Divisao


Por que as pessoas jogam tanta comida fora? Especialmente em restaurantes caros? Frequentando muito o Rennaa Express um tipo bistrôs francês percebi que este espaço que tem atraído um bom publico. Uma idéia melhor para o bolso do gestor pois o público gasta mais com pouca coisa.

Toda santa vez que pus os meus pés nesse recinto notei que havia fileiras de mesas com diversos pratos ainda a espera do garçom dominicano responsável pela remoção disto. Ele, as vezes, ocupado com outra atividade como tentando resolver sua vida pelo telefone. Todos os pratos à espera, sem exceção, continham restinho de comida. É moda?

Aquela comida, aquela pizza cara (diga-se de passagem), que você resolveu não comer, vai direto pro lixo, que o Ariel (o garçom dominicano) provavelmente vai ter que jogar fora, que seria muito menos pesado pra ele, se a mãe insistisse para seu filho comer tudo que estava no prato, evitando mais tarde ter que fazer outra vez comidinha para o mesmo filho.

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Foto de abril 2014 com o remoção de algumas vias subterrâneas que o município teve que fazer no centro e nos bairros mais antigos da cidade. Nítida proliferação de ratos por toda cidade atacando certas residências. Uma questão em que Stavanger não se isola, ocorrendo em todo tipo de cidade mundo afora.

Esse saco cheio de restos, vai servir de lanchinho da madrugada para os ratos que moram ali no centro, ajudando mais a proliferação da espécie. Subsequentemente haverá mais problemas com cabos e circuitos que povoam o espaço sub-terrestre, ficando esses  inutilizados pela depredação que os roedores fazem nas entranhas das ruelas bicentenárias do centrinho de Stavanger.

Vi também moças pedindo pizzas inteiras de diferentes tipos pra si. Por mais que estejamos na hora da janta eu posso apostar com vocês que elas não ingerem tudo que haviam requisitado. DIVIDIR parece fora de cogitação, daria para cada moca, umas 3 boas fatias, cada contendo exatos 120 gr. Já observei gente também ou tirando todo tipo de “verde” da pizza, verde esses que me refiro são geralmente tomates e pimentões, pra só se deliciar com o pão e o queijo derretido; ou ao contrário, subtraindo todo o queijo mole e absorvendo os “verdes” com pão plano.

Essa observação de costume mostra a falta de intimidade na hora do lanche nos restaurantes de Stavanger. Generalizando, muita gente tem se acostumado tanto com a medida padrão de bandejões dos boco-moco fast-food que agora no renascimento dos restaurantes, bistrôs e cafés o consumidor comum simplesmente não acha de bom tom considerar comer o mesmo rango à dois ou à grupo. “Ao grupo” mais conhecido no Rio como à francesa.

No restaurante Hipódromo da Gávea sempre foi de digníssima importância entre entes queridos o uso da pizza cortada à francesa. Eu sei lá que cor de chope você vai tomar, ou só vai ficar mesmo nas caipivodkas, o negócio é a apreciação de sabores diferentes da pizza. Metade anchovas e metade cogumelo para o grupo, você só paga a pequena fração da pizza que será igual pra todos, quem rouba o seu bolso só é mesmo a sua birita.

Em visita ao Bob’s de 3 andares da Barão de Mesquita em 1990 uma amiga dissertou seus entendimentos sobre o padrão brasileiro. A classe-média do qual eu também sou produto, já partia do princípio: “Sendo Norte-Americano é bom.” Eu sempre devolvi essa afirmação em forma questionativa apontando o centro errado de todo o conceito, porque sempre há.

Sua experiência Ianque era assim:

–       Eles enchem todo o copo de gelo lá nos EUA, fica-se pouca Coca.

–      Dissolvendo a Cocana solução universal. Diminui a ingestão do açúcar. A Coca é o erro maior dessa comida protestante-yank-proletária. Eu, na maior partes das vezes, não a peco.

–       Tenho que concordar com essa segunda parte.Quando eu voltei de Miami, eu iria discutir com o cara o atendente… achava que ele não estava me dando o copo certo do meu pedido tamanho médio. Daí ele me mostrou os 3 copos do McDonald’s brasileiro, o pequeno era pequeno mesmo e posso afirmar que não circulava mais esse tamanho nos EUA.

Perguntei de volta pra ela o porquê dos norte-americanos não lançarem os tamanhos promocionais world-wide, já que na Inglaterra se acatava o tamanho obedecido nos EUA, mas não nos outros países. E batata, ela disse: “Iríamos dividir as batatas-fritas”. Na brazuca pelo menos, todos os irmãos de uma grande família, um casal operário, o grupinho da escola chamado pelo professor de zona do agrião, todo mundo mais social um pouquinho iriam dividir as fritas. No próprio “Supersize-me” um documentário que revelou pra muita gente o que é de fato esse consumo bosta, lá pelas tantas o cara diz:

“Quem precisa de 750 gramas de fritas?”

R: O time de futebol.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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