O coadjuvante importante


Uma amiga uma vez me contou que uma cena forte que havia visto foi uma égua atropelada dando de mamar para o seu potro que em meio ao acidente, havia nascido.

Sempre que aparece essa lembrança dela em nossos conversas, reservada eu lembro que num domingo fresco estava almoçando com a minha família no Siri, quando este era ainda um bom restaurante na Tijuca.

Na mesa ao lado da nossa, um casal estava para terminar seu almoço e ao invés de sobremesa, ficaram nas biritas. Realmente uma atitude mais bem acolhida, não é de costume pedir sobremesa em restaurante de peixe no Rio de Janeiro.

Siri_Bobo
bobó de camarao

Esse casal deixou uma travessa inteira de arroz, intocado, que acompanhava seus pratos. Um deles observou duas crianças, muito provavelmente 2 adolescentes da mesma idade que eu & meu irmão tínhamos naquele mesmo dia. Esse quasi-vultos passavam na esquina que fica esse restaurante. Num assovio o cara os chamou oferecendo o arroz.

As crianças visivelmente eram moradoras de rua, eram magras, sujas e suas vestimentas eram praticamente retalhos. Logo, quase que voou arroz para o nosso lado. A colher que usavam era aquela de por comida no prato e DOIS adolescentes famintos, não poderia dar certo.

O tempo passou mas essa estória deve se repetir em muitos lugares em volta do globo, em todas as épocas. E por causa dessa memória, passei a dar atenção a uma instituição que ainda engatinha no Brasil, mas já dá seus sinais de vida, a tal da Foster-family.

Já escrevi sobre a Marylin, uma das mais famosas a participar desse programa. Outra mieppessoa de enorme significância na história mundial foi a Miep Gies. Se você não ouviu falar nela ainda, considere esse texto como um momento produtivo.

Na Primeira Guerra Mundial a Áustria adotou também uma política radical para abastecimento populacional em demanda a escassez de mantimentos crescente. Nessa época de fome, Miep foi adotada através desse Foster programa e sua família se debandou para Holanda onde eles todos se estabeleceram sem problemas. Se eles não fosse adotada ela teria sucumbido, só isso.

opektapudding
O poster criado por Miep para a Opekta, fabrica de geleias & gelatinas.

Miep nunca perdeu o contato com a língua alemã e aprendeu holandês dentro da escola pública, adquirindo fluência nas duas línguas sem sotaques.

Aos 24 anos, ela se alistou para um trabalho temporário de secretária, ao qual entre outras funções, desenharia os rótulos das geleias para firma. Pela sua aptidão com as 2 línguas fez com que ela se tornasse amiga e confidente da família Frank, o sr. Frank era o diretor dessa empresa e também havia se mudado da Alemanha para Holanda por causa de revéses no seu país de origem.

Com a deportação da família Frank para os campos de concentração quando da ocupação nazista em solo d’Orange, Miep sagazmente guardou entre os documentos do seu chefe, o diário da sua filha mais nova. Qual era o nome dessa filha?


Valendo um vidrinho de geléia.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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