, 2 meninas entraram também no ônibus. Pelas suas vestimentas, iriam alguma festinha alternativa. Não usavam roupas pretas, já estávamos em 1996 e o conceito era outro.

No meio do caminho, um cara muito estranho entrou no ônibus no ponto em frente ao prédio conhecido como “Balança mas não cai”, ali na Praça Onze.

Esse maluco nitidamente mostrava ter alguns problemas psiquiátricos, nao dava pra ele fingir. O pior é que ele ficava nos fitando. As garotas também perceberam isso. Todas nós mudamos pra outra parte do ônibus. Mas logo elas soltaram no Flamengo.

Sobre o termo usado nesses 3 prédios construídos na evolucao urbanista de 1946 da Av. Presidente Vargas, o folklore carioca explica que foi a quantidade de apts. designados como garconières nesses edifícios que apelidaram com esse título, inspirado num programa cômico de rádio. Assim explicado pelo meu pai:

balanca

“Balanca mas nao cai”

–  O cara tem uma Garconniére (…) pertíssimo do centro, todo tipo de condução de saída e sumiço, um vistao para os dois lados: da baía e do macico da Tijuca; eu tenho um irmão que mora lá a muito anos, ele era contador de uma firma de engenharia.

Chegamos à rua da Passagem, era Carnaval e a Smith estava fechada. Não tínhamos outra solução do que nos debandar pra o final de Copa e tentarmos a Basement.

No ponto do Rio Sul pegamos um novo ônibus. Pra nossa surpresa adivinhe quem agente encontra novamente no ônibus?

A vaquinha verde, justamente, as meninas.

alaska

Galeria Alaska onde no subterraneo se encontrava a Basement.

Chegamos à Basement bem e encontramos muita gente conhecida. Essas garotas devem ter ido pra Ipanema, pois não soltaram naquele ponto.

Anúncios

Qual seria a sua perspectiva sobre esse assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s