INIMIGOS URBANOS


jack the ripper
Poster-arte inspirado no Jack the Ripper, e as vítimas iconicas parte “dia de los moertos” estilo. Provavelmente datad da primeira década do século XXI

Agora no meio da Páscoa, o jornal de maior circulação da Noruega publicou um resumo dos últimos 60 anos de assassinatos sem solução de mulheres norueguesas. Um a um eu fui lendo, pois apenas conhecia 3 casos da lista de 30. Mulheres desconhecidas, senhoras, meninas, casadas, prostitutas, todas viraram um álbum de figurinhas nesse jornal e com muita pena não receberam a justiça esperada por suas famílias de prenderem um acusado. Algumas, a própria família era acusada, era o pai, ou o marido ou o primo, talvez as mais bizarras e maléficas da lista – deve dar desânimo nos responsáveis pelas investigações. Descobri lendo também que diferente da Inglaterra aqui na Noruega há um limite de tempo para as investigações, abertura e fechamento do caso, que estão em torno de 25 anos. Por isso que no caso do Jack, o estripador, sempre vai haver um oficial tomando conta dos arquivos lá em Londres, a parada ocorreu 1888.

Nesse famoso caso londrino, como em diversos dessa lista norueguesa, datava final de verão e era endereçada nos grandes centros, e é quase impossível associar o assassino a uma mulher. O óbvio é a natureza sexual da coisa, o estupro. Mas muitas das vezes não há estupro algum, no caso do Jack, the ripper, não houve, apenas cortes e extirpas com o uso de lâminas, nas áreas erógenas. A outra é a violência em si, o poder de tirar a vida de uma outra pessoa pelo fato de ser mais forte que a vítima. Mas forte em que termos? Forte fisicamente, forte pela intimidação verbal, forte pelo adequado uso do ambiente em que se encontram.

No livro “In Cold Blood” do Truman Capote ele tenta observar esses aspectos mais de perto, o autor queria dar uma dentro com o conceito da expressão: No lugar certo na hora certa, quanto a confecção desse livro, o que significou que ele acompanhou os envolvidos na investigacao e os condenados na fila para o enforcamento.

Parte do que ele expõe é que as vítimas dessa estória eram pessoas mais fortes e mais altas que seus agressores e com uma certa habilidade poderiam ter evitado o seu próprio abate. Porque não o fizeram? As vítimas não tinham know-how nem armas contra um animal em ação.

clutter-family-pics
Clutter family

Um psiquiatra disse que, individualmente, nenhum destes homens poderiam ter cometido assassinato, mas juntos eles criaram toda uma terceira pessoa que foi capaz de fazer isso. 

Dentro desse rítmo encontro a única desculpa que nos ajudam enfrentar dores da perda seja de um familiar, um amigo(a), um vizinho(a) numa barbaridade dessas, é que elas foram abduzidas pela forca da natureza, pela forca dos predadores que toda floresta guarda, no caso, predadores humanos.

Em nenhum dos meus textos ou desenhos há de surgir animais. Ao contrário de fotos, que não saio atirando nas mocas da praia do Pepê com a minha câmera certeira, porém acabo enquadrando sim, bichos urbanos dos mais diversos tipos do Rio, esses fazem a alegria da criançada.

Com tanta cidade grande por aí, tanta da poluição, carro, lixo, isso fez com que os animais mais espertos como os saguis, os piolhos e os ratos se dessem bem. O resto do reino  precisa da nossa ajuda para sobreviver nesse caos que foi criado com a urbanização.

santa i analyse
Vitrine com um novo conceito para o Natal em NYC década de 2010

Uma vez com a Flavia Quintanilha, passeando numa via transversal que cortava a Broadway e dois quarteirões depois a Quinta Avenida paramos em frente à uma loja de departamentos típica de Manhattan. A vitrine dessa loja, linda, nos incitava à refletir o quanto seria ainda mais sensacional no mês anterior de dezembro. À noite, a pouca iluminação era usado pra exibição desses cenários caros das vitrines do andar térreo, um tanto parecido com a Mesbla da Cinelândia em seus tempos áureos, só que num luxo norte-americano muito mais poderoso. A primeira era a sala ideal daquele inverno, depois a cozinha ideal, e assim eram várias tomando metade do quarteirão, quando chegamos no “quarto de dormir da filha mais velha” exposto nessa seleção de vitrines, havia lençóis cor de rosa, uma agenda de couro branco sobre a cama e um lápis com um pompom na ponta combinado com a polaina também com pompom – peraí, o que é aquilo que se mexe dentro da polaina? – que se ajeita feliz da vida… era um camundongo. Nojento, cinzento meio marrom, coisinha adonisada pelo Disney, estava ali fazendo daquela vitrine seu apê.

Protegidas pelas barras grossas do vidro da loja, Lina e a Flavia admiravam o bichinho.


Sweet little Sheila, you’ll know her if you see her
Blue eyes and a ponytail
Her cheeks are rosy, she looks a little nosey
Man, this little girl is fine

Never knew a girl like-a little Sheila
Her name drives me insane
Sweet little girl, that’s my little Sheila
Man, this little girl is fine

Me and Sheila go for a ride
Oh-oh-oh-oh, I feel all funny inside
Then little Sheila whispers in my ear
Oh-oh-oh-oh, I love you Sheila dear

Sheila said she loved me, she said she’d never leave me
True love will never die
We’re so doggone happy just bein’ around together
Man, this little girl is fine

Never knew a girl like-a little Sheila
Her name drives me insane
Sweet little girl, that’s my little Sheila
Man, this little girl is fine

Me and Sheila go for a ride
Oh-oh-oh-oh, I feel all funny inside
Then little Sheila whispers in my ear
Oh-oh-oh-oh, I love you Sheila dear

Parte de uma musica que me acompanhaou com a personagem do Rick durante a leitura do livro. Imaginava esse cara fazendo uma balada como essa, sem querer se ligar em gravar ou fazer algo produtivo para mercado fonográfico, aliás o intuito dele era uma imediata cantada (nos 2 mais legítimos sentidos da palavra). E quantas tantas meninas esse maluco nao  foi “aos finalmentes”, garotas de 14 e 17 anos. Um dos lances mais fortes do livro é relatar ao leitor que bem perto de nós esse é o tipo de animal mais perigoso.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias análise, arte pop, crime, memóriasTags, , , , , , , , , , , , , , , , 2 Comentários

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