Convivencia Social


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Prédio da Senador Dantas e as árvores do jardim do Edíficio da Petrobrás

1994 eu já trabalhava no Banco do Brasil e conhecia 10 vezes mais gente dentro daquele prédio da Senador Dantas em poucos meses do que boa parte da galera que trabalhava lá a 5/10 anos. Afinal, minha mãe trabalhava lá a anos e sempre convivi com o meio de trabalho dela, indo e vindo, encontrando com ela no seu local de trabalho. A atitude não muito agregada das mães que trabalhavam no BB. Além de tudo, meu trabalho dentro do SenDan não consistia em se isolar a uma mesa de planejamento, eu circulava pelo edifício afim de conferir certos retoques e somar ideias ao ambiente. E é claro dessa galera chata pra caramba que através de concurso trabalhava no órgão público, convivência social era um negócio difícil.

Rua General Roca esquina com a Desembargador Izidro

Pois bem, uma mineira dessas, amante de diretor de procedência catarinense, me disse uma vez quando cheguei no trabalho no inicio do verão daquele ano:

– Quase que te atropelo.

– Ah, foi você… É, não pode sair matando pessoas só porque tem um carro. Não é assim no resto do mundo, os motoristas param para um transeunte. Inclusive no Brasil, é bem clara a regra, que se deve parar para qualquer individuo que queira atravessar, e eu estava na faixa.

– Mas e o motorista de trás vai e me bate no MEU carro. (nada ocorreu).

Retruquei:

– Se eu fosse você não teria carro, já que pressupõe-se que a maioria dirige mal e que vai haver gastos com o carro, etc… Eu estava a caminho do metrô. Da onde e pra onde você estava indo com o carro?

– Não é da sua conta, mas eu estava indo ao dentista ali na Desembargador Izidro.

– Você mora a 500 metros desse endereço, por que não foi a pé? Gasta gasolina, gasta o carro, pode-se atropelar alguém e, mais fundamental, você não exercita seus glúteos! (Atenção que eu menciono à ela que o “fundamental” seria um pedaço do corpo dela e não possíveis acidentes; do qual de cara, ela capta melhor a mensagem.)

Então ela disse que tinha que voltar a trabalhar e não tinha tempo para um papo desses, mas ficou pensando no caso e com tempo voltamos a tocar nesse assunto…

Moral da estória:

Só se detona futilidade com futilidade avançada

Não, só se detona futilidade com medidas reais como leis, aonde o consumidor ou trabalhador seja defendido dessa falta de ética de um semelhante na convivência social.

E esse dentista dela? Quando agente fica mais velho que realmente se desvenda a verdade crua, a verossimilhança desonrosa. Não era dentista nenhum, ela ía dar uma rapidinha com o chefe dela no motel, perto da meu apartamento. Engraçado que esse mesmo caminho, mesmo horário era sempre o Ritter (o amante e chefe) que eu encontrava. Ele nunca havia entrambicado o carro, parava amistosamente.

Nem palavras, nem experiência pra responder ela eu tinha na verdade, ela era um dos tutores, naquela fase primeira do meu estágio. Ainda sim provoquei antipatia em auto-defesa. Ela poderia fazer pilheria dentro do ambiente de trabalho, caso eu a acatasse. Com esse meu discurso, cortei as asinhas dela.

Por falar em antipatia, meu pai reina também nessa área mesmo que carregue consigo sorrisos e quebre sempre uns galhos pro pessoal.

O cara sempre gostou de bicho, pra ele a fauna é um mundo incrível: a psicologia dos cachorros – os que sabem atravessar a rua e os que são imitativos dos seus donos; a diversidade de espécies – quanto mais coloridas mais perigosas, etc… Viveu um tempo no interior do qual ficou impossibilitado de ir a escola porque não tinha, mas compensando esse lado teve a sorte de viver livre entre animais de fazenda e mais ao lado de sua mãe. De volta ao Rio teve que dar adeus ao seu cachorro e mais pesarosamente a sua cabra Boneca e foi tentar aprender a ler sozinho antes de entrar pra uma escola, pegava mal não saber ler.

Entrada do parque industrial da General Motors em Sao Caetano – SP em 1960
jules rimet
Emílio Garrastazu Médici entao Presidente da República e o capitao da selecao Carlos Alberto Torres seguram a taca juntos

Ele cresceu e logo arranjou de trabalhar numa oficina. Pelo seu desempenho impecável arrumaram para ele fazer curso na Cidade do Carro do ABC paulista, São Caetano, a fim de estudar motores na própria sede da General Motors. Logo foi promovido a uma oficina melhor na zona Sul, único lugar do Rio aonde se podia se apossar de um Rolls Royce. Almejando mais um pouquinho conseguiu vaga no Banerj e deram para ele a responsabilidade de dirigir o carro-forte. 1970 ficou encarregado do translado da taca Jules Rimet. Ele ainda estava nesse ritmo quando eu nasci, e pelo fato da minha mãe trabalhar fora, às vezes eu lá estava com ele também nesse carro blindado, no local de trabalho dele.

Em 1976 não havia nenhum lugar no mundo que fizesse propaganda sobre segurança, e a segurança da criança no carro. Numa dessas sentada bonitinha no banco do copiloto sem o cinto (não havia) meu pai freou o carro por causa de um cachorro. Fui parar longe, diz ele, e ainda havia batido com a cabeça. Ele ainda termina dando graças a Deus por ele mesmo não fumar nem beber, pois podia ter tido um ataque cardíaco.

O cachorro obviamente nunca o agradeceu. Porém o meu pai passou a seguir uma tese da qual diz : “Aqueles que priorizam os animais às pessoas são pessoas com difculdades, assim como Hitler tinha difilcudade em muitas coisas sobretudo para AMAR. Afinal os cachorros sao obedientes e gatos sao mudos, ambos desconhecem o valor de dinheiro – fica mais fácil.”

"Wolfsschanze", Adolf Hitler mit Blondi, Winter 1942/43
Blomdi, pastor de Hitler

 

Se pelo menos o Hitler não estivesse na tese, meu pai não seria taxado assim de antipático. Nessas horas eu penso: Se pelo menos Hitler não estivesse na Alemanha tanta gente maneira não teria sumido por não ser igual ao que ele gostava.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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