Quem anda com porcos, farelo come


O filme “Conte comigo”, em ingles “Stand by me“, versão do livro “The body” do Stephen King termina mais ou menos assim: “Amigos entram e saem da sua vida”. Eu ainda não estava certa, descobri depois, os familiares entram e saem da sua vida do mesmo modo, Steve.
Tive uma espécie de eureka. Coincidentemente quando o livro foi lançado.  Isso aconteceu numa casa muito antiga, que tinha quintal, mesmo que acimentado quase todo. Nessa época observava e arquivava o máximo que podia, pois numa dessas observações, fiquei encantada e queria guardar a experiência na minha cabeça pra sempre.

Em 1982 pela última vez voltei a uma festa nessa vila que nunca quiz perder dos meus arquivos de memória.  Parece que ali desenvolvi esse raciocínio. Eu estava numa idade hiato, o que me fazia distanciar dos menores e ser pouco acolhidas por primos maiores. Contudo eu tinha um enorme interesse, que conduzia sempre a esse canto em diversos apartamentos e casas dos convívios dos meus pais, eu fazia a festa comigo mesmo era só eu achar algo que eu curtia. Nessa casa de vila, a vitrola se localizava no quarto dos pais da minha prima em segundo grau, mal se ouvia do quintal.

Fui lá trocar o disco e logo o dono da casa notou. Ele voltou a seu quarto e botou o disco infantil caipira dos anos 60 de novo sem pensar que eu tinha alguma coisa com a interrupção. Não havia outro vinil que prestasse pois havia examinado a modestíssima coleção de uns 10 vinis antiquíssimos, a maioria compactos. Queria mesma uma rolha pro meu ouvido, também não achei. Entendo que hoje, aquilo que tocava sem parar na festa pode ser uma raridade.sitter

Por fim, expus o caso a minha mãe. Ela disse:

– Olha só a peca. – caso encerrado.

Bem, assim posava o cara no aniversário da própria filha: bermuda surrada, um chinelo gasto, uma camisa aberta suada. Não se prestava a fazer nada na festa e era bastante gordo. Passei a guardar também observações que desencantavam.

Não lembro de ver essa família mais vezes depois desse episódio. Menos de 10 anos depois, minha mãe contou ao meu pai que a coitada da prima dela iria se separar do marido. Ela havia descoberto que ele, o cara gordo, tinha uma família igual (!), ou seja, uma outra mulher da mesma idade, com outras 3 filhas na vila do quarteirão ao lado! Como é que 2 mulheres podem cometer o mesmo erro? Só Nelson explicaria.

Anúncios

Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

Categorias cronicaTags, , , , , , Deixe um comentário

Qual seria a sua perspectiva sobre esse assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s