I don’t wanna be a bimbo, oh no!


Ramones
Ramones

Umas das bandas que mais gosto são os Ramones.  Eles ficam naquela segunda faixa da minha pirâmide de melhores bandas de todos os tempos, que é uma camada grossa, que sai englobando muitas, entre elas: Kinks, Tame Impala, Booker T, Deep Purple, Joy Division, My Bloody Valentine, Caetano Veloso, Kraftverk, Pavement, Blur e a lista não acaba hoje. Bandas que eu tenho disco repetido, mas sem ter toda coleção.

A história dos Ramones é muito boa. Não sei porque até agora não fizeram um filme sobre essa banda nos States.

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Retrato de Madame Récamier por Jacques-Louis David por volta de1800, exibido no Louvre.

A banda era basicamente formada por 2 alicerces simétricos e opostos, como uma referencia a cultura clássica grega. – Isso é a base de entendimento de toda cultura ocidental na era moderna – que vai até a Revolução francesa, para os brasileiros. Talvez vocês não saibam, para os franceses essa determinada era só é finalizada em 1825, com a encerramento do colonialismo na América do Sul. E de fato, nessa mesma data é dada o ápice do Neoclassicismo na moda, literatura e pintura – Pronto, já ficou prolixo esse meu parágrafo. Vou começar o outro já encabeçado quem eram os alicerces.

Eles eram Joey & Johnny Ramone que juntos formaram a maior banda de punk norte-americano.

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Joey com um gatinho, anos 90

O Joey sofria de Transtorno Obsessivo Compulsivo, um termo melhor para uma enfermidade das paranoias. Além de tudo era pobre, morava longe e sua aparência não ajudava muito. O seu amor à música dos Beatles e ao som da periferia de Detroit impulsionou ele a montar uma banda de rock e escrever música. Esse cara cheio dos problemas conquistou milhares de fãs pelo mundo inteiro, saiu do bairro proletário que morava para morar no centro de NYC. Ele não parou por aí, dos anos 80 até a sua morte ele se meteu com um monte causas em prol dos direitos humanos. Estava lá pra defender os exclusos e fazer dessa pequena passagem pelo planeta Terra algo mais produtivo, já que deram essa chance pra ele.

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Jonnhy final dos anos 70

Já o Johnny é farinha de outro saco. O cara era o bonitão, nunca teve problemas com nada, nem de doença, nem com o meio social que estava submetido. Ele era homem, saudável e sobretudo, branco; não há o que reclamar, resmungar de si próprio. Até tem, reclamar dos outros. Pelas suas próprias palavras: “Eu tive um dia de começar a fazer campanha a favor do Nixon. Ouvi amigas da minha mãe dizendo que haviam votado no Kennedy porque era bonito, não aguentei” A base de seu entendimento político. Ele concluía mais tarde sobre os Ramones: “Se não fosse o emprego de Ramone, era bem provável que estivesse preso. Eu nunca que iria trabalhar num supermercado, loja de sapatos, cozinha de restaurante ou no posto de gasolina para o resto da minha vida.”

E pelo menos 25 anos esses 2 fizeram musicas juntos e excursionaram pelo mundo todo… Eles se equilibravam, pra mim um dos motivos do sucesso não ser nenhuma grande surpresa.

Se você levar em conta a trajetória dos Ramones, a política tem mais a ver com arte do que se vende por aí. A começar que aqueles que não interessam pelo estudo da atualidade política que se vive também não estão a par do que novo tem se criado em arte e entretenimento. É quase uma norma, porém há raríssimas exceções.

Um dos casos da norma figuram as bimbos, talvez em português seja perua. Bimbo são mulheres que cultivam uma aparência voltada pra a sede sexual masculina, eu diria também, que seriam uma espécie de Geishas ocidentais.

Em Stavanger tive o azar de conhecer o mais clássico exemplo dessa forma de vida. Uma mulher brasileira colecionava umas dezenas de cirurgias plásticas. Desquitada, mulata, loira-oxigenada, e ainda divulgava ser descendente de italianos, ah! na malandragem pra melhor aceitação pública, contudo não dominava essa outra língua latina. No inverno ela dá aquela sumida do mapa, vai jet to Brazil tentar concretizar seu maior sonho, morar na Barra e ter vida de madame com empregada mais pretinha que ela.

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Mocas britanicas num balneário do sul da Inglaterra saudando um grupo do partido fascista inglês – 1937

Se estivéssemos em 1940 essa mulher acima descrita estaria acompanhando um oficial da SS. Do qual negariam de pé juntos o pé dela na África. Ela se asseguraria também que não iria faltar química pra acidular com as proteínas do seu cabelo pixaim em um liso eterno.

Já em 1980 esse tipo de mulher seria carta batida num Boogie Nighties. Todavia jamais iria constar num bar periférico de grande instituições estudantis que então vibravam ao som das novas bandas que tentavam expressar em poesia e distorção elétrica a vida, as condições sócio-políticas de suas eras, como foi o caso dos Ramones em NY e o Joy Division em Maschester. Elas não tinham nada a ver com isso. Estavam ali pra curti uma bajulacao de algum homem, não uma música de outrém.

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a banda Joy Division em Manchester

Impressionante é quem mais precisa participar desse engajamento são justamente a massa que fica a deriva.   Conhecida como massa de manobra.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias arte pop, cronica, cultura saber, historia, politica, sociologicoTags, , , , , , , , , , , , , 5 Comentários

5 comentários sobre “I don’t wanna be a bimbo, oh no!”

  1. Pois é Flávia, Ramones é foda. E seu resumo sobre a banda é fenomenal. No fundo o Joey e o Jonny se odiavam, assim como Lennon e MacCartney. Mas quanto ao Joy Division de Hittler, sempre achei que fosse um loucura localizada de um grupamento, e não uma política deliberada de violação do estado nazista.
    Bjo

    Curtido por 1 pessoa

  2. É também pode ser. Mas eu nao descarto a possibilidade que fosse algo seríssimo por parte da inteligência, uma arma de dominação. Muita coisa do reich era baseada no imperialismo romano. Esse negócio do Joy Division que rolou em todos os países com loiras de pouco estudo foi muito dramátco aqui na costa oeste da Noruega. Sempre que tem alguma coisa eu leio, mas as pessoas daqui tendem a apagar tao dramático episódio. Vou falar mais sobre isso em outra post.

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