Yves


Semana passada li uma crônica do Jabor aonde ele tentava simplificar um pensamento com essa deixa:

Não é que não dera certo o seu relacionamento, deu certo enquanto durou.

Eu acho que ele já havia escrito isso antes, talvez, 20 anos atrás. Eu posso estar confundindo com um outro qualquer da zona sul da cidade maravilhosa. Esse tipo de pensamento inebriou toda a mina geração, nem tudo é eterno. Programei de tal maneira a minha vida, geral, pra ter aquela sociabilidade com o outro sexo até as coisas azedarem. Pra entrar, se vir a entrar na instituição casamento, deve-se, no mínimo um know-how de 15 anos de prática.  

Atuando dentro dessa filosofia dei a oportunidade de conhecer do que seria o prescrito pra mim. Um desses que passou voado na minha vida foi o primo de uma amiga minha. Essa garota tinha uma melhor amiga, que fazia ela cair muito de conceito comigo. A coitada da amiga da minha amiga pintava o cabelo de loiro e ouvia musica baiana. Eu achava ela uma idiota, mas elas cresceram juntas e sempre foram da mesma escola. Essa minha amiga era apenas uma vizinha do condomínio.

Palácio de Buckingham

Eu tinha 15 anos, frequentava as sextas o Meio Ambiente dance clube e aos domingos dançava na Matiné do Tijuca Tênis Clube. No sábado possivelmente rolava alguma festa de aniversário ou íamos para o play, eu geralmente comandava o som com vinis e cassetes.

Os pais dessa garota eram pró-eu. Eles eram quase 10 anos mais novos que os meus pais e viam MTV! Essa menina passou pra biologia na UERJ em primeiro lugar e se formou com 22 anos. Com 23 casou com um nisei, próspero dono de academia, com 24 teve um filho com esse cara e depois se separou.

Muitos anos antes disso ela já nao aparecia no meu cotidiano,  por causa de faculdades e meios diferentes, mas sempre que podia conversava com a mãe dela. Eu nunca perguntei sobre o Yves.

Mesmo que quisesse mostrar interesse, o que nao é bom, era possível pressentir de longe que boa coisa nao ía ser respondida e é sempre bom evitar situações embaraçosas. Muito opostamente a Camila, acho que ele mal concluiu o primeiro grau! Por causa disso, eu encontrava dificuldade de manter um papo e logo me desinteressei pelo sujeito.

Um dia nesse breve período juntos, abri o jogo com ele e disse que realmente nao dá pra dar. Ri e ocasionalmente rio quando lembro da cena. Passei a bola adiante pra um sujeito muito maneiro que tinha vários discos tão maneiros quanto e estudava engenharia na PUC, resolvi minha vida.

Numa ocasião havia perguntado quanto tempo o Yves havia namorado a garota da videoteca, do qual ele foi o primeiro. A uns 6 meses indo e vindo, os pais dela proibiam de nos ver por que ela só tem 13 anos de idade (!), ele respondeu.  Eu falei então que justamente era o tempo máximo do máximo que eu havia estipulado de ficar com ele, 6 meses. Que choque… Ele não gostou muito. Alguns poucos anos depois eu vi a garota da videoteca no ônibus, ela estava grávida.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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