Genealogia


Isso faz parte desse conceito aonde você esta no tempo e no espaço. Não entendo as pessoas se perguntarem tão pouco “quem nós somos”, “da onde viemos” & “porque somos assim”. A maneira que eu encontrei mais simples pra responder tais perguntas é através do estudo dos nossos antepassados. Tem mais a ver com um estudo social do que biológico, muito mais. Foco no que passaram, que ambiente civilizado ou hostil estavam mergulhados, que carga educacional obtiveram e o que edificaram.

Meu problema, como se nao houvesse outros, é que nao há possibilidades (grana) d’um dia ter que ir ao Espírito Santo para catar alguma coisa sobre a minha bisavó, a dona Eufrosina de Lima.  Estive no ES um par de vezes, um com os meus pais em 1991 e a outra, com a USU em 1996. Ambas as vezes, passei longe da serra capixaba.

O que poderia ajudar muito era eu recorrer a pesquisa em arquivos mesmo em tao distanciado porto. Porém no Brasil, de modo geral, são queimados arquivos “acidentalmente” nas prefeituras, muitas vezes em conexão com uma investigação criminal em curso contra o prefeito. O país tem uma longa história de uso simbólico do fogo para “limpar” e “purificar” coisas (como documentos, terra & corpos).

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Meu trabalho arqueológico nessa instancia com  os meus ancestrais procura coletar. Fico de ouvido em pé (super atenta) em leituras de pequenas memórias de internautas que mais ou menos guardam um perfil semelhante ao meu, com ancestrais também de perfil semelhante. Coleciono pensamentos desses se passariam por aqueles que pesquiso, gente que morou em cidades  do interior dos estados do sudeste a pouco mais de 100 anos atrás, como esse senhor de Minas: “Quando chegamos aqui, a terra estava vazia, só era uma selva, cheia de feras e índios. Viemos, drenamos os pântanos, limpamos a selva e domesticamos os animais e os índios, agora temos todas essas fazendas produzindo…” Queimaram a floresta passando por cima de milhares de espécies de vertebrados e invertebrados plantas e fungos que nenhum cientista chegou a catalogar. Sabe nessas horas, se eu fosse crente em Deus, ficaria em pleno horror, já que o mais se mata são criações desse Deus que dizem tanto amar e que ORDENOU não matar! O irônico (o que dizer sobre isso?) é que esses seus seguidores, crentes e tementes, sao justamente a galera que está lá sendo os protagosnistas da DESTRUIÇÃO E MATANÇA.

Sem deixar passar, quando citado “domesticaram”, leia-se prenderam, furtaram ou assassinaram a liberdade de outro ser humano. Não é a toa, que a primeira lei dos homem é o direito de IR e VIR. Não deixem que subtraiam isso de vc. Na Escandinávia Irlanda & Escócia ampliaram esse conceito, que eu estou em completo de acordo. Se há um espaço seja vede, uma floresta, um campo, mesmo privado, qualquer um tem o DIREITO de transitar e acampar neste. No meu primeiro dia em Oslo, sentei nos gramados do Tinghuset (Parlamento e tomei leite de caixinha no dia seguinte fiz o mesmo no Palácio real. Local público, local bancado pelos noruegueses, local usado por todos. Imagine voce não poder transitar nas praias do Rio, nos parques dos Palácios do Catete, de Sao Cristóvão, da Floresta da Tijuca. Como é a realidade em Brasília ou no Centro-Oeste?

Mas ainda sobre purificação, existe uma palavra especifica para isso com o uso do fogo, dito queimadas, a coivara. Diz-se que é de origem tupi, a catalogada desde o ano de 1607.

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Eufrozina de Lima

Durante umas boas 2 semanas em 1991 pintei essa senhora triste da foto em óleo – a própria Eufrosina, com cerca trinta tantos anos, que perdi na UFRJ.

Essa foto ficava na casa da Dona Leida entre a sala e cozinha. Assustada minha tia dividiu comigo a mesma impressão que eu tinha da foto. O marido ao lado, nossa! o próprio caipira. Ambos de tez pálida, ele queimadaco do sol, do trabalho ou da vida fora da proteção das sombras, ambos poderiam passar por norte-americanos dos estados dos cinturões. Ele posava feliz e orgulhoso e ela triste & cética nessa foto, a partir dessa foto qualquer uma há de concordar que a influencia do sol tenha muita a ver com o nosso estado de felicidade e melancolia. Ela deveria passar dias trancafiada em casa cuidando das eternas obrigações de mãe, e de 6 filhos. A começar com o tratamento do milho, para torná-lo uma boa farinha pra a polenta.

Quase inimaginável pra mim criar a realidade dessas personagens Dona Eufrosina e o seu Cassa. Na virada do século ela ainda brincava com outras crianças e ajudava com os fazeres da casa com adultos, principalmente na labuta da alfaiataria. Dos 9 aos 13 anos deve ter frequentado a escola local, 3 dias na semana. Casou por volta de 2010 perdendo ser marido em 1923.

100 anos prévios, esse arraial que moravam era conhecido como Rio Pardo. O arraial e mesmo Cachoeira de Itapemirim eram povoados por índios, passando a se dispersar (desaparecer) no correr do século. Como o petróleo é hoje, que faz a nossa democracia ser banida da ordem do estado por um bando de mafiosos, o ouro atraiu esse tipo de jagunços a se tornarem autoridade no local. Vindo gente de toda a parte para garimpar, os mais bem armados montaram suas alianças e deferiram políticas. Logo outros vieram, alguns a nobre filosofia de trabalharem no local, chegam a ser tropeiros e se for mulheres, prostitutas.

Os colonos italianos comecararam a plantar café 1880 nesse estado. Fora requerido 20 mil colonos italianos para o Espirito Santo, só vieram 12 mil ara se submeter ao trabalho que era conduzido por mãos negras no Brasil ou em outras áreas americanas.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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2 comentários sobre “Genealogia”

  1. para variar escrevi no lugar errado (lá no feed), mas entro pouco e as vezes gasto tempo tentando identificar onde está publicado, como compartilho etc.
    Como sempre adorei, mas entendo que carece de um link (veja meu o comentário no próprio feed) vai ficar mais legal e inteligível para seus amigos. Quero participar quando der.
    Concordo com o estudo da ascendência e incluiria além dos fatores ambientais, aspectos sociais e educação, o fator biológico tb, pois muitas coisas eu tenho do vovô e da minha bisavó, avó da sua avó (aquele quem criou a mamãe), segundo depoimentos da mamãe. Um exemplo dado por ela, é meu gosto por chá e coisas naturais (fruta do pé, crença nas ervas medicinais etc). Amo a história do figo, que eram encapados ainda na árvore para que ficassem protegidos dos pássaros. Novamente: aposto no mosaico!Bjs tia

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