Olhando para baixo.

Visita da Alessandra

Numa sexta infeliz de 2010 deixei de participar da cena cultural, pra ser infamimente julgada por funcionários de baixa capacidade. Erro meu. Deveria estar fazendo algo que eu gosto. Voltei correndo pra casa, arrumei a minha casa para evitar sobresaltos dramáticos.

Ajustei-me como numa metáfora tivesse exugado a poeira da agulha da vitrola e posto a agulha de volta na faixa que estava tocando. Um dos meu afazeres da rotina do dia seria usar meus filha na creche. Para minha surpresa, na porta de casa estava jogada, numa hora movimentada, 50 pratas no chao! Peguei a nota e em pouco tempo o brilho dia voltou.

O caso descrito no páragrafo acima parece enfermo, mas já havia na verdade acontecido algo semelhante comigo em 1995.

Uma amiga dormiu lá em casa, iríamos para o centro da cidade. Ao cruzar o portao de saída do edíficio que era aberto etrönicamente pelo porteiro, essa minha amiga fecha o portäo pesado – que aparentemente pela lei da gravidade e uma elaborada engenharia nao tinha necessidade de ser empurrado pra fechar-se – na cara de um vizinho meu.

Sobrado General Roca
Armazém & sapataria que funcionavam na General Roca.

Agora como eu tenho problemas em ver a parte engracada da coisa, fiquei reclamando a rua inteira no ouvido da garota até chegarmos na esquina com a praca Saens Pena, onde pegaríamos o metrô. Ela, porém, nao deu um pio, nenhuma resposta ao meu discurso, olhava fixamente pro chao justamente a mesma postura que fez ela fechar o portao na cara do cara. Quando iria lembrá-la desse fato ela finalmente abre a boca:

– Olha!  20 pratas!

A gente correu pra pegá-las e ela continuou:

Pode ficar com as 2 pra voce, para nao reclamar mais 😉

Eu dividi com ela, afinal de contas foi ela que achou com sua habilidade de olhar pra baixo. Eu nunca teria-as visto naquele dia.

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Publicado por: This Leksus

Naturalmente carioca da gema. Levantei a bandeira da união dos estudantes em 1990. Depois que vi que a bandeira era tipo lilás, caí fora, mas mantive contatos do setor cultural aonde fui a curadora por 2 anos seguidos no periódico e da rádio interna. Essa mídia chegava à 2000 estudantes em 1992. Participei de cursos de pintura abstrata com Mollica (1947-2013) e desenho Modelo Vivo com Giancarlo Bonfanti na Escola de Artes Visuais do Parque Laje de 1987-1992 e em outros institutos de arte. Estudei na USU, UERJ & UFRJ, arquitetura e urbanismo, Educação artística & Figurino respectivamente. Meu primeiro projeto foi a fonte do Banco do Brasil com seu logotipo, nas dependências da Agencia I do Banco no Rio de Janeiro. Em 1995, cursei por um breve período a Escola Politécnica de Lisboa, aonde desenvolvi uma tese sobre o Manuelino. Muitas descobertas, e não parei de fazer cursos extras em outras grandes universidades cariocas. Senai Cetiqt, Universidade Candido Mendes, UIS (Noruega). Trabalhei com Alexandre Hercovich para Semana da Moda no Rio em 1997. Nos anos seguintes criei o cenário e costumes para a peça Frida Kahlo no Teatro do Museu do Catete. Nessa época comecei a trabalhar como Dj e me destaquei na área até 2010, quando decidi encerrar essa atividade e me dedicar a gravura & tradução. A partir de 2005, anualmente, faço instalações e exibições de pinturas, desenhos, edições de livros, mosaicos e gravuras. Em 2010 comecei a me infiltrar na área de tradução e interpretação, também como uma ação social. O que faz voltar intensamente para escrita e leitura, e me dispersar pra outras línguas, como dinamarquês, francês, italiano & espanhol.

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