Mulheres que dizem sim


Durante muitos anos na noite carioca, por incrível que pareça aqui na Noruega também, não passava mais que dois minutos sozinha que algum cara iria tentar a sorte comigo. Muitas vezes mesmo antes do cara iniciar qualquer falácia já dava aquele alerta que ele estava gastando um tempo precioso e seria mais produtivo se assim tentasse o mesmo esquema num campo mais fértil.

Apesar do que dizem por aí que “todos os homens são iguais”, as respostas a esse meu ousado e não menos honesto aviso eram diversas. Muitos pareciam nao ter ouvido/entendido portanto continuavam com um papinho, do qual deveriam mesmo considerar contratação de um ghost writer  pra ter mais o que dizer. Outros se desculpavam e seguiam adiante. Mas também tinha aqueles estranhos que querem porque querem gerar confusão (?), nao me surpreenderia se esses numa época de suas vidas, haviam ou iriam estuprar alguma garota.

Ontem mesmo saiu uma nota do governo norueguês que 1 entre 9 mulheres norueguesas já fora estuprada uma vez na sua vida. A pesquisa anterior datava de 2009 e mantinham o mesmos números.

Em Janeiro desse ano, o papo da semana foi dominado pelo tal do rolézinho de shopping. Se você tem entre 12 e 17 anos será reconhecido no futuro como pertencente a essa geração. O seu símbolo maior é o tal do Justin Bieber,  que quando está de saco-cheio da gritaria da biebermania, sai cuspindo nas garotas. Quero dizer,  são geralmente garotas, mas há também meninos.

Na semana seguinte, os jornaleiros – aqueles que se transvestem de jornalistas – já tentaram começar abordar outras faces do rolézinho, descobrindo nesses adolescentes uma cara mais parecida com uma classe-média. Classe-média consumista, que fica mercê do que a impõem como ordem e progresso tanto figurativamente ou ideologicamente.

Numa dessas entrevistas, observei que toda a filmagem inevitavelmente caía apenas sobre as meninas. Eu entendo que na hora das edições, o chefe-redator nao conseguiu nada sólido das bocas daqueles projetos de Bieber cor-de-cobre que se espalham pelos shoppings suburbanos de Rio e Sao Paulo.

erika rolezinho
Miss emancipacao da classe D – 2013

As garotas nao passavam de 16 anos, cada uma deu uma resposta que as bem caracterizavam, o impressionante como cada resposta diferenciava uma das outras sobre tudo o que as cercava, da educação às manifestações, o governo e o amor. Entre todas as meninas “os jornaleiros” reportaram mais tempo aquela que menos tinha consciência do mundo que habitava. Sua última frase na reportagem foi:

As vezes na azaracão, se você nao ceder, eles até te maltratam e falam mal pelas costas. È melhor isso nao acontecer…. (Algo bem parecido com isso).

Por que ela dá espaço a essa humilhação? Sua única forma de tempo livre já aparece pra ela corrompida e déspota. “É assim, pra que eu vou me rebelar logo aqui…?”

Esse exemplo da garota acima, eu tendo associar com isso aqui, do passado, cheio de data acessível em bibliotecas ou na internet:

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Bonnie Parker
  • Bonnie Parker conheceu seu marido na escola. Eles largaram os estudos para se casarem em 1926, 14 dias antes do seu aniversário de 16 anos. O casamento foi marcado por frequentes problemas do marido dela com a lei. No diário dela, que manteve no início de 1929, Parker escreveu sobre a sua solidão, sua impaciência com a vida provincial de Dallas e seu amor pelo cinema. Nesse mesmo ano que ela conheceu Clyde Barrow, ela larga seu marido e seu diário para acompanhar o criminoso aonde o vento ía.
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    Blanche Barrow

    Blanche Barrow com 18 anos incompletos conheceu Buck Barrow – irmão mais velho de Clyde – Nessa época ele já era um criminoso profissional e também já duas vezes divorciado com filhos. Durante o breve tempo que esteve junto ao grupo, ela perdeu 15 kgs chegando a estar com apenas 36 kg quando foi capturada pelas autoridades.

  • Myra Hindley, nascida em 23 de Julho de 1942 em Manchester, UK foi criada pela avó e parou seus estudos com 15 anos. Em 1961 conheceu Ian Brady, um estocador e ex-presidiário. Ela se apaixonou por ele instantaneamente, e com grande facilidade se tornou uma presa a ser manipulada. Myra ficou conhecida como a maior assassina britânica de todos os tempos.
  • Caril Ann Fugate (nascida em 30 de julho, 1943) foi a namorada e cúmplice do assassino Charles Starkweather. Ela foi a mais jovem na história dos Estados Unidos a ser julgada por assassinato em primeiro grau. Com 13 anos de idade já contemplava a experiencia sexual com Starckweather, que era cinco anos mais velho que ela. Ele trabalhava num armazém. Em janeiro de 1958, Fugate alega que o encontrou a esperando voltar da escola. Toda sua família, incluindo sua meia-irmã, um bebê, já estavam mortos quando chegara da escola. Durante os seis dias posteriores aos assassinatos, continuaram vivendo na casa e evitavam que visitas aparecessem, mas conseguiram inibir que vizinhos suspeitassem. Logo, fugiram da localidade. As outoridades encontraram os corpos dos familiares de Fugate nas dependências do imóvel.
  • Linda Kasabian (nascida em 21 de junho de 1949) é uma ex-membra da “família” de Charles Manson. Ela era descrita por amigos e professores como uma moca inteligente, uma boa aluna, mas também como “sonhadora romântica”. Kasabian abandonou a escola e saiu de casa com 16 anos de idade. Seguiu rumo oeste à procura “de Deus”. Ela foi para Los Angeles para viver com Robert, seu marido armeno, e a filinha que tiveram, em acampamentos hippies de periferia. Grávida do segundo filho de Robert, Linda conhece uma moca que a levaria pra o Rancho que Manson estava ocupando e seu marido deixa os EUA.

    LINDA KASABIAN
    Linda Kasabian
  • Suzane Louise von Richthofen, conheceu os irmãos Cravinhos com 16 anos incompletos. Ela passou a patrocinar os 2 irmãos, ajudando com suas dívidas com traficantes. Culminado no assassinato do seus próprios pais para custear as ostentações dos marginais.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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