Explicando a panqueca da Dani


peter_greenaway
Peter Greenaway

A Dani Castro escreveu essa semana que teve um super-híper mórbido sonho, digno de ser o novo filme controverso de Peter Greenaway. Com certeza o seu estilo dark flamenco estaria de volta as salas de cinema de todo o mundo com essa maravilhosa idéia inicial pra roteiro.

O sonho dela consistia em pontífices de uma seita radical teriam como tradição e sinal de devoção arrancar a pele da face, contudo continuavam ministrando missas e rituais desse sem a pele do rosto! Para se apresentar em público usavam crepes fresquinhos sobre a cara simulando a pele. O mais estranho eram que as pessoas no pesadelo sabiam que aquilo não era pele!

Pancake_Meal_ov
com limão e açúcar

Fui logo dar uma pesquisada rápida pra saber se rolou algo muito louco como isso pelo menos antes do século das luzes. Pois tudo que um homem pode pensar outro homem pode vir a fazer, já dizia Jules Verne. Não é que tem o dia da panqueca lá pela Inglaterra e norte da Franca? Isso com certeza se estende as 13 colônias do norte (parte dos Estados Unidos) e no Canada. A terça-feira da panqueca, como é conhecida, nada mais é do que fazer panqueca. Algumas vezes, tem-se campeonato com a panqueca na frigideira, igual a corrida de ovo quente na colher. Havia a quaresma e não podia comer nada de proteico nem de gordura, tiveram a maravilhosa idéia de juntar tudo num balde, bater, fritar e sair distribuindo para todos de uma forma social e padronizada. Um claro toque de mãe nessas leis da igreja, um salve todos. Eu já usei desse mesmo conceito porque há de estragar esse material caro por um determinado longo período ausente, por isso geralmente faço panqueca antes de viajarmos.

crepes frescos

Junto a sua descrição do sonho, a  Dani exibia panquecas numa foto em close. Evito o máximo que posso xarope-people. Ela ao contar a sua estória pessoal do pesadelo deu muito mais significância a foto da comida.

A boa constatação sobre os sonhos é que parece que estamos assistindo um filme. Ali nós temos alguma participação: roteiro, direção, apoio, etc… No final assistimos mesmo a obra toda, mesmo que haja certas cenas perdidas.

Toda a noite é assim, mas de vez em quando guardamos um pouco da lembrança do que passou na sala de cinema da nossa caixola. O mais óbvio inicialmente é que a Dani deve ter visto programas de crime ou de história que incluía a Igreja católica.

Daí ela afirmou ter visto sim programas de TV que incentivariam a confecção de terror pelo subconsciente. Ela se perguntava mais sobre exatas associações no enredo do pesadelo como: pele & crepe e sacrifício & fé.

nosso senhor do bonfim
a sala referida no texto

Pouco depois ela adiciona uma lembrança muito especial à essa conversa, que quando criança ela esteve na sala de agradecimentos da famosa igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Lá estão expostos centenas de partes humanas feitas de cera. São sem dúvidas muito reais.

O crepe/pele biblicamente pensando vai dar em lepra. De fato no tal do Leviticus – um livro controverso da Bíblia pouco cultuado, pouco quotizado por ser o oposto das ideias incluidoras pregadas por Jesus Cristo, assim grafadas no Novo Testamento – sai condenando geral. Os leprosos não estão fora da exclusão no Leviticus, mas estes se forem ministros devem admitir em alto e bom som sua impureza, sua enfermidade, no caso a lepra, mas são salvos de serem banidos de suas comunidades.

olivier
Diário do Olivier na Turquia

Pão/religião é uma correlação muito clara pra mim há muito tempo desde que assei o meu primeiro pão através de uma receita leccionada num programa televisivo com o Olivier. Existe o consumo do “biscoitinho” chamado hóstia que simboliza o corpo e a carne de Cristo. De fato a humanidade criou o pão para substituir a carne. Ou um ou outro na sua dieta pois era assim na dieta dos homens por milhares de séculos.

Já não acredito que a religião ou a cultura do pão estejam como mensagem descodificada. Deve haver um outro simbolismo da cultura pessoal dela. Algo que reflita sua vida cotidiana de uma maneira surrealista durante a noite. Pois bem, como se chamava a base de maquiagem que se põe no rosto? Tem o tal do pó de arroz, o que se põe mais no rosto pra ficar fresquinho, mas pra tirar as marcas da carne, de impurezas, das imperfeições, pra fingir ser uma pele imaculada?

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Propaganda em uma revista de modas mensal dos anos 40

– Pancake!!! – a própria Dani brada a resposta certa através da comunicação mais popular do momento.

Somos roteiristas dos nossos sonhos, é muito impressionante o que o inconsciente cria.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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